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Fotografia: Dawid Laskowski
Publicado a: 15/06/2020

O músico que liderou a big band Centipede e que tocou com os King Crimson era uma das figuras tutelares do jazz britânico e um pedagogo reconhecido.

Keith Tippett, lendário pianista britânico, morreu aos 72 anos

Fotografia: Dawid Laskowski
Publicado a: 15/06/2020

Keith Tippett, pianista britânico com uma longa história ligada ao jazz, faleceu ontem, aos 72 anos. Com uma carreira que recuava aos anos 60, década em que começou a tocar jazz profissionalmente ao lado de outros notáveis músicos como o saxofonista Elton Dean, Tippett casaria com a cantora e actriz Julie Driscoll antes ainda de formar a big band Centipede, colectivo que chegou a contar mais de 50 membros recrutados entre jovens músicos de grupos como os King Crimson, Nucleus ou Soft Machine. Os Centipede editaram o clássico álbum Septober Energy em 1971.



A carreira discográfica de Tippett arrancou, no entanto, algum tempo antes, em 1970, ano em que o músico contribuiu para registos de Keith Christmas, Harold McNair ou Shelagh McDonald além dos King Crimson, grupo com que nesse ano gravou os álbuns In The Wake of Poseidon e Lizard, e do seu próprio ensemble, o Keith Tippett Group, com que editaria dois trabalhos, You Are Here… I Am There (1970) e Dedicated to You, But You Weren’t Listening (1971).



Nos anos seguintes, o pianista gravaria com a esposa Julie Driscoll, várias vezes com os King Crimson (Islands, The Young Person’s Guide to King Crimson…), Pete Sinfield, Arthur Brown, o colectivo Ninesense de Elton Dean, Harry Miller ou o octeto de Louis Moholo navegando com elegância entre as águas do rock progressivo e do jazz mais avançado.

Tippett gravou abundantemente até ao presente. A sua edição em nome próprio mais recente data de 2018, um registo de um concerto ao vivo em Trieste. Nos últimos anos, Keith Tippett foi igualmente uma figura inspiradora para muitos músicos da nova vaga do jazz britânico. Através das redes sociais, a trompetista Emma-Jean Thackray, que o Rimas e Batidas entrevistou recentemente, lamentou o seu desaparecimento.

“O maravilhoso Keith Tippett, o meu velho professor, deixou esta Terra. E é com coração pesado que eu volto a pensar em tudo o que me ensinou, não apenas a variedade de coisas que me ensinou sobre música, mas sobre a vida”. A autora de Rain Dance explica depois que adorava ouvi-lo contar histórias sobre a cena musical dos anos 60 e 70, sobre a sua mulher Julie Driscoll e sobre a vida em geral. “Nas suas aulas semanais, nós passávamos as sextas-feiras inteiras no Royal Welsh College of Music & Drama a tocar free, a pensar sobre a arquitectura de uma peça, sobre a marcação rítmica (devo tudo o que sei sobre marcação rítmica e esculpir a forma de um solo a ele) e basicamente a explorar o som. Eu originalmente ingressei nalgumas escolas de jazz e do alto dos meus ingénuos 17 anos de idade (fiz 18 duas semanas antes de entrar na faculdade) escolhi a universidade no País de Gales basicamente porque era a que ficava mais longe de minha casa, mas se fiquei lá foi mesmo por causa do Keith”. “Uma das minhas experiências ao vivo favoritas (enquanto membro do público)”, recordou ainda a trompetista, “foi vê-lo ao vivo com o Peter Brotzmann e o Steve Noble no Café Oto. Ele disse-me que era o único sítio em Londres em que ainda gostava de tocar porque só eles o sabiam tratar bem”.

David Sylvian foi outro dos músicos que assinalou o falecimento de Keith Tippett escrevendo no Twitter que o malogrado pianista foi muito generoso para si quando começou a fazer as primeiras experiências nos domínios da improvisação, no início dos anos 90: “Ele criou um caminho inequivocamente único onde quer que a fortuna o pudesse encontrar”.

Em 2018 a Wire tinha noticiado a criação de um fundo para ajudar Keith Tippett, então impedido de trabalhar após ter sofrido um ataque de coração na sequência de uma pneumonia. Até ao momento não foram ainda divulgadas as causas da morte do pianista.


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