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Texto: ReB Team
Fotografia: Marta Pina

Consciencializar, agir e mudar.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Nídia, LA Priest, Sonic Boom, Armand Hammer, Flatbush Zombies e naive

Texto: ReB Team
Fotografia: Marta Pina

Esta ronda de lançamentos é, em quatro dos seis casos, uma forma de contribuir para a consciencialização do que significa ser negro num mundo que não facilita, nem um bocadinho, esse caminho. Já sabem: ajudem no que puderem, ajam onde conseguem e é mais preciso e iluminem aqueles que se ainda se refugiam em preconceitos.


[Nídia] S/T

Desta vez, a Príncipe Discos cita a escritora francesa Marguerite Yourcenar. “Pouquíssimos homens e mulheres existem por si mesmos, têm a coragem de dizer sim ou não por si mesmos.” O caso é diferente com Nídia, por seu claríssimo e próprio direito, que há duas semanas nos remeteu um pedido: Não Fales Nela Que A Mentes, o seu segundo longa-duração.

Para contrapor a esse conjunto mais reflectivo de canções, em marcha lenta, o EP hospeda quatro bangers que operam a simbiose entre a batida e o trance. Para uma comunhão à distância: “O covid veio para nos ensinar que sem o outro não somos ninguém”, disse também à imprensa. “Desde que parei de julgar e odiar seres humanos, a minha vida ficou mais colorida como a bandeira LGBTQ e firme como o punho de Martin Luther King”. (O vinil não é pintado à mão, mas vem com dois autocolantes aleatórios.)


[LA Priest] GENE

LA Priest – assim se baptizou Sam Eastgate quando renasceu a solo – parece ter uma predisposição genética para o groove hiperactivo. Provou-o em adolescente, com a banda de nu rave Late of the Pier; tonificou esse músculo em Inji, o seu disco de estreia, editado em 2015.

Cinco anos depois, o título do novo álbum não está a piscar o olho a esta musicalidade biológica. GENE é a caixa de ritmos que Eastgate soldou e afinou com as próprias mãos: uma criatura metálica livre para errar um tempo e soar humana. Uma colecção de funk cinético feita em dois anos de proto-quarentena, nas montanhas do norte do País de Gales.


[Sonic Boom] All Things Being Equal

Ser um dos membros fundadores dos Spacemen 3 – a sua psicadelia de guitarras foi seminal na música shoegaze, por exemplo – foi só o princípio para Peter Kember (que também criou os E.A.R.). Exercer funções de produção em discos de MGMT, Panda Bear, Beach House, ou tocar em palco com Stereolab e Yo La Tengo são décadas de carreira entre as quais o seu trabalho a solo, enquanto Sonic Boom, é uma ultra-raridade.

All Things Being Equal é o seu segundo álbum, exactamente 30 anos depois da estreia com Spectrum. Um elenco instrumental de luxo, um som ponderado para contar histórias sobre “memória, espaço, consumismo e consciência”.


[Armand Hammer] Shrines

“Tal como muitos dos melhores álbuns de 2018, Paraffin é uma meditação alargada sobre o que é ser negro na América”. As palavras eram de Tom Breihan, na Stereogum, mas podiam ser de qualquer publicação atenta ao rap nesse ano. O terceiro disco de Armand Hammer, duo composto pelos rappers Billy Woods e Elucid, recebe agora um sucessor cuja capa (obrigatório ver) indica o mesmo vértice político.

Shrines é rico em ostinatos e colaborações, desde Moor Mother até à recém-descoberta KeiyaA e ao consagrado Quelle Chris. “A nadar em ritmos erráticos”, com “rimas a patinar por cima do abismo”, assim se descreve em comunicado mais uma prova atlética deste duo de Nova Iorque.


[Flatbush Zombies] now, more than ever

O tempo é precioso e as vidas que se têm perdido também. O grupo nova-iorquino Flatbush Zombies sabe-o melhor do que ninguém e decidiu contribuir para as batalhas actuais (uma bem mais antiga do que outra…) com um novo EP que vai buscar um título que não podia ser mais apropriado: now, more than ever.

Este projecto do trio sucede a Vacation In Hell (2018) e Escape From New York (2019, em colaboração com a Pro Era e The Underachievers).


[VA] No Justice No Peace

A morte de George Floyd às mãos de um polícia desencadeou uma reacção a nível mundial que se tem feito sentir das mais diferentes maneiras. Por aqui, no Rimas e Batidas, criámos um guiapara quem não sabe por onde começar na altura de ajudar e reflectimos sobre as ligações entre o panorama português e o americano.

Esta sexta-feira, o Bandcamp volta a assumir uma posição (podem encontrar toda a informação aqui). A Internet decidiu reagir em conformidade e mobilizou-se para se unir à plataforma de música, criando documentos que facilitam o acesso às obras de autores negros. Dois exemplos são o “1000+ Black Producers / Artists / Labels for Bandcamp Day” e, em português, “COMUNIDADE NEGRA CPLP NO BANDCAMP“.

Quem também se juntou à luta contra o racismo foi a naive, editora fundada pela DJ e produtora Violet. A compilação No Justice No Peace reúne 17 temas (BLEID, Maria Amor, Photonz, Shcuro, Luar Domatrix e Odete são alguns dos nomes que contribuem) e o valor das vendas será entregue, na totalidade, a organizações anti-racistas.

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