Conductor: manual de instruções para vingar no mundo da música

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [VÍDEO] Luis Almeida [FOTO] tegvs

Nasceu em Cuba, viveu em Angola os anos da adolescência e em 1999 escolheu Portugal para frequentar um curso de Engenharia Informática que não chegou a terminar. Ganhámos o hábito de o ver e ouvir na frente de palco dos Buraka Som Sistema, mas muitos não sabem que desde 2000 gere um estúdio, o Mo’Kubico, que tem carimbado discos muito diferenciados para artistas como MCK, Eva RapDiva, Wet Bed Gang ou Valete — o clássico Serviço Público conta com a sua marca.

Não nos estamos a esquecer do Conjunto Ngonguenha. Andro Del Pozo é um dos cérebros do grupo angolano que tem uma energia de “’eu vou rir de mim próprio e vou fazer com que toda a gente se ria de si’”, explica. Uma sátira angolana que, embora sem data marcada, não deve demorar a regressar.

A lista de músicas que Conductor produziu é muito, muito extensa. Porém, existe um novo termo que entra nesta conversa, que é pouco habitual ouvirmos e que aconselhamos a anotar: direcção musical. O músico confessa que é nesse papel que se sente confortável. “Eu faço uma tabela e digo ‘nesta música o objectivo é este e temos de chegar aqui’. A pessoa olha para aquilo e diz ‘ai não, assim condicionas’. Não, não condiciono. Estabeleço objectivos, é diferente. Se não atinges o objectivo, a música não está bem cumprida e isso faz muita confusão”.

Como se lê, a entrevista passou rapidamente a manual de sobrevivência na música e há aqui muito para aprender, mas atenção: “90 por cento das pessoas não estão prontas”!

Conductor não se conteve nas críticas aos músicos portugueses, nomeadamente na cultura hip hop. “Eu acho que nós continuamos com pessoas muito limitadas a fazer hip hop”, afirma. E completa, “há quarenta milhões de projectos a acontecer pelo mundo todo que são super interessantes e eu não vejo o pessoal cá a atirar-se de cabeça”.

 



São muitos os projectos em que já participaste, é enorme a lista no Sobre do teu Facebook, mas muitas vezes as pessoas não sabem quem é o Conductor nem que fazes parte de determinados projectos. É opção tua ficares na retaguarda?

Eu acho que sou um bocado velho no que tem a ver com a promoção. As metodologias de promoção que existem hoje em dia muitas vezes não encaixam muito bem na minha cabeça. Parar o ritmo de trabalho para fazer uma publicação no Instagram, para fazer um live ou estar constantemente a dizer ‘estou com fulano, ele é meu amigo’. Não é meu fazer isso. Há muita coisa que acontece e eu na emoção filmo para me lembrar mais tarde e depois acaba por ir parar às redes sociais porque o pessoal me começa a chatear porque nunca mais fiz nada. Há muita coisa e tenho de actualizar essa lista. E acho que é um bocado opcional também. Eu prefiro manter-me no meu canto e manter o meu ritmo de trabalho constante do que estar a aparecer em todo o lado e depois ficar sobrecarregado de trabalho e não conseguir dar uma boa entrega.

Há coisas que vi na lista e não fazia ideia de que tinhas feito parte. Por exemplo, o Serviço Público do Valete.

Sim, eu fiz o álbum quase todo, uma grande parte dos beats são meus. O Serviço Público foi um disco de equipa. O Valete tinha vários produtores no estúdio, mas a maior parte das bases partiram de mim. Ele deu-me um briefing do que queria, o que estava à procura, e eu acho que consegui chegar a um consenso do que era fixe para a voz dele e para um tipo de registo que ele tinha. Já conhecia o trabalho dele desde o Educação Visual, era muito fã dos beats do Kilú, um produtor que admiro muito.

Podemos traçar um pouco do teu percurso na música? Não começaste com Buraka Som Sistema, de onde provavelmente a maioria te conhece.

Eu comecei a fazer música em 1999. Eu já fazia algumas coisas em Angola, tinha um teclado e ia inventando umas melodias. Depois fui estudar para Cuba e aprendi a tocar guitarra, a base, e quando vim para cá (Lisboa) em 1999 um amigo meu apresentou-me o Fruityloops. ‘Olha, agora tens um programa de computador que dá para fazer música’. Comecei a fazer várias coisas e casualmente, em 2001, se não estou em erro, o Luaty (o Ikonoklasta, o Brigadeiro Mata- Frakuzx) veio ter comigo e disse ‘olha, tenho um amigo em Angola que canta rap e quer fazer um disco’. Eu estava naquela de não fazer o mesmo que toda a gente faz, de procurar aqueles samples de música soul americana e samplar, disse que ia fazer uma cena mais baseada em samples de música de Angola e reuni uma série de coisas e fiz o primeiro álbum do MCK que se chama Trincheira de Ideias, saiu em 2001. Produzi o álbum todo e foi tipo ‘wow, há um produtor que faz coisas diferentes, usa coisas tradicionais e mistura com hip hop’. Na altura era proibido, vamos assim dizer. Isso demarcou um bocado a minha existência. Em 2006 juntei-me com os Buraka Som Sistema por causa de um projecto que fiz em 2004 que é o Conjunto Ngonguenha.

Tinha nota que é de 2002…

Gravámos em 2002, só saiu em 2004. Ficou na gaveta de um rapaz para misturar durante um ano e meio, coisas daquele tempo, então em 2004 o Martinêz, da Matarroa, é que decidiu avançar com o disco e o disco saiu. Por causa desse disco — acho que é o disco que fiz que teve mais repercussão em termos de outros músicos reconhecerem o trabalho — começámos a fazer Buraka. Chamaram-me, ‘olha, queremos fazer umas coisas com kuduro’.

O que significa para ti, antes de irmos a Buraka Som Sistema, o Conjunto Ngonguenha?

Para mim é muito importante. Há um conceito daquilo que o hip hop era, agora já é muito menos, que dizia que o hip hop era reclamação, era a música em que falavas dos teus problemas e raramente trazias soluções, raramente fazias coisas engraçadas. Os que faziam coisas mais engraçadas ou com um tom mais pop eram vistos como comerciais. Como ainda são hoje. E nós quando fizemos o Conjunto queríamos fazer um disco de sátira, com aquela energia angolana de ‘eu vou rir de mim próprio e vou fazer com que toda a gente se ria de si’. Então era aquela sonoridade mais angolana em quase todos os instrumentais, montes de samples de música angolana clássica misturados com essa sátira de ‘entrei num candongueiro, houve um gajo que peidou e depois o gajo da frente mandou vir porque ninguém lhe pagou’. Aquilo criou um ambiente imaginário na cabeça de muitas pessoas, parecia um livro de um escritor. Tive o feedback de muitos músicos que nunca na minha vida tinha pensado conhecer. Lembro-me de que apareceu na Blitz como álbum do ano para uns quatro ou cinco artistas. A Sara Tavares, o Carlão, os Cool Hipnoise. Eram pessoas que eu via na televisão, sabia lá se estavam a ouvir. Eu estava na faculdade a acabar o curso de Engenharia Informática, queria lá saber da existência dessas pessoas. Em 2006 ligou-me o pessoal de Buraka e aí foi aquele salto, mas em termos de reconhecimento, de perceber que aquilo que eu fazia tinha valor, foi em 2004/2005 depois do disco de Ngonguenha.

 



Ngonguenha em que também o próprio nome significa essa mistura (farinha musseque misturada com água e açúcar).

[risos] A coisa aconteceu muito sem querer. Os nomes dos conjuntos angolanos são muito Os Kiezos, Conjunto Jovens do Prenda. Queríamos fazer um conjunto de pessoas idiotas que quando está reunida só fala lixo, ‘vamos fazer um disco só a falar lixo’. Foi mais ou menos esse o mindset da coisa. Então era eu, o Ikonoklasta, o Leonardo e o Keita Mayanda. São quatro MCs que têm um certo nome e o MCK sempre por trás a dar-nos algum tipo de back. São pessoas muito engraçadas, que convivem de uma forma muito engraçada, falam muitas barbaridades e riem de coisas muito idiotas. O nosso desafio era sair da nossa cena natural que era fazer música de algum modo a criticar, aquele hip hop mais natural, e fazer algo que fosse exactamente o contrário. Gozar com o que é ser um MC, querer fazer tudo bom, mas não querer pagar aos amigos porque o underground não paga. Clashar um bocado isso com a realidade que se vive em Angola, do pessoal que vive muito mal, mas que está sempre a rir, tem um sorriso de que está tudo bem e quando vens a saber come uma vez por dia e o valor que a vida dele tem é nada, se desaparecer amanhã muito pouca gente vai sentir falta. Para mim é um disco importante, marcou um bocado o meu mindset: tu podes ser diferente, não faz mal, e mais cedo ou mais tarde vão reconhecer isso. Tudo aquilo em que trabalhei daí para a frente foi sempre nesse botão, nesse mindset. Vou fazer o que eu acho que funciona, mesmo que seja difícil, quando o reconhecimento chegar vai ser fixe.

Achas que trouxeste esse espírito que encontraste no Conjunto Ngonguenha para os Buraka Som Sistema?

Eu acho que em Buraka eu tinha um papel um bocado difícil de explicar porque além de ser MC e cantar e escrever acho que sempre tive uma base muito boa de direcção musical, de perceber o que estás a fazer que os outros nunca vão perceber na vida ou se perceberem têm de estar extremamente atentos. Então consigo direccionar-te, ‘olha, isto que estás a fazer se calhar não é o melhor, se fizeres assim acho que as pessoas vão reagir melhor ao que queres dizer ou então esta mensagem que queres passar não está a passar porque isto, isto e isto está errado’. Em todos os projectos em que trabalhei, em Buraka principalmente, eu sempre fui a pessoa que foi buscar os MCs, a pessoa para pôr palavra e voz nas coisas. Eu fui buscar a Petty a casa dela, a Pongo Love à escola, a Blaya a raios parta e disse ‘olha, vem fazer connosco uma coisa interessante, não só dançar como também tentar cantar’. Ela já era MC na altura. Então tinha esse papel um bocado de direccionar algumas coisas. Logicamente que o Branko e o Riot tinham uma visão muito ampla do mercado internacional e eu se calhar punha um bocado daquele toque de africanidade que se sentia nas músicas, que muitas das vezes era o que era o ‘wow’. O ‘wow’ não é o mesmo que já ouviam, era o ‘tchiqui tchaco tchoqui’. ‘- O que é isso?’, – ‘olha, é um relógio, eles fazem este som com um relógio e tocam nas teclas’. O pessoal fica ‘wow’ e esse ‘wow’ só trazes quando queres quebrar a barreira daquilo que toda a gente está a fazer, igual. Se não estávamos todos a fazer house.

O Branko e o Riot disseram na entrevista ao Nas Pistas das Canções da Antena 3 docs que eles tentavam se calhar ser mais ligeiros com as pessoas, mas tu chegavas e dizias ‘isso está mal, está uma porcaria’.

[Risos] Eu acho que muitas vezes o que acontece é que eu consigo desligar do papel de produtor e colocar-me no papel de ouvinte. Há alturas em que se o teu objectivo é chegar a um ponto e se isso não está a acontecer alguma coisa está mesmo mal. Tens que parar, limpar e perceber o que está errado. Se me estás a dizer ‘quero fazer esta música para quando estiver a tocar chegar aqui a esta altura todos gritarem uau’ e se quando chega àquela altura e ninguém grita ou não sinto emoção digo logo ‘isto está mal, se o objectivo era esse então isto não está a chegar lá’. Isso acaba por fazer de mim aquele que tem o papel de direcção musical que é um termo que acho que cá não existe muito. Não é só a pessoa que faz o beat, é a pessoa que consegue dizer ao artista qual é o caminho que tem que seguir para atingir o seu potencial máximo.

Tens de ser sempre o mau da fita?

Sempre, tens de ser sempre o mau da fita. Não tens como não ser. Porque 90 por cento das vezes as pessoas, os artistas, têm medos e muitas barreiras. É um ‘lupus’ que todos têm auto-destrutivo. ‘Não, se eu fizer assim vão pensar, vão…’. E às vezes tens de desconstruir tudo e ser quase como uma professora: hoje vamos trabalhar e o assunto do dia é este. O pessoal surpreende-se! Eu faço uma tabela e digo ‘nesta música o objectivo é este e temos de chegar aqui’. A pessoa olha para aquilo e diz ‘ai não, assim condicionas’. Não, não condiciono. Estabeleço objectivos, é diferente. Se não atinges o objectivo a música não está bem cumprida e isso faz muita confusão. Por isso é que a lista (de colaborações) não é maior [risos].

Sentes que há muita gente que não gosta dessas tuas regras?

Acho que 90 por cento das pessoas não estão prontas. Acho que tens de estar pronto e conseguir aceitar que aquilo que estás a fazer não é suficiente. Sentires ‘o meu potencial é mais, eu consigo fazer mais’. Porque é que não estás a fazer? E perceber que se calhar as pessoas com quem trabalhas ou o meio em que te rodeias não te puxa para aquilo. Há vários exemplos. O último exemplo que te posso dar fixe é o do Bispo no “Nós2”, tenho de pôr na lista que também trabalhei na música, a quem eu disse ‘tu cantas, sabes cantar, canta… estás a inventar, consegues fazer, fazes refrões com tons’. E às vezes é preciso esse incentivo para conseguires sair da zona de conforto, tentares e dizeres ‘porra, se calhar estou a limitar-me ridiculamente. Estou a andar de bicicleta e posso estar num Porsche’.

 



Voltando a Buraka Som Sistema, o que é que gostaste mais no projecto?

O que eu aprendi mais com Buraka, e que actualmente trabalhando com Wet Bed Gang e com outros grupos percebo que o próprio colectivo de Buraka nunca passou por essa fase, é que nós sempre fomos extremamente organizados. Em muitos sentidos, mesmo na metodologia de trabalho. Faz-me muita impressão o pessoal que neste 2018 ainda não se consegue organizar ou ser organizado e perceber onde é que tem de investir o seu tempo para ter algum tipo de retorno. Acho que em Buraka isso sempre foi uma coisa muito assente. O que eu gostei mais foi ter trabalhado com pessoas de fora e perceber que há pessoas que na nossa cabeça estão noutro universo e na verdade essas pessoas estão a ‘cagar’ e estão a fazer aquilo… Têm mesmo aquela aura de ‘eu sei o que estou a fazer e vou fazer assim’. Ouves e pensas que está mesmo bem feito. Essa auto-confiança é muito difícil de ganhar cá em Portugal e lá fora tens muitas pessoas de 17 anos em que sentes isso neles. Conhecemos o Skrillex no primeiro barco que partia de Miami e fazia uma tour pelas Bahamas durante três ou quatro dias (Holy Ship) só de música electrónica. Estava lá o Diplo, o Brodinski, etc. E estava lá o Skrillex. Tu sentias que ele tinha aquela cena de ‘ok, respeito o trabalho de toda a gente, respeito o vosso trabalho vou até tocar sons de Buraka, mas eu sou mesmo bom’. Ele transmite isso, ele chega aqui [carrega nos botões e diz] ‘é isto, ouve bem’. E tu ouves e pensas ‘sim, é isto’. Eles conseguem transmitir isso na própria música que fazem, cá em Portugal não temos muita gente com essa força. Aprendi isso lá de fora, aprendi também que o pessoal — independentemente de terem investimentos ou não ou de ter formas de investir na música e como ser apoiado pela música — começa a trabalhar no mercado da música, de venda e de fazer negócio com a música, muito cedo. Cá em Portugal é uma coisa em que o pessoal arranca já muito mais tarde. Eu fiquei muito contente por perceber que, por exemplo, os Wet Bed Gang sempre tiveram essa preocupação, eles já nasceram como grupo com essa preocupação: “como expor a nossa música ao público?” É uma coisa que hoje em dia, ou até há muito pouco tempo, era vista como ser comercial. “Vais pôr a tua música online? Vais promover? Não, as pessoas têm de vir ter contigo para gostar”: ouvi esta conversa durante anos. O hip hop cá viveu uma opressão musical durante muito tempo e houve muita gente que ficou bloqueada. Graças a Deus houve pessoas que colheram informação de outras áreas e interpretaram de outra maneira. Acho que o NGA e os Força Suprema têm essa atitude de que estou a falar e conseguiram infectar pessoas suficientes. Depois ainda tens uma geração nova com muito mais garra nesse sentido.

Para além disso as viagens pelo mundo todo com Buraka, que é incrível. Acho que se um dia pegar num globo e começar a pôr pins onde toquei… há sítios de que conheço o aeroporto perfeitamente, se tiverem dúvidas nos aeroportos liguem-me! Tive experiências espectaculares, desde o Japão até ao México, fiz coisas incríveis. Foi o top do game.

Como é que é agora olhar para uma Lisboa que pelo menos musicalmente está bastante diferente e sentir que, com Buraka Som Sistema principalmente, fizeste parte desse início todo de transformação de uma cidade que agora aceita tantos sons diferentes?

Eu vou ser muito sincero, como não paro ainda não consegui sentir isso [risos]. Eu acho que o que está a acontecer hoje em dia é exactamente aquilo que estou a dizer, as pessoas estão a conseguir promover-se melhor, a conseguir mostrar o seu trabalho, a fazer com que o seu trabalho chegue a um número muito grande de pessoas. O que era uma coisa que há uns anos era muito difícil. Entre as plataformas de redes sociais, Facebook, Instagram, o SoundCloud, os vídeos com muito mais qualidade, os estúdios caseiros com muito mais qualidade. Tens miúdos a fazer um trabalho muito bom e a conseguir pôr isso nos olhos do Mundo. Logicamente que Buraka chamou a atenção para Portugal como um centro de produção e música, como um centro em que há coisas boas a acontecer, mas há muito mérito de muita gente cá que se consegue promover bem e que tem chegado muito longe com isso.

Para mim é só fixe perceber que até hoje passo num sítio qualquer e o segurança vem dizer-me “epá, vi-vos uma vez em Cantanhede de baixo na tenda 4 em 2007”; “Hey, senhor, foi longe, mas eu lembro-me sim, sim [risos] deixa-me só entrar aqui, ciao…”.

Antes de entrares nos Buraka já conhecias os elementos ou foi “gosto muito da tua cena”?

Foi tipo [sinal de telefone],

– “olha nós temos aqui um estúdio em Campo de Ourique, ouvimos o disco da Ngonguenha muitas vezes, tem uma certa sátira, uma certa cena angolana que é muito difícil de encontrar e sabemos que és MC e produtor. Estamos a fazer um projecto e queríamos que viesses cá ter connosco”.

– “Ah, ok. Eu nunca estive em Campo de Ourique, onde é que isso fica?”

– “Tens de apanhar o 107 na Amadora”.

107, imenso tempo. Cheguei lá e aí é que percebi que era o pessoal que tinha aquele grupo, os 1-Uik Project, e aí é que me caiu a ficha. Explicaram o que o produto era e só aí é que a coisa arrancou. Eu nunca fui um gajo de noite, nunca fui uma pessoa de sair muito. Para mim a noite é fixe para dormir. Gosto de acordar cedo e trabalhar de manhã, tenho este ritmo já meio automático, já há muitos anos. Mesmo quando comecei com Buraka não tinha o hábito de ir à noite, de estar a tchillar.

Com o Valete foi igual: “hello, olha…”. Tem sido sempre assim, tenho tido bastante sorte.

O álbum com o Valete, Serviço Público, foi no mesmo ano que os Buraka Som Sistema.

Foi em 2006, no mesmo ano do “Wegue Wegue”.

Como é que foi trabalhar com o Valete?

Foi porreiro. Ele tem umas ideias muito fixas, sabia o que queria, e basicamente fomos trabalhar nas bases sonoras do que era necessário para aquilo acontecer, fui dando algumas ideias, estive em estúdio com várias pessoas, opinei em algumas coisas. Houve coisas em que opinei que não contou para nada, mas é a vida. O disco é dele e chega ali a uma barreira que é ok, o meu trabalho é este e daí para a frente ele é que tem que… ou seja, não fiz nenhum tipo de direcção musical. Só fiz os beats do álbum e ajudei a compor uma parte das coisas. Foi fixe, ele é um artista muito bom, escreve muito bem e respeito o trabalho dele.

 



O rap não acaba aí na tua carreira. Fizeste trabalho com Força Suprema, Eva RapDiva, por exemplo. Mas também fazes outros géneros. O que é que te dá gozo nestes géneros todos?

Eu acho que nós continuamos com pessoas muito limitadas a fazer hip hop. O pessoal é muito limitado, limita-se logo de primeira. Há quarenta milhões de projectos a acontecer pelo mundo todo que são super interessantes e eu não vejo o pessoal cá a atirar-se de cabeça. Não tens um gajo tipo Rincon Sapiência. A quantidade de afro-house que temos aqui e não temos um MC que diga “eu vou fazer isto”. Acho que os Força Suprema são os mais arriscados que tens até certo ponto nesse sentido. Eu adorei ir ter com os Wet Bed Gang a Vialonga e perceber que eles são quatro pessoas totalmente diferentes e têm uma força muito grande de influências que querem pôr na música que fazem. Desde a parte meio cigana do GSon, até à cena extremamente trap do Zara G, ou às cenas mais dancehall do Zizzy, ou o Kroa que é um super MC. Acho que eles os quatro são de universos muito diferentes que só estão juntos porque cresceram no mesmo bairro, de resto não faria sentido na cabeça das pessoas. Para mim é sempre um desafio estar a trabalhar com eles e um dia chegar ao estúdio e dizerem “mete aí um reggaeton, vou cantar num regaetton”. No dia a seguir “mete aí um fado, vou fazer uma cena de fado”. É fixe, é um desafio. Lá fora ainda há muitas pessoas que tentam, arriscam, mas não tens muito esses projectos por cá. O pessoal é muito limitado, trabalho às vezes com pessoas muito limitadas que não conseguem dar a volta a algumas coisas. É o Portugal que temos.

Mas achas que é a indústria musical ou são as pessoas?

Acho que é cinquenta, cinquenta. São as pessoas com medo de tentar coisas, é a indústria… O hip hop português tem muitas regras e esse excesso de regras leva à não experiência, ao não se arriscar. “Isto está bom? Então é isto. Não, não ponhas aí palmas porque isso agora… não esse beat é muito diferente, eu não consigo fazer isso”. Tens um movimento de grime a inspirar montes de pessoas lá fora, pessoas a fazer flows diferentes, ritmos diferentes, e cá em Portugal tens N géneros que podias explorar e não tens nada. Tens ainda o mesmo tipo de hip hop, hoje em dia o pessoal faz umas cenas de dança e pronto. É muito mau. O pessoal lá fora tem uma percepção de mercado musical e cá só nestes últimos três anos é que sinto o mercado musical. Tipo o Nerve a dizer “deixei o trabalho e estou a viver da música”. Grande cena! Não tinhas isso há uns anos, principalmente no hip hop. Ou o Dillaz. “Vivo mesmo da música, é isto que eu faço. Acordo de manhã, fico aqui a tchillar com a família, depois às X vou para o estúdio, fico a jogar PlayStation, se aparece uma ideia gravo. Estou a viver disto”. Lá fora é uma coisa que é constante, tens MCs de 18 anos a fazer coisas incríveis e tens cá pessoal com 27 que não chega lá.

É o mercado e o facto de não haver [faz o sinal de dinheiro com as mãos] incentivo para as pessoas fazerem coisas diferentes. E é também a mente das pessoas. É um fifty-fifty.

É muito diferente a recepção que tens cá e que tens em Angola?

Acho que em Angola eu pertenço àquele núcleo de pessoas do hip hop mais underground, não tenho nenhum hit pop lá. Trabalho com muita gente pop, mas faço aquelas músicas se calhar mais “sérias”. Acho que não sou um bom hitmaker, sou bom é a direccionar discos e a fazer com que façam sentido. Trabalhei com a Eva, fiz o primeiro disco dela. Trabalho sempre com o MCK. Tenho um número enorme de pessoas de kuduro com quem trabalho, sendo o Puto Prata se calhar o mais conhecido. Fiz algumas coisas com a Pongo Love, com várias pessoas.

Eu acho que um bom produtor não é aquele que faz hits. É mesmo aquele que te consegue pegar e pôr-te no sítio certo, mudar o teu mindset e fazer-te perceber onde está o bom e onde está o mau, onde estás a comunicar e onde não estás a fazer nada. Mudar-te a ficha para chegares ao teu potencial.

Isso é bem mais do que um músico que faz beats

Isso é um beatmaker. Aqui o pessoal chega, eu oiço e posso dizer “não está bom”. Quem está cá a gravar é o Harold. Está a fazer umas cenas novas e está a passar por esse processo do “não”, tal como o Bispo, que é um processo difícil. “Não, não está mesmo fixe, desculpa. Tens de voltar para casa!”.

Onde é que foste buscar esse teu lado?

Eu sempre fui assim. Não está bom, não está bom! Com os anos que tenho quando digo que não está bom se calhar já disse muitas vezes que não estava bom a coisas que não estavam mesmo boas. Se calhar noutros sítios só carregam no rec, não há uma direcção, não te levam a um sítio fixe.

 



Também já levaste com muitos “não está bom”?

Não. Não digo que sou preguiçoso para criar, mas acho que gosto mesmo é da cena de direcção, acho que encaixa bem em mim. Ir buscar aquilo que não estás à espera e pôr na tua música e de repente tens uma música completamente diferente do que esperavas, mas ser uma brisa de ar fresco e ser bom suficiente.

Já levei muitos “não”, não sobre o que estava a fazer ser bom ou mau, mas “não” a coisas que quero fazer de uma forma e não serem bem vistas ou acharem que aquilo não é correcto. Já não me chateio, já não tenho idade para me chatear com essas coisas.

Não te perguntei de onde veio o teu gosto pela música. Aprendeste guitarra em Cuba…

A guitarra aprendi em Cuba, mas antes disso em Angola sempre houve o hábito de ouvir muita música, de haver serões, do pessoal dançar.

Quais são as tuas influências?

Ui, estás aí a abrir um livro muito comprido. A minha mãe é cubana e eu cresci no meio de pessoas de Cuba que também têm uma influência musical de salsa, de rumba. E o pessoal mais novo tem uma influência de reggaeton, de rap latino, e de alguns cantores que na minha vida têm uma certa influência. Em Angola a televisão e a rádio tinham um papel muito importante na divulgação musical e há músicos como o Eduardo Paim, o Paulo Flores, que foram vistos durante muito tempo como a nata dos músicos angolanos. A forma deles de compor e a forma de escrever é algo com que me identifico porque eu cresci a ouvir a música deles dentro de um ambiente em que aquilo faz totalmente sentido. Em relação à parte mais cubana da coisa tenho uma paixão muito grande por bachata, não sei porquê é um género que acho muito interessante, tipo um r&b meio latino. E sempre gostei muito de reggaeton. O pessoal não entende porquê, mas curto bué. Acho que é um género muito fixe que finalmente está a ter o boom e agora está a atropelar totalmente a música pop americana. Ia acontecer mais cedo ou mais tarde, é a vida. O pessoal agora investe de forma diferente. Investe na América Latina e tem 500 milhões de views numa música enquanto os americanos de top estão a lutar para chegar aos 100 milhões.

Depois tenho também a parte de viver em Portugal e levar com essa nostalgia total do povo português, essa saudade toda. Então tenho aquele lado muito lamechas do Anselmo Ralph, do Rui Veloso. E esta geração nova para mim é muito fixe. O Agir, a Carolina Deslandes, o Diogo Piçarra. São gajos que escrevem bem, eu percebo aquilo perfeitamente, não me chateia. Tenho mais ligação a isso do que àquelas músicas super complicadas em que não estás a perceber do que estão a falar. Eu sou da geração do r&b, da história contada com princípio, meio e fim. O refrão salienta ali a parte boa e acabou. Gosto disso em tudo o que se faz musicalmente. Não sei se é bom ou mau.

Do que estás a fazer agora o que é que te está a entusiasmar mais?

Eu estou a fazer muita coisa desconhecida e estranha. Estou a trabalhar no álbum de um rapaz angolano chamado Nucho, muito fixe. Ele lançou um álbum no ano passado intitulado Soul Rap, tem um impacto fixe lá. Estou a fazer umas coisas novas com a Eva, como sempre. Tenho a cena dos Wet Bed Gang, faço os concertos com eles, a direcção musical ao vivo. Tenho também uns temas que fiz para eles, estamos agora na parte de processar. Estou a fazer o Bispo, o Harold. Estou a trabalhar com um rapaz de Cabo Verde muito interessante que se chama Edwin Vibez, uma mistura de trap, com trap soul, misturado com música de Cabo Verde. Há uma menina muito fixe com quem estou a trabalhar que se chama Princesa, tem uma voz espectacular. Fiz umas coisas com o Rui Andrade. É muita gente e não paro. Faço no mínimo duas sessões de estúdio por dia, depois vou buscar as minhas filhas à escola. Se houver alguma coisa fixe venho à noite.

Também dás aulas na World Academy. Como é que se ensina esse espírito de direcção musical?

O que ensino mesmo é a parte da produção, mas o que eu faço mesmo é desafiar os alunos e tirá-los da zona de conforto.

– “Olá, bom dia, eu sou o professor de produção musical e hoje vamos fazer uma kizomba. Nunca ninguém fez?”.

– “Não!”

– “Não sabem como é que se faz?”

– “Não.”

– “Isso é fixe! Têm 20 minutos para ouvir uma kizomba na Internet e tentar fazer nos vossos computadores uma kizomba”.

Vou criando desafios para eles perceberem que sair da zona de conforto é dar um salto muito grande em termos daquilo que é a produção musical. Depois falamos um bocado dos géneros, como apareceram, como deram o salto que deram, porque estão a fazer aquilo que fazem, o que é que esta geração nova trouxe. Uso também muitas metodologias que têm muito a ver com o público novo de hoje em dia.

Se calhar estão à espera daquele professor que chega com um teclado e sabe de notas. Não! Vão ao YouTube, samplem do YouTube e façam a vossa música com isso. É assim que se faz hoje em dia. Não sabem fazer um género? Procurem, vão à net, “beat like kizomba”. Vão aparecer 7 milhões, ouçam, aprendam, evoluam.

 



No tempo dos Buraka Som Sistema o YouTube não era o que é hoje. Portanto, o público que tu vias nesse tempo é completamente diferente do que vês hoje nos concertos de Wet Bed Gang?

Já nos últimos anos de Buraka nós víamos pessoas de 40 anos com os filhos de 20 anos. No público de Wet Bed Gang vês mais pessoas entre os 12 e os 25 anos. Não é um mau público, acho é que é um público que exige sempre mais e mais. Tens de estar sempre a dar e numa carreira em que não lanças durante seis meses já não és um artista, morreste, já não fazes música. Eu tenho outro nível de exigência, acho que a longevidade artística vive da parte de saberes gerir a tua criatividade e os teus filhos, o que vais parindo musicalmente. Ou seja, é preferível teres um disco conceptual que consegues tocar durante dois anos num concerto que tem uma luz, em que te sentas numa cadeira e o pessoal que vai viver aquilo está a viver uma experiência. É melhor isso do que estares sempre a pôr música fora porque depois daqueles três meses em que estás sem pôr música cá fora a tua carreira, dentro desse público que está sempre a absorver coisas novas, já foi.

És mais fã de um Kendrick Lamar do que de um Lil Pump, por exemplo?

Não, não acho que sejam coisas comparáveis sequer. Acho que em termos de durabilidade um Kendrick dura mais. Mas tu não sabes se amanhã o Lil Pump faz um disco extremamente conceptual com uma cena de trap que nem faz sentido para ti e que os putos absorvem de forma totalmente diferente.

Tenho tido esta conversa muitas vezes no último anos. Nós temos que parar de catalogar e ter regras. Este pessoal comunica com um público que entende aquela merda e que vive aquela merda. O pessoal ouve aquelas letras e entende aquilo, entra naquele mundo e está a ouvir ali coisas que nem fazem sentido para ti. Tens o exemplo do XXXTentacion. Morreu há pouco tempo, ninguém sabia o que aquilo era e de repente foram ouvir aquilo e perceberam “ah, não isto não é trap, afinal o gajo escreve sobre depressão e morte”. Mas primeiro olharam para a cara dele e pensaram “é mais um desses Gucci Gang”.

O Lil Pump é um exemplo se calhar de showman em todas as áreas musicais. Vais ao show dele e é maluco, tira cueca, faz música de uma droga. Ele pode criar uma legião de gajos que levam a carreira dele durante 20 anos, nunca sabes. Há gajos que vivem disso.

O Kendrick tem uma essência diferente, vem de uma escola de hip hop diferente, tem mentores totalmente diferentes. Está ali ao lado do Dr. Dre que se calhar lhe dá chapadas todos os dias para aquilo entrar na linha, sabes que é um gajo extremamente exigente em tudo o que faz.

Não consigo desacreditar nenhum dos dois. Qual dos dois ouço mais? Se calhar fifty-fifty. Sou bem capaz de passar horas a ouvir essa música de lixo só para ter aquela energia de acordar e estar bem disposto. “Eu para a merda não volto”. É mesmo aquele “vamos embora”! Acho que tem que haver um equilíbrio e é importante que haja uma boa documentação desta cultura que está a acontecer com estes miúdos novos porque daqui a uns anos eles vão ser a grande diferença. Temos é que perceber o que eles estão a fazer, como e porquê. Temos de perguntar a um Zara G, ao ProfJam ou ao Fínix o porquê deste tipo de comunicação, o que estão eles a tentarem expressar.

Mas sentes que, de alguma forma, o músico à medida que vai envelhecendo não pode na verdade “envelhecer” porque o público dele tão jovem se vai renovando dentro dessas faixas etárias?

Aqui a grande questão é: como manter uma carreira musical e fazer coisas que são relevantes? Fazer discos relevantes que marcam. Como o do Lil Wayne, The Carter III, um disco relevante. E muita gente já mandava pedras para cima do Lil Wayne naquela altura, mas depois vais ver e é um disco que tem temas, tem bons instrumentais, tem bons refrões. É um disco bem construído. Nicki Minaj se calhar o primeiro disco é um disco relevante. Uma cantora de rap que faz música pop e o pop entra no meio de pessoas que não têm nada a ver, tem as fãs dela que são as barbies. Aquilo tem uma cena conceptual ali no meio que é muito mais profunda do que parece. O pessoal olha para aquilo e diz “é uma miúda, uma black, que põe umas cenas cor-de-rosa no cabelo e fica a abanar o cu”. Atenção! Há outras cenas ali por trás. Com este público novo há uma comunicação que tem uma base muito parecida com a dos antigos.

A última vez que tive esta conversa, não me lembro com quem foi, um rapaz disse-me assim: “eu já vivo numa zona de merda onde há merda todos os dias. Ou eu sigo o que o outro gajo faz que está sempre a falar dos problemas ou eu tento pelo menos animar os meus que estão na merda. Se eu animar e falar do lean que a gente bebe ou das gajas que a gente fode é a nossa forma de nos animarmos dentro do meu grupo de amigos”. Eu calei-me e disse “ya, nunca mais vou falar dessa merda na minha vida”. Respect. Há aqui uma cena que eu posso não estar a perceber, mas calaram-me a boca, isto faz sentido. Vou tentar ouvir isto se calhar de outra maneira. E já consigo perceber isto de outra maneira. Nos últimos tempos passei a ouvir muito o Desiigner, aquela merda tem muita energia e não diz nada. E se calhar posso dizer que nos últimos tempos tenho ouvido mais Desiigner do que Kendrick [risos].

Achas que essa mudança de mentalidade foi essencial para entenderes os Wet Bed Gang?

O movimento trap é um movimento que tem muita coisa lá dentro, tal como do hip hop boom bap. Tinha muita coisa dentro, tinhas gajos malucos, tinhas gajos bons, tinhas gajos que não tinham nada na cabeça e gajos que tinham coisas na cabeça. É igual! O GSon faz trap, mas tem uma letra bonita, escreve coisas bonitas que fazem sentido ouvir. E há outros gajos que não, que fazem lixo, mas é trap também. Agora a cena é: porque é que ele faz dessa maneira? A gente não pode achar “eu já sei porque é que ele faz dessa forma”. Não, não sabes. Vai tentar perceber e aí talvez vás perceber que há um mundo com que ele está a tentar comunicar que não entende o Kendrick nem nunca vai entender. Aquilo é muito complexo então precisa de ter aquela mesma energia com outro tipo de linguagem. Tem de haver um equilíbrio e acho isso perfeito. Acho muito bom que não estejamos só a fazer boom bap como em 1994, por amor de Jesus Cristo. Ainda oiço, mas já chega. Acho que podemos fazer melhor.

A última cena que ouvi que achei extremamente espectacular: Rosalía! Cá podia haver 7 mil Rosalías, mas o pessoal prefere imitar americanos.

E o regresso dos Ngonguenha?

Estamos a trabalhar. Estou um bocado triste, eles não estão muito nessa. Estive lá agora [em Luanda], mas ainda não é o momento. Para o ano, vamos ver. Ou então ainda me chateio e faço eu sozinho [risos].

Álbum novo?

Fizemos o segundo em 2010 que saiu em Angola. Teve um feedback muito fixe lá, teve aquele reconhecimento de pessoas de lá que não levaram com o primeiro disco que saiu cá. Tive muitos músicos a elogiar a mistura. Entretanto desafiei-me. No primeiro disco usei o FruityLoops, fiz uma cena muito rudimentar de produção, usei samples muito cortados. No segundo disco fiz mais algumas coisas tocadas ao vivo, outro tipo de sampling. E neste novo disco disse que não ia samplar. Conheço pessoal que toca, sei o que quero tocar, sei cantar, sei rimar, vamos fazer composições, vamos fazer um disco. E acho que é isso que está a criar o impasse. Mas vai ter cenas giras, várias participações e pessoal que está triste comigo porque ainda não encontrei espaço para eles no disco. Está a andar!

 


Alexandra Oliveira Matos

Alexandra Oliveira Matos

Questionar é o verbo pelo qual orienta o olhar. Licenciada em jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mestre em continuar a aprender.
Alexandra Oliveira Matos