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Fotografia: Isabela Marques
Publicado a: 08/05/2026

A força na coletividade.

TLS Produções: “Queremos ser uma referência para os que vierem a seguir”

Fotografia: Isabela Marques
Publicado a: 08/05/2026

Nascidos e criados na Quinta do Mocho, os THELASTSQUAD, mais conhecidos como TLS Produções, são um coletivo que junta produtores, DJs e artistas de percursos distintos, ligados por uma visão comum: fazer sons que mexam com o corpo de quem os ouve mas também deixar uma marca através da música. Entre a batida, o ghetto e uma abordagem aberta à experimentação, movem-se entre a pista de dança, o estúdio e a identidade de um bairro que continua a afirmar-se como um dos polos criativos mais férteis da Grande Lisboa.

Formado por ALBERFOX, E8Prod, Erick no Beat, Gugas, HELVIOFOX, DiionyG e Kwamy, o grupo apresenta-se como uma estrutura em crescimento, onde cada elemento acrescenta uma linguagem própria ao todo — das percussões à melodia, da produção à pista de dança. Com raízes assentes na amizade, no trabalho coletivo e numa forte ligação à comunidade onde cresceram, os TLS procuram contrariar narrativas limitadas sobre o bairro, projetando uma imagem de ambição, criatividade e união.

Depois de lançarem pela londrina LOVEINTHEENDZ o seu primeiro disco Ghetto Style, projeto que funciona simultaneamente como cartão de visita e afirmação estética, conversámos com o coletivo sobre as origens, o processo criativo à distância entre Portugal e Inglaterra, influências que vão do R&B ao jazz e à música eletrónica, a importância da pista de dança, os planos para o futuro e o legado que pretendem deixar para as próximas gerações.



Como é que nasce a TLS Produções? Quem é que deu o primeiro passo?

[E8Prod] Vou passar para o ALBERFOX! [risos]

[ALBERFOX] Nem sei o que vou falar… vou passar para o DiionyG! [risos]

[DiionyG] Acho que o grupo nasceu, basicamente… o grupo não, nós crescemos todos juntos no mesmo bairro e desde putos sempre tivemos aquela vontade de produzir. Foi juntar o útil ao agradável. No início era mais eu, o HELVIOFOX e o ALBERFOX que fazíamos parte do grupo. Juntávamo-nos para produzir na casa do HELVIOFOX, e com o passar do tempo entrou o Gugas como cantor e também o E8Prod. E acho que foi mais ou menos assim que surgiu…

São todos do mesmo bairro?

[HELVIOFOX] Sim, somos todos da Quinta do Mocho.

A Quinta do Mocho tem muitos nomes conhecidos na cena. O DJ Marfox também é de lá, certo?

[Gugas] É, é!

[DiionyG] Acho que é uma referência para nós todos. 

Para além da música, o que é que sentem que vos une realmente enquanto coletivo?

[Gugas] Para mim, eu acho o que nos une mais é a nossa vontade de querer fazer acontecer. A maneira como nós encaramos cada projeto, cada trabalho que estamos a fazer. Não é só um ou dois a remar contra a maré… são todos a remar do mesmo lado. Isso faz com que o trabalho flua, e sentimos que tamos todos a lutar pela mesma coisa. Se bem que cada um tem a sua vida pessoal, e não dá sempre para encaixar tudo, mas tentamos sempre trabalhar todos juntos!

Individualmente, o que é que cada um sente que traz de diferente para o projeto?

[E8Prod] É difícil de explicar, porque acho que cada um de nós tem a sua maneira de fazer algo. E por fazer algo que é diferente, e algo que outros elementos do grupo não conseguem fazer, isso faz com nós criamos algo que seja único. Eu acho que é isso, são sei explicar muito bem… [risos]

[HELVIOFOX] Acho que entre nós não vamos conseguir explicar! [risos] Mas basicamente cada um de nós tem aquele brilho numa certa área da produção. E juntando tudo, um vai complementar o outro. Vai haver sempre um que é melhor na melodia, outro que é melhor nas percussões.

[DiionyG] Da minha parte, a versatilidade e a minha facilidade em me adaptar em certos níveis da produção. Mas por exemplo, pela parte do Gugas, como é o nosso principal animador, acho que é isso que ele acrescenta ao nosso grupo. O E8Prod é muito bom a nível de percussões e tudo mais, é essa cena dele que traz um grande crescimento para a nossa forma de produzir. Relativamente ao ALBERFOX, acho que ele faz um pouco de tudo, é versátil. E o HELVIOFOX acho que também é basicamente isso também. [risos] Mas acho que também dá assim um certo brilho ao grupo.

Aproveito para perguntar: Gugas tu estás apenas ligado à parte de MCing, certo? Nunca tiveste curiosidade de produzir?

[Gugas] Já tentei né… uma vez ou outra vou tentando fazer umas brincadeiras mas não corre assim tão bem. [risos] 

Mas dás uns inputs na produção e na parte criativa?

[Gugas] No inicio do beat sim, mas depois já não sei… já deixo nas mãos dos produtores! [risos] Mas consigo sentir, ouvir, dar assim algumas dicas de como soava melhor… de qual sample seria fixe num beat e, também é importante para mim, mesmo eu sendo o cantor, sinto que me complementa. Mas acho que o me destaca mesmo, é o que o Diiony tinha dito, que é termos de animação. Comecei a cantar deste muito cedo, e era animador de StudioBros, que também fazem parte de um grupo de DJs do bairro, e que são também um grande referência para nós. E comecei com eles desde muito novo, e as pessoas viam ali um impacto diferente. Eu quando pego no microfone é de maneira doida mesmo [risos]

No estúdio também és assim?

[Gugas] Sou, sou! Em todos os beats quero logo explodir!

[HELVIOFOX] Ele já quer cantar! [risos]

[Gugas] Mínima palavra que sai no estúdio, mesmo no gozo, é para meter no som! E penso que isso faz parte também para às vezes trazer momentos bons, momentos interessantes. É isso..

Vocês quando estão a criar, o vosso foco principal está mais virado para a pista, para a dança, ou também gostam de entrar pela experimentação? Ou seja, não estão apenas a pensar que querem fazer algo que vai bater numa pista.

[ALBERFOX] Eu normalmente experimento sempre algo diferente. Quero trazer alguma diferença, não quero ser muito igual aos outros.

[DiionyG] Na maioria das vezes é muito focado na dança, mas sim, tentando sempre trazer algo de novo, algo que nós não fizemos, e tentar trazer isso para o nosso mundo.

[E8Prod] Eu penso muito longe… Vá, eu não quero que a minha música toque e faça só alguém dançar. Quero que a minha música faça alguém pensar e dizer: “Uau, essa pessoa fez isso!” Então vou tentar fazer algo diferente… Mas o que eu quero é que a minha música chegue em outros patamares, não só em clubs ou fazer algumas pessoas dançar. Então o que eu faço é tentar sempre algo novo, mesmo que não pareça que seja novo, tento sempre algo diferente até eu notar alguma diferença, ou algum dos meus rapazes notar alguma diferença.

O Diiony tinha referido que és muito forte nas percussões, mas também gostas de brincar com melodias e assim?

[E8Prod] Sim! Há certas percussões que eu faço que, em vez de meter como percussão, meto em melodias. Para ver se soa diferente, se pode fazer com que o som mude…

Sei que a vossa produção está muito ligada à sonoridade da batida. Qual o termo que gostam de usar para definir o vosso som?!

[DiionyG] Batida! [risos]

Mas vocês usam algum outro termo entre vocês?

[DiionyG] Nós usamos “ghetto”. Porque acho que é a forma mais dita cá em Portugal, para fora é que se surge a “batida”.

Gostava de saber também um bocadinho do vosso background, quando tavam a crescer quais foram as vossas grandes influências, sem ser pessoal que fazia sonoridades semelhantes… 

[HELVIOFOX] No dia a dia eu ouço mais R&B, jazz e algo mais alternativo. Eu tento sempre implementar na batida para soar diferente. Acho que é isso que também faz a minha identidade, eu curto mesmo da cena de ouvir outros estilos e implementar naquilo que faço no dia a dia.

Noto alguns toques de acid house em alguns dos temas, e algumas cenas assim mais alternativas, não sei se são os sintetizadores, mas trazem assim um som bastante distinto. São coisas que vocês vão experimentando a ver se funciona?

[ALBERFOX] Sim, nós vamos experimentando… e se colar, colou. Se tiver a soar bem, ya, está aí! [risos]

Vocês sentem que hoje em dia uma pessoa que não seja de Lisboa, que seja de uma zona mais rural, ou de uma ilha, já percebe melhor aquilo que vocês estão a fazer do que há uma década atrás?

[Gugas] Isso vou falar por mim, porque eu estou a acabar a Universidade aqui em Leiria, e nos convívios e nas discotecas em que já estive já toca ghetto… mas eu acho que as pessoas não percebem que é ghetto, para eles é afro ou kuduro. Eu que já sei, e que tenho noção, consigo identificar que ali tá a tocar batucadas do ghetto. Penso que algumas pessoas mais ligadas à música, mais ligadas a esses estilos de música, conseguem sim ter noção, e recebem sempre muito bem. Mesmo pessoas que não conhecem, e se lhes apresentarmos e dissermos: “Olha, isto aqui são batidas ghetto.” As pessoas aderem com facilidade… e é uma coisa que me admirou muito. Por exemplo, eu já fui fazer atuações em algumas escolas por aqui, porque as pessoas conheceram-me, sabem que sou um artista de Lisboa, e comecei a ficar meio conhecido aqui na área e arredores. E é algo que estou a tentar implementar para o grupo, arranjar duas ou três discotecas aqui onde já tenho assim um bocadinho de influência, para começarmos a expandir mais o estilo ghetto. E tornar numa noite especial, e numa noite única, tanto para nós como para os proprietários do espaço também.

Aproveito para perguntar, tu quando fazes uma apresentação ao vivo, por exemplo aqui com algum dos teus camaradas, como é que te apresentas? És acompanhado mais como um DJ ou num formato live? Como funcionam as vossas apresentações?

[Gugas] As nossas apresentações… posso-te dizer que somos sempre apresentados como TLS, independetemente de ter um produtor, ou um cantor. As pessoas só podem esperar que estejam lá os TLS. Se o Gugas vai aparecer ou não, isso é surpresa! [risos] As pessoas têm que esperar sempre um dos membros da TLS, não podem esperar só um DiionyG, ou só um HELVIOFOX… se for assim, tão só a trabalhar individualmente. Assim as pessoas já começam a ter noção, e já pensam: “Hmm.. será que vai aparecer aquele DJ bem fodido? O Diiony não sei quê… o HELVIOFOX, o ALBERFOX!” [risos] Isso joga com a mente das pessoas, faz com que cative o público. E faz com que questionem quem é que vai estar lá.

Vocês são todos DJs? Há alguém que não se identifique tanto com o DJing e que leva o PC e faz uma cena mais live

[ALBERFOX] Neste momento não, não estamos assim… Antigamente tinhamos o E8 nesse formato, mas ele já está a começar a ser DJ, como nós todos — somos DJs e produtores. Estamos todos no mesmo plano.

Estava a questionar porque podia haver alguém que não estivesse tão à vontade e que se focasse apenas na produção.

[E8Prod] Antigamente só queria mesmo produzir música, não tava interessado na área do DJing, achava que era muito complicado, via aqueles botões e achava que era complicado. Então passava — “Não, vou continuar só a fazer beats.” Mas depois, com o tempo, estive a ver o Diiony, o HELVIO, o ALBERFOX, e alguns DJs a tocarem e comecei a ver que não era assim tão difícil. Então pedi uma mesa a um amigo e comecei a tocar em casa, e com prática, consegui fazer e ficar melhor com o tempo. Falei com os rapazes e decidi ser DJ. Depois, com o tempo, eles também me deram dicas e ensinaram coisas. 

O nome deste projeto, Ghetto Style, o vosso LP, no fundo é também um tributo ao estilo e à cultura. Gostava de compreender melhor o vosso processo: vocês quando estavam a construir o disco, estavam juntos em estúdio, ou produziram algumas cenas a solo, trocaram umas ideias e depois juntam as coisas?

[ALBERFOX] Neste momento não temos a possibilidade de estar todos juntos. Porque uns estão em Inglaterra, uns estão em Portugal. Mas mesmo cá em Portugal, o Gugas está longe, em Leiria, nem sempre está connosco. Então tentamos sempre entrar em contato no WhatsApp. Mandar demos, mandar músicas completas, e cada um dá a sua opinião.

Vocês usam todos o mesmo software?

[ALBERFOX] Todos.

Qual o DAW que usam?

[ALBERFOX] Fruity Loops. Mas também usamos outros softwares. Tipo, o HELVIOFOX usa outro software.

[E8Prod] Usei o Logic, e recentemente também tive a usar também o Ableton. Só que como foi a primeira vez não curti muito, não sabia mexer muito bem. Mas eu acho que o Logic é quase o Fruity Loops, porque tem cenas que são basicamente iguais. Agora no Ableton não, é quase como se fosse um bicho de sete cabeças.

Pois, percebo. Mas acho que o que o Ableton tem de mais valia é que podem usar para produzir, mas também podem pegar nos ficheiros e depois montar um live.

[E8Prod] Sim!

[DiionyG] Temos também o HELVIOFOX que faz apresentações com a Pongo, e que quando faz as atuações usa o Ableton. Eu, por exemplo, estou a gostar de produzir na Maschine. Vejo-me futuramente a investir mais na Maschine da Native Instruments. Dá para tirar uma sonoridade muito diferente do FL Studio.

E como é que funciona a partilha dos temas? Têm de trocar os MIDIs, mandar stems? Como é que depois chegam ao produto final.

[Gugas] Falando por mim, é sempre um bocadinho mais fácil. Normalmente vou a Lisboa, para estarmos juntos, pelo menos eu, o DiionyG e o HELVIOFOX, porque eles é que fazem a captação das vozes. Ou se eu não conseguir, tento fazer as vozes em casa, ou num amigo que tem aqui um estúdio, pego nas vozes e mando as vozes para os mágicos e eles fazem a magia.

Entre vocês que usam softwares diferentes. É um processo fácil?

[DiionyG] Basicamente é exportar as stems e passar de um programa para o outro. Acho que é mais difícil passar do FL para a Maschine… é mais fácil o contrário. Normalmente começo um projeto na Maschine e termino no FL.

[E8Prod] Eu por acaso quero usar a Maschine, ainda não usei!

[ALBERFOX] Eu também quero usar a Maschine! [risos]

Vocês costumam testar um tema numa pista antes de avançar com o lançamento, ou apenas decidem que “está bom e siga”?

[ALBERFOX] Partilhamos entre os amigos, e esperamos…

[E8Prod] Eu não sei se eles fazem ou não, mas eu uso sempre esta via. Eu crio um áudio da minha música, meto num aplicativo e mando para várias pessoas, mas só aquele audio de 10 ou 15 segundos.

[ALBERFOX] Eu uso muito o Tik Tok para partilhar.

[E8Prod] Sim, também é uma das vias que eu uso. Então eu mando isso para várias pessoas, inclusive amigos, para depois eu saber se está bom e se várias pessoas estão a usar o mesmo audio ou a mandar mensagem.

[ALBERFOX] Como por exemplo o Snapchat?

[E8Prod] Sim, o Snapchat também! Mas mesmo que eu mande as músicas e as pessoas não reajam, se eu achar que está bom, e a opinião dos meus amigos também seja boa, eu lanço!

Já houve algum tema que vocês tenham produzido, que curtiram bastante, mas que foram tocá-lo e sentiram que não estava a bater tanto como esperavam?

[ALBERFOX] Não, isso não! Nunca aconteceu… [risos] Mas o que bateu, bateu mesmo, foi o “Txeke”!

[E8Prod] Para te ser sincero, o “Bebha In Love, que fiz com o HELVIOFOX. Eu não achava que esse projeto ia chegar onde chegou. Eu tinha expetativas, mas as expectativas que eu tinha não condiziam com o que aconteceu. Esse projeto é que fez com que eu não parasse de fazer música. Porque se a minha música chegou a onde chegou, então posso chegar ainda mais longe.



Qual foi a reacção mais inesperada que já tiveram a uma música vossa enquanto coletivo?

[E8Prod] Eu acho que é de um projeto que ainda não saiu. É um projeto que eu comecei, e depois enviei ao Diiony, e depois o HELVIOFOX e o ALBERFOX entraram.

Houve algum tema vosso que tenha batido mesmo forte nas redes, tipo reels, TikTok?

[ALBERFOX]Bebha”! Muita gente usou, muitos famosos usaram! O E8 é que sabe o nome dos famosos, vou deixar para ele responder!

[E8Prod] Eu não me lembro quem foi o DJ, mas esse DJ usou o nosso beat num festival com milhares de pessoas, acho que foi na Alemanha. Eu só vi que várias pessoas tavam a mandar o mesmo vídeo… 

[ALBERFOX] E também teve um dançarino angolano. E o Marcelo também usou! 

[E8Prod] E também usaram num projeto da FIFA. Só agradeço a Deus por a música chegar até lá.

É sempre uma coisa inesperada… Só demonstra que nunca se sabe onde um som pode chegar.

[E8Prod] Exatamente! Nós fazemos música, mas nunca sabemos onde pode chegar hoje, daqui a um mês, ou daqui a um ano. Não sabemos se daqui a dez anos não vai virar trend… Nunca podemos fazer música a pensar que não vai chegar a um certo patamar.

Qual a faixa do Ghetto Style que cada um de vocês sente mais sem ser a sua? Começo por ti, Gugas.

[Gugas] Sem ser minha?! [risos] A primeira, é a do E8, a “Mexidas”. A segunda que me entra bué é a do Kwame, o “Invejoso”. A terceira é o “MADJAS” do DiionyG.

[E8Prod] A primeira é o primeiro som, o “THELASTSQUAD”. Todos os dias tou a ouvir essa música, todos os dias! O segundo é o do ALBERFOX, “O D’ LUXO”, depois o “INVEJOSO” do Kwame, e depois desse vem o “MADJAS”, depois o “TASER “do HELVIOFOX…

E assim já tás a dizer o disco todo! [risos]

[DiionyG] Já tá a falar o disco todo! [risos] Faz top 3!

[Gugas] É muito projeto bom, não dá para ficar só pelo top 3.

Vamos fazer assim, só uma música a cada, pode ser? [risos]

[ALBERFOX] “INVEJOSO”!

[DiionyG] A primeira música que é a primeira a ser lançada, é a que mais me entrou. Mas como é uma música minha e não posso meter uma música minha, vou meter o “TASER” do HELVIOFOX, porque acho que é uma track muito forte.

[HELVIOFOX] Eu meto a “RANDOM STREETS” ya. [risos] Mas fora das minhas, a que eu curti mesmo foi a “INVEJOSO” do Kwame.

Já agora, a que eu senti bastante foi a “REBENTA COLUNA”, agora não me recordo quem produziu. É a faixa que leva mais para a festa.

[Gugas] Foi o DiionyG, é o bruxo! Essa é a faixa para rebentar mesmo a coluna! [risos]

Depois de lançarem este projeto, o que se segue para a TLS? Têm planos para apresentar o disco ao vivo? Isto vai ser uma edição apenas em digital ou vai sair também em formato físico?

[Gugas] Já tive essa conversa com os rapazes… Eu, como estive parado durante muito tempo por causa da universidade, vou aproveitar que voltei com algo de novo para não parar mais — vai ser sempre a lançar. Como sabem, vou precisar sempre da ajuda dos mágicos, né? [risos] E também vamos trabalhar mais na nossa imagem, mais na nossa visão como grupo, porque se lançamos esse projeto como grupo tamos a tentar trabalhar de forma a que as pessoas nos notem mais em termos de grupo, e não individualmente. Tem muitos projetos para a malta lançar… Mas a partir daqui é trabalhar, trabalhar, trabalhar, até ver onde vai dar.

E em termos concretos, têm algo planeado para breve, já para os próximos tempos?

[Gugas] Eu e o E8 temos.

[E8Prod] Temos uma… Uma não, temos várias, só que uma vamos lançar agora, e as outras ainda estão pendentes.

E relativamente a este projeto, vão ter alguma apresentação em Lisboa ou noutra zona?

[Gugas] Por enquanto não.

[E8Prod] Não… mas gostava de fazer outras coisas, gostava de fazer videoclipes de algumas das faixas, neste caso da primeira! Falei com o Gugas há uns dias atrás, gostaria de fazer alguns videoclipes para expandir a nossa imagem.

Lembrei-me disto porque o HELVIOFOX que também faz parte da Principe Discos, e podiam ter em mente em fazer algo parecido às noites deles, uma noite TLS ou algo do género…

[Gugas] É isso… mas vai acontecer! Um passo de cada vez.

Qual o vosso objetivo pessoal dentro do coletivo? O que pretendem fazer acontecer nos próximos tempos, enquanto membro individual deste coletivo?

[E8Prod] De momento é lançar a minha EP, praticamente só tenho que masterizar as faixas, fazer os vídeos e disponibilizar. Porque eu não quero tar a pensar em fazer várias coisas e depois não fazer nenhuma.

[ALBERFOX] Eu quero expandir a minha imagem, é esse o meu objetivo agora. Já tive demasiado tempo parado!

[HELVIOFOX] E daqui a uns meses lançarmos outro EP, só que mais trabalhado, mais profissional.

[DiionyG] É muito isso que os rapazes disseram… expandir a nossa imagem, quanto mais melhor. E tentar talvez abranger outros mercados que ainda não alcançamos.

[Gugas] Penso que não tenho muito mais a dizer, né? É só trabalharmos e vamos fazer acontecer. E também em termos de imagem, já não vai ser tanto um problema, porque eu tou a terminar essa área de comunicação e marketing digital, que envolve fotografia e vídeo. Atualmente quem tá a tratar da imagem do grupo sou eu. Quando tem algum evento em coletivo, sou eu que vou lá, faço as fotos, edito as fotos… E tou a ver com outros contactos que tou a conhecer se consigo abrir uma brecha para uns videoclipes mais profissionais.

Aproveitando que temos aqui o boss da LOVEINTHEENDZ, quais são os objetivos para a label, para o coletivo, e mesmo os próximos passos que pretendes concretizar?

[Daviaa] Sendo eu de Lisboa também, de Queluz… Vim cá para Inglaterra com 13/14 anos. Ao longo da caminhada na música quis sempre mais do talento de Lisboa. O objetivo com o selo é principalmente mostrar música de pessoal que eu já acompanho há muito tempo e que eu curto bué, mas também de pessoal de Lisboa. Porque acho que é um movimento que ainda não está assim muita gente a topar, e acho que há muito talento na zona de Lisboa.

Daqui a 10 anos, quando alguém ouvir TLS, o que gostavam que ficasse?

[Gugas] Isso é algo que tenho estado a pensar há vários dias, desde que lançámos o nosso LP. É uma coisa que eu quero que as pessoas sigam como exemplo. Principalmente os os putos do nosso bairro, que hoje em dia só conseguem ouvir essas batidas e essas coisas, quando se está a passar alguma atividade no bairro. E quando ouvissem que se lembrassem que nós não fomos influenciados pelas coisas más do bairro. Juntámos o nível da nossa amizade com o nível da nossa curiosidade para tornar esse grupo inesquecível e fazer acontecer como os outros todos. Temos os 6PACK, que envolve também o irmão do HELVIOFOX, que são pessoas que quando tocam as batidas deles, nós lembramo-nos e pensamos: “Esses aqui também foram um grupo que carregaram essa era!” E é isso que eu pretendo com o nosso, que o coletivo seja lembrado.

[DiionyG] Acho que basicamente é isso que o Gugas disse, mas também ser uma referência para os que vierem a seguir.

Vocês querem que a vossa música sirva também de base de apoio e de inspiração para a malta do vosso bairro, da vossa zona, para fazerem música, ou mesmo para aquele pessoal que esteja mais desencaminhado…

[DiionyG] Da nossa zona acredito que não muito, talvez por nós sermos a última geração a nível de produção. Mas em geral, acho que nós todos recebemos mensagens desse género. Por exemplo: “Curti bué da tua música! Já me inspirei nessa tua música!” Acho que nós todos já recebemos esse tipo de mensagens.

Imagino que seja sempre bom receber mensagens dessas!

[Gugas] É uma coisa incrível!

Ainda vamos poder ver surgir um tema com os nomes todos juntos?

[DiionyG] Vai ter de ser, vai ter de ser! [risos]

Há planos para lançar isto em formato físico?

[Daviaa] Os lançamentos da LOVEINTHEENDZ são todos digitais. Mas nós andamos a brincar aí com a ideia de CDs ultimamente, já que vinil é muito caro [risos]. E pelo menos aqui no Reino Unido essa ideia do CD tá a começar a pipocar. Há vários selos que estão a entrar nessa faixa, e nós tamos a tentar fazer isso. E já da outra vez quis levar essa ideia com os rapazes, porque a gente ia filmar cenas todos juntos, mas surgiu um imprevisto… Mas a ideia era fazer algo mais físico, porque hoje em dia tá tudo muito digital, e tu queres agarrar alguma coisa, tás a ver? E eu quero poder agarrar num CD que diga TLS, com a fotografia cá atrás, e eu quero fazer isso, e dar à rapaziada. Quero que haja mais pessoal nesse mundo, que tenha uma cópia dos TLS.

Para finalizar, querem deixar uma última mensagem?

[DiionyG] Queremos agradecer ao Daviaa por ter acreditado em nós e por nos ter dado oportunidade de realizar esse EP. Também à Isabela Marques, que teve ligada à parte da fotografia, e aos demais que tiveram uma certa participação nesse projeto.


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