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Texto: ReB Team
Fotografia: Jamal Nxedlana
Publicado a: 17/03/2022

Caminhos cada vez mais cruzados.

Desire Marea, Odete + Ece Canli ou Gustavo Costa & Lea Bertucci no segundo trimestre de 2022 do TBA

Texto: ReB Team
Fotografia: Jamal Nxedlana
Publicado a: 17/03/2022

Estamos a chegar a uma nova ronda de três meses (digamos desta forma) e o Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, começa a antecipar o que aí vem nos próximos tempos — e que se divide em três momentos (mais um que também já se avista em Julho).

Comecemos então por Abril, mais concretamente pelo dia 15. No primeiro espectáculo deste trimestre, Odete e Ece Canli unem forças para se mover “por entre dinâmicas de uma epistemologia queer e investigações sobre identidade, onde voz e eletrónica apontam para o contraste entre uma arqueologia sonora e o que podemos considerar como ficções ou mitologias futuristas, caso não estejamos (ainda) preparados para encará-las como manifestações do presente.”

A produtora, uma das escolhas para o futuro da música portuguesa que o ReB projectou, tem sido presença constante nas listas de melhores do ano cá da casa: Water Bender e The Consequences of a Blood Language entraram em 2020 e 2021, respectivamente. Quanto à investigadora multidisciplinar turca (que reside no Porto), o seu nome surgiu muito recentemente nestas páginas digitais por “culpa” do projecto COBRACORAL, trio em que divide as responsabilidades com a portuguesa Catarina Miranda e a francesa Clélia Colonna.

Em Maio (14), o evento divide-se em duas actuações, algo que se proporciona devido a uma novidade: “Escuta Cruzada é um novo lugar de curadoria partilhada do TBA que desafia coletivos, associações e outros organismos criadores a pensarem a programação musical como uma relação osmótica, de partilha, porosa e transversal”. As escolhas para a estreia recaem sobre a editora Robalo e a associação Sonoscopia, que serão representadas por Living With a Couple com Jerry The Cat & Lourenço Soares no primeiro caso, e Gustavo Costa & Lea Bertucci, no segundo caso.



Na última do trimestre, a 9 de Junho, Desire Marea é o protagonista. Depois de se destacar enquanto parte do grupo FAKA, o artista da África do Sul lançou o seu álbum de estreia, Desire, em 2020 pela Mute (numa co-edição com a Izimakade Records), icónica editora que tem um lugar muito especial na história da música electrónica, tendo ao longo das últimas quatro décadas erguido um imponente catálogo com obras de nomes como Depeche Mode, Goldfrapp, New Order ou Nitzer Ebb.

E o que se pode esperar? Marea “embarcou nos últimos anos numa jornada sonora individual enraizada num processo de cura conduzido através de interseções entre o clubbing, harmonias que remetem à tradição do mbaqanga sul-africano e uma presença vocal operática na exploração multissensorial da natureza do divino.”

Já com os olhos postos no terceiro trimestre, a 9 de Julho, o teatro recebe o quarteto composto por William Parker, Hamid Drake, Luís Vicente e John Dikeman. Em Janeiro do ano passado, Rui Miguel Abreu dedicava atenção a Goes Without Saying But It’s Got to Be Said, um trabalho musical esculpido por estes quatro músicos. Por lá, entre outras coisas, escrevia-se: “É importante mencionar estes números apenas para que se entenda correctamente o calibre destes mestres, porque o que se escutou naquela noite de Julho na pequena sala lisboeta foi uma lição de história, com as suas mãos, pés e corpos a afirmarem-se como monumentos vivos de resistência e depósitos de uma experiência que é musical, estética e artística, mas também espiritual, política e humana.”

Antes de avançarmos para esta nova etapa da programação, no antepenúltimo dia de Março (29), a violoncelista Lucy Railton e o cineasta Pedro Maia apresentam Janela do Inferno, um “projeto que os junta em palco e que nasce dessa residência no arquipélago açoreano a convite do festival Walk&Talk. Um filme-concerto, com manipulação ao vivo de sons e imagens, captadas durante a residência.”


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