PRhyme // PRhyme 2

prhyme review

[TEXTO] Moisés Regalado

Agora que se comemoram duas décadas sobre o lançamento de Momenth of Truth, uma das páginas mais bonitas na história dos Gang Starr, valerá a pena começar por falar de DJ Premier. Como poucos, antes ou depois dele, inventou e difundiu um estilo de produção que se viria a tornar maior do que o próprio, sem no entanto perder a identidade ou o reconhecimento. Todos sabem quando um beat soa a Preemo e há muito que o seu percurso, impossível de resumir sem ignorar pontos fundamentais, o consolidou como um dos melhores de sempre.

PRhyme não é uma sequela de Gang Starr e pode mesmo dizer-se que Premier não continua igual a si mesmo. Calma: a lenda viva de 52 anos, convictamente fiel à estética que perpetuou (mesmo no disco em que trabalhou com Christina Aguilera e nas remisturas que fez para nomes como Limp Bizkit ou Craig David), reinventou-se com a aparente naturalidade que só os rookies tendem a apresentar. A idade é um posto mas não há muitos veteranos a alcançar semelhante feito, na produção ou no rap, daí que Royce da 5’9″ se posicione como parceiro ideal para o génio de Preem.

Continua a haver algo de contra-cultura nas batidas e nas letras destes dois. No cuidado e na confiança com que as trabalham, sem medo de experimentar e de fugir à fórmula que tantas vezes resultou, e na postura independente com que promovem o resultado final. Já o tinham conseguido com o homónimo de 2014 só que hoje, ao segundo LP, o brilho e a ambição são outros, reforçando PRhyme como um dos projectos mais especiais que o movimento, saudosamente visado em “Black History” e “Gotta Love It”, viu nascer e crescer. Depois de uma estreia prometedora que, feitas as contas, não superou as expectativas, não há como negar os passos de gigante com que Royce e Premier trilharam este segundo volume.

“Flirt”, com 2 Chainz, e “W.O.W.”, em que 5’9″ e Yelawolf dividem o microfone, recuperam a sonoridade com que Premier atingiu o Olimpo, sem que isso chegue para as destacar positivamente. “Sunflower Seeds” e “Streets at Night” também não surpreendem, principalmente se comparadas com a subtileza detalhada que pauta o resto do alinhamento. Numa lista de participações que conta ainda com os incontornáveis Roc Marciano, Dave East, Big K.R.I.T. e CeeLo Green, o flow de Rapsody sobressaiu como nenhum outro, beneficiando da inspiração sobre-humana com que Primo teceu o instrumental.

Ainda não foi desta que DJ Premier e Royce da 5’9″ recuperaram a mística de clássicos como “Boom” ou “Hip Hop” mas é cada vez mais óbvio que os objectivos de PRhyme não deverão passar por aí. Nem é de todo legítimo esperar que dois sobredotados, apaixonados pela evolução da técnica e perfeitamente capazes de se destacar entre pares ao fim de vinte ou trinta anos de carreira, se mantenham presos nas malhas que um dia ajudaram a tecer. Depois dos regressos de Jay-Z, DOOM ou até Roc Marci, esta é mais uma prova de que o rap já ultrapassou os constrangimentos etários de outrora, destacando-se actualmente como a mais universal das expressões.

 


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