6 tracks que escutámos na produção do ReB

[Foto]: ©Direitos Reservados

Construir um website é tarefa doce no primeiro e último momentos. A abrir estão as ideias, mentes a fervilhar de infinitas possibilidades para oferecer à comunidade que nos virá a ler; no fim está o derradeiro suspiro de alívio depois de meses de trabalho, incontáveis trocas de emails e de batalhas contra bugs. Ou seja, a fase do desenvolvimento requer uma boa vacina sonora, para que a motivação se mantenha lá em cima e não andemos todos à chapada durante um processo tão stressante como erguer uma casa de cultura hip hop e sons emergentes.

É com este mote que partilhamos com os nossos ilustres leitores meia dúzia de tracks que nos ajudaram a manter o equilíbrio. Umas mais amenas, de digestão tranquila, outras mais duras, de punch, de noites obscuras na cidade. No fim, todas elas representam um pouco da equipa do Rimas e Batidas. Façam favor de entrar neste nosso mundo.

 


 

[Wati Heru] – BKWYA
(Self-Released, 2015)

Wati Heru é um MC de Brooklyn apostado em recolocar o distrito nova-iorquino na órbita dos grandes núcleos de produção hip hop da Big Apple. Convém não esquecer que tal é uma tarefa grandiosa, ou não tivessem emergido daquelas ruas rappers como Jay-Z, Biggie, Big Daddy Kane, Mos Def e Talib Kweli. Em todo o caso, “BKWYA” (Brooklyn Where You At) é uma chamada de atenção para o que de novo está a surgir na zona oeste de NY. E a coisa até promete. A produção de Kashaka é minimalista, tem ecos cristalinos que se agarram aos ouvidos, e o flow solto de Wati Heru puxa-nos para uma noite onde tudo pode acontecer nas streets de Brooklyn. “BKWYA” está no EP Dystopia FM, lançado o mês passado.


 

[Regula] – Casca Grossa
(SUPERBAD, 2015)

O rapper-barbeiro diz que a fórmula do sucesso passa por ter casca-grossa, não ter medo de trabalhar nem de ser resiliente. O disco saiu há poucas semanas e é o trabalho mais equilibrado de Regula, que não perde o ADN de Chelas (onde tem a sua nova barbearia) e Catujal (bairro que o viu crescer). Sem papas na língua, e com Holly-Hood, Groove Punch, Here’s Johnny e Last Hope a assumirem as despesas da produção, o rapper conta histórias do bairro, de dinheiro, jóias, estupefacientes e de mulheres, sem política e sem crítica social – apesar da presença de convidados dessa escola, como Sam The Kid ou Valete. Não é esse o seu rap e essa é uma das maiores virtudes no seu hip hop: Regula soube criar o seu espaço em Portugal e notabilizou-se nessa arte do gangsta rap à portuguesa, de casca bem grossa.


 

[Pearl River Sound] – Imagine
(Meda Fury, 2015)

Pads abertos e longos, lindíssimos, a sugerir o infinito e a animar estruturas rítmicas house e techno simples, tal como era no início. A melodia honesta e expansiva que percorre, em loop, dedicadamente, faz-nos sonhar com uma dignidade da condição humana que todos os dias nos vendem como utópica e inconveniente – tipo Agostinho da Silva a brincar com máquinas de ritmos da Roland, samples e um teclado digital Yamaha DX7.

Pearl River Sound é, no entanto, o pseudónimo do italiano Roberto Semeraro que, após ter lançado trabalhos em cassette na americana Further Records e na sua própria Indole Records, se estreia assim em vinil através da editora Meda Fury – subsidiária da lendária R&S que conta com os ouvidos atentos de Nick Williams (Phonica) para o trabalho de A&R. Todo o disco é incrível porque adere a esta noção simples de audição da música enquanto evento experiencial com potencial emancipador – algo que partilha com a grande maioria da melhor música de dança – e não apenas como comunicação/celebração de conceitos.


 

[Borvoe McMidnite] – M.Y.M.F.M
(Self-Released, 2014)

Borvoe McMidnite, apesar do nome estranho, é um MC que tem mostrado novas provas de progresso a cada mês de Julho, desde 2012, com cada uma das partes da trilogia Mr. 3º Burns (totalmente disponível no Bandcamp. Dotado de constatáveis skills no fast rap, aquele que também é conhecido como MC of the Night precisou apenas de uma faixa em certa rádio da live365.com para nos deixar bastante entusiasmados. A fabulosa malha “M.Y.M.F.M.” tem tocado regularmente desde aí e obriga-nos a ficar atentos aos passos de Borvoe McMidnite.


 

[Ahnnu] – Perception
(Leaving Records, 2015)

Como álbum que se escuta em modo de diluição sonora, Perception revela arte e engenho perto do nível dourado dos melhores neste campo – Flying Lotus, Actress ou Shackleton. Das colagens de field recordings até ao transe submerso que percorre cada canto neste caderninho de esboços, a linguagem desenvolvida por Ahnnu poderá soar no entanto mais esfíngica que nunca. Se o anterior World Music resumia de modo notável um estilo resultante do laboro de vários anos, esta nova investida guia-se pelo encontro de fantasias e magias apenas possíveis a partir de um iluminado estado de letargia. São muitas as surpresas que acontecem por detrás de uma aparente força estática e esse acaba por ser o trunfo maior deste portal de realidades múltiplas.


[Kendrick Lamar] – King Kunta
(Top Dawg Entertainment/Aftermath, 2015)

King Kunta do novo trabalho de Kendrick Lamar é um bulldozer, uma bigorna que esmaga tudo quando se carrega no play. Até o cansaço. Houvesse uma versão de 45 minutos e essa poderia ser a banda sonora perfeita para uma corrida capaz de bater recordes. Só uma das amostras do génio exposto em Chular Uma Borboleta…!

ReB Team

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