Sleaford Mods no NOS Primavera Sound: Isto é lo-fi britânico, f**k off

[TEXTO] Rui Correia [FOTO] Pedro Mkk 

Aquele que era conhecido como o palco ATP e desde o ano passado denominado palco ‘.’, oferece a música mais alternativa do festival, o “diferente” com tendência para se encontrarem os nichos mais bem aceites pela crítica especializada. É o caso de Sleaford Mods, um duo espécie de punk/lo-fi/spoken word. Chamem-lhe o que quiserem. A expressão da dupla formada por Jason Williamson (na voz) e Andrew Fern (na produção) traduz um som enraivecido de uma classe proletária britânica habituada a descomprimir a sua condição precária em pubs.

A rebeldia revelada ao vivo é kitsch e minimal num formato de concerto que poderia ser descrito como “um monólogo de um louco” e ser colocado como performance artística no Serralves em Festa. Ser introduzido a meio disto pode dar em frases soltas do público como “há um que canta e outro que dança?”, tal é o espanto e falta de noção sobre o que está a passar. Efeitos de um niilismo descarado e sobressaltado do palco que aponta “F**k off” a tudo o que os rodeia, num acompanhamento constante de beats com ritmos 4/4 e baixos distorcidos, que parecem ter sido elaborados em 5 minutos no Reason.

A certo ponto, esta repetição é o grande virtuosismo do grupo. Apesar de, aparentemente, poder ainda levantar suspeitas de que isto é fácil de ser feito, essa assumpção não poderia estar mais errada. O quão difícil é tornar o simples e repetitivo, acessível e viciante. É verdade que o esforço parece ser nulo por parte de Andrew – não passa de segurar uma cerveja numa mão e carregar play na outra -, enquanto que Jason é um verdadeiro monstro de palco – incansável a esbracejar, a lançar farpas e onomatopeias (de ovelhas e cães). Conclusão: uma dualidade que tem tudo para comprometer um projecto, mas que neste caso funciona incrivelmente. A paz no meio da loucura.

O público responde positivamente e em crescendo a esta odisseia que repudia conformismos. O set não deixou nenhum dos álbuns de fora, incluindo temas como “Mr. Jolly Focker”, “B.H.S” do mais recente disco English Tapas e a acabar “Tied Up In Nottz”, de Divide and Exit. Com um discurso simplista, o concerto terminou num incentivo a #prayforBritain. Corrosivos sem ideologia até ao fim.

 


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