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Texto: ReB team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 15/05/2026

Leg day.

Sexta-feira farta: novos trabalhos de Drake, Nenny, Real GUNS, ProfJam, Macacos do Chinês, Miguel Torga e Jeff Parker

Texto: ReB team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 15/05/2026

De nada servem uns bíceps massudos e uns abdominais esculturais se não existirem pernas suficientemente fortes que os sustentem quando for preciso caminhar. Hoje é leg day na academia dos lançamentos musicais, com muitos artistas a mostrar argumentos capazes de lhes solidificar os respetivos trajetos — sejam eles pop stars, aspirantes a vedetas ou militantes dos circuitos mais alternativos. Que o diga Drake, que contribuiu com nada mais, nada menos do que três discos para a habitual rubrica semanal do Rimas e Batidas, dando um forte sinal de que o seu nome ainda rima com “trono”.

Há nove projetos em destaque e dissecados nos parágrafos que vão poder ler a seguir, mas atentem também nas valiosas corridas que estão a fazer Sheka (MAU OLHADO), Bárbara Tinoco (Hormonal), Noah-O (HERECTIC), Martyn (Music for Existing), Dua Saleh (Of Earth & Wires), Genesis Owusu (REDSTAR WU & THE WORLDWIDE SCOURGE), Tamikrest (Assikel), Smerz (Easy EP), leroy (status update music), Cocanha (Flame Folclòre), GIVĒON (BELOVED: ACT II), Nick Grant (Smile), Tank and the Bangas (The Last Balloon), The MerKaBa Brotherhood (The MerKaBa Brotherhood), Kwes Darko (God of the Youth), Jasmine Myra (Where Light Settles), Maluma (Loco x Volver), BNYX® (GENESIS FM), Graham Reynolds (The Portcullis), PawPaw Rod (Picture Day: A PawPaw Rod Album), SALEM (Red Dragon), Ital Tek (Mind Abandon), LUCKI (Dr*gs R Bad), Eluvium (Virga III), Nite Bjuti (minwi), Parris (Drippin’ EP) e Planetary Assault Systems (Planetary People).


[Drake] ICEMAN / HABIBTI / MAID OF HONOUR

Depois de vários avanços e recuos, Drake voltou aos discos e de forma bem generosa — em dose tripla. ICEMAN, HABIBTI e MAID OF HONOUR mostram três facetas distintas do rapper canadiano e abraçam a época pós-conflito com Kendrick Lamar, procurando reforçar o seu estatuto como estrela máxima do rap mundial com malhas de alto teor de replay value e várias gotas de veneno dirigidas a uns quantos oponentes. Em quase três horas de música, Drake pinta-nos um retrato da sua mente nestes últimos e conturbados anos da sua carreira — dos episódios amorosos aos momentos de caos nos bastidores da indústria —, recebendo pelo meio convidados como Central Cee, Future, Sexyy Red, PARTYNEXTDOOR ou 21 Savage.


[Nenny] ID

Sete anos depois de se ter dado a conhecer ao mundo com o viral “Sushi”, e com um par de discos mais inúmeros singles editados entretanto, Nenny apresenta-nos o seu primeiro cartão de ID em forma de álbum. Nas suas 15 faixas, cada batida impulsiona um leque de traços biográficos que funcionam como um atestado de pertença, dando vida a um documento sonoro que recusa fixar-se numa só coordenada geográfica ou estética. O projeto desdobra-se como um território onde a diáspora negra e a herança cabo-verdiana se entrelaçam em melodias, rimas e flows inspiradas pela grande metrópole que é Lisboa. Composto com as ajudas de criativos como Luar, LEFT. ou Gui Salgueiro, ID brilha ainda mais alto graças aos contributos de algumas features de peso, como são os casos de Lura, Wet Bed Gang, Jotapê, Carla Prata, Bispo ou Bluay.


[Real GUNS] Fela

Mais do que um tributo a um dos mais importantes músicos de todos os tempos do continente africano, Fela assenta num exame à própria consciência de Real GUNS, que escava por camadas mais profundas do que a sua própria origem para se deixar guiar pelo legado do afrobeat, mas recusando curvar-se ao gesto da mera cópia. Aqui, o documento sonoro sobre o músico e ativista nigeriano ajuda a espelhar o modus operandi do MC nascido Ovilton Santiago, contemplando a trajetória de quem fez da música uma trincheira com hip hop abrasivo em fusão com jazz, soul e outras tradições musicais oriundas de África, mantendo sempre a estética crua que caracteriza a sua arte. E são sete as faixas a dar vida a esta obra que vem coroar uma das mais endiabradas séries de lançamentos na história do hip hop tuga, depois de, nos últimos meses, Real GUNS nos ter dado Son of Gun (SOG), Sun of Gun (SOG2), London e Lisboa.


[ProfJam] LSD

Para chegar ao sexto disco em nome próprio, Mário Cotrim mostrou o que existe para além do alter-ego e deixou vários traços da sua personalidade vincados numa grande entrevista conduzida por Rui Unas para o YouTube. Goste-se ou odeie-se as suas posições e formas de estar na vida, a verdade é que o nome ProfJam tem sido uma das maiores autoridades no cenário do hip hop nacional, muito graças a um output musical que vai fazendo justiça ao hype que a persona carrega. LSD — de Love Songs Die — não quebra com essa tradição e faz vir ao de cima mais 16 malhas gulosas do “prof dos putos da nova gen”. Entre colaborações mais óbvias (LON3R JOHNY e Sippinpurpp) e outras não tão esperadas (Ana Moura, Plutonio e Ivandro), a ficha técnica do sucessor de MDID prima também pela extravagância musical dos beats, orquestrados por um pelotão de producers que vai desde Migz e Ariel a Mizzy Miles, Fumaxa, Osémio Boémio ou Charlie Beats.


[Macacos do Chinês] Bolos Depois Da Noite

Foram 15 anos de hiato para um projeto que esteve bem na génese da reformulação do hip hop em Portugal após a viragem do milénio. Os Macacos do Chinês voltaram aos palcos pela porta grande do NOS Alive no ano passado e estão agora a brindar-nos com música nova. Para quem retraçava pelos munchies do coletivo da Amadora, tem agora na prateleira da dispensa do streaming Bolos Depois Da Noite, um conjunto de cinco temas que celebram as amizades longínquas que se reencontram para dar nova aos Macacos do Chinês, procurando reafirmá-los no presente e dar-lhe perspectivas de futuro. Fieis à tradição, apresentam-nos aqui cinco canções de rap com cunho bem original que servem de mote para a festa que vão fazer hoje à noite na Casa Capitão.


[Miguel Torga] Desastre Naturais

A fúria da natureza transforma-se numa coreografia de resiliência no novo trabalho de Miguel Torga, selado há um par de dias pela lisboeta Infinita. Se os seus trabalhos anteriores navegavam por águas mais tépidas, aqui o músico entrega-se a uma paisagem sonora de arestas vivas e texturas metálicas, onde o ritmo quebrado e as frequências graves e rugosas dominam o cenário. Longe de um mero catálogo de estragos, Desastres Naturais revela-se como um diário de bordo de quem atravessou tormentas emocionais e decidiu não apenas sobreviver, mas reinventar a própria dança como gesto de insurgência. O que poderia ser um registo de devastação transforma-se num hino à possibilidade: existir é resistir; e resistir é, afinal, dançar até que a última gota de amor se esgote. Tudo servido entre texturas ambient, cadências techno e pastilhas de UK rave.


[Jeff Parker ETA IVtet] Happy Today

O terceiro registo do ETA IVtet de Jeff Parker faz-se à boleia de um jazz de câmara que deambula entre traços de funk descontraído e de meditação minimalista. Happy Today foi gravado ao vivo no Lodge Room de Los Angeles em Agosto de 2025, na sequência de um ano marcado pelo deslocamento forçado da sua família devido aos incêndios de Eaton, e transforma um processo de luto numa celebração luminosa da sua comunidade. O saxofone de Josh Johnson, o baixo de Anna Butterss e a bateria de Jay Bellerose acompanham a guitarra de Parker nesta aventura, feita de diversas camadas sonoras que primam por uma precisão cirúrgica e uma contenção exemplar.

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