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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 18/05/2026

Trio em estreia.

Ada Rave, Ziv Taubenfeld & Luís Lopes nas DAMAS: a beleza da composição em tempo real

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 18/05/2026

O espaço lisboeta DAMAS, através de João Castro e do seu coletivo Nariz Entupido, recebeu este domingo o encontro entre Ada Rave, Ziv Taubenfeld, e Luís Lopes. Sax tenor, clarinete baixo e guitarra: combinação invulgar, rapidamente transformada num laboratório de exploração tímbrica e espacial.

Tendo os três tocado entre si em várias ocasiões, esta foi a estreia desta formação. Ada veio tocar ao Festival Causa|Efeito com a baterista Sofia Borges e aproveitou a ocasião para mais um encontro musical em solo português.

O concerto iniciou-se com um duo em ambiente calmo e exploratório entre Lopes e Rave. O saxofone preparado — característica marcante do vocabulário sonoro da instrumentista — dialoga com a guitarra elétrica de Luís Lopes. Logo se junta o som quente e grave do clarinete baixo, levado a circular pela sala por Ziv Taubenfeld, proporcionando desta forma uma expansão sónica e visual para quem assistia. Ada deslocou-se para o fundo do espaço, junto à entrada dos lavabos, aumentando a intensidade. Apenas Lopes permaneceu no lugar inicial. Um pouco mais adiante no concerto, os dois sopristas aproveitaram a acústica reverberante do corredor de acesso à sala onde exploraram durante mais alguns minutos esse campo sónico afastado do palco. A performance ganhou bastante ao incorporar esta nova dimensão espacial, sugerindo um surround system onde corpos em movimento eram como que speakers andantes.

Houve momentos evocativos de uma maior tradição e linguagem da música improvisada, houve notas longas em harmonia por cima da guitarra picada, houve até uma quase near silence. Ziv tocava ora de forma rítmica ora mais quebrada, enquanto Ada alternava entre a expressão total do seu controlo do instrumento, com sons que ao ouvido mais desatento não fariam lembrar um tenor. A certa altura, o clarinetista tocou um gong e também chocalhos, trazendo uma atmosfera meditativa ao som do trio.

Não faltou um crescendo frenético antes de um desfecho progressivamente mais calmo, onde o trio se foi desmantelando até ao silêncio da última nota. Assistimos a cerca de 45 minutos de composição em tempo real muito bem conseguida, onde a experiência dos três músicos foi evidente na forma como arquitectaram o arco narrativo de toda a apresentação.


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