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Os 20 melhores álbuns internacionais em 2016

[ILUSTRAÇÃO] Dialogue [MIX] mr_mute

Diversidade parece-nos ser a palavra do ano, pelo menos no que toca à edição de música a nível internacional. O soul, r&b e o jazz partilham o espaço sónico com o trap e os MCs que escolhem o auto-tune como forma principal de expressão, mantendo um saudável agrupamento de talento e experimentação em doses recomendáveis.

A redacção Rimas e Batidas juntou forças para decidir os 20 melhores álbuns e criou um aglomerado curioso: A Tribe Called Quest e De La Soul regressam com sapiência e mostram que ainda estão para as curvas; A. Chal e Topaz Jones demonstram a inventividade do sangue novo; vanguardistas como Danny Brown e Kendrick Lamar a puxarem os limites do rap para lados contrários; Anderson .Paak em dose dupla a confirmar as expectativas criadas em 2015; Solange e Frank Ocean são a elegância r&b/pop/soul na lista e assumem-se como os melhores da sua geração.

A lista, que podem ver em baixo, está organizada por ordem alfabética e junta mixtapes, álbuns e EPs editados em 2016 por artistas internacionais.

 


[A Tribe Called Quest] We got it from Here… Thank You 4 Your service

Crítica ao álbum por Rui Miguel Abreu.

“Musicalmente, o novo álbum dos Tribe faz o que lhe competia: soa intemporal, mas não saudosista, carrega nos grooves, subtrai discurso ao jazz e ao funk, abusa dos baixos quando tem que ser (“We The People” tem a melhor linha de baixo deste lado de “Hip Hop” dos Dead Prez), apresenta tarolas de autor recortadas com o saber de quem educou os ouvidos em incontáveis rodelas de vinil (ouça-se “Melatonin”, por exemplo), pisca subtilmente o olho ao passado (a sitar de “Enough”, quase como um sinal num poste para que não nos percamos no caminho da história de um grupo que nos deu “Bonita Applebum”), mas sobretudo finca os pés no presente.”

 


[A. Chal] Welcome to GAZI

Ensaio sobre o artista por Alexandre Ribeiro.

“O universo onde as substâncias ilícitas, os sub-basses e o sexo encontra relações em The Weeknd pré-Beauty Behind The Madness, Tory Lanez, PartyNextDoor ou Bryson Tiller, mas A.Chal encontrou uma fórmula especial que o torna único neste cenário. Não é droga, mas parece: Welcome to GAZI não nos deixa sair com facilidade…”

 


[Anderson .Paak] Malibu

Crítica ao álbum por Amorim Abiassi Ferreira.

“O tom rouco e agudo de Brandon Paak Anderson, a sua atitude relaxada e a forma como é maleável às produções em que canta, tornam-no numa das mais cativantes promessas do R&B. Tenho a certeza de que voltarei a Malibu no verão, já que tudo neste disco grita pela estação mais quente do ano com uma cola fresca a acompanhar.”

 


[Chance The Rapper] Coloring Book

Crítica ao álbum por Rui Miguel Abreu.

“Este é, portanto, um disco deste tempo e não vale a pena recuar mais do que até College Dropout para encontrar modelos para Chance: tal como Kanye cantou e rimou sobre o seu presente, também Chance tem os pés fincados neste seu tempo e os olhos focados no futuro que se desenrola à sua frente. E uma vontade declarada, assumida sem truques, de fazer diferente, de forçar a mudança, a transformação. Coloring Book é um disco gigante e nobre, vai marcar 2016 como To Pimp a Butterfly marcou 2015. Como Kendrick, Chance tem a seu favor uma feroz individualidade, um discurso singular e uma noção aguda do tempo que existe lá fora. Neste momento é 2016. E há um livro para colorir.”

 


[Childish Gambino] “Awaken, My Love!”

Crítica ao álbum por Vasco Completo.

“E aqui não podemos colocá-lo numa caixa hip-hop. Não que o mesmo seja um campo fechado, e não que o artista não se tenha apresentado inicialmente como rapper, mas este não é um álbum hip-hop. Apesar de tudo, o que Donald foi buscar, musicalmente falado, afasta-se do que é o hip-hop, numa primeira instância.”

 


[Common] Black America Again

Mais informações sobre o álbum. 

“Uma equipa incrível a dar voz à luta contra a desigualdade racial nos Estados Unidos da América.”

 


[Danny Brown] Atrocity Exhibition

Crítica ao álbum por Alexandre Ribeiro.

“Menos rápido e mais ponderado. A coesão do álbum a nível temático e sonoro é impressionante. Uma espécie de obra pós-Yeezus – “Pneumonia” poderia estar no álbum de Yeezy – a mostrar que a Warp Records – editora de ilustres como Aphex Twin, Boards of Canada, entre outros – é o paraíso para a insanidade lírica e profética do hip hop messiânico propagado por Kanye West na sua obra seminal.”

 


[De La Soul] and the Anonymous Nobody…

Crítica ao álbum por Rui Miguel Abreu.

“Os De La querem fazer deste And The Anonymous Nobody um recomeço e isso por si só merece aplauso. O álbum é construído a partir de samples recolhidos nas 200 horas de jam sessions que o próprio trio produziu. O budget saiu dos bolsos dos fãs que apoiaram a campanha crowd funding: que os De La sejam capazes de encontrar uma nova forma de financiamento num universo pós-editoras é outro motivo de aplauso.”

 


[DJ Shadow] The Mountain Will Fall

Crítica ao álbum por Rui Miguel Abreu.

“Sob esse aspecto, The Mountain Will Fall não é um gesto brilhante. Shadow está ainda a tentar perceber como pode integrar a sua própria história nas novas possibilidades discursivas e da experimentação nem sempre surge estimulante ruptura ou espantosa invenção de algo novo. A primeira metade do álbum é aliás clara nesse sentido: no tema título que serve de abertura ao álbum, Shadow experimenta com sintetizadores virtuais e com as possibilidades de edição oferecidas pelo mais moderno software; depois, com “Nobody Speak”, a colaboração com os Run The Jewels de El P e Killer Mike, volta aos seus adorados samples de guitarra e às baterias de peso mastodôntico num tema que é puro mel para auscultadores.”

 


[Frank Ocean] Blonde

Ensaio sobre o artista por Rui Miguel Abreu.

“Blond é um disco humano, feito de histórias, de emoções e sentimentos, de amor, de perda, de ausência, de crescimento. As canções – “Nikes”, “White Ferrari”, “Siegfried” – soam a exercícios transformativos, a desafios auto-impostos, de alguém que quer crescer artisticamente.”

 


[Isaiah Rashad] The Sun’s Tirade

Mais informações sobre o álbum.

“O álbum de Rashad inclui os já conhecidos “Park” e “Free Lunch” e 15 outros temas com participações de Syd, Deacon Blues ou SiR e contém produção de gente como Mike WiLL Made It, Cam O’bi, D. Sanders ou DJ The Punisher, entre outros.”

 


[J. Cole] 4 Your Eyez Only

Crítica ao álbum por Amorim Abiassi Ferreira. 

“Introduções cantadas são uma especialidade de J. Cole. Esta não escapa com a sua sonoridade mais melancólica e trompetes que aquecem a produção, mas na qual a letra dá o alerta: “Do I wanna die? I don’t know!””

 


[Ka] Honor Killed The Samurai

Crítica ao álbum por Rui Miguel Abreu.

“No presente, feito de festas nas penthouses das grandes cidades, de carros exóticos e cromados, de flows rápidos e de instrumentais trap, Ka é o homem que rima lentamente na escuridão dos becos mais recônditos da metrópole gigante, o homem que mantém uma chama moral bem acesa e que nos apresenta uma fórmula apurada até ao mais ínfimo pormenor, cada sílaba, cada sample o resultado de um estudo profundo e dedicado, longo e continuado. Ka não vai deixar que o mundo esqueça de onde vem e para onde deveria continuar a ir o hip hop. Ka é um haiku: um paradoxo significante, microscópico mas com poder transformativo. Submetam-se.”

 


[Kanye West] The Life Of Pablo

A evolução do álbum desde o seu lançamento. 

“O trabalho sofreu mudanças desde o seu lançamento e Yeezy chamou-lhe “a living breathing changing creative expression”.”

 


[Kendrick Lamar] Untitled Unmastered

Crítica ao álbum por Rui Miguel Abreu. 

“K-Dot pega na arte, molda-a ao seu génio, regressa ao jazz mais libertário inventado por mentes revolucionárias como John Coltrane ou Sun Ra, cola-o ao funk cósmico propagado até ao infinito por George Clinton e a célula revolucionária Parliament/Funkadelic e injecta-se “boom” e “bap” suficientes para garantir a ligação à tradição.”


[NxWorries] Yes Lawd!

Mais informações sobre o álbum. 

“A produção de Knxwledge é de um elevado nível criativo, conseguindo equilibrar o lado mais clássico do sampling, rico em texturas clássicas, de cordas e teclados eléctricos, mostrando assim que o produtor é um estudioso da história da música negra, mas em termos rítmicos percebe-se perfeitamente que há por aqui uma sensibilidade pós-boom bap, integrada numa realidade pós-Dilla, mais livre e menos presa pelos padrões clássicos.

.Paak, por outro lado, é cada vez mais uma voz de referência: tom muito particular, capaz de flows mais rappados, de falsetes controlados, mas igualmente aberto a transformar o seu timbre por via de efeitos, usando as capacidades das multipistas para construir harmonias complexas que lhe conferem uma dimensão musical superior. E depois, em termos líricos, Anderson .Paak tem os pés assentes no presente e é capaz de traduzir a realidade da vida em 2016 – ouçam-no a batalhar demónios em “Kutless”, por exemplo.”

 


[Solange] A Seat At The Table

Ensaio sobre a artista por Alexandre Ribeiro. 

“Solange Knowles declarou-se independente e assumiu o seu papel como mulher negra numa América que proclama a liberdade acima de tudo, mas sempre a fechar os seus numa redoma de racismo e violência constante. Ela parou de pedir o lugar à mesa: ela conquistou-o.”

 


[Topaz Jones] Arcade

Ensaio sobre o artista por Alexandre Ribeiro.

“Topaz Jones apercebe-se do passado e presente da música e aponta o caminho para frente. Podemos reconhecer a facilidade em escrever refrões orelhudos como Pharrell Williams – ouçam “Sportscar” e comprovem -, flow sem corda à Andre 3000 em “Get Lost” ou a vontade de explorar caminhos diferentes – mais indie – como Kid Cudi. Mas ele quer ser ele mesmo, e é aí que acaba por se identificar mais com os três nomes anteriormente mencionados, tendo todos em comum o facto de serem donos de uma identidade vincada que nos permite reconhecer à primeira quem é quem.”

 


[Travis Scott] Birds in the Trap Sing McKnight

Mais informações sobre o álbum. 

“Birds in the Trap Sing McKnight tem um elenco de luxo: Andre 3000, Kendrick Lamar, Kid Cudi – o ídolo de Travis Scott -, Swizz Beatz, Bryson Tiller, 21 Savage, The Weekend, Quavo ou Young Thug. A produção do álbum não fica nada atrás e conta como nomes como Frank Dukes, Cardo, Mike Dean, Vinylz, Cashmere Cat, Boi-1da ou WondaGurl.”

 


[YG] Still Brazy

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