O Parque Urbano de Ovar volta a transformar-se num jardim de encontro entre culturas lusófonas nos dias 10 e 11 de julho, com mais uma edição do Festa – Sons da Lusofonia. O evento, que celebra a diversidade musical dos países de língua portuguesa e das suas diásporas reúne artistas de Portugal, Brasil, Moçambique e Cabo Verde numa programação que procura o cruzamento de tradições, sonoridades contemporâneas e novas linguagens artísticas.
Entre as primeiras confirmações destacam-se os portugueses Expresso Transatlântico, Bárbara Bandeira, Blaya, António Zambujo e Daniel Pereira Cristo, aos quais se juntam propostas internacionais como Luccas Santtana ou Cheny Wa Gune.
No sábado, 11 de julho, os Expresso Transatlântico sobem ao Palco Rio, às 19h00, para apresentar Trópico Paranóia, o mais recente trabalho da banda. A banda lisboeta é hoje uma das formações mais relevantes da nova música portuguesa ao fundir influências do fado, da música tradicional e dos ritmos atlânticos com uma abordagem contemporânea e original. No novo álbum, produzido por Paulo Furtado (aka The Legendary Tigerman), o grupo explora novos territórios sonoros através da introdução de elementos eletrónicos.
Também no sábado, às 21h30, o Palco Festa recebe Bárbara Bandeira, uma das artistas mais populares da nova geração da música portuguesa. Em Ovar, apresentará temas do seu ambicioso projeto, Lusa, dividido em vários capítulos que explora as diferentes dimensões da lusofonia. Neste segundo ato, a cantora alimenta-se das raízes portuguesas, combinando pop contemporâneo com elementos da tradição musical nacional. O disco conta com o dueto inédito com Amália Rodrigues no tema “Rapariga”, criado a partir de uma gravação nunca antes editada da fadista.
Na sexta-feira, o Palco Festa acolhe Blaya, artista reconhecida pela sua capacidade de cruzar universos musicais distintos e transformar cada concerto numa celebração coletiva – uma festa. A cantora e performer apresentará um espetáculo onde convivem influências do forró, semba, samba, kizomba, funk brasileiro e música urbana, refletindo as múltiplas geografias culturais que marcaram o seu percurso artístico.
A representação brasileira estará em destaque com Luccas Santtana, que atua no sábado, às 16h00, no Palco Verde. O músico baiano chega a Ovar com Brasiliano, o seu décimo álbum de estúdio que comemora os seus 25 anos de carreira. Reconhecido internacionalmente pela forma como cruza MPB, eletrónica, tropicalismo e experimentação sonora, Santtana construiu uma carreira singular dentro da música brasileira contemporânea. Em Brasiliano, propõe uma reflexão sobre a diversidade linguística e cultural do Brasil, reunindo colaborações de artistas de diferentes países e interpretando canções em várias línguas.
Logo depois, às 18h00, o coletivo Do Cabo do Mundo presta homenagem a Fausto Bordalo Dias, uma das figuras maiores da música portuguesa e autor de uma obra fundamental na recuperação e reinvenção das narrativas históricas e populares do país. O espetáculo propõe uma revisitação viva do seu legado, reinterpretando canções que marcaram várias gerações.
De Moçambique chega Cheny Wa Gune, artista que tem vindo a afirmar-se pela capacidade de unir tradição e modernidade. O concerto promete uma viagem pelos ritmos da timbila moçambicana combinados com influências afro-pop contemporâneas, e demonstrar a vitalidade da nova música africana.
Outro dos momentos mais significativos da programação será protagonizado por Daniel Pereira Cristo. O músico apresenta Malva Globo, álbum que assinala uma década de carreira em nome próprio e que reforça a sua ligação à música de raiz portuguesa. O espetáculo cruza composição original, instrumentos tradicionais e novas linguagens sonoras, construindo pontes entre gerações, territórios e comunidades. Em Ovar, a atuação assume ainda uma dimensão participativa e comunitária. Em palco estarão também o grupo de cordofones do Grupo Folclórico “As Tricanas de Ovar” e um coro criado para especialmente para esta actuação.
O mais recente nome confirmado para o Festa é António Zambujo, uma das vozes mais marcantes da canção portuguesa das últimas décadas com um percurso que se estende do fado ao canto alentejano ou à bossa nova. Em Março passado, voltou aos trabalhos a solo através de Oração Ao Tempo, depois de uma temporada dedicada a um par de discos colaborativos — esteve ao lado de Yamandu Costa em Prenda Minha (2024) e contracenou com Miguel Araújo em Ujos nas Arenas (2025).
O Sons da Lusofonia tem-se afirmado como uma celebração da diversidade cultural do mundo lusófono, reunindo artistas que representam diferentes gerações, geografias e linguagens criativas. Durante dois dias, Ovar volta a ser um ponto de encontro entre continentes, tradições e novas expressões musicais, com a língua portuguesa como figura central. Esperam-se, nos próximos dias, o anuncio dos nomes que completam o cartaz.