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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 12/06/2026
Tags: Tayob J.

Um álbum de estreia de horizontes latos.

Faixa-a-faixa: A Beleza do Erro, de Tayob J., explicado pelo próprio

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 12/06/2026
Tags: Tayob J.

Depois de publicarmos uma entrevista com o compositor e produtor Tayob J. sobre o seu aguardado álbum de estreia, A Beleza do Erro, apresentamos um faixa-a-faixa em que o artista conta histórias ou reflecte sobre cada uma das 11 faixas do disco.

Entre o rap, o R&B e a pop urbana, do saxofone de Kenny Caetano às baterias dos Bateu Matou, Tayob J. escrutina um álbum recheado de convidados, texturas sonoras distintas e, acima de tudo, conexões humanas.



[“O Erro” feat Sir Scratch e AMAURA]

Esta faixa, para ser honesto, era a que fechava o disco. E a que termina o disco era para ser a primeira. A forma como este som termina é exactamente a mesma do início de “A Beleza”, o último som. Ainda assim, continua a fazer sentido porque é na mesma um full circle. Este foi o primeiro som que fiz quando surgiu a ideia de A Beleza do Erro. Falei com o Scratch para ser o gajo que fazia o som que dava nome ao álbum e foi aí que começámos a perceber: isto é um conceito, isto tem pernas para andar. Acho que foi um pontapé de partida bué fixe para o projecto.



[“Na Vanguarda de Mim Mesmo” feat Rashid e Dino D’Santiago]

Houve aquela semente, aquela ideia de, nós do rap, quase todos sem formação nem bases teóricas musicais, a nossa prioridade serem as ideias. Então, estamos na vanguarda de nós mesmos. Conhecendo um bocado da história do Rashid, é aquele boy que também não tem uma base teórica, mas é extremamente técnico e alguém que consegue sempre aliar essa técnica a um sítio emocional bué profundo. Ele não tem de retirar importância à parte emocional para ser um rapper técnico, e acho que isso é incrível, é um equilíbrio difícil de conseguir. Lembro-me de que o tema surgiu, eu fui a São Paulo ter com o Rashid, queria tirar umas imagens mas também conhecê-lo melhor, queria conversar e estar com toda a gente que entra no álbum. Por isso é que na capa do disco também está o sofá do meu estúdio, é o sítio onde a gente conversa e que dá este mote para música feita em conjunto. E nessa conversa que tive com ele surgiu a ideia: pôr aqui o Dino era lindo, não era? O tema já tinha uns dois anos quando o Dino entrou. Eu estava desencontrado com ele, já tínhamos trabalhado juntos mas entretanto ele tinha mudado de número, mas depois consegui falar com ele e na mesma semana o tema estava feito. Foi lindo. E acabei por trazer o Rashid, uns meses mais tarde, para fazermos o clip aqui em Portugal com o Dino e para estarmos juntos.



[“Wabi Sabi” feat Kenny Caetano]

Eu tinha tido uma ideia sobre esta coisa de reconstruir, ou de ver beleza nalguma coisa envelhecida, de encontrar novas formas de lhe dar vida ao longo do tempo. E o tema também é isso: de um ponto de vista mais técnico, é um 4 por 4 no início, depois torna-se um 5 por 4, um 6 por 4… Mas a melodia é a mesma. Ela apenas vai-se reconstruindo e tem de se adaptar e esticar-se para caber em diferentes divisões rítmicas. Mas, essencialmente, são a mesma progressão de notas. Essa foi a proposta que fiz ao Kenny, que é um saxofonista incrível e ele understood the assignment. Entregou uma cena bué interessante, com muito bom gosto.



[“D.R.E.A.M” feat Chullage]

O Chullage é o meu colaborador mais frequente, aquela pessoa com que estou muito num sítio de criação. Posso dizer que este foi o terceiro som que fizemos para o álbum. Houve outras tentativas até esta. Eu e ele temos sempre esta cena que é irmos para o estúdio, conversarmos durante três horas, depois começamos a trabalhar e estamos ali 45 minutos. Ou então nem trabalhamos e vamos só jantar. Acontece isto bué vezes e todas as faixas vêm assim. Neste caso, tivemos uma conversa e foi: ‘bora, é mesmo este o tema. Inicialmente era para se chamar “Luz/Sombra”, que era sobre artisticamente permitir-me apalpar no escuro, encontrar a minha vontade artística e a minha estética, aquilo que eu sou e represento, não vir sempre tudo deste sítio totalmente iluminado de… Eu sou de esquerda então oferecem-me um pacote de esquerda, ou de direita. Há mais coisas, permite-te encontrar a tua verdade sobre as cenas. E, depois, a analogia com o “C.R.E.A.M” surgiu de estarmos a curtir a parte do refrão e o Chullage começar a cantar o “C.R.E.A.M”… E entretanto muda para “Data Rules Everything Around Me”. E percebemos logo: é mesmo isto.



[“Quinta Essência” feat Sir Scratch, MIRZA Lauchand, Visco e Loiro]

É um tema que já apareceu num momento mais à frente do disco. Talvez tenha sido mesmo o último. Pensei nesta ideia e de pegar em contemporâneos meus, de preferência o meu people de casa, que eu sei que esteticamente também não são extremamente convencionais, são pessoas que sinto que têm uma lane e que estão a lutar por ela, e era esta cena da “Quinta Essência”: qual é o teu melhor depois de despires todas as camadas, onde está a tua verdade, aquilo que tu não consegues tirar? Fez-me bué sentido chamar o Loiro e o Visco, que são os meus, que estão comigo e que queria que fizessem parte do álbum, e pensei em chamar um clássico e voltei a chamar o Sir Scratch. E o MIRZA também é aquele artista que eu sabia que teria as palavras certas para o refrão e para colar esta cena toda. Foi a equipa perfeita e somos cinco.



[“Reza Por Dois” feat Criolo]

Todas as participações são especiais, mas esta foi mesmo especial. A própria interacção com o Criolo não era no sentido de fazermos música e acabou por ser… Na verdade é sobre isto, não é? Foi uma interacção humana que resultou em música, o que foi bué fixe. O Criolo já tinha um nome para o tema e foi canalizar. Na maior parte dos casos, tentei que as pessoas viessem mais para o meu universo, mas com o Criolo, como eu adoro a produção do Nó na Orelha e este tema bebe de algumas coisas desse disco, acho que fui mais eu ao encontro do universo dele. Mas também porque o universo dele está dentro do meu, moldou o meu.



[“Pólvora” feat IOLANDA]

Este é com outra colaboradora extremamente frequente dos últimos dois ou três anos, a IOLANDA. É uma mega artista, incrível, com quem tenho trabalhado muito para as cenas dela. Agora estava a fazer o meu álbum e, lá está, é uma pessoa com quem tenho um grande à vontade artístico, de ideias. Então fez sentido fazermos um tema juntos e eu tinha tido esta ideia da pólvora, que foi descoberta na procura por uma poção da vida eterna. Eu estava a partilhar esta ideia com a IOLANDA e ela depois pegou nisto e levou-a para um lado muito feminista que foi bué bonito. E fê-lo com uma mestria, porque o instrumental tem uma cena meio de pólvora, meio explosivo.



[“Não É Errado” feat Murta e Djodje]

Se não me engano, é o tema mais antigo do álbum. Eu já tinha o conceito e alguns artistas deram o seu take sobre isso. O Murta levou para este lado de: tu queres estar comigo, eu quero estar contigo e não é errado. E, pronto, é muito fixe perceber como é que cada um interpreta a cena. O Murta é meu contemporâneo e já trabalhámos juntos noutras coisas, mas também sempre curti bué da cena do Djodje. Cresci a ouvi-lo, também por causa da minha irmã, e sempre o vi quase como um cantor de R&B. A kizomba, na verdade, bebe muito do R&B. Então curti bué ouvi-lo neste contexto, porque é raro ouvi-lo neste sítio e fez-me bué sentido juntar estes mundos.



[“Acertos São Consequências” feat Vitão e Projota]

O Vitão é meu contemporâneo e alguém de que curto bué. O Projota é outro, como o Rashid ou o Emicida, que eu cresci a ouvir. É daquela liga que desempenhou um papel bem importante na nossa geração, são um bocadinho mais velhos e a nossa geração cresceu a ouvi-los. Então havia uma grande vontade de trabalhar com eles. O Vitão estava em Lisboa para um concerto, e um amigo meu, um produtor de França, disse-me que ele estava num estúdio e perguntou-me se eu queria ir lá. Eu disse “claro que sim”. A gente deu-se bem, acabámos por marcar uma sessão uns dias depois, ele chegou ao estúdio tipo à meia-noite e até às seis da manhã fizemos um som para ele que entretanto saiu, o “Ciúme”. E nessa sessão mostrei-lhe alguns beats e um deles era este. Mantivemos o contacto e, uns dias mais tarde, estávamos a falar por videochamada e perguntei-lhe se ele curtia de entrar no álbum, já que tinha curtido daquele beat e cabia super bem no meu álbum. E ele foi “‘bora”. Não lhe dei um tema, ele sabia que o disco era A Beleza do Erro e fez isto, que é bastante sobre ele, sobre seres bué novo e teres uma exposição gigantesca e aprenderes a navegar dentro disso. E o Projota também fez bué sentido neste contexto.



[“W” feat Bateu Matou, Selma Uamusse e Vinicius Terra]

Foi um dos poucos temas que não teve uma direcção tão definida a princípio. Havia a vontade artística, mas é um featuring com uma banda de três bateristas… O que é que isto vai ser? Foi fixe porque foi bué à descoberta, mas assim que começámos, como eles também são ligados à Índia e a África, há esse paralelo, ritmicamente até estávamos a fazer uma cena convencional e de repente aquilo sabia a Índia, a África… E eu só pensei: é isto, é sobre o caldeirão. Com a cena a andar para a frente, chamei o Vinicius e a Selma. Ao falar com um amigo meu de Moçambique, estávamos a falar sobre isto porque eu estava com dificuldades em arranjar um nome e ele deu-me a dica de pensar nas trajectórias de imigração como formas geométricas… A maior parte das pessoas são um V, porque têm dois pontos de origem e uma convergência. Mas ele disse-me que eu era um W, porque a minha história tem mais pontos de origem. E o tema é sobre isso.



[“A Beleza” feat AMAURA e Sir Scratch]

Este tema era para ser a intro do álbum. A AMAURA é uma colaboradora muito frequente, fazemos muita música juntos e somos muito amigos, é uma relação que aprecio muito e foi numa conversa com ela que surgiu o nome do disco. Eu expliquei-lhe a ideia e ela própria concluiu o que queria dizer sobre isto, teve essa sensibilidade. Não é uma música com uma estrutura normal, é quase uma intro mas que funciona super bem para fechar o disco e termina num instrumental de que eu gosto bué, então cola tudo de maneira bonita, é um full circle

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