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Texto: ReB Team
Fotografia: Neva Wireko
Publicado a: 10/07/2026

Da delicadeza do R&B ao rock mais maquinal.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Kelela, Bruno Berle, MAQUINA., Future, Sango e Baby Rose

Texto: ReB Team
Fotografia: Neva Wireko
Publicado a: 10/07/2026

E vão mais seis. 2026 ganhou esta semana mais una quantos valentes candidatos a figurar por entre as seleções dos melhores trabalhos deste ano, cada um deles no seu próprio registo sonoro. Ao longo dos próximos parágrafos, debruçamo-nos por diferentes facetas de R&B, tonalidades contrastantes dentro da esfera rap, mas também nova música brasileira e rock do mais dançável que existe.

Além dos discos que escolhemos destacar por aqui, atentem também o que fizeram Mx (BIPOLAR), Blind (À VIDA), Do Cabo do Mundo (Do Cabo do Mundo), Chuck Strangers (Glory of the King’s Hand), Speaker Music (Synoptic Audio), Gloorp (Gloorp Life), The-Dream (Love/Hate II), Xiu Xiu (Ereaserhead Xiu Xiu), Holy Wave (i’m DADA) e Nils Petter Molvaer (Be Quiet).


[Kelela] new avatar

Ao terceiro álbum, Kelela regressa às suas raízes na cena indie de Washington D.C. com Oscar Scheller enquanto produtor principal, responsável por mesclar essa sonoridade com a veia eletrónica que marcou o trajeto ascendente da cantora. Editado pela Warp Records, o disco é descrito como uma fusão de shoegaze, grunge, R&B e música eletrónica, absorvendo todo o percurso que Kelela já trilhou até aqui, resultando num som que atravessa guitarras distorcidas, texturas alt-rock e incursões em drum’n’bass e garage. Emocionalmente, é apontado como o registo mais sombrio e tenso da carreira de Kelela até à data, ainda que consiga equilibrar essa dureza com um lado reconfortante, funcionando como uma espécie de diálogo entre a artista atual e a que gravou o primeiro LP há quase uma década. new avatar reúne colaborações de A.K. Paul, Fousheé e PinkPantheress e será, certamente, ponto de passagem obrigatório durante a setlist que a artista está a preparar para o concerto no Lisboa ao Vivo (a 21 de Outubro).


[Bruno Berle] Sem Fronteiras

Novamente a jogar com as cores da Far Out Recordings, Bruno Berle apresenta Sem Fronteiras como o seu trabalho de maior fôlego geográfico e emocional até à data, gravado em diferentes cidades e países — de Londres a São Paulo, passando por Minas Gerais, Alemanha e Maceió — em parceria com o habitual produtor Batata Boy. Depois da saga de dois volumes No Reino Dos Afetos, o cantautor brasileiro expande o seu território lírico a temas que brotam das suas constantes travessias pelo globo, confrontando-se com a discrepância entre a liberdade com que a música atravessa fronteiras e os entraves colocados aos respetivos criadores quando eles próprios tentam circular pelas mesmas coordenadas. Sem Fronteiras é um disco que respira comunidade — no qual participam também os companheiros de sempre Nyron Higor e Phylipe Nunes Araújo — e faz lembrar o lendário Clube da Esquina, também pela sonoridade luminosa e delicada que nunca abafa a urgência política do que é cantado, feita de cordas de nylon ou teclas Rhodes.


[MAQUINA.] BODY TRANSMISSION

No seu primeiro featuring de sempre, os MAQUINA. recebem os espanhóis Dame Area na malha que serve de arranque (e dá o mote) para a frenética “dança” que se sente ao longo do seu terceiro disco, BODY TRANSMISSION — o segundo pela londrina Fuzz Club. Depois de incendiarem palcos por Portugal inteiro e por inúmeras coordenadas europeias e até brasileiras, o trio lisboeta volta a anunciar mais um roteiro com dezenas de datas e traz agora um novo ingrediente para os ajudar a fazer saltar plateias inteiras, agora com maior cuidado dado às composições e menos centrado na espontaneidade das jams. Entre marteladas four-to-the-floor, atitude punk, tratamento acústico industrial e o lado mais mecânico do kraut, os MAQUINA. seguem fieis a si mesmos com mais um conjunto de 10 temas perfeitos para o headbanging e crowdsurfing.


[Future] The Real Me

22 faixas, 59 minutos de duração e zero convidados. Assim é Future a mostrar The Real Me, um longa-duração assente em elevados níveis de sinceridade e de introspecção, passando por temas como luto, ambição, lealdade, culpa e paternidade. Porém, o rapper de Atlanta não despe totalmente a armadura e mostra-se sempre pronto para o típico bravado e os discurso de ostentação e conquista. Pharrell Williams, ATL Jacob, TM88, Wheezy e Southside são alguns dos inúmeros nomes que tingem a ficha técnica de The Real Me ao nível da produção, que resulta numa série de cenários trap gélidos bem ao estilo de Future.


[Sango] RHYTHM & MELODY

Desde que surgiu em cena em 2010, Kai Asa Savon Wright tem crescido a olhos vistos. Da eletrónica pincelada com detalhes de soul e jazz que começou por apresentar dentro da crew Soulection, o produtor que o mundo melhor conhece como Sango expandiu-se para vários outros horizontes, e uma das maiores provas desse seu crescimento está neste RHYTHM & MELODY — um trabalho que o leva não só a editar pela Mass Appeal de Nas, como a ditar os grooves numa série de batidas de hip hop de autor pelos quais deslizam versos de gente como Big Sean, Smino, Goldlink, Vic Mensa ou Boldy James.


[Baby Rose] YEARNALISM

No início deste ano, Baby Rose celebrou pela sua primeira participação num álbum vencedor de um Grammy — neste caso MUTT, de Leon Thomas, que ganhou o prémio para Melhor Álbum de R&B. Foi, por isso, com a confiança redobrada que a cantora de Washington, D.C. se atirou ao terceiro registo de longa-duração, três anos após o antecessor Through and Through e dois anos depois de uma valiosa colaboração com os BADBADNOTGOOD em Slow Burn. Entre luxuosas camadas de soul, jazz, R&B e gospel, Baby Rose leva-nos a navegar pelos diferentes anseios que documenta por entre as páginas do seu diário.

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