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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 01/04/2026

10 anos de pensamento que resiste ao conforto do gosto adquirido.

As Rimas e as Batidas de um país ao espelho e em transformação

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 01/04/2026

A dias do Rimas e Batidas completar 11 anos de vida e de fazer nascer um livro que compila algumas das peças mais marcantes desta primeira década de atividade (bem como alguns textos inéditos), damos hoje a conhecer às nossas leitoras e leitores o ensaio introdutório que constará nessa mesma peça bibliográfica, assinado por João Mineiro, que organizou e editou as peças que vão constar em Rimas e Batidas: Uma Década de Mudança na Música Portuguesa e Global. O livro encontra-se neste momento em pré-venda no nosso Bandcamp por 35 euros.

Foi em Abril, no mês mais bonito do ano, que nasceu o Rimas e Batidas, há dez anos. Corria o ano de 2015 — um tempo já distante, e ainda assim estranhamente tão próximo daquele que habitamos. Nesse ano de longa duração, do Charlie Hebdo ao Bataclan, o mundo assistiu a brutais atentados em França, seguidos de um estado de exceção e de policiamento com impactos que perduram até hoje. O Mediterrâneo transbordava de corpos e vidas naufragadas à porta da Europa Fortaleza, implacável na sua vocação punitiva, enquanto desmantelava os pilares das políticas sociais, de inclusão e igualdade. O pânico moral instalava-se, a xenofobia e o racismo revelavam toda a sua durabilidade estrutural. Novas e velhas extremas-direitas emergiram, engravatando-se em direção às instituições, acelerando o seu assalto ao poder.

Ainda em 2015, por entre os destroços da crise económica e social, emergia da Grécia uma esperança anti-austeritária, que procurou os seus rastilhos internacionais, até ser esmagada pelo autoritarismo liberal europeu. Trump ainda não havia tomado o Capitólio, mas já caminhava sob os holofotes mediáticos que o levariam à Casa Branca. Bolsonaro ainda não conquistara o Planalto, mas já seguia a sua marcha cardada, alavancado pelo golpe de Estado institucional que lhe abriria o caminho. Na ressaca da grande crise liberal, o ar dos tempos já se tornava irrespirável. 

Por cá iniciava-se também um processo de mudança, embora estivéssemos longe de imaginar o que se lhe seguiria. Nesse ano de 2015, começava uma lenta caminhada de superação dos anos da troika, do governo das direitas e do autoritarismo social; anos “barrigas vazias e corações partidos”, como cantou Chullage; anos de emigração forçada para uma qualquer metrópole “apinhada de gente jovem” a dormir com as “costas deitadas em divisões alugadas / em casas que nem chegam a ser casas”, como cantou Keso. Tempos de dureza, seguramente, mas também marcados por extraordinários momentos de mobilização social e política, a que o campo artístico e musical  — especialmente o mais consciente, comprometido e implicado — não se alheou. 

Olhando em retrospetiva, parece claro que a saída da troika e a mudança de governo — com um inédito acordo entre a esquerda parlamentar — não trouxeram o paraíso terreno. Afinal, como também cantou Allen Halloween num disco lançado nesse mesmo 2015, uma parte do país continuava — e continua — a habitar uma “noite que não acaba nunca”.  Ainda assim, esse foi também, de certa forma, um ano de viragem, em que algum espaço de respiração se reconquistou, alguma tensão se aliviou, alguma esperança se inaugurou — por limitada que fosse — de que seria possível imaginar e construir um futuro distinto daqueles anos de miséria, sofrimento e desalento. 

Todos esses processos encontraram eco e ressonância na música produzida em Portugal na década seguinte. Entre 2015 e 2025, a música constituiu-se como um espaço referencial e aspiracional para muitos setores da população portuguesa, ou a viver em Portugal — mas traduziu, também, muitos dos conflitos, tensões e contradições que atravessaram a sociedade e a cultura do país. Por entre rimas e batidas, Portugal observou-se ao espelho a partir de uma multiplicidade de olhares e perspetivas, sonhos e fantasmas, esperanças e desilusões. E todas essas imagens se projetaram em alguma da mais inventiva, vibrante e impactante música das últimas décadas. 

Muita dessa música tornou-se, então, objeto de interesse, reflexão, análise e crítica nas páginas digitais do Rimas e Batidas, uma revista digital e independente que parece ter nascido com um pressentimento e uma constatação fundamentais. O pressentimento era o de que estavam em ebulição — ou, em alguns casos, em processo de consolidação — um amplo conjunto de revoluções sonoras, em Portugal e no mundo, que mereciam escuta atenta, reflexão crítica e a produção de um pensamento que fosse para lá da espuma dos dias. E a constatação era a de que já nesse momento — e ainda mais agora — os espaços do jornalismo tradicional, ou mesmo o campo da reflexão académica, salvo honrosas exceções, já não se mostravam particularmente férteis para pensar, contextualizar e acompanhar muito do que se transformava tão rapidamente.

Uma dessas mudanças — e talvez das mais decisivas — foi a própria experiência do tempo. Os processos de aceleração social, ancorados na vivência de um eterno presente, e aliados à velocidade crescente dos meios digitais de produção e consumo, contribuíram para a explosão de signos, sons e imagens. Mas essa torrente de estímulos concorreu, também, para a sua rápida diluição num espaço digital sem memória, neutralizando o seu impacto crítico, num ininterrupto fluxo de informação que incessantemente se consome, sobrepõe e substitui.

Para o bem e para o mal, tudo isso se fez sentir numa revista digital como o Rimas e Batidas. Ao mergulhar no seu longo e extenso arquivo, torna-se evidente a necessidade que terá existido de acompanhar a velocidade da produção musical e cultural deste período. Só nas secções de críticas, reportagens, entrevistas e ensaios, são bem mais de dois mil artigos que percorrem a riqueza da música feita em Portugal (e no mundo) na última década. Esse ritmo de publicações — e a sua ininterrupta substituição digital — justificavam, neste sentido, um primeiro momento de paragem e balanço para um olhar retrospetivo sobre o caminho feito, um tempo para fixar algumas ideias sobre o quanto esta música andou para aqui chegar. Este livro procura, também, conquistar esse tempo.

Tal objetivo torna-se ainda mais urgente num ano como 2025, em que o espaço de respiração e de relativo otimismo que se sentia há dez anos parece contrastar com um pessimismo reinante, vitaminado por um espaço público povoado de colapsólogos e intoxicado pela proliferação de ideias nacionalistas, racistas, xenófobas, conservadoras e misóginas, que crescentemente tomam as instituições e as ruas — ideias contra as quais muita desta música tem lutado afincadamente. 2025 é, para muitas e muitos de nós, um ano de regressão, de dura constatação de que os alicerces culturais em que o fascismo sustentou o seu discurso sobre o país, a sua cultura e a sua história parecem, cinquenta anos depois do 25 de Abril, mais vivos que nunca. Mas talvez este possa ser, também, um tempo para uma reflexão ponderada, capaz não apenas de reagir ao imediato, mas de inventar outras perguntas e ensaiar novas respostas. Pode a música ser também esse lugar? Ainda pode?



[Pauzinhos na engrenagem numa década de conformação algorítmica]

Na última década, o mundo da música atravessou transformações profundas, consolidando muitas das tendências que vinham sendo identificadas desde o início dos anos 2000. Parece hoje inegável que a música se democratizou — tanto no acesso, como na produção. Se durante anos se vaticinou que a circulação digital da música — e as práticas de partilha e pirataria que a acompanharam — conduziriam a uma crise irreparável da indústria musical, esta última década veio demonstrar precisamente o contrário: essas novas formas de produção e circulação não só não destruíram a indústria, como a obrigaram a adaptar-se para sobreviver e, sobretudo, para continuar a prosperar.

Na verdade, foi precisamente à margem dessa indústria — e muitas vezes em tensão com ela — que emergiram algumas das propostas mais originais e inventivas da última década. Essas novas formas de produção e circulação musical possibilitaram o surgimento de sonoridades transformadoras um pouco por todo o mundo — e também em Portugal —, que se impuseram não por integração imediata no mercado, mas pela sua força estética, social e cultural. E foram essas mesmas sonoridades que, pela sua influência crescente, acabaram por forçar a própria indústria musical a reconfigurar-se à sua imagem.

Essa diversificação cultural ocorreu, no entanto, em paralelo com uma transformação acelerada do próprio mercado musical, marcada por mudanças estruturais nos modos de consumo e de relação com a música. A nova economia política algorítmica — que atravessa e coloniza os vários domínios da vida social, cultural e política — manifestou-se com particular intensidade na indústria musical, onde se consolidaram dois fenómenos que se retroalimentam: por um lado, a crise das mediações — nomeadamente do jornalismo, e em especial do jornalismo cultural; por outro, o que poderíamos chamar de conformação algorítmica do gosto, mediada por tecnologias de rastreamento, monitorização e previsão de consumos culturais.

Sob a aparência de um acesso livre e generalizado à música, esta nova metamorfose mercantil conduz-nos, através de uma conjugação entre o nosso rasto digital e as apostas comerciais dos principais agentes da indústria musical, para propostas musicais e culturais que, previsivelmente, reforçam gostos adquiridos e geram adesão imediata. É provável que hoje se escute mais música do que nunca. No entanto, esse aumento quantitativo ocorre em paralelo com o aprofundamento de bolhas culturais, estruturadas por sistemas de rastreamento, segmentação e homogeneização de estímulos, signos e propostas musicais.  

As plataformas de streaming, hoje hegemónicas na mediação do consumo musical, operam através de sistemas de recomendação personalizados e socialmente segmentados, que reforçam preferências existentes, estreitam a possibilidade da surpresa e do estranhamento, limitando o acesso à diversidade. E este gosto guiado por algoritmos tem implicações culturais significativas: restringe o ecossistema de propostas a que se acede, contribui para o afunilamento das experiências musicais e culturais e acentua mecanismos de segmentação e tribalização do espaço público

Como salienta Prétu numa entrevista publicada neste livro, estas mudanças podem contribuir para processos de invisibilização controlados pelo mercado; processos, esses, especialmente relevantes no contexto político atual já que, como também demonstrou Pedro Coquenão num espetáculo ao vivo aqui reportado: “The Algorithm Is Not African!”. Um espaço público e cultural fragmentado, esculpido à medida de gostos estabelecidos, de redes, hábitos e convicções anteriores, e refém das hegemonias político-culturais, não representa apenas uma ameaça a uma ideia de uma sociedade pluralista, diversa e democrática — é também, e sobretudo, um empobrecimento da própria experiência humana.

Mas o que tem toda esta reflexão a ver com o Rimas e Batidas — e com a parte da sua história que este livro procura assinalar? Ao longo da última década, esta revista acompanhou os efeitos da digitalização da música, deslocando o olhar para os múltiplos lugares onde esta emergia e circulava, em muitos casos para lá dos press releases das principais editoras e agências que dominam o mercado musical. Ao mesmo tempo que procurava multiplicar fontes de informação e descoberta, os textos publicados na revista revelam, também, que o processo de pesquisa e curadoria editorial não se limitou à confirmação sucessiva de gostos, referências ou tendências pré-estabelecidas. Tal estratégia refletiu-se, também, na transformação da própria revista, que se foi metamorfoseando à medida que também mudava a música feita em Portugal e no mundo.

Com efeito, o extenso catálogo da revista, de que este livro é uma pequena amostra, mostra como diferentes gerações de pessoas interessadas em música desafiante colocaram os seus pauzinhos numa engrenagem cada vez mais difícil de sabotar. Muitos dos textos aqui reunidos desafiam-se a si próprios — e desafiam também as leitoras e os leitores — num exercício de pensamento que resiste ao conforto do gosto adquirido, aos hábitos herdados, às hegemonias culturais mais duradoras, ou aos fenómenos comerciais dominantes (sem, no entanto, os ignorar). É um catálogo rico em descobertas, fruto de um gesto de escuta atenta, de encontro com sons estranhos ou ainda não ouvidos, de procura por novas e desafiantes linguagens capazes de dar conta do que é hoje a sociedade portuguesa – e de como esta expressa a sua diversidade através da música.

Com esse gesto, as autoras e os autores destes textos contribuíram para tornar o espaço da reflexão musical e cultural em Portugal mais diverso, mais amplo, mais disruptivo e mais representativo. Para que tivesse mais cores além da branca; mais línguas além do português; mais pronúncias e variantes linguísticas que não as padronizadas; mais géneros além do masculino; mais corpos além dos normativos; mais sonoridades e formas de expressão poéticas — e também políticas — que, apartadas dos centros de produção cultural e simbólica, desafiaram as próprias fronteiras entre centro e periferia a partir das múltiplas origens e coordenadas estéticas e afetivas de quem vive neste território, de quem o constrói e reimagina.

[O livro sobre um catálogo — ou um exercício possível entre presenças e ausências]

Ao mergulhar no catálogo do Rimas e Batidas, rapidamente percebemos que muitas culturas, sonoridades, poéticas e artistas emergentes encontraram nesta revista um espaço de pensamento estruturado e continuado sobre o seu trabalho — mas também uma plataforma fundamental de visibilidade. Este livro procura, assim, fixar parte desse pensamento e oferecer-se como mais um contributo para uma futura história da música feita em Portugal nas primeiras décadas dos anos 2000. Um tempo de vastas transformações sociais, culturais, tecnológicas e políticas — muitas delas ainda em curso e em disputa — embora possamos, desde já, sugerir algumas das ideias que esta música tem vindo a convocar.

Entre essas ideias, destaca-se a constatação de que, nas últimas décadas, assistimos em Portugal à emergência de uma renovada constelação sonora: mais rica, mais diversa, mais plural – e, nesse sentido, claramente desafiante face às múltiplas formas de hegemonia cultural. Para lá das lógicas da indústria discográfica, dos critérios mercadológicos e das políticas culturais que procuram, a cada momento, moldar o que é ou não é reconhecido como cultura legítima ou legitimada, emergiu na sociedade portuguesa uma nova música – ou, melhor, um conjunto de novas músicas – que se afirmaram como um campo de criação estética, afirmação cultural e expressão política de pessoas e comunidades tendencialmente afastadas dos centros tradicionais de produção cultural e simbólica. 

Para muitos desses músicos e dessas músicas, tal transformação significou inclusivamente uma mudança de posição social, a partir de uma deslocação do entendimento da cultura não apenas como um direito de fruição — um direito inscrito na lei e a partir do qual se acederiam a heranças passadas e propostas presentes —, mas sobretudo como um direito de criação — um direito exercido na prática, a partir do qual constroem as suas próprias narrativas, linguagens e imaginários sonoros, poéticos e visuais.



[Dos muitos trilhos do hip hop à expansão da eletrónica e às mutações de um novo JazzNãoJazz]

Numa revista que nasceu com um olhar atento à cultura hip hop, é inegável a transformação profunda que essa cultura atravessou na última década, renovando-se, diversificando-se e ampliando as suas linguagens. E talvez o mais surpreendente seja que essa renovação, aliada à sua crescente penetração social, tenha permitido que um género e uma cultura historicamente criminalizados – e estruturalmente refém de olhares racistas e de sucessivos episódios de pânico moral amplificados pelos media – conquistasse públicos massivos e transversais. O hip hop infiltrou-se, efetivamente, nas linguagens do quotidiano, alterou modos de uso da língua, contribuiu para que o criolo se tornasse uma língua franca em muitos territórios, entrou nas escolas, atravessou fronteiras e impôs-se até na indústria fonográfica, nas rádios e no setor da música ao vivo. Efetivamente, o movimento fixou-se em Portugal, e as suas representações pluralizaram-se e contagiaram, de forma inescapável, a sociedade e a cultura portuguesas.

Este crescimento não esteve, no entanto, isento de contradições. Para além de persistir uma diferenciação de género que reproduz um ciclo estrutural de invisibilidade para muitas das mulheres praticamente desta música e cultura, a visibilidade conquistada pelo hip hop na última década trouxe também consigo processos simultâneos de mercantilização, higienização e despolitização das suas linguagens e dos seus gestos – frequentemente filtrados por discursos editoriais que procuram torná-los compatíveis com as lógicas dominantes da indústria cultural. Além disso, o Estado continua a enquadrar muitas destas expressões musicais e culturais através de categorias securitárias que as associam à criminalidade, reproduzindo estigmas e preconceitos sobre as pessoas racializadas, os seus territórios e as suas práticas culturais e expressivas. 

Ainda assim, parece inegável que, contra todas as probabilidades — e para lá dos dispositivos de governamentalidade estatal — esta linguagem cultural se impôs, criando um ecossistema diverso, fértil e inventivo, de onde emergiram propostas muito singulares, muitas das quais referidas neste livro: dos Wet Bed Gang a Slow J, de Allen Halloween a Capicua, de Keso a Tristany, de Papillon a Prétu, de T-Rex a Plutónio, de xtinto a Nenny, passando por NERVE, Vado MKA, ProfJam, Libra, Julinho KSD, Rafa G, Sam The Kid, DreNaz, gonsalocomc, SP Deville, Landim, Né Jah, Eva RapDiva, COLÓNIA CALÚNIA, Mundo Segundo, entre muitas e muitos outros. A riqueza do repertório destes e outros artistas revelou-nos que, para lá das narrativas hegemónicas, havia e há em Portugal muitas outras histórias para contar. E que a cultura hip hop, em particular, se revelava um espaço crucial de renovação da música e da cultura portuguesas.

Paralelamente ao hip hop, também no vasto campo da música eletrónica — e, muito em particular, da eletrónica negra e afro-portuguesa — é impossível ignorar o impacto duradouro da revolução sonora iniciada pelos DJs di Guetto — Marfox, Pausas, N.K., Jesse, Fofuxo e Nervoso — em 2006, e que, na última década, encontrou na editora Príncipe Discos uma das suas principais casas. Essa energia coletiva, enraizada em coordenadas estéticas, sociais e políticas muito próprias — e que neste livro são assinaladas especialmente na entrevista a DJ Marfox feita em 2015 e na crítica a Nídia é Má, Nídia é Fudida, editado por Nídia em 2017 — projetou novos mundos que se expandiram e diversificaram ao longo dos últimos anos. 

Ao assumirem que toda a gente pode fazer música, uma nova geração de DJs e produtores subverteu as regras do campo musical, assente num monopólio de profissionais legitimados pelo virtuosismo. Com esse gesto, ampliaram o espaço da música como um lugar de afirmação cultural e política para jovens gerações de afrodescendentes e portugueses negros, abrindo horizontes de expectativa sistemicamente negados, a partir de sons nunca ouvidos, em Portugal e no mundo. Dessa abertura emergiu, assim, um repertório de rutura com as narrativas lusotropicalistas da cultura portuguesa contemporânea, afirmando a música eletrónica como um lugar de autorrepresentação da comunidade negra, num esforço criativo que encontra outros ecos neste livro: do percurso artístico e estético de Dino D’Santiago às abordagens multidisciplinares de Batida, da luz sonora da obra de Selma Uamusse à tensão resistente de Scúru Fitchádu, da inventividade pós-diaspórica de Fidju Kitxora à negritude sónica de Prétu. Em todos eles se sente um pensamento expansivo sobre a música a partir das diferentes heranças africanas, das rotas do Atlântico Negro e das suas possibilidades futuras na cultura contemporânea. 

Ao mesmo tempo, parece hoje natural, embora não fosse óbvio há uns anos, que o desenvolvimento do hip hop e de novas abordagens à música eletrónica, fossem ampliando os seus espectros de influência, infiltrando-se progressivamente num outro género que veio ganhando peso nos interesses editoriais do Rimas e Batidas: o jazz. É certo que do Reino Unido já se afirmava uma vibração singular construída por diásporas plurais que introduziram novas abordagens ao género; além disso, o jazz foi, desde sempre, uma matriz fundamental para a cultura hip hop e para muitos dos seus produtores, também em Portugal. Ainda assim, na última década, foi surpreendente assistir ao florescimento de uma nova vida do jazz feito em Portugal – ou do JazzNãoJazz, como lhe chamou Rui Miguel Abreu num ensaio que aqui se publica –, que se tornou objeto de reflexões recorrentes na revista, algumas das quais aqui retomadas a partir de nomes como Azar Azar, Yakuza, Bardino, Don Pie Pie, Fatspoon, Beatriz Nunes, GUME, Mazarin, Narciso, SaiR, whosputo, Yanagui, entre outros.

Entre a expansão e os desdobramentos da cultura hip hop, o contágio transformador da nova música eletrónica e as mutações do jazz, a música portuguesa – ou feita em Portugal – transformou-se profundamente nesta década. E essa transformação contagiou igualmente novas abordagens ao próprio fado e à música tradicional portuguesa — como sugerem, neste livro, os casos de Pedro Mafama, Stereossauro, Ana Moura, Conan Osiris, Rita Vian, Fado Bicha, entre outras. Multiplicaram-se formas cada vez mais híbridas, dissidentes e mutuamente influenciadas, que acrescentam camadas de complexidade à própria história que a cultura portuguesa conta sobre si própria. No entanto, se é importante reconhecer a renovação sonora, poética e visual em curso, importa também lembrar que nenhuma revolução – sonora ou de qualquer outra ordem – se faz sem avanços e recuos. E a música desta década não foi exceção. 



[Música, conflito e esperança]

Muitos dos processos de afirmação musical a que nos temos referidos, e que ao longo deste livro serão retomados, constituem formas de expressão cultural que consciente ou tacitamente romperam com o mainstream numa sociedade estruturalmente hostil à cor da pele, ao género, à sexualidade ou à condição social de muitos destes protagonistas. Lembremos, a título de exemplo, que na Quinta do Mocho, no concelho de Loures — uma das geografias simbólicas da hoje tão celebrada “batida de Lisboa” — centenas de famílias continuam, neste mesmo ano de 2025, a viver sob ameaça de despejo, sem alternativa habitacional. Ou que o mesmo país que, em 2024, celebrou a notável trajetória de Slow J e do seu Afro Fado, esgotando duas datas consecutivas na MEO Arena – um feito há dez anos difícil de imaginar possível – é também aquele que, nesse mesmo fim de semana, elegeu 50 deputados da extrema-direita para o Parlamento. Ou que a mesma sociedade que celebra a “Nova Lisboa” profetizada por Dino D’Santiago, sob o impulso da promoção da diversidade e da “lusofonia”, é também aquela onde um artista negro como Bruno Candé é assassinado por causa da cor da pele, onde uma mulher e mãe negra como Cláudia Simões é violentamente agredida pela polícia e humilhada em tribunal, e onde, como demonstrou a antropóloga Ana Rita Alves, pessoas negras e ciganas têm, respetivamente, 21 e 43 vezes mais probabilidade de serem mortas pelas forças policiais.

Vivemos hoje num país onde a maioria dos artistas mais ouvidos nas plataformas digitais são negros e afrodescendentes, oriundos do hip hop e das suas ramificações estilísticas. No entanto, os discursos em torno dessas conquistas contrastam de forma flagrante com a forma como o Estado português — ano após ano — continua a enquadrar estas expressões musicais através de categorias securitárias. No Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2024, por exemplo, foi eliminado o capítulo dedicado à violência da extrema-direita e dos grupos nacionalistas — mas manteve-se a sempre reiterada associação entre o hip hop, o drill e a proliferação do crime nas chamadas “zonas urbanas sensíveis”, num exercício que reforça, uma vez mais, a associação entre “raça”, música, território e criminalidade.

Os discursos racistas e xenófobos, a retórica securitária e punitivista, e a afirmação política e cultural da extrema-direita na sociedade portuguesa são, hoje, fenómenos impossíveis de ignorar quando falamos da música deste nosso tempo – desde logo porque tais discursos, e as forças que os sustentam, representam um projeto totalizante que confronta, de forma direta e agressiva, muito do que esta música representa, projeta e imagina. E representam, também – nunca se deve esquecê-lo – uma ameaça concreta aos corpos e às existências de quem a faz.

A consciência dessa realidade não apaga, no entanto, que muita da música desta última década simboliza também gestos de conquista, de sonho e de esperança — gestos que, nos últimos anos, caminharam no sentido inverso ao do fechamento, da violência e do ódio. Foi a persistência desses gestos que tornou possível tudo o que aqui se escreve sobre os percursos, as obras e as conquistas de nomes como Wet Bed Gang, Plutónio, T-Rex ou Slow J; sobre o profundo lirismo de Allen Halloween ou Tristany; sobre as possibilidades expansivas de Nenny e Papillon; sobre a ousadia e o desafio ético e estético das Fado Bicha; sobre o país reinventado por DJ Marfox; sobre o mundo sonhado por Dino D’Santiago; sobre a perseverança e a resistência do rap criolo. Se hoje muitas dessas conquistas se tornaram uma realidade indesmentível, importa lembrar que, até há pouco tempo, eram quase inimagináveis. E se o futuro se apresenta, hoje, povoado pelos fantasmas de um passado não resolvido, é em grande parte desta música que ele é reinventado como possibilidade de conquista, luta e liberdade.

No entanto, no reverso de muitas das conquistas aqui assinaladas, emergem também gestos artísticos de fricção, que insistem em lembrar que nenhuma vitória deve ser romantizada. Por isso, a par dos textos que destacam conquistas fundamentais, este livro sublinha também o trabalho de artistas que recusam deixar que esses triunfos se convertam em ilusões. É o caso de Scúru Fitchádu, que, numa longa entrevista aqui reproduzida, afirma que a sua música continua a ser um desafio à descolonização do pensamento e das estruturas culturais e políticas que reproduzem a ordem colonial nas nossas selvas urbanas; de Prétu, um dos mais recentes projetos de Xullaji, que sublinha a necessidade de contextualizar e repolitizar os géneros musicais que se dançam e que a indústria celebra, reconhecendo os diferentes regimes de apropriação e expropriação a que estão sujeitos; ou ainda das Fado Bicha, que, mesmo celebrando a contra-hegemonia que impuseram no discurso em torno do fado, não deixam de sublinhar os custos que o seu posicionamento ético e político acarreta e a necessidade de colocar no centro da discussão quem ocupa os lugares de poder e decisão na indústria e nas instituições. 

Entre conquistas e resistências, entre o conflito e a esperança, talvez resida aí o espaço de tensão onde muitas destas obras nasceram – e a partir do qual melhor captaram as contradições e as possibilidades do tempo presente. Foi nesse terreno instável que forjaram, com coragem e inventividade, novas formas de imaginar o futuro.



[Outros futuros?]

Essas formas de imaginação são múltiplas — ora mais resistentes, ora mais esperançosas; ora privilegiando a palavra, ora centrando-se no som. Há nelas, contudo, um traço comum: a recusa da ideia de futuro como mera repetição nostálgica de um passado mitificado ou como destino traçado e inescapável. Na sua procura pelo lugar e pelas tensões da cultura no nosso tempo, Mark Fisher tem razão quando sugere [em Ghosts of My Life: Writings on Depression, Hauntology and Lost Futures] que o século XXI parece viver oprimido “por uma esmagadora sensação de finitude e exaustão”. Acerta no diagnóstico, mas falha quando o generaliza, como se as práticas musicais contemporâneas estivessem enclausuradas num “lento cancelamento do futuro”, inebriadas pela “retrospeção”, pelo “pastiche” e pela “repetição”. Talvez tal ocorra numa parte substancial da cultura pop e rock mainstream ocidental. Contudo, se deslocarmos a perspetiva dos centros de produção cultural e política – e dos avatares contemporâneos da cultura popular euro-norte-americana do século XX – para outros territórios de produção sonora, facilmente encontraríamos respostas muito diversas para a pergunta que tanto atormenta o autor: “Onde estará o equivalente dos Kraftwerk no século XXI?”. Está realmente em muitos lugares e geografias, se não desistirmos de o procurar. O futuro não está cancelado; pode demorar mais, mas está sempre a caminho de quem o procura. 

É verdade que nos últimos anos vivemos uma crise de imaginários político-culturais, marcada por uma obsessão constante com o passado. Mas também nesse aspeto, se há um campo onde se renovam os imaginários políticos é na música e nas culturas poéticas, visuais e performáticas que se intersetam com elas. Essa renovação começa, precisamente, no questionamento da linearidade que tornaria o passado e o futuro categorias distintas e sequenciais do tempo histórico. Pelo contrário, muitas propostas musicais contemporâneas – e, decididamente, muitas das que este livro procura mapear – inscrevem-se numa outra conceção do tempo — uma conceção que aposta na renovação dos imaginários de possibilidades, reinscrevendo no presente outras formas de pensar, sentir, viver e transformar o mundo.

Justamente por isso, importa não presumir que os futuros aqui imaginados surgem desligados das raízes de que são herdeiros. Pelo contrário, muitas vezes são construídos a partir delas, numa escolha decisiva sobre de que passados querem ser continuadores. É o que acontece, por exemplo, num álbum como Bairro da Ponte (2019), de Stereossauro (aqui referido numa crítica de Rui Miguel Abreu), onde se ensaia um novo tipo de relação com o passado, provando definitivamente as afinidades entre o fado e o hip hop; ou também com as propostas de uma nova geração de novos e jovens artistas empenhados em reinventar o que pode ser, para si, uma ideia de fado — moldada nos seus próprios termos e a partir dos seus próprios tempos, mundos e inquietações (veja-se, neste livro, o ensaio “Os desfados da nova pop” de Alexandre Ribeiro, e a entrevista de Margarida Valença às Fado Bicha).

Persistem, ainda, nestas obras, outros imaginários que procuram ultrapassar as próprias categorias dos nacionalismos culturais, abrindo espaço a novas possibilidades de rotas e cruzamentos, capazes de entender a identidade, como propunha Paul Gilroy, como um processo de movimento e mediação, assumindo por isso uma natureza instável, sempre inacabada e em reconstrução. Esse movimento tem na sociedade portuguesa precedentes profundos – como demonstra o ensaio de Inês Mineiro Abreu aqui publicado sobre a história e o legado dos Pretos de São Jorge – mas inscreve-se também em gestos artísticos atuais que a partir de legados passados se comprometem com a reimaginação cultural e política do futuro.  

Em Xei di Kor (2023), álbum editado por Prétu, justapõem-se temporalidades, projetando um novo imaginário sonoro, ético e político, a partir de samples que constituem uma memória afetiva de várias gerações de imigrantes e afrodescendentes. Numa obra como a de Slow J igualmente se desenha um futuro assente num hibridismo inescapável (novamente Gilroy), que não é desenhado a partir de uma fixação em fronteiras herdadas, mas na procura da sua superação. Já em Fidju Kitxora essa mesma superação surge ancorada nos fragmentos das memórias perdidas na diáspora, os quais dão sentido e combustão a uma música pós-diaspórica onde confluem múltiplas coordenadas históricas, estéticas, culturais e afetivas. 

Estes e outros exercícios artísticos abordados neste livro confundem as fronteiras entre o passado e o futuro, entre a memória e o porvir. Ao recusarem simultaneamente o fatalismo e a nostalgia, abrem caminho para múltiplos mundos possíveis — e, nesse gesto, propõem uma intervenção ativa sobre o tempo presente, em contraste com quem pretende fazer dele apenas um regresso a um passado mitificado. O que parece estar em jogo, em muita desta música, é precisamente uma escolha decisiva e inadiável sobre os passados de que queremos ser herdeiros e sobre os futuros que estes ainda permitem resgatar. 



[Estrutura do livro e opções editoriais]

Dada a extensão do arquivo da revista, optou-se neste livro por assinalar os dez anos do Rimas e Batidas através de uma organização temática, a partir da seleção de dez críticas, dez entrevistas, dez reportagens, dez obituários e dez ensaios que, de algum modo, representassem a diversidade de argumentos, objetos de interesse e autorias que passaram pela revista ao longo desta década.

A escolha desses textos foi um processo complexo — e, inevitavelmente, injusto para muitas das obras e artistas que ficaram de fora desta primeira incursão a este arquivo. Este livro é, por isso, não apenas um exercício sobre as presenças, mas também sobre as ausências. Centra-se privilegiadamente sobre a música feita em Portugal e está longe de esgotar outras possibilidades de leitura e reflexão em torno do catálogo que a revista representa. Neste sentido, é uma proposta de olhar situado que não pretende fechar, mas antes abrir caminhos para outras leituras futuras — a partir de outras perguntas, seleções e enquadramentos.

Procurei, neste livro, selecionar os textos com base num conjunto diversificado de critérios. Primeiro, a qualidade e a relevância dos argumentos desenvolvidos em torno de artistas, obras e momentos particularmente significativos no contexto da música feita em Portugal — e no seu diálogo com paisagens sonoras globais — ao longo da última década. Esse princípio orientador foi também o ponto de partida para uma seleção que procurasse refletir a maior amplitude possível de artistas e sonoridades, assegurando, na medida do possível, visibilidade à diversidade de géneros acompanhados pela revista ao longo dos anos, mas também à multiplicidade de narrativas, linguagens e imaginários que essas músicas mobilizam.

Além disso, a seleção procurou captar momentos e eventos marcantes da última década, mas também incluir reflexões mais densas, capazes de situar obras, percursos artísticos e acontecimentos em perspetiva histórica ou comparada. Reuniram-se, neste sentido, tanto entrevistas de fundo com artistas já consagrados, como outros em início de carreira, que procuraram captar o surgimento de trajetórias que se viriam a acompanhar de perto; momentos de consagração de artistas em algumas das salas mais importantes do país, e outros que testemunham momentos de intimidade e descoberta, em salas de menor dimensão, onde se pressentiam as bases de futuros promissores.

Procurou-se, também, representar o maior número possível de autoras e autores que contribuíram para o pensamento da revista, assegurando — na medida do possível — um equilíbrio de género. Esse objetivo revelou-se, no entanto, particularmente desafiante, num arquivo de textos maioritariamente escritos por homens. O jornalismo não vive numa bolha e sendo a escrita também um espaço de poder simbólico, o défice de representatividade de género que atravessa o campo musical — e que neste livro é salientado, por exemplo, nos ensaios de Luísa Cativo sobre os cartazes dos festivais, de Rita Matias dos Santos sobre as mulheres no jazz, ou na entrevista às Fado Bicha, onde se discute a ausência de pessoas queer dos circuitos musicais — reflete-se também nas páginas da revista e nos desafios que esta continua a enfrentar.

Importa ainda destacar a diversidade formal dos textos selecionados, distintos entre si tanto no estilo como na abordagem e na relação com os objetos que analisam. Estes refletem as vozes singulares dos seus autores e autoras, também elas diversas: há textos de perfil mais jornalístico, outros mais académicos; uns mais poéticos, outros mais ensaísticos; alguns mais analíticos, outros mais politicamente implicados; uns mergulham fundo no universo de um artista específico, outros propõem pontes com o que é exterior, cruzando o campo musical com outras dimensões da vida social e cultural. Essa diversidade manifesta-se, ainda, nas formas de escrita, respeitando-se aqui as opções de grafia ou as diferentes abordagens às transcrições e edições das entrevistas — múltiplas maneiras de pensar e escrever sobre música, que a revista sempre acolheu e valorizou. 

Cada texto publicado neste livro tem o seu tempo, os seus conflitos, as suas apostas e até os seus fantasmas. Esses elementos fazem parte dos sentidos que habitam os textos: do momento em que foram escritos, da fase da vida e do pensamento de quem os escreveu. Essa inscrição no tempo é, em si mesma, uma riqueza. Por isso, optámos por publicar os textos na sua forma original, com edições mínimas tendo em conta uma publicação em papel. Caberá a cada leitora e leitor – e até a cada autora e autor dos próprios textos – avaliar que argumentos resistiram melhor ao tempo, que apostas se confirmaram, que expectativas foram defraudadas. Em qualquer caso, importa lembrar que muitos destes textos são formas apaixonadas de relação com a música e devem, por isso, ser lidos à luz do seu tempo e do contexto em que foram produzidos.

Além dos textos selecionados do arquivo da revista, o livro inclui um conjunto de artigos originais. Um deles, coordenado por Miguel Santos, e com a participação de várias e vários escribas da revista, propõe identificar quinze nomes que poderão marcar o futuro da música na próxima década, apontando ideias em ebulição e que projetam novos caminhos. Outro, coordenado por Ricardo Farinha, regressa à memória, recuperando dez projetos marcantes da última década que, embora tenham saído de cena ou abrandado o seu ritmo, merecem ser lembrados pelo contributo, relevância e lastro que deixaram no nosso presente. Inclui-se, ainda, um artigo original de Gonçalo Oliveira centrado na cultura visual, que analisa dez videoclipes especialmente significativos da última década. E finalmente, uma entrevista original com Tozé Brito, conduzida por Rui Miguel Abreu e Ricardo Farinha, onde, partindo do centenário da Sociedade Portuguesa de Autores, se discutem os desafios da música em tempos de algoritmos e inteligência artificial.

Agradeço, com gratidão e admiração, a todas as autoras e todos os autores sem os quais este livro — e as ideias que ele procura divulgar — não existiriam: Alexandra Oliveira Matos, Alexandre Ribeiro, Diogo Pereira, Eduardo Morais, Francisco Couto, Francisco Noronha, Gonçalo Oliveira, Inês Mineiro Abreu, Kalaf Epalanga, Leonardo Pereira, Luísa Cativo, Manuel Rodrigues, Margarida Valença, Miguel Rocha, Miguel Santos, Milton Guli, Moisés Regalado, Núria R. Pinto, Paulo Pena, Pedro João Santos, Ricardo Farinha, Ricardo Miguel Vieira, Rita Matias dos Santos, Rui Miguel Abreu, Shirley Van-Dúnem, Sofia Rajado e Vasco Completo. Agradeço também às autoras e autores mencionados neste ensaio de abertura e cujas entrevistas, críticas e reportagens em muito contribuíram para o desenvolvimento das ideias que aqui se procuram sintetizar: Beatriz Freitas, Bruno Martins, Carlos Almeida, Gabriela Santos, Joana Canela, João Daniel Marques, João Morado, João Spencer, Ricardo Vicente Paredes, Rui Eduardo Paes e Vera Brito.

Um abraço especial ao Alexandre, ao Rui, ao Gonçalo e ao Farinha pela confiança que depositaram no meu trabalho, por se entusiasmarem com este projeto e me apoiarem na estruturação do livro.

Um agradecimento, finalmente, a todas e todos os músicos referidos nestas páginas, e sem os quais não existiriam tantas das ideias em torno das quais nasceram os textos deste livro: Aline Frazão, Allen Halloween, Ana Lua Caiano, Ana Moura, ARAPUCAGONGON, Arca, Azagaia, Azar Azar, Babydog, Bardino, Batida, Beatriz Nunes, Berlok, Boss AC, Branko, C. Tangana, Capicua, COLÓNIA CALÚNIA, Conan Osiris, Dino D’Santiago, DJ Marfox, DJs di Guetto, Djoek, Don Pie Pie, DreNaz, Ennio Morricone, Eva RapDiva, Fado Bicha, Faris Badwan, Fatspoon, Fausto Bordalo Dias, FERG, Fidju Kitxora, Fuse, Gisela Mabel, GUME, gonsalocomc, Holly Hood, Jéssica Pina, João Gilberto, João Não, Julinho KSD, JÜRA, Ka, Kacetado, Karlon, Kendrick Lamar, Keso, Kilu, La Família Gitana, Landim, Libra, Loreta, Mac Miller, Máximo, Mazarin, MF DOOM, Mike11, Milhanas, Moving Still, Mundo Segundo, Nagrelha, Narciso, Natalie Shooter, Né Jah, Nenny, NERVE, Nídia, Nigga Poison, Orelha Negra, Ossos D’Ouvido, Papillon, Pedro Mafama, Plutónio, Praed, Praso, Prétu, ProfJam, Rafa G, Rita Vian, Ryuichi Sakamoto, SaiR, Sam The Kid, SAMALANDRA, Santos Só, Sara Serpa, Sara Tavares, Scúru Fitchádu, Selma Uamusse, Slow J, Sónia Trópicos, SP Deville, Stereossauro, Surma, Susana Santos Silva, T-Rex, Tierra Whack, Tristany, Tyler, The Creator, Vince Staples, Vish Matre, Wet Bed Gang, whosputo, xtinto, Yanagui, YAKUZA e Yas Meen Selectress. 

Algumas delas e alguns deles já não estão entre nós, mas permanecem vivos nos ecos que continuam a gerar, nas memórias que convocam e nas vidas que continuam a inspirar.

São todas elas e todos eles — e as obras que criaram ao longo desta década — a razão de ser deste livro.


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