Estão anunciados os nomes que vão estimular os espaços de Serralves entre de 29 a 31 de Maio. Um festival que se assume na celebração da arte, inclusão e sustentabilidade. No campo musical a diversidade é grande e a quantidade também, com mais de 40 propostas apontadas no programa.
Entre os destaques contam-se Cybotron, grupo fundado na Detroit dos 1980, como um dos pioneiros na electrónica instrumental, nos alvores da techno; ou o retomado duo dos londrinos The Sabres of Paradise, de Jagz Kooner e Gary Burns. Ainda de Londres chegam os Factory Floor, formados em 2005 para um pós-industrial sustentado em bateria, sintetizadores e ensopado de noise. Cabe sublinhar a presença de Loraine James, música e productora britânica, assim como a rapper, poeta e activista norte-americana Mykki Blanco.
A música de sonoridades exóticas serve-se a exemplo com Karma Sheen, grupo internacional do chamado psicadelismo-rock clássico hindu. Ou ainda para uns já nem tanto desconhecidos Konono nº1, que de Kinshasa, e assentes na estética DIY, combinam o likembé com a voz, dança e muita percussão. A presença de Conan Osíris quase dispensa apresentações e há ainda uma grande expectativa a recair sobre o que os Mão Morta andam a preparar para o Serralves em Festa com o acordeonista João Barradas e a artista plástica Mariana Vilanova.
Ailbhe Nic Oireachtaigh trará as sonoridades tonais da viola exploradas entre as cordas e a madeira. E de cordofones ancestrais se ouvirá uma música cativante com o iraniano Mostafa Taleb e o seu kamancheh. Como muito haverá a esperar também do duo Odd Okoddo & Ogoya Nengo, sabendo que os seus instrumentos ofegam, gemem e guincham sob o seu toque.
Das linguagens mais exploratórias esperam-se encontros estimulantes com a música de Evicshen, artista sonora e construtora de novos instrumentos, para uma performance na relação do corpo com a materialidade do som. A recém-formada dupla de João Pedro Dias e Inês Malheiro junta o fraseado da trompete à electrónica em inesperadas possibilidades. O compositor e clarinetista baixo Ben Bertrand ligará maquinaria vária para uma teia hipnótica de sons. O ensemble suiço de cornes alpinos Aplonom abordará um repertório de Stephen O’Malley e o grupo de percussão Drumming tocará peças de Steve Reich. João Pimenta Gomes irá explorar a relação entre corpo, som e espaço, utilizando sintetizadores modulares, vídeo e objetos. E o percussionista, artista sonoro e compositor Mario G. Cortizo virá para um actuação especial. Nos campos do jazz estará presente o quinteto do contrabaixista Demian Cabaud, e o baterista Miguel Rodrigues trará a palco Antídoto álbum que atesta a sua relevância criativa com José Soares (saxofone), André Matos (guitarra e cavaquinho) e o próprio Cabaud (contrabaixo).
Alex Wilcox, conhecido pelo aroma punk infundido de techno, electroclash e laivos de funk marcará presença, tal como o poder queercore do trio caldense bbb hairdryer. Mais momentos de intensidade são esperados com EL SEÑOR, um outro poderoso trio, vindo de Fafe. GUTTERSNIPE como duo provindo de Leeds-Berlim para derramar noise e rock. Dos leirienses Terrible Mistake haverá uma abstrata e virulenta explosão noctívaga de cores psicadélicas conduzidas por linhas de baixo e navegadas por sintetizadores. Aos Kuntari, que cunharam o primal-core pelas conjugação das vozes experimentais e primitivas com tonalidades tribais indonésias, apontam-se memoráveis prestações. Cremalheira do Apocalipse é uma banda de mentes neurodivergentes saída de Rio Tinto e que faz a música que lhes apetece.
Um programa que se completa com as presenças de Bö.Senberg, Bruno Berle, Dame Area, IBSXJAUR, o pós-punk de Nape Neck, O Gringo Sou Eu, QBRNTHSS alter-ego de Ramon Casamajó, e a jornada musical colombiana pela cumbia de Romperayo. Para os comandos dos decks, noite dentro, haverá Caliente Is a DJ, Bembom, Kalipha KHALIPHA, E.M.E, Matias Aguayo ou Moy Santana. E quando os Rump State tiverem palco em Serralves, será o momento de sentir o coice sonoro psicótico e comprovar se o encontro do nova-iorquino Mark Morgan e do norueguês Gaute Granli se faz nessa máxima que apontam de “fuck it, let’s see what happens.”