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Fotografia: Raquel Gouveia Marto
Publicado a: 29/05/2026

Um disco que resgata uma herança cultural enquanto a leva por novos caminhos.

Os ritmos e a espiritualidade brasileira, a electrónica e a música cigana convergem no novo álbum de O Gringo Sou Eu

Fotografia: Raquel Gouveia Marto
Publicado a: 29/05/2026

Ele é Franklin Soares Monteiro, mais conhecido como “Frankão”, músico brasileiro radicado em Portugal há mais de 15 anos, que conhecemos de bandas como os HHY & The Macumbas (onde é vocalista) ou dos Samba Sem Fronteiras (onde é pandeirista). A solo, tem vindo a desenvolver o projecto O Gringo Sou Eu, que editou um novo álbum esta semana.

Receita do Povo é um disco que mergulha em muitos dos ritmos tradicionais brasileiros, que resgata a sua herança espiritual e mística — das religiões afro-brasileiras e seus rituais, marcantes na infância do artista — e a transporta numa viagem global onde se funde com o peso do dub industrial, a pujança do grime e outras texturas electrónicas de pendor industrial. 

Pelo meio, ainda há a importante costela cigana dos jovens músicos com quem Frankão colabora enquanto trabalhador comunitário há 15 anos, na comunidade cigana de Vila Nova de Famalicão mas também no bairro da Balsa, em Viseu. Em paralelo, aliás, Frankão tem vindo a produzir um disco de rap e flamenco do colectivo a que chamam Balsa City, sobre o qual haverá novidades em breve.

No mesmo dia em que foi disponibilizada a versão física, Receita do Povo foi apresentado na Praça de D. João I, em frente do Rivoli, no Porto. A maquinaria electrónica de Frankão funde-se com a percussão orgânica da compatriota Lizzie Marchi e mistura-se com as vozes de convidados como Luca Argel, Raquel Lima e os cantores ciganos que figuram no novo disco de O Gringo Sou Eu.

Como forma de assinalar o lançamento, o Rimas e Batidas entrevistou Franklin Soares Monteiro sobre a receita — feita de muitos temperos e ingredientes — que esteve a ser cozinhada ao longo dos últimos anos.



Quando é que começas a preparar esta Receita do Povo? Foi um disco planeado há muito tempo? Ou estavas a trabalhar nestas músicas e, a meio do processo, percebeste que era um disco?

Já tem um tempo, foi há uns três anos. Eu tinha feito uma música que juntava muitas percussões, sabe? Eu sou percussionista, mas com O Gringo Sou Eu nunca misturei muitas percussões. Sempre foi uma coisa muito mais electrónica. Fiz essa música e a partir daí senti vontade: acho que deveria fazer um disco voltando à minha cena da percussão do Brasil. Porque sempre tive essa influência muito forte da música de tambor brasileira, sempre fui um cara que trabalhei muito em cima desse tipo de música. Quando cheguei aqui, logicamente com o Samba Sem Fronteiras eu mantive isso. O samba, de certa forma, é uma música de tambor também. Mas, com O Gringo Sou Eu, fui para um lado mais electrónico, que também era uma coisa que me interessava muito. Porque vejo a electrónica como uma música de tambor, não é? O sample, a MPC, para mim é como se estivesse a bater um tambor. É como se fosse um tambor moderno. A partir daí comecei a pensar: acho que vou fazer um disco voltado para esse tema e ideia. Paralelamente, também tinha muita vontade de que a comunidade cigana com quem trabalho participasse num trabalho meu. Eu trabalho com a comunidade cigana há 15 anos, agora é que eles vão participar num trabalho meu. Porque agora é que faz sentido, não é? 

Claro, depois de formarem essa ligação orgânica.

É uma ligação afectiva. Hoje em dia tenho uma ligação com eles no bairro. Convivo lá, conheço os pais e os avós. Até faço parte da associação de moradores… Imagina, eu cheguei a esse ponto, não é? Eu estou ali ajudando-os a se organizarem e tal. Que é uma forma de eles também estarem desenvolvendo outros trabalhos. O meu desafio era qual seria a ligação que eu ia fazer da comunidade cigana com essa cena mais brasileira da minha infância, de toda a minha trajectória de rua no Brasil.

E a que conclusões chegaste?

Comecei a perceber que, na verdade, o cruzamento estava lá. A comunidade cigana tem todo um misticismo à volta deles, não é? Têm todo um modo de fazer música muito parecido com nós lá. Eu comecei a fazer muita música com eles, a tocar pandeiro e eles a tocarem violão. No meu álbum não tem isso, mas eu estava tendo um convívio musical para sentir qual era a cena e comecei a perceber que é muito parecido com uma roda de samba de rua, sabe? No formato como é feito, da galera tocando no barzinho, sem nenhum compromisso musical profissional. O compromisso é com a música e não com a profissão.

É tudo muito espontâneo.

Alguém puxa uma guitarra, o outro começa a acompanhar e outro puxa uma letra e o outro canta, sabe? Na roda cigana de música é assim também, não é? Aí comecei a ver que havia toda essa ligação e comecei a escrever pensando nisso. E, na parte que os ciganos participam, eu não canto. Só produzi e deixei a voz deles.

E participam ainda numa parte significativa do disco?

São quatro faixas. Tem um miúdo lá que é o Mateus. Eu comecei a trabalhar com ele quando ele tinha cinco anos. Agora tem 16 ou 17 e gravou. É uma história, não é? E isso era uma coisa que me preocupava muito no álbum. Eu queria que tivesse participações, mas queria que fossem participações, primeiro, de afectividade. Pessoas de quem eu realmente sou amigo. E assim foi. Trabalho com o Luca Argel no Samba Sem Fronteiras há 14 anos. A Raquel Lima, que é uma poetisa, e que também está no álbum, conheço-a desde 2009, do Brasil. Foi quando conheci a minha esposa, ela era amiga dela e virou a nossa madrinha de casamento. Então, eu convivo com a mãe dela, com a família dela, percebes? Ela convive com a nossa, vem cá a casa. E só agora fiz uma música com ela. Achei isso muito interessante, isso é que tem valor. Obviamente, a Raquel também me interessa artisticamente, se não não a colocaria. Tal como os miúdos, porque me comecei a interessar pelas músicas que eles estavam fazendo. Também foi algo artístico.

Claro. E deve ter sido uma boa surpresa para ti quando vieste para Portugal e começaste a envolver-te com essa comunidade cigana, não é? Foste conhecendo e acompanhando-os ao longo dos anos, mas deve ter sido uma boa surpresa descobrires essas parecenças, esta cultura que se calhar não conhecias tão bem. 

Exactamente, foi mesmo isso. Na verdade, eu já trabalhava com comunidades no Brasil. A gente tinha um espaço cultural na época e fazia projectos comunitários. Quando venho para Portugal, aparece uma oportunidade de trabalhar com a comunidade cigana. Foi a primeira cena que fiz cá. E a partir daí começo a ter esse convívio e dei-me muito bem com a comunidade cigana porque eu também venho da periferia, a linguagem se encontra. São linguagens diferentes, mas também são um povo periférico, são o povo que sofre com a periferia. Sofre e engrandece, porque a periferia gera cultura, a periferia gera muita coisa boa. Quando começo a trabalhar com eles, eu começo, obviamente, a estranhar muitas coisas, obviamente que não concordo com tudo e que tenho as minhas opiniões, mas depois me apeguei mais às semelhanças, sabe? E eu trabalho com eles esse tempo todo e nunca tive nenhum problema. Porque também comecei a me colocar num modo de trabalho, me adaptando, “não quer fazer, não faz”. Eu também sempre fui assim, não quer fazer, não faz, vem quando apetece, está tudo certo. Cada um também digere a sua vida.

Voltando ao álbum, foi fácil para ti perceberes o que é que fazia sentido entre as muitas músicas de percussão do Brasil porque não estamos a falar de uma coisa só, são várias linguagens explorares neste registo? E conjugares isso com a participação da comunidade cigana, com a vertente mais electrónica… Porque acredito que pudesses fazer muitos discos diferentes com base nestas premissas.

Fácil não foi, o processo foi longo, porque eu também estava um bocado chato com o disco, eu fiz umas 40 músicas. Depois fui tirando e sobraram 11 faixas. Mas essa é a grande dificuldade de fazer um álbum, você olhar e falar: o que é que aqui faz sentido? Também chamei a Ana Rocha, que é dramaturga, amiga minha e eu já tinha trabalhado com ela em dança contemporânea, para ela fazer um pouco a dramaturgia do álbum, me ajudar um pouco nessa viagem.

E a viagem é o lado mais conceptual do disco?

Eu tinha muito do lado conceptual, o que eu não tinha era como aquilo fazia sentido uma coisa com a outra, mas depois fui descobrindo, e a Ana Rocha nesse sentido me ajudou bastante. Claro que eu cheguei com a coisa também bem mastigada para ela. Então eu me apeguei nessa cena mais mística do álbum. Por exemplo, tem músicas que falam de quando eu era criança, do encontro com a macumba na Encruzilhada. Eu convivo com isso, tenho essa cena na família. Você vai no cemitério e está cheio de cenas da Quimbanda, e eu estava olhando para aquilo com um olhar de pesquisador mesmo: isso aqui tem uma cena muito interessante, sabe? Que cola também com a cena cigana, tem uma ideia dentro da Umbanda e da Quimbanda, que é a falange dos ciganos. Então eu fui ligando as coisas. O meu interesse é dizer como isso influencia a minha cultura, como isso faz parte de uma forma natural, está na rua, está dentro da minha casa, está em todo lado. Então acho que esse lado mais místico ficou interessante no álbum. Há um refrão no álbum que fala desta festa chamada São Cosme e Damião, uma festa católica onde se distribui doces às crianças. Lembro-me de ser criança, e quando chegava numa casa que tinha um vínculo com o Candomblé ou com a Umbanda, a festa era diferente. Você entra, é uma criança de cinco ou seis anos e já se está a deparar com essas coisas, no teu imaginário começa a ser real. Vais sem preconceito, comes um doce, estás lá no meio, e é uma mistura entre essas duas culturas [a fé católica e as religiões afro-brasileiras]. Há músicas em que falo do Saci Pererê, do Boitatá, coisas que circulavam à minha volta na infância. O disco tem esse lado espiritual e eu estava fazendo o álbum quando perdi o meu pai, a minha mãe e o meu irmão. Fui enterrar os três lá enquanto construía o álbum. É uma dedicatória a eles também, existe todo esse processo pesado dentro do disco. Talvez por isso tenha demorado um bocado.



Claro… E dirias que esse teu interesse pelo lado espiritual, pelo misticismo, vem directamente dessa ligação à infância, às coisas que te marcaram e te moldaram e te fizeram enquanto pessoa?

Sim, por exemplo, a minha carreira musical começa na capoeira. E a capoeira tem todo um lado vinculado ao Candomblé. Eu comecei a ir em alguns terreiros e conheci a galera do Jongo, que é uma cultura tradicional brasileira que também tem vínculo com o Candomblé. Eu convivo nesse meio, apesar de eu não seguir nenhuma religião. Mas sou espiritualista e tenho muito apreço pelas culturas religiosas. Uma coisa que me encantou muito foi uma vez, aqui em Portugal, ter estado em Pitões das Júnias. Acordei lá com uma procissão passando, com a filarmónica, e eu segui aquela procissão. Acordei e fui atrás dela para ver e achei aquilo lindíssimo, no meio do monte, descendo as pedras, toda aquela devoção com a santa. É lindo, eu vejo isso com muito apreço. Faz muito parte da cultura popular. Mesmo que você não seja crente ou religioso, interessa ter essa manifestação que também é cultural, não é? É música, é cultura, é dança. Na cultura afro-brasileira, a dança é muito presente. O santo desce e dança. Cada santo tem uma dança e você reconhece aquele santo através de uma dança. Isso é lindíssimo. As pessoas começam a identificar o santo num terreiro dependendo da dança. Isso é muito doido e me interessa muito. Até porque tem tudo a ver com o tambor. São músicas, são religiões, mas o batuque dita para onde as coisas vão. No entretanto também fiz uma residência artística no Zigurfest com o pessoal dos Caretos [de Podence]. Fiquei 15 dias e tenho outro álbum só com eles. São seis ou sete faixas que estão grandes. E foi algo que lhes perguntei e ali perdeu-se um pouco a cena do batuque fazer parte daquela linhagem cultural. De repente é qualquer batuque. É qualquer música. No Brasil, a música está muito vinculada à matriz cultural. Por exemplo, nas escolas de samba do Rio de Janeiro, cada escola tem o seu batuque. Você reconhece o batuque da escola. O funk brasileiro também. Em cada favela criou-se um funk diferente. Tem o Macumbinha, tem o Tamborzão, tem o Mandelão… E tem tudo a ver com o tipo de batuque. Por isso é que eu digo que a música é tão boa.

Tendo em conta esse imenso universo de referências, como é que foi para ti escolher os ritmos, os tipos de batuque que querias incluir? Porque poderias fazer coisas bem distintas. 

Isso foi um bocado natural. O álbum abre com samba e depois fui pincelando. Tem música afoxé, que é um ritmo brasileiro. Tem música maracatu. Fui vendo o que se tornava mais interessante para o álbum. Na verdade, a minha maior preocupação era… Como é que uma coisa liga na outra? Como é que a construção das músicas ia ligando uma coisa na outra? 

Mas querias ter essas diferentes referências no disco, que dialogassem entre si. 

Que dialogassem entre si, mas que houvesse essa distinção do ritmo brasileiro ali dentro. Como disse no início, eu perdi um pouco essa cena. Eu toco nos HHY & The Macumbas. É outro tipo de música que faço. A única coisa que se manteve foi o samba, que eu faço até hoje. Mas, em termos de música minha com a galera, eu me perdi um pouco. De repente eu começo a voltar, começo a puxar isso de volta. Começo a ir mais vezes ao Brasil também. Mas foi muito importante eu passar esses anos sem fazer esse tipo de música. Porque agora, quando o fiz, soa a outra coisa. Já não soa ao clássico brasileiro. É brasileiro, percebe-se que é. Mas eu queria que saísse um pouco daquele trivial.

Precisaste de explorar outras coisas para também fazeres este disco. 

Exactamente. Eu me aprofundei no grime, por exemplo. A música de hip hop que eu mais gosto é o grime. Gosto muito de drill também. Comecei a puxar muito esse tipo de música para dentro deste universo. Foi o desafio, perceber como é que isso casava com maracatu, afoxé…. Eu tenho um dub inglês, daqueles dubs fodidos, electrónico, à la Gorgon Sound, essas paradas, que é um afoxé. Tem tudo a ver, esses povos vêm da mesma cultura. Estamos a falar do povo negro inglês, dos bairros ingleses. Eles vieram dessa cultura também. Eles também têm essa cultura africana.

Sem dúvida. E foi durante estes 15 anos, já em Portugal, que te ligaste ao grime e ao dub?

Ao dub eu já estava, mas não tinha tanto conhecimento sobre o dub inglês, mais electrónico. Sabia mais sobre o dub clássico, o Lee ‘Scratch’ Perry, a origem. Mas depois, quando conheci esse dub mais electrónico, com sintetizadores, fiquei maluco. Depois o grime também está ali, é do mesmo universo. Tal como o dubstep. Nestes 15 anos comecei a me embrenhar nesse som. Gosto muito, é uma cena muito pesada, muito industrial. Porque eu sou de uma cidade industrial no Brasil. Sou de Volta Redonda, que tem a maior Siderúrgica de aço da América Latina. É uma cidade completamente poluída e industrializada. Eu era de uma banda de samba industrial. A gente fazia samba com lata. Eu venho disso. Por isso que eu me encantei tanto nesse som. Depois com The Macumbas tive a oportunidade de ir algumas vezes a Birmingham, à Holanda. Aqui na Europa essa cena circula bué. Uma das cenas que mais me impressionou foi o The Bug. Quando eu o ouvi me senti maluco. Depois eu tive a oportunidade de conhecer a Miss Red. Ela veio morar aqui em Portugal durante um tempo. Acho que agora ela voltou para a Inglaterra. É o outro lado que está muito presente neste disco.

Ao vivo, vais-te apresentar com a Lizzie Marchi? 

Sim, que é uma percussionista brasileira. Vai estar o meu set electrónico ao lado do set dela de percussão. Agora faz sentido ter uma percussionista mesmo. Ela já trabalha com Samba Sem Fronteiras e é uma grande percussionista da Bahia. Já temos seis concertos marcados. Ela não participa na gravação do álbum porque só depois de ter feito o álbum é que pensei nela. Também não sei se teria condições de alugar um estúdio para a gravar. Em casa consigo gravar uns tambores, produzo os meus próprios samples e utilizo-os muito em loops. Mas ao vivo achei que era fixe chamar uma percussionista. 

E com a presença dos músicos ciganos e de outros convidados em palco, está prometida uma fusão que reflecte em palco aquilo que se poderá ouvir no disco.

Sim, também é uma boa oportunidade para lhes conseguir proporcionar algo assim, é muito importante para o projecto que tenho com eles, levá-los a outros palcos. É muito importante essa continuidade com o bairro. O diferencial do meu trabalho é que eu convivo com essas pessoas, eu estou lá trabalhando, não vou fazer só um espectáculo e acabou. Isso é importante. Eu estou batendo muito na tecla deste tipo de trabalho comunitário, porque é muito complicado você ir num bairro, pegar os miúdos e botá-los num palco, e eles voltarem para o bairro e nunca mais pisarem um palco… Isso é muito complicado, sabe? Tenho muito apreço por este trabalho, agora já faz sentido apresentarmo-nos, eles já têm uma consciência do que fazem, do que pode ser, já não têm aquela ilusão. Todo mundo que começa a fazer um álbum pensa que vai ser wow, que vai bombar, ainda mais nesse mundo de agora. É complicado, e pessoas que vivem em situações delicadas, ainda mais, sabe? Eu sei porque venho dessa situação, e depois a realidade bate na tua frente. Não é bem assim que as coisas acontecem, é melhor ir construindo e eles vêem que a carreira artística é muito mais do que ficar famoso. Pode trabalhar com arte e não ser famoso. Basta ter seriedade e fazer a coisa andar.

Lá está, esse trabalho de continuidade, esse compromisso é essencial para a transformação social.

Fundamental. Por exemplo, em Famalicão, onde estou desde 2011, vai fazer 15 anos agora em Junho, a gente tem dois estúdios de gravação. Temos um no bairro e outro no centro da cidade que é cedido pela câmara. Isso é construção, eles sabem que podem ir lá gravar, convivem dentro do estúdio… Aliás, a galera que não é cigana vai lá no bairro para gravar, já não é um projecto de cigano, percebe? Tem mais não cigano do que cigano dentro do projecto hoje, lá no bairro. Eles convivem normalmente, agora é um processo diferente, o bairro está acolhendo a população. A gente conseguiu que houvesse uma reviravolta, a população que não é cigana quer ir para o bairro para gravar, para estar no estúdio… Olha a importância de um projecto a longo prazo.


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