Capital da Bulgária chama toda a gente para a mesa da Casa Capitão para apresentar já esta noite, a 25 de Junho, o seu mini-álbum Almoço, publicado a 16 de maio sob o selo da gravadora Sony Music Entertainment Portugal.
Após o seu EP pequeno-almoço (2021) e o álbum contei e deixei que tu me julgasses (2024), o próximo passo foi passar diretamente para o Almoço. Um projeto que se difunde pelas sonoridades pop, R&B, indie e eletrónica, bem como desafia a liberdade do fluxo criativo. Sobre o processo por trás da confecção desta ideia, a artista admite que este curta-duração foi “uma desculpa esfarrapada para lançar músicas, que tinha na gaveta”. Após um período mais ausente da criação musical, Sofia encontrou inspiração nos seus almoços em família: “Eu pensei, as músicas que tenho não fazem sentido, como é que as posso lançar? Então lembrei-me dos almoços da minha casa, que são caóticos, onde a minha mãe faz um menu com coisas que não têm nada a ver, e o meu cérebro criou uma razão para lançar a música, após uma altura em que eu não tinha tanta vontade”.
Com este “mini-álbum”, como a mesma o descreve, o objetivo passa pela aleatoriedade e tem a peculiaridade de contar com uma faixa que corrompe com os modos de produção habituais de Capital da Bulgária. A faixa “ensina-me a gostar”, primeiramente lançada como single, serviu como entrada para o que seria esta amálgama de sonoridades. Com uma abordagem livre, onde o fluxo criativo tomou as rédeas, Sofia decidiu pôr um travão ao overthink que vem em acréscimo à construção musical e debruçou-se pelas melodias de R&B. “Estava numa fase de querer experimentar fazer uma música desse género e queria perceber se tinha isso em mim. Eu assumi o modo de cantar sem pensar muito e escrevi só frases que não têm nada a ver comigo nem com as minhas experiências. Só escrevi. O meu amigo Tomás ajudou no processo, onde fizemos flows e dissemos frases à toa, o que foi um processo divertido”, relembra a artista. Este exercício de liberdade é algo que a própria gostava de experimentar novamente: “Foi um processo muito mais rápido e tranquilo. No lugar de estares três horas presa numa palavra, onde nada soa bem, este processo é mais divertido”, conclui.
O projeto reúne também faixas como “nao me apetece”, “sozinha” e “morrer na praia”, malhas próximas a Sofia, que constavam no seu baú de recordações, e outras músicas que estavam para ver a luz do dia. A memória mantém-se viva também através da imagem da capa, na qual a artista aproveitou uma foto tirada durante um dos almoços na casa de sua mãe, mantendo o fio condutor para este projeto: a liberdade e a espontaneidade.
Com forte inspiração no que vê no dia-a-dia, a cantora procura um equilíbrio entre a descontração e a diversão para se abrir honestamente nas suas letras, fugindo do preconceito de seriedade que há em torno da música mais intimista. “Se eu disser ‘eu amo-te e estou completamente louca por ti’, ‘olho para as estrelas’, é um pouco azeiteiro, eu acho. Não gosto, acho que fica feio. Então, a maneira que eu arranjo para encontrar um meio termo para escrever bem, mas ao mesmo tempo não ser tão sério e tão conceptual e pretensioso, é soltar as palavras que eu uso no dia-a-dia, como tosca, moça, morrer na praia. Falo de coisas que eu sinto, de um modo que ajudam a trazer os pés à terra”, admite Capital da Bulgária. A mesma retoma este fio condutor referindo que aprecia quando há uma ponte próxima entre o artista e o ouvinte: “Eu gosto quando as pessoas sentem que estão ao pé de mim e somos amigos e que nos identificamos. Nós vivemos todas a mesma coisa e as experiências são universais, não são minhas”.
A artista que pisou o palco do Festival da Canção no ano passado sobe agora ao palco do rés-do-chão da Casa Capitão para um concerto premeditado e pensado ao detalhe — desde as músicas ao cenário e aos ensaios —, algo que lhe traz confiança para ser ela própria e libertar a sua voz em palco. Com ânimo e antecipação, Capital da Bulgária prepara-se para meter a mesa e servir o seu Almoço, num momento intimista e próximo a quem a ouve.