COMPADRES: “Som urbano e experimental vindo do Alentejo”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

DJ Sims, Fatinch e Mr. Mendez formam o projecto instrumental COMPADRES. O disco homónimo saiu em formato físico e digital na sexta-feira e está repleto de convidados.

COMPADRES é uma produção Movimento Alentejo Unido e começou a ser antecipado ainda em 2016, quando o videoclipe de “Desnuda” deu entrada no YouTube. A génese do projecto, no entanto, remonta a um período ainda mais distante e a sua dinamização tem-se movido exclusivamente à base da paixão pela música, dado as circunstâncias da vida não permitirem encontros criativos mais regulares entre os três DJs/produtores eborenses. “O projecto foi ganhando forma no Pro Tools lá de casa, até que o achámos pronto”, explicou Mr. Mendez ao ReB. “Nunca foi uma ideia muito delineada ou pré-concebida, foi acontecendo entre oportunidades.”

Além do scratch e do corte e costura de samples, os três amigos contaram com a preciosa colaboração de vários músicos que os ajudaram a enriquecer as texturas presentes nos sete temas de COMPADRES, bem como a participação dos MCs Bob o Vermelho e Gordo Doente em “No Divan” e “O Vilão”, respectivamente. O disco de estreia serve ainda para homenagear Nuno Araújo, mais conhecido como DJ Puto, uma figura pioneira no turntablism em Évora, conforme DJ Sims destacou ao ReB quando nos deu a conhecer “a história do hip hop eborense.”

O Rimas e Batidas conversou com Mr. Mendez, que explicou alguns dos detalhes sobre esta primeira edição dos três COMPADRES.

 



[Três Compadres]

“O projecto COMPADRES nasce da união entre três DJs/Turntablists Alentejanos a descobrir os encantos do beatmaking e da produção de música juntos, depois de já terem testado o projecto ao vivo como DJ set/live act durante o qual os três actuavam em simultâneo. COMPADRES foi ganhando vida à medida que alguns músicos convidados se foram juntando aos beats produzidos e o resultado é um som urbano e experimental vindo do Alentejo.”

 

[Os encontros em estúdio]

“Já foram mais frequentes. Entretanto eu e o Sims fomos pais, o Sims está com mais trabalho junto do Valas e fomos seguindo caminhos individuais, mas o projecto foi ganhando forma no Pro Tools lá de casa, até que o achámos pronto. Nunca foi uma ideia muito delineada ou pré-concebida, foi acontecendo entre oportunidades.”

 

[Processo de produção]

“Tem aqui e ali trabalho de mãos, mais no scratch ou num ou outro pormenor. Mas as bases dos beats foram feitas no Ableton Live, alguns em conjunto e outros individualmente, com muito corte de samples, claro!”

 

[Músicos convidados]

“Os músicos foram: Ritchev Nepomuceno nas baterias reais, João Garrido e Eddy Slap nos baixos, Daniel Catarino com guitarras, voz e letra na ‘Na Tenho Tempo’, Zé Peps com guitarras na ‘Al-Jazz’; os raps são do Bob O Vermelho em ‘No Divan’ e do Gordo Doente em ‘O Vilão’, no qual também entra o Hugo Frota (Houdini Blues) com voz e letra. A Carla Diez também entra com voz e letra tanto no single ‘Desnuda’ como em ‘No Divan’. Na faixa ‘Meu Compadre’ foi um amigo que, quando lhe falei do projecto, se ofereceu para escrever e ler poesia, que se chama Rui Teigão.”

“Nas gravações de bateria e baixo estivemos todos presentes. Montámos um estúdio improvisado numa sala que é um teatro de marionetas e se chama Casa dos Bonecos, em Évora. O resto cada músico gravou as suas partes como conseguiu e foi-me enviando.”

 

[Homenagem ao DJ Puto]

“Era um miúdo especial. Além de nos ter influenciado aos três a pegar nos discos, arranhar e tentar entender essa arte, era ainda um activista cultural urbano em Évora muito activo, com trabalhos não só nos pratos mas também no design gráfico, graffiti, produção de vídeo ou até actividade associativa e política. Eu fiz parte de duas assembleias de estudantes que ele ganhou como presidente.”

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira