TAY: “A música agora é uma coisa a sério para mim”

[TEXTO] João Daniel Marques [FOTOS] Beatriz Santos

TAY é uma das novas estrelas em ascensão na música portuguesa. Para quem nunca ouviu falar, a maneira mais fácil de o descrever é “Chris Brown da Tuga”, e não é por acaso: o artista americano é uma das suas grandes referências.

Se existem dúvidas sobre o seu impacto precoce, o que aconteceu a seguir a esta entrevista ajuda a esclarecer: conversas com dois dos maiores canais de televisão nacionais. Se isso não é sinónimo de popularidade, então não sabemos o que seja.

Com três singles disponíveis no seu canal de YouTube, Tiago Amaral conta apenas 19 primaveras e, neste momento, prepara o seu EP de estreia pela Sony Music Entertainment Portugal. Ainda com bastantes arestas por limar, é inegável que reúne uma série de condições inatas que lhe auguram um futuro risonho.



Começamos pelos básicos. De onde vens, quando começaste a fazer música, essas coisas…

Sou de Lisboa, mas estou a viver no Seixal. Tenho 19 anos, comecei a fazer música com 18, mas a música esteve sempre presente na minha vida. A dança levou-me a gostar muito da essência da música, que está todos os dias comigo, nem que seja a consumir.

Pois é, tu danças nos teus videoclipes. Como é que aprendeste?

Aprendi por gosto mesmo. É o YouTube, é querer saber mais, melhor e mais estilos. É estar a ver os vídeos até chegar aquele nível em que nós estamos a ver o vídeo e pensar, “já consigo fazer isto”.

E o gosto pela dança vem quando? Em simultâneo com a tua carreira musical?

No meu caso veio primeiro a música e depois a dança. 

Há uma coisa que os teus novos fãs são capazes de não saber. É que estas não são as tuas primeiras músicas, tu já tinhas dois temas no YouTube, que alguém inclusive pôs numa página tua de Wikipedia, não sei se sabias.

Pois, aquilo está lá uma página de Wikipedia muito esquisita. Diz lá que eu sou uma “cantora”. Estão lá algumas falhas [risos]. Não fui eu que fiz.

Mas tu tinhas dois temas antes destes que estavam a bombar. O teu terceiro single saiu a semana passada, ainda não tem os mesmos números, mas não me parece que fique longe. Também só saiu há duas semanas.

Sim, saiu no dia 12. As outras duas músicas anteriores a tudo isto eram claramente estilo trap. Isso é porque eu estava dentro da comunidade trap desde o ano passado. Orientava já o It’s a Trap, que é aqui em Lisboa e tem vários cantores.

Mas qual era o teu papel no It’s a Trap?

Eu “trabalhava” na dança. Dançava nos espectáculos e mesmo no meio. Quis experimentar entrar na cena e fazer a minha música, acabei por fazer duas. Relativamente ao “apagar”, muita gente diz que eu apaguei os outros dois sons do meu canal, mas o que aconteceu foi que eu recebi um aviso do próprio YouTube. Como fiz uma música na brincadeira, completamente amador, os beats não eram meus… então pronto. Houve aquele expose no YouTube e foi tudo apagado. Mas há people que está comigo desde sempre e até agora está sempre a implicar com isso [risos]. Foram erros de principiante e peço desculpa por isso.

Mas quando isto aconteceu eu também aproveitei para mudar. Eu queria entrar na música e de certa forma fui empurrado para ali pelo meio em que estava inserido. Porque a verdade é que a minha vibe foi sempre r&b, hip hop; as minhas inspirações o Chris Brown, o Michael Jackson… Sempre quis mostrar um pouco mais. Queria criar a minha própria cena, como fiz agora.

Portanto, tu começaste a fazer trap porque era aquilo que te rodeava, então mas o que é que despoletou tudo isto de dizeres “bora fazer r&b e hip hop’?

Basicamente surgiu no meio de uma lesão. Eu jogava basquetebol e para mim era sempre desporto, desporto, desporto, mas a música estava sempre lá! Entretanto fiz [as músicas mais] trap, em Setembro e foi pouco depois que me eliminaram as músicas. Foi mais ao menos quando me lesionei e decidi tentar fazer o meu estilo.

Também tinha conhecido o Dylan há pouco tempo, que era meu vizinho. Eu convidei-o um dia para ir a minha casa e acabámos por fazer o “Pensa Bem” no meu quarto. Fizemos basicamente o esqueleto todo, a guitarra e tudo. Tudo normal. O beat veio da guitarra e claramente que depois foi tudo estruturado, mas a letra a ideia e o beat estava já tudo. Em Janeiro estava tudo pronto e a música escrita. Achei que estava fixe e pusemos um vídeo no insta a perguntar ao pessoal se queriam que fizéssemos uma coisa como deve de ser. Eles curtiram bué e o vídeo começou a ter 30, 50, 60, bateu 80 mil views no insta… Então decidimos experimentar. Gravámos e saiu o “Pensa Bem” que a malta ouve por aí agora.

Mas tu dizes que fizeste aquilo no quarto. O tema está muito bem produzido, não fizeste tudo no quarto.

Não, não! Depois o Mizzy Myles, que eu conheço há alguns meses, deu-me o toque. Ele já queria que eu fosse trabalhar com ele e com o grupo dele antes de tudo, ainda não tinha eu gravado nada, mesmo antes dos dois sons que foram apagados. Fomos ao estúdio dele, conhecemos o engenheiro dele – o Costa – e tornámo-nos uma team.

Diz-me uma coisa. Começaste a fazer música em Setembro e de repente tens mais de 10 milhões de visualizações no YouTube. Isto é a população de Portugal… como é que é passares de dançarino com uns sons por “piada” para os 10 milhões?

Eu penso sempre que há muito pessoal que já está cá há anos, e o meu trabalho para o pouco tempo que tem já está a atingir estes número… eu fico grato, muito grato por isso, e o meu objectivo só pode ser dar o máximo, manter os números a crescer e não vir para baixo. Mas estou muito à toa [risos], fico mesmo muito à toa. É magnifico e incrível. O pessoal já sabe as músicas, já gosta deste estilo novo que eu trouxe a Portugal, porque praticamente é uma coisa que eu acho que não tem, e espero fazer mais.



Isso leva-nos para outros campos. Estavas a dizer que em Portugal, e mesmo fora de Portugal, não há assim ninguém parecido com o teu estilo. Onde é que tu achas que a tua música encaixa? Ou seja, quem é que são os artistas circundantes à tua música?

Em Portugal, e assim em vozes, no meu flow e estilo, talvez o GSon porque ele consegue fazer aquele rap cantado. A Carla Prata também anda por aqui. Mesmo a Nenny que entrou e que já é um sucesso… mas não estou a ver muitos artistas portugueses como a mesma vibe, descaem sempre algo mais para o hip hop.

Os teus dois vídeos com mais views foram com o Dylan, que me disseste que era teu vizinho. Elabora um bocado esta questão, se fazes favor…

O Dylan é uma pessoa muito fechada. Estava há um ano cá em Portugal, porque ele é de Londres, mas eu só o conheci há coisa de seis meses. Quando eu lhe disse que jogava basket ele foi lá jogar connosco, ao pé de minha casa. É um daqueles campos onde muito people vai, encontram-se lá e fazem jogos e assim. Ele disse que não conhecia muito bem a zona e eu, que gosto de receber pessoal, disse-lhe que viesse comigo que o apresentava por aqui. Ele conheceu a minha team e o people da dança. Agora temos uma team muito forte de dança e na música porque o Dylan faz parte dos  rapazes.

Mas ele tinha alguma ligação anterior à música?

Ele tocava viola só.

E entretanto têm duas músicas juntos que somam mais de 10 milhões de views no YouTube…

Até agora nós ficamos no meu quarto a pensar, “e agora? Temos que fazer mais!”

No meio disto tudo como é que entra a Sony? Tu lanças dois temas, são retirados do YouTube, vem o “Pensa Bem” e logo a seguir a Sony, certo?

Exactamente. Acreditaram em nós. Viram que o trabalho era diferente e ficaram interessados. A Sony é uma grande distribuidora… eu fui com o Mizzy Myles para a reunião e falámos que isto era um bom passo para o lançamento de uma carreira, e que era uma grande ajuda. Isto porque ter um hit e não saber como lidar… eu sou novo e não percebo muito bem a indústria ainda. O Mizzy já está por dentro.

No meio disto tudo, e quase paralelo à tua carreira, tens aquele vídeo, o “Boiado”.

Isso foi um convite dos Putzgrilla. Eles tinham o beat e era para patrocínio da Jägermeister, que é uma bebida. Eles mostraram-me o beat e curtiam da minha cena, e eu já conhecia a dançarina deles, a Carla. Foi tudo muito fácil. Eles vieram ao nosso estúdio, fizemos tudo em uma ou duas horas.

E gravar o vídeo?

[Risos] Gravar o vídeoclip foi drena, fácil, nem houve muita dificuldade. Foi diversão!

Tu tens três singles, o último é o “#Tiponada”. Como é que surge este tema e esta colaboração?

Tem várias misturas. Eu lancei o “Pensa Bem” e depois o “Não Preciso”, e com os números que estamos a atingir até a team está tipo “whoa!”. O “#Tiponada” descreve a diversão com os rapazes e tal, mas o verdadeiro significado da coisa é “eu tive isto tipo nada”, percebes? A colaboração do João Sousa é porque já somos bons amigos, há coisa de seis meses que temos viajado para o Porto e para as viagens de finalistas, numa de conviver. Ele é um daqueles YouTubers engraçados e queria entrar na cena. Eu mandei-lhe o beat, ele curtiu do som e disse-me que tínhamos de fazer aquilo da melhor forma. Veio a Lisboa de propósito para vir ao nosso estúdio e gravámos a música. Até porque o people queria que eu fizesse uma colaboração assim engraçada.

Falando nas colaborações. Dentro da Sony há um leque de artistas interessantes na tua onda, mesmo dentro dos nomes que disseste há pouco. Há alguém com quem queiras colaborar e que aches que fosse um “perfect match”?

Eu curtia muito de trabalhar com a Bridgetown. O Mishlawi e o Plutonio, sempre. Não sou muito de pensar nestas coisas, até porque agora o meu objectivo é fazer os meus singles e apresentar mais trabalho. Até para o pessoal não dizer ‘ah, ele só fez três sons, anda a a brincar’. Não. A música agora é uma coisa a sério para mim, tenho de construir uma fanbase e o TAY é o TAY que veio para ficar.

Então podemos esperar mais singles. Um EP a caminho, talvez?

É capaz! Vai sair, vai sair! Isso eu confirmo!


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