DJ Glue: “Lançar este EP foi quase uma imposição da indústria”

[ENTREVISTA] Ricardo Farinha [FOTO] Nash Does Work

Mestre dos pratos e do “real DJing” — hábil a animar a pista de dança com técnicas só ao alcance de alguns, além de uma rigorosa selecção de música, que vai do rap português underground à vanguarda electrónica internacional –, o início da carreira de DJ Glue dá-se nos Da Weasel, banda para que entrou em 1999 e que só deixou no final do grupo, em 2010. O seu percurso, no entanto, e tal como a essência da doninha, é multifacetado: faz graffiti há quase 25 anos, teve uma banda de hardcore punk, participou na cena de skate de Almada e é o responsável pela loja e cafetaria Montana no Cais do Sodré, em Lisboa. Todos os meses é responsável pela curadoria C.R.E.A.M no Lux Frágil e já tem um programa semanal na Vodafone FM com o mesmo nome. O que faltava a DJ Glue? Lançar-se com um disco a solo, objectivo que já pode tirar da bucket list desde esta sexta-feira, 25 de Maio, o dia da edição do EP Goodies. O trabalho conta com participações de Carlão, Karlon, Dino D’Santiago, Sir Scratch, Rita Vian e Beatriz Pessoa, e é o pretexto perfeito para uma conversa de Miguel Negretti com o Rimas e Batidas.

 



Quais foram as tuas primeiras experiências a produzir instrumentais? Foi ainda em Da Weasel ou já depois do fim da banda?

Já me tinha aventurado a produzir coisas. Na realidade, a primeira coisa a que fui forçado — entre aspas, porque pediram-me para fazer e nunca tinha feito e aceitei o desafio e fiz –, foi para um DVD… porque eu vivia em Almada e foi o primeiro DVD de skate de Almada, o Cidade [Março de 2004]. E convidaram-me a fazer porque era de Almada e só queriam pôr sons originais de pessoal de Almada. Foi a primeira experiência e também andava de skate ali na zona com o pessoal.

Mas já fazias coisas para ti antes, de experimentar em casa?

Sim, experimentava, mas como o tempo era pouco — porque na altura ainda me dividia entre um trabalho normal e a banda — estava ali num misto de coisas. E depois surgiu esta cena.

Nos Da Weasel não havia o bichinho de te envolveres na produção?

Havia, só que foi ali um momento de transição… quando eu entrei, em 1999/2000, comecei a fazer a tour do Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder. Estava-se a fazer render aquele disco. E depois só entrei na produção do Re-Definições e do Amor, Escárnio e Maldizer. Foram os únicos em que fui parte activa na produção.

Apesar de não serem beats teus, porque eram os Da Weasel e não eram propriamente instrumentais como num disco tradicional de hip hop.

Não era tanto pensar em produção, e de a fazer do zero, era pensar mais na execução ao vivo.

Depois desse primeiro beat que sai, vais fazendo mais coisas?

Esse lado sempre esteve adormecido. E sabes que acho que uma das coisas que me fizeram querer lançar um EP em meu nome foi um bocado… quase uma imposição da indústria. Eu sou DJ e quero continuar a ser DJ, e quero continuar a poder contribuir para a cena do real DJing, de passares com vinil, comprares agulhas, toda a cultura por detrás de um DJ que não só a selecção de música. E queria continuar, só que, infelizmente, a indústria não te dá o devido valor como DJ.

Ou seja, se lançares um trabalho teu tens mais hipóteses de tocar e participares em mais projectos.

De fazer mais trabalho. E está na linha do meu pensamento, que é… o meu objectivo final é contribuir para a cultura. Como é que eu posso chegar a mais pessoas? Tenho que editar um trabalho para poder chegar a mais pessoas.

Apesar de obviamente também gostares de produção, também acaba por ser um meio para chegares a um fim.

Sim, só que até vem ao contrário. O gosto da produção vem depois disto: fogo, isto é do caraças.

Depois de começares a experimentar fazeres mais beats?

Sim, a entrar mais dentro da cena. Fogo, é brutal começares do zero a tua música — e fazeres música. Com os Da Weasel já tinha essa experiência, mas fazeres os teus próprios sons e teres só as tuas ideias é completamente diferente.

Depois desse DVD, há outros beats teus que saem em discos?

Não, só saíram participações de scratch com outros músicos, não beats.

Quando é que foi o momento em que começaste a pensar neste trabalho ou nos instrumentais que depois resultaram no Goodies?

Foi em 2015. Há coisas deste EP que ainda são de 2015. Na altura saiu o “Bate Palmas”, que era uma tentativa de depois continuar naquele espaço de tempo com produções minhas, só que entretanto houve a oportunidade de eu mudar a loja Montana, que eu tinha desde 2009 no Bairro Alto, para o Cais do Sodré e fazer uma coisa um bocadinho mais complexa e séria. E, nessa altura, ainda tive um filho ao mesmo tempo, fui forçado a pôr um travão nas coisas, e o processo foi sendo muito mais lento e tive muito menos tempo para me dedicar à produção. E só agora, passados dois anos de a loja estar… e o Benji também está com dois anos e meio, já consegui fechar as coisas que tinha para fechar, e pronto, está aqui agora o EP.

A maioria dos beats tem origem em esboços feitos nessa altura, em 2015? E depois é que os convidados apareceram?

Exactamente, foi isso mesmo. Pegar nalguns esboços que já estavam, convidar as pessoas que eu via ali perfeitamente, e foi fixe que toda a gente aceitou participar, e toda a gente gostou. Nessa parte foi um processo relativamente rápido.

Foi fácil escolheres as pessoas?

Sim, muito fácil. O Carlão entrou no “Bate Palmas”, mas entra depois noutra faixa do EP que, curiosamente, é com o Karlon [risos]. O Karlon também já o conheço há bastante tempo, e também do tempo do graffiti, eu era fã de Nigga Poison, ele era fã de Da Weasel, estivemos sempre em linha e já por outras vezes eu tinha reparado que o Karlon é dos gajos mais pros a trabalhar. Tanto que os dois sons que tenho com ele no EP foram feitos num dia. Num dia ele gravou e depois foi só trabalhar por cima do que ele já tinha feito e ficou perfeito. E depois o Carlão foi natural, tipo: quem é que encaixa aqui? Queria uma parte, num dos sons, mais spoken-word, e como nesse som entra o Karlon, que canta em crioulo, queria, de certa maneira, explicar o que ele estava a dizer em crioulo, explicar a ideia que ele estava a cantar em spoken-word em português… então o beat vai abaixo e tem uma caminha feita, só podia ser o Carlão com aquela voz.

Quando pensamos no teu EP, nota-se que estás à procura de coisas bastante diferentes em cada faixa. Disseste a ti próprio desde o início que querias fazer um trabalho multifacetado?

Sim, no meu DNA sempre estiveram várias coisas, não só hip hop…

E isso também se nota nos DJ sets.

Sim, e não só electrónica, não só soul e jazz, whatever. Sou bastante ecléctico e isso iria transparecer certamente aqui. Por isso não tive pressão nenhuma e foi fácil deambular por todos estes caminhos… foi muito fixe e estou contente porque realmente fiz o que queria fazer, aquilo que idealizava e não procurei a sonoridade que agora está a bater.

Em relação aos outros convidados, já os conhecias a todos?

Sim, a Beatriz Pessoa também está na Arruada, eu já sabia que o Pedro [Trigueiro] estava a trabalhar com ela, ela tem a escola do jazz e dá aulas de canto e eu procurava uma voz tipo doce mas que ninguém conhecesse. E que eu pudesse trabalhar quase como um instrumento e não a debitar uma letra normalmente. A escolha dela foi feliz e como estamos na mesma agência foi fácil. A Rita Vian também era isso, procurava uma voz feminina que também pudesse trabalhar. Já conhecia o trabalho da Rita dos Beautify Junkyards, que é uma cena indie, do João Pedro [Moreira], houve uma altura em que eu tinha uma sala de ensaio onde eles também ensaiavam, e já conheço o João Pedro há bastantes anos, por isso precisava, mandei, ela curtiu, e escreveu uma letra também muito fixe, que acabei também por alterar um bocado a coisa, porque queria usar a voz dela como se fosse um instrumento. Um produtor tem sempre o trabalho um bocado… se está a trabalhar com um rapper, por exemplo, o rapper ganha muito mais luz. Sobrepõe-se um bocado à produção, então a minha ideia foi pegar nas letras que ambas, tanto a Rita Vian como a Beatriz, tinham escrito, e depois usar a voz como instrumento e não a debitar uma letra, sabes? Para ser uma coisa mais de produção.

De produção real e não ser só o beatmaking.

Sim, exacto. Quem teve um papel também muito importante foi o Johnny, o Here’s Johnny.

Foi ele que misturou o EP?

Misturou, masterizou e também deu ali uns toques que tornaram aquilo o que está. O Johnny é master, também é um grande amigo.

E porque o escolheste a ele?

Por isso mesmo, por exemplo, eu ando na estrada com o Carlão, e o álbum Quarenta tem mix e master dele e também uns adds muito fixes, além de ter produção dele só. E sei como é que ele trabalha e fazia todo o sentido nesta altura pedir-lhe ajuda e o resultado é perfeito, aquela combinação perfeita.

Chegaste a pensar, quando estavas a idealizar todo o projecto, a ter um disco sobretudo de instrumentais, ou com mais instrumentais sem voz?

Isso não pensei, pensei que tinha que continuar a ser ecléctico e a não dizer: isto é um álbum de instrumentais. Era passar por um bocadinho de tudo o que me influencia e tinha de lá ter um instrumental, como é óbvio, mas depois não ficar por aí.

E com que material e software é que produziste este trabalho?

Tudo Ableton Live.

Foste um auto-didacta?

Sim, auto-didacta, fui ver cursos do Lynda, são cursos online de software, fui fazendo aquilo, a minha namorada arranjou uma forma de ter aquilo grátis — aquilo é pago e não são baratos [risos]. E ela conseguiu crackar aquilo e passou-me e fui aprendendo. Quando estava na estrada ia vendo umas coisas.

E os beats anteriores, das primeiras experiências, como é que os fazias?

Era na MPC, ya. O que nunca fui assim muito bom… aliás, não é a cena de não ser bom, acho era que necessitava de mais atenção do que a que eu podia dar, então nunca me debrucei muito.

Usaste samples nestes beats todos?

Sim e houve coisas que eu próprio toquei também. Porque tinha tido uma banda de hardcore — não sabia tocar, não tenho escola nenhuma de música, na altura era dizerem-me: “olha, tocas aqui, aqui e aqui”, e eu repetia e pronto. Mas aqui toquei baixo numas cenas, mas é por aí: aqui soa bem, aqui não soa.

Já sabemos também que o disco tem uma vertente visual muito forte.

Essa parte é um casamento muito fácil, com a Solid Dogma. Através do Alexandre, o Vhils — conhecemo-nos há uns 15 anos, ele tem agora 30 e cresceu comigo na parte do graffiti. Na altura ele formou a Underdogs e eu tinha formado a Montana, e juntámo-nos lá em baixo no Cais do Sodré, temos uma parceria os dois. E depois nesta altura eu precisava de também desenvolver a parte visual e falámos e eu também já conhecia o PP, o Pedro Pires da Solid Dogma.

Mas era algo que sempre tinhas querido fazer? Também é um disco que vai ter uma edição física especial, é um álbum com várias vertentes.

Sim, já tinha imaginado. Eu gosto de trabalhar assim, ainda para mais sendo o meu primeiro trabalho. Gosto de detalhes nas coisas, em tudo o que faço, e de estar atento a todos os detalhes. Acho que um EP não pode sair sem ter uma parte visual, sem a música ter coerência com a estética, a parte gráfica visualmente também tem de ser coerente. E a Solid Dogma tem sido consistente em todos os trabalhos que desenvolveu.

Essa parte do trabalho demorou muito a fazer?

Sim [risos]. Em termos de conceito — e o próprio conceito depois desenvolveu-se. Vão ser seis vídeos para as seis músicas do EP.

A edição física será em vinil, não é?

Queria dizer-te antes que a parte gráfica está interligada com os vídeos. Ou seja, vais ver que há uma ligação forte entre a parte impressa [do disco] e o vídeo.

É uma forma de explorar várias vertentes artísticas, não é? Obviamente, também estás muito ligado às artes visuais.

Sim, exacto. Por isso o produto tinha que ser um produto bonito e tinha de ter coerência com tudo o resto que está a ser desenvolvido. Os vídeos vão sair posteriormente, mas vais ver que todos têm uma ligação, quase a contar a história do EP e das personagens que entram e participam. E depois o próprio packaging do físico foi todo pensado ao pormenor, desde o próprio vinil a toda a envolvência. Hoje fechámos uma parte que era muito importante: o EP chama-se Goodies, então pensámos no disco como um goodie bag. Tinha de ser como se fosse um saco, mas com surpresas lá dentro, além do disco.

Então as pessoas podem esperar surpresas desse goodie bag.

Sim [risos]. O packaging é uma embalagem tipo prateada, como se fosse uma daquelas cadernetas de cromos, em que rasgas e vês o que está lá dentro. Vai sair um mês depois, tinham vindo já uns test-pressing mas estavam errados, não vinham bem, foram para trás, o que atrasou um bocadinho. Porque a ideia era lançar tudo ao mesmo tempo, mas o som não estava fixe, os primeiros test-pressings vinham com uma compressão estranha que alterava os sons. Inicialmente tínhamos pensado em ser [vinil] de sete polegadas, que era mais uma goodie pequenina, só que não foi possível para manter a qualidade do som. Tivemos que pôr maior, que era uma coisa que eu não sabia. Por exemplo, os graves ocupam muito mais espaço na produção de um vinil. Fiquei a saber [risos]. Então teve de ser num de 12 polegadas e isso atrasou o processo. Vai ser uma edição limitada de 500 unidades. O pessoal tem que lutar [risos]. Espero que corra bem porque foi mesmo tudo pensado ao pormenor.

A ligação aqui ao Park e à Parkbeat Records é também uma coisa natural, de conheceres o João Pedro Moreira? Até porque já estavas a pensar no disco antes da label ser uma ideia.

Sim, antes de haver editora, antes de isso tudo. Aliás, já estava tudo fechado. Ia ser uma edição independente, sim, mas felizmente eles também pensaram em lançar a editora e como somos praticamente família foi um casamento perfeito, bué natural, de ser o primeiro lançamento da Parkbeat. Quando o Park abriu, eles estavam também a explorar um caminho, um negócio novo a abrir na cidade, e não tinham ainda definida uma sonoridade. E eu tive desde o início e acho que ajudei um bocado a direccionar e a desenvolver a forte parte musical que o Park tem.

Dizias que este também é um meio para chegares a um fim mais global, que é contribuir para a cultura e seres convidado para mais coisas e tocares mais, mas estás a pensar fazer apresentações ao vivo organizadas por ti?

Sim, posso dizer que esteve e ainda está um bocadinho no pensamento que quero apresentar [o EP] e não ser num DJ set, ser mais um espectáculo. Seria usar a componente visual, aproveitar um bocado daquilo que já foi desenvolvido para os vídeos, mas de uma outra forma, sem ser um vídeo para uma música, mais para background ou jogar com vários layers de vídeo. E não ser só eu a tocar e convidar músicos para fazer uma jam à volta das músicas. E os convidados, para isto ser uma coisa que pudesse rolar pelo país inteiro, por exemplo, e lá fora também, serem convidados em vídeo. E trabalhar de propósito para isso. Este ano também já consegui fazer uma coisa que queria há muito tempo, que era fazer coisas lá fora: estive em Nova Iorque no mês passado, em Boston também toquei, em Outubro já tenho coisas para o Japão, e quero expandir um bocado a rede de contactos.

Através das noites C.R.E.A.M, no Lux, também deves ter conseguido estabelecer vários contactos.

Sim, bastante. Das C.R.E.A.M e, curiosamente, do programa que tenho todas as semanas na Vodafone FM, que também tem aberto algumas portas e ajudado. São outros casamentos felizes. A rádio que naturalmente dá sempre um boost e é também um desafio fixe para mim, e é mesmo um desafio, porque é um programa semanal e para o fazer tenho de ter coisas frescas e como sabes é bué difícil estares a par de tudo, cada vez mais.

E tens produzido mais nesta fase, ou agora fizeste uma pausa?

Não, tenho aproveitado o que aprendi para fazer os meus próprios edits para tocar. Não produção original, mas fazer edits especificamente para tocar no club. E isso tem sido fixe, porque ajuda-me a ser fresco e original e a ter uma cena muito mais dinâmica, e com identidade.

És mais um membro dos Da Weasel a lançar-se a solo com um disco. É uma fase interessante, porque o Carlão e o Virgul estão com bastante sucesso nas suas carreiras e estás a acompanhar directamente o Carlão. É bom ver este panorama? Se calhar não imaginavas isto em 2010.

Não, mas acho que é muito fixe… é muito bom ver os dois irmãos, o Carlão e o Nobre, a trabalharem juntos para o disco do Carlão, e eu poder acompanhar todo esse processo. E ver que no fundo a família continua a mesma. E continuamos a trabalhar na música. A única pessoa de que tenho mais pena, pena se calhar é uma palavra forte, mas tenho pena que não esteja mais envolvido na música, e é uma pessoa que sei que lhe faz bastante falta e respira aquilo, é o Quaresma.

Misturou e masterizou alguns discos de hip hop nos últimos anos.

Apesar de ele continuar, exacto, masterizou o do TNT. Mas de uma forma diferente, não está a criar. E ele também é muito bom nisso. E estamos a fazer coisas quase paralelas e não estamos tão juntos como os outros. Mas é bué fixe que todos continuem e que todos nos dêmos bem e continuemos a trabalhar na música.

Há perspectivas de uma reunião, mesmo que seja daqui a cinco ou dez anos?

Se queres que te diga, é uma incógnita para mim também [risos]. É igual a percentagem de que te digo: amanhã vamos reunir, como nunca vai acontecer. É igual [risos]. Pode amanhã surgir aquele telefonema e dizer: “olha, isto, bora”. Ou nunca acontecer. É exactamente igual a percentagem. O que é fixe. Pode ser mais confuso para os fãs de Da Weasel, mas a realidade é que se fizer sentido vai acontecer, se não fizer não vai.

O Glue dos Da Weasel também já não é este Glue, não é? Talvez tenhas sido dos membros que mais evoluiu nos últimos anos.

Sim, e estou super contente de ter conseguido distanciar-me do nome Da Weasel.

Sentiste o peso nos primeiros tempos, depois do final da banda?

Senti, muito. No início os cartazes de cenas onde ia tocar, diziam Glue de Da Weasel, Da Weasel quase maior do que o meu nome. São aqueles aproveitamentos que não fazem muito sentido.

 


Ricardo Farinha

Ricardo Farinha

Jornalista. Colabora desde os 18 anos com várias publicações culturais — as rimas e batidas sempre foram inerentes à vida.
Ricardo Farinha