Skepta no Lisboa ao Vivo: Grime de pouca dura

[TEXTO] Miguel Santos [FOTOS] Hélder White

“Foi fixe, tranquilo”, ouvia-se à saída do concerto de Skepta no Lisboa ao Vivo. Uma reacção descontraída, quase inconsciente para um espectáculo modesto que nunca nos deixou parados. Joseph Adenuga actuou em Lisboa para uma sala esgotada naquela que foi a segunda paragem da sua tour SK Level. O rapper britânico veio acompanhado pelo drill acelerado de LD, do trap londrino de Lancey Foux e do grime de Frisco. A noite fria de Lisboa foi escalando e culminou com a actuação de Skepta, um concerto carregado de luz num sol de pouca dura.

Depois de alguns êxitos do hip hop actual entreterem as pessoas que ocupavam metade da sala — DarkSunn ficou encarregado do aquecimento –, Lancey Foux surgiu cheio de energia, fresco da sua colaboração com Skepta e pronto para apresentar Pink II, o seu novo EP. Mas o seu concerto foi marcado por mais gravação que versos do rapper, mostrando o seu trap com sotaque britânico em pouco tempo. Seguiu-se LD, membro de 67, uma das crews emergentes de música drill britânica, de máscara no rosto e capuz a esconder as rastas, com ar ameaçador e energia para pouco mais do que algumas músicas do seu novo projecto The Masked One. Frisco fechou o alinhamento e a partir deste momento a sala estava cheia, pronta para o verdadeiro grime.

O companheiro de longa data de Skepta na editora Boy Better Know trouxe a força do grime de volta para o espectáculo e foi a introdução perfeita para o concerto que se seguiu. Skepta entrou a matar com “Praise the Lord (Da Shine)” e “That’s Not Me”, a abrir o concerto deslumbrando com versões mais curtas e menos brilhantes de algumas das suas “jóias da coroa”. Konnichiwa e o EP Vicious foram os mais representados mas Skepta não se esqueceu dos seus fãs de longa data. “Where my old school fans at?” entoou antes de soar “Ace Hood Flow”, tema intoxicante que deixou o público a gritar pela BBK e o seu artista mais mediático.

 



“Energy (Stay Far Away)” acalmou os ânimos durante pouco tempo antes de “Crime Riddim” agitar a sala lotada. “Neighborhood Watch” aproveitou essa energia e Skepta chamou a palco LD, que também participa na música para uma interpretação possante. Mas o momento mais poderoso da noite veio com “Man”, com uma intensidade fervorosa adequada ao sample de guitarra electrizante e cortante de Queens of the Stone Age que se ouve na batida. “Alright, lisbon, you’ve been fucking sick, make some noise for yourselves”, disse Skepta antes de agradecer com “Shutdown”, palavra e (e, em alguns casos, tema) entoado pelo público de forma calorosa.

O concerto terminou com um estrondo suave — “Pure Water” foi a despedida. O público ainda tentou de forma entusiástica que Skepta mudasse de ideias: os fãs entoaram o nome dele a bom som, mostraram um apoio avassalador com palmas e gritos, lutaram para que o artista voltasse, mas não tiveram sucesso. O entusiasmo é compreensível, queriam ouvir mais músicas e menos versões curtas. Foram quase vinte músicas disparadas de forma praticamente ininterrupta. Skepta não apaziguou corações, simplesmente aconchegou-os. Mas deixou uma boa memória para reconfortar a mente enquanto esperamos pela sua consagração a solo em Portugal.

 


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