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Texto: ReB Team
Fotografia: Kaio Cesar
Publicado a: 24/04/2026

Sem cromos repetidos.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Kehlani, Amon & Vácuo, LZ, Jordan Rakei e Vasco Lé

Texto: ReB Team
Fotografia: Kaio Cesar
Publicado a: 24/04/2026

Mais uma semana, mais uma caderneta musical em que o Rimas e Batidas coleciona os lançamentos relevantes dos últimos dias. Sem repetir cromos — ou sonoridades, neste caso —, hoje apresentamos por aqui uma mão-cheia de propostas que vêm complementar os outros três discos que já tinham passado pelas nossas páginas recentemente — a compilação A Lisbon Club Story da Enchufada, Vindo do Espaço de Acácia Maior e Kiteke de Altifridi.

Cadence Weapon (Forager), Fatboi Sharif and Child Actor (Crayola Circles), Angelique Kidjo (HOPE!!), Gareth Donkin (Extraordinary), Lolo Zouaï (Reverie), Loukeman (SD-3), Quiet Light (Blue Angel Sparkling Silver 2), Gia Margaret (Singing) e Carla dal Forno (Confession) são outros lançamentos que acusaram no nosso radar.


[Kehlani] Kehlani

Há artistas que se resguardam para soprar as velas em descanso junto dos seus, depois há aqueles que, como Kehlani, fazem do seu aniversário uma grande festa extensível a todo o público. Ao quinto álbum, a artista celebra 31 anos de vida rodeada de gente boa num total de 17 faixas, pelas quais podemos escutar convidados de peso como Lil Wayne, Clipse, Missy Elliott, Usher, Big Sean, Cardi B, Brandy e Lil Jon. O homónimo Khelani mostra-nos a cantora californiana não a tentar mudar as regras do seu próprio jogo, mas a apostar em refinar ainda mais a sua estética R&B para chegar a patamares de maior excelência sónica e a dissecar a sua jornada de auto-descoberta e de amor próprio, através de uma narrativa profundamente pessoal em que explora a sua não-binariedade.


[Amon & Vácuo] Broderline

Quando o brio no rap não abunda, Amon e Vácuo unem esforços para armar a barafunda e erguer a bandeira dos bons costumes como manda a tradição. A produção fica ao cargo do primeiro, que se desdobra igualmente pelas rimas, e consiste numa série de batidas que transpiram o suor da golden era, enquanto que o restante elenco se abre à participação de nomes de culto do underground lusitano, como são os casos de Uno, Pibxis, Benny Broker, Cora e Tommy El Finger. Oito faixas de rap cru para ouvintes de dentição afiada, com selo da Blckout Records, a etiqueta discográfica do próprio Amon.


[LZ] MAKAVELZ

Se o registo acima procurava evocar a estética clássica de uma cultura com mais de cinco décadas de existência, este novo álbum de LZ serve de ode às sonoridades do drill e do trap que têm ajudado o hip hop a manter a sua frescura, mas sem nunca renunciar às raízes — o próprio título MAKAVELZ é uma adaptação de uma das mais emblemáticas alcunhas carregadas por Tupac Shakur, Makaveli. Em quase uma hora de música, o rapper de Lisboa que integra o coletivo XROOTZ conta-nos algumas das histórias que moldaram a sua personalidade e convoca para junto de si alguns dos maiores nomes do movimento, como Julinho KSD ou Landim.


[Jordan Rakei] Between Us

Jordan Rakei rompe com a pressão do ciclo tradicional associado aos lançamentos e foca-se numa série de músicas mais descomprometidas assentes em diálogos Between Us — entre ele e uns quantos amigos que foi fazendo na estrada. FKJ, Jalen Ngonda, Nubya Garcia, Tom McFarland (dos Jungle) e Femi Koleoso (dos Ezra Collective) formam o luxuoso plantel que vai a jogo neste curta-duração que surge dois anos após o último álbum do músico e produtor australiano, The Loop. Da sensualidade provocativa da neo-soul à improvisação jazzística, as canções presentes em Between Us são apenas cinco mas facilmente agradam a qualquer tipo de ouvinte.


[Vasco Lé] These Tears Feel So Eerie

Ao quinto lançamento, a portuense Perf diz “até já” ao vinil e estreia-se no formato de cassete com uma obra assinada por Vasco Lé. Com um título que faz referência ao teórico cultural Mark Fisher, These Tears Feel So Eerie é formado por um conjunto de faixas que refletem uma inquietante sensação de falta de algo e se distanciam do lado mais nostálgico associado ao sampling, cultivando antes uma aspereza sónica enquanto táctica que se manifesta quer em inebriantes vapores de contemplação, quer numa saturação de batidas associadas à club culture.

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