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Fotografia: Diogo Carvalho
Ilustração: Diogo Carvalho

Até quando?

#BlackLivesMatter: um guia para doar, assinar, ler, ver e ouvir

Fotografia: Diogo Carvalho
Ilustração: Diogo Carvalho

George Floyd foi assassinado pela polícia dos EUA. Não foi o primeiro homem negro a sê-lo, não será o último.

O pouco ar que existe tornou-se irrespirável, e o movimento #BlackLivesMatter está a recuperá-lo. Também o Rimas e Batidas quer dar oxigénio à comunidade negra, à qual tanto deve – e o Alexandre Ribeiro já escreveu um editorial obrigatório sobre Floyd e a necessidade de protestos não pacíficos. Neste momento, a solidariedade está concentrada nos movimentos afro-americanos, mas nunca deve excluir os restantes movimentos negros da sua consciência, muito menos o orgulho queer – cuja celebração neste mês de Junho foi uma conquista sua também.

Sem rodeios: é necessário refrescarmos a nossa própria consciência, transmitir a palavra e ajudar a derrubar preconceitos junto de quem amamos. Partilhar posts sentidos do Twitter e do Instagram ajuda nesse sentido – mas não apoia de forma tangível a comunidade negra, que está a ser presa, silenciada e mutilada nas ruas, com ajuda da brutalidade policial. Para quem o pode fazer, é urgente considerar doar dinheiro a causas como aquelas que denotamos abaixo, assinar as petições que vos fizerem mais sentido, adquirir a arte de criadores negros, partilhar tudo isto com o mundo…

É altura de fazermos o que conseguirmos. Não basta não ser racista, há que ser anti-racista activamente.


[Doações]

O sistema de fianças pagas afecta as comunidades negras e as franjas mais vulneráveis da população norte-americana. Cada fiança, na ordem dos milhares de dólares, é um obstáculo à presunção de inocência, que deixa de ser válida para quem é silenciado atrás de barras.

  • Neste link, podem encontrar 39 fundos com o objectivo de pagar fianças aos manifestantes, que estão a ser presos em massa. Existe também um directório geral, em que é possível ver um fundo por cada estado norte-americano.
  • É fundamental considerar os bail funds para presos LGBTQ e transgénero. Para muitos manifestantes, a identidade queer junta-se com a etnia e resulta numa desprotecção legal assustadora.

Há muitos mais sítios para onde doar, incluídos nesta corrente do Twitter: seja para instituições ou para indivíduos em particular.


[Petições]

  • Numa linha pragmática, importa muito assinar as petições que questionam o Governo e lhe pedem justiça. Podem encontrar uma lista completa aqui.
  • Sublinhamos as petições que exigem responsabilidades pelas mortes de George Floyd, Breonna Taylor (morta na própria casa pela polícia de Louisville) ou João Pedro (rapaz de 14 anos, assassinado pela polícia do Rio de Janeiro).
  • Outra petição pede o fim do uso de balas de borracha que são desferidas contra manifestantes.
  • Para quem quer imaginar um futuro livre de racismo, é importante considerar o impacto da História. A forma como é leccionada na escola portuguesa é um entrave ao anti-racismo: há manuais escolares no sexto ano a falar de “escravos” como um “produto de grande valor”, na mesma categoria que ouro e marfim. A petição da nossa Alexandra Oliveira Matos pretende levar esta questão ao Parlamento, para erradicar o mito do “bom colonizador português”.

[Portugal]


[Artigos]


[Canções]

Antes de passarmos aos longa-durações, uma curta lista de inspirações em breves minutos. a atravessar todo o horizonte da criatividade negra. Convocar as armas, em 10 canções.


[Discos]

Porque a nossa zona de conforto também serve para destabilizar, recorremos à música em longa-duração. Uma discografia básica para entender a história da opressão e da resistência afro-americana, de mãos dadas com a libertação queer, até porque estamos em Junho – mês do orgulho LGBTQIA+. E se a luta não for interseccional, de que vale?

Discos como os de Damon Locks, Irreversible Entanglements, Matana Roberts, Moor Mother ou Pink Siifu estão disponíveis para compra no Bandcamp. Ao longo do dia 19 de Junho, as receitas da plataforma revertem a 100% para o NAACP Legal Defense Fund, que canaliza serviços jurídicos para alcançar a “justiça racial”.


[Livros]

Ler é cultivar o espírito. Ser anti-racista passa por ouvir relatos de vida, denúncias e manifestos escritos na primeira pessoa, por quem sofre diariamente. Podem tentar a vossa sorte no mercado de segunda mão ou na Rede de Livrarias Independentes.

  • Mumia Abu-Jamal foi condenado à pena de morte em 1978, pelo alegado homicídio de um polícia de Philadelphia, devido à sua associação com o grupo de libertação negra MOVE. Embora essa pena tenha sido suspensa, Abu-Jamal está em prisão perpétua, de onde tem desenvolvido uma bibliografia extensa, incluindo Ao Vivo do Corredor da Morte.
  • O trabalho da jornalista Joana Gorjão Henriques tem focado questões raciais e cultura. Já publicou Racismo no País dos Brancos Costumes ou Racismo em Português: O lado esquecido do colonialismo.
  • Grada Kilomba é descrita em sintonia com Frantz Fanon e bell hooks, na reflexão sobre “memória, raça, género, pós-colonialismo”. O seu livro Memórias da Plantação tem também uma exposição digital para acompanhar.
  • Como se vive “dentro de um corpo negro, dentro de um país perdido no Sonho”? É essa a questão a que Ta-Nehisi Coates procura responder em Entre Mim e o Mundo.
  • Esta corrente de livros gratuitos no Twitter é altamente recomendável.

[Filmes, documentários e séries]

Por último mas não menos importantes, o cinema e a televisão são ferramentas poderosas de eloquência e documentação. Nos exemplos que assinalamos, plasmam realidades e fantasias de conquista, emancipação e júbilo – mas também o preciso contrário. O choque visual é também uma ferramenta para ganhar empatia e poder agir.


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