Mishlawi sobre “Ignore”: “Comecei a reparar que as pessoas que ouviram essa ideia estavam sempre a cantá-la”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

“Ignore” é o terceiro tema lançado por Mishlawi em 2017. Prodlem, Davwave e Kyriefx são os produtores de serviço em mais um single poderoso do talentoso artista da Bridgetown.

Com um refrão que dificilmente vos sairá da cabeça durante os próximos meses, a faixa que sucede a “What’s Happening” e “Turn Back” conta com a presença de caras conhecidas como Richie Campbell, Plutónio ou Prodlem no vídeo editado por Pluma.

Com a mixtape de estreia a ser cozinhada, Tarik Mishlawi continua a prosperar sem grandes dificuldades em território nacional. Em conversa com o Rimas e Batidas, o MC revelou o processo criativo de “Ignore”, o Verão ocupado e o futuro.

 



6 meses depois de lançar dois singles, recebemos “Ignore”. Fala-nos um pouco sobre a criação da faixa. É a primeira vez que o Prodlem aparece nos créditos de um tema teu. Como é que começaram a trabalhar juntos? Estão a trabalhar em mais músicas?

“Ignore” surgiu de forma estranha. Escrevi e gravei a ideia inicial do refrão num beat diferente já há mais de um ano, mais ou menos na altura em que lancei a “All Night”. Nunca encontrei a inspiração para acabar a música e deixei a ideia assim, incompleta, apesar das pessoas à minha volta gostarem. Comecei a reparar que as pessoas que ouviram essa ideia estavam sempre a cantá-la e o meu manager, o Ben Miranda, disse-me que um dia ia acabar e lançar a música. Este ano conheci o Prodlem e começámos a dar-nos bem, tanto a nível pessoal como a nível profissional. É alguém que só quer mesmo fazer música e mais nada – tem uma work ethic muito boa e ainda por cima tem um gosto musical que encaixa muito bem com o meu. Tenho mais música com produções dele a caminho, de certeza.

Muito se fala da tua internacionalização: rimas e cantas em inglês, nasceste nos Estados Unidos da América e o teu som vai de encontro ao que se tem feito nos EUA e Canadá. No entanto, e depois da entrevista que te fiz no Sudoeste, deu para entender que Portugal é só o começo. Sem estar a desvalorizar o público português, isto é quase como uma espécie de treino para a liga principal. Já estás a visualizar um futuro fora de Portugal?

Claro que vou sempre querer crescer da melhor forma que posso, e vou continuar a puxar pela minha carreira nacional e internacional. Já tive algum sucesso fora de Portugal em algumas partes da Europa de Leste. Fiz três concertos na Rússia e tive mais alguns ofertas para shows no Azerbaijão, Ucrânia e Geórgia, que ainda não aconteceram infelizmente. Acho que a melhor cena que posso fazer é trabalhar na música que eu gosto e tentar aumentar a qualidade cada vez mais. Se eu faço o que tenho a fazer da maneira certa e com a estratégia certa, não há razão para falhar. Parece um bocado cliché, mas a verdade é que trabalhar muito é a única maneira de chegar lá e manter uma carreira estável.

Como é que olhas para este período pós-Verão? Foi a primeira vez que tiveste uma agenda tão preenchida e com momentos tão importantes. Quais foram os pontos positivos e negativos que retiras deste período?

Gostei imenso deste Verão com uma agenda mais preenchida porque assim consegui afastar-me um bocadinho mais da criação musical, o que é sempre uma coisa boa para mim. Eu já tentei acordar todos os dias durante semanas e tentar escrever e gravar novas cenas, mas a minha realidade é: se não tenho tempo fora do estúdio, o meu tempo dentro do estúdio fica muito menos produtivo e inspirado. Por isso, já consegui fazer muitas músicas novas que estou muito ansioso para lançar na mixtape que está a caminho!

Sei que é recorrente te perguntarem isto, mas terei que voltar a o assunto. “Ignore” faz parte da mixtape que andas a preparar? Já temos data de lançamento para isso?

“Ignore” faz parte da mixtape, e agora estou numa fase muito mais confiante do trabalho. Penso que vou lançá-la numa data mais próxima do que as pessoas pensam. Não tenho nenhuma data ainda. Tenho mais alguns sons para acabar e, quando o trabalho estiver tudo feito, vou começar a pensar nas datas exactas e como vou lançar a música para as pessoas que estão à espera.

 


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