A nova temporada de Jazz de 2026/2027 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, está desenhada e apresentada. O arranque faz-se em grande escala a 24 de Outubro. O Omniae Large Ensemble, dirigido pelo baterista e compositor Pedro Melo Alves, com mais de uma quinzena de músicos, apresenta-se com um novo capítulo. Um dos exemplos mais singulares do cruzamento entre composição contemporânea e improvisação jazz em Portugal, foi criado originalmente como septeto e expandiu-se em 2020 para uma formação orquestral, contando com relevantes músicos representativos da nova geração europeia.
Passando ao ano de 2027, a 12 de Fevereiro, haverá Inner Journey de Desidério Lázaro no Pequeno Auditório, com o 12.º álbum de originais do saxofonista e compositor trazido a palco. Uma homenagem lírica a “Siddhartha” de Hermann Hesse, uma banda sonora para um livro. A 6 de Março, e retomando como palco o Pequeno Auditório, o João Paulo Esteves da Silva Quarteto, num concerto sob o mote de País Distante. Como esclarecia João Paulo ao Rimas e Batidas, o “título País Distante surgiu também nesse sentido de ter estado distante e voltado ao país distante”. “Tem várias leituras, também a sensação dos portugueses viverem longe de si próprios, mais que outros povos”, acrescenta. “Dão a volta ao mundo para se encontrarem e quase nunca chegam ao pé de si mesmos — Portugal ser um país distante de si mesmo.”
Em data dupla (20 e 21 de Março) e passando ao palco do Grande Auditório, o CCB dará carta branca ao compositor e guitarrista Bruno Pernadas. Do que é dado a saber, será “uma criação que reúne novas composições e arranjos originais para ensemble e orquestra, construindo uma narrativa sonora e visual onde vídeo, electrónica e instrumentação acústica se fundem num único dispositivo cénico”. Sabe-se também que o concerto conta com uma homenagem a José Mário Branco, evocando a sua passagem pelo CCB em 1997.
O destaque final do programa vai para a estreia da nova conjuração vocal de Mariana Dionísio com Pantuã a 8 de Maio, no Pequeno Auditório. Trata-se de um quinteto de vozes e percussão, ainda mantido em segredo e que vê assim anunciada a sua existência. Algo que se “desdobra entre estados de hipnotismo e êxtase, reclamando a ideia antiga de música como celebração”, como anunciado. O novo projecto de Dionísio é descrito como música escrita sobre mecanismos abertos que questionam a ideia de tempo, a linguagem tonal e o uso comum da palavra.