Skepta no NOS Primavera Sound: o furacão grime passou no Parque da Cidade

[TEXTO] Alexandre Ribeiro e Rui Correia [FOTOS] Hugo Lima

Voltamos ao Reino Unido – ainda se recordam do “caos controlado” causado pelos Sleaford Mods? – , mas num registo muito menos politizado, com Skepta no palco Super Bock. Aviso de furacão no Parque da Cidade?

A estreia de um nome de referência do grime no NOS Primavera Sound foi um acontecimento recebido em apoteose. Na linha da frente a “energy crew” encarregou-se de manter Skepta o mais activo possível e nem sempre o contrário sucedeu. Konnichiwa foi o álbum que serviu de combustível para uma actuação explosiva. A faixa homónima do disco abriu a performance, mas “That’s Not Me” foi o primeiro aviso de que o mosh iria ser algo recorrente neste concerto. Grime e punk a aproximarem-se, e não só geograficamente, neste festival.

 


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Num registo clássico de MC e DJ – vénia ao DJ Maximum – , o co-fundador da Boy Better Know desfilou os bangers do álbum editado em 2016, o trabalho mais bem conseguido da sua discografia. “Numbers”, “Lyrics”, “Crime Riddim”, “It Ain’t Safe” são exemplos de grime refinado, “pratos gourmet” de um género que nem sempre foi compreendido.

Apesar do público reagir em êxtase a quase todos os momentos, nem tudo foi bom: a voz do artista esteve (quase) sempre sofrível e houve momentos em que o instrumental engoliu totalmente as palavras que ia “cuspindo”.

Os desvios de Konnichiwa foram feitos através de singles soltos como “No Security” ou faixas de outros artistas em que entra, como é o caso de “Skepta’s Interlude”, tema de More Life, playlist de Drake. As escolhas para o alinhamento são acertadas, um dos pontos positivos da actuação.

 


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Metade do concerto sozinho e outra metade com Shorty, companheiro da BBK que esteve na penumbra durante metade do set, mas que, quando entrou, elevou o nível da actuação com o apoio crucial que faltava a Skepta em cima do palco.

Truss me daddy“. Já sabíamos o que isto significava: “Shutdown” no Porto para gáudio do público. No entanto, o grande hit da carreira de Joseph Junior Adenuga não foi o momento mais celebrado da noite, ao contrário do que muitos pensavam. “Man”, que sampla “Regular John” dos Queens of the Stone Age, encarregou-se de fechar com chave de ouro uma actuação que esteve sempre no pico máximo de energia.

 


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Enquanto cumprimentava os fãs que estavam na linha da frente, DJ Maximum encerrou de vez a questão com “Magnolia”, banger de Playboi Carti. Nem de propósito, e trocando uma cidade icónica por outra com as mesmas qualidades, cantamos: “In Porto I Milly Rock”.