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Holly: “Gostava de ouvir o Lee Scratch Perry em cima de um beat meu!”

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Videocreep

Holly não sabe estar quieto. Acaba de lançar Matix Mixtape, uma nova mixtape que tem dimensão física (e que os nossos leitores poderão ganhar num passatempo na página Facebook) e apoio das marcas Matix e DVS e tem já pronto e disponibilizado o volume 28 da sua série contínua de beat tapes. Como é óbvio, não é apenas com a quantidade de trabalho que Holly está a fazer o seu nome: a qualidasde constante das suas produções, capazes de seguir em múltiplas direcções em simultâneo, também têm concentrado muitos olhares na sua música. MCs dos mais variados quadrantes, DJs e outros produtores têm prestado justificada atenção aos beats que assina. A propósito de Matix Mixtape e do novo capítulo no seu “livro” de beats, enviámos algumas perguntas a Holly. Nas respostas, pistas abundantes para se entender o que se passa no universo deste jovem produtor que tem agora, além da afiliação à ASTROrecordsa sua própria aventura We Many que divide com o irmão, DJ Ride.

Apresenta-nos esta mixtape que acabas de editar com carimbo da Matix! Que tipo de material alinhas aqui?

Heyo! Esta mixtape veio na sequência de começar a ser patrocinado pela marca Matix (big up Gualter Costa e Carsportif!) sendo que a partir daí surgiu a ideia de fazer uma mix em formato físico para distribuir gratuitamente pelos meus gigs e por outros meios de forma a promover ao máximo a marca em Portugal assim como dinamizar mais a minha música. Acabei por pensar que hoje em dia a maior parte do pessoal ouve mais CD’s quando está no carro e/ou em viagem, então pensei em qual seria a minha soundtrack perfeita para isso, sendo que acabei por juntar alguns sons e edits próprios que costumo passar nos meus sets ao vivo entre outros sons que ouço diariamente, desde hip hop a garage, grime a drum’n’bass e a outros estilos. Alinhei isto tudo e assim nasceu esta mixtape!


 

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É importante para ti ter estes projectos com dimensão física?

Não é mega importante para mim mas sinto necessidade em ter parte do que faço em formato físico. Teres mesmo a tua música na tua mão e não ser apenas mais um ficheiro que tens no PC tem muita importância para mim. Tinha um professor no liceu que dizia que a fotografia para existir tinha que estar em papel para a poderes tocar e sentir, e eu às vezes penso nisso com a música. As cenas digitalmente são muito descartáveis e vagas, e acho que é fundamental teres parte da tua música em formato físico se queres mesmo que ela “exista”.


 


 

Quando te apresentas como DJ costumas misturar material próprio com material alheio? Ou preferes usar apenas música alheia?

Por norma costumo dividir um bocado a minha produção e os meus sets ao vivo. Quando toco ao vivo costumo quase sempre passar 95% sons de outro pessoal sendo que as minhas produções acabam por ser pedaços de mim, coisas mais pessoais que gosto de guardar no meu quarto e para mim quando estou sozinho a produzir, sendo que quando toco prefiro passar sons que ouço usualmente e cenas num mood mais party e guardar o que me é mais íntimo, “as minhas produções”, para quando estou sozinho.

Que produtores te inspiram neste momento?

Neste momento os produtores que me têm influenciado mais nas minhas produções têm sido sem dúvida o Quix, Masayoshi Limori, Woolymammoth, Madeaux, DJ Ride, Baauer, Mumdance, DJ Snake, G Jones, Rabit, Sevendeaths, Iglooghost, Arca, What So Not, Dani K, Evian Christ, Burial, Point Point, Breaux, X&G, NGHTMRE, Losi, toda a crew da Bromance e da TriAngle… E por aí!

Descreve os passos normais na criação de um novo tema? Como é que começas? Pelos drums?

Eu não tenho um processo que siga de forma constante quando faço música, varia muito de dia para dia, moods etc… Por isso é um bocado complicado generalizar “o meu processo”. Por norma, gosto de começar primeiro com as melodias e depois é que parto para os drums. Quando estou a fazer um som que tem um drop normalmente começo sempre por fazer o lead do drop e depois desenvolver o resto do som e por aí… Depende muito mesmo de como a minha mente está na altura.

Tens uma nova beat tape pronta. Tens produzido em quantidade. Qual o teu ritmo? Fazes temas todos os dias? Quanto tempo gastas em cada um, em média?

Felizmente sinto-me abençoado por poder fazer música diariamente, por norma começo sempre entre três a cinco beats diários (às vezes um, às vezes dez) e o tempo que demoro em cada um é muito relativo. Posso demorar às vezes dez minutos como outras vezes dez horas não são suficientes para fazer alguma coisa que me agrade.

Que MCs têm neste momento beats teus na mão?

Hmmmmmm… Sem saber se os vão usar ou não, neste momento alguns dos MCs que têm beats meus são Cakes Da Killa, NGA, Prodigio, Desiigner, Qrion, Piruka, Bispo, toda a minha familia AstroRecords, Mars Today, Noah, João Tamura (!!!) e por aí…


 


 

Quem gostavas de ouvir agora a rimar em cima de beats teus?

Lee Scratch Perry, for sure!

Quais são os teus planos para este ano?

Eu sou muito reservado quanto a expor os meus objectivos e ambições, gosto muito de guardar isso para mim porque para além de serem metas muito pessoais, também noto que quem dita mais o que quer fazer acaba na maior parte dos casos por estagnar totalmente. Contudo, os meus planos para este ano são basicamente fazer o máximo de música que consiga, tocar o máximo que seja e espalhar ao máximo a minha arte all around the world.

Criaste a We Many com o teu irmão. Quais os planos para a label?

Yup! Os nossos planos para We Many são criar uma plataforma que sirva de suporte para todo o material que nós façamos tanto a solo como em dupla ou noutros formatos, criar showcases e curadorias em vários espaços e noites de backgrounds diferentes tanto nacionalmente como internacionalmente, editarmos música de artistas que admiramos e de amigos ao nosso redor e criar uma crew sólida para a nossa vida.


 

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