Para a sua 21ª edição, o Portalegre JazzFest preparou um programa entre os dias 2 e 4 de Julho que nos chama para arcos espaciais, entre cordas electrificadas de guitarras de uma América a desvanecer e um novo jazz da efervescência norueguesa de Bergen. Pelo meio fará reluzir estados de criação pertinentes mais próximos de nós.
Voltando ao formato de três dias de duração, depois de no ano passado, comemorando os vinte anos, se ter expandido a quatro, o certame começará a cada jornada no Jardim do Museu das Tapeçarias de Portalegre Guy Fino às 18h30 para o seu ciclo de guitarra norte-americana.
Na história do jazz houve pouco espaço para a guitarra americana tradicional, ou Primitiva, conforme lhe chamou John Fahey. Depois veio Bill Frisell e Marc Ribot — ambos com passagens noutras edições do JazzFest, Frisell em duo com o contrabaixista Thomas Morgan e Ribot a solo — e mudaram paradigmas deste instrumento das seis cordas, demonstrando que o folk, os blues e o jazz poderiam estar presentes simultaneamente.
Partindo e afirmando este legado, a curadoria de Pedro Costa no Portalegre JazzFest traz Kelby Clark, Emily Robb e Hein Westgaard, para concertos solo de guitarras — três abordagens distintas da (mesma) música. O norueguês Hein Westgaard é um músico “bicéfalo” e tanto divide a sua acção musical ao lado de improvisadores como Mat Maneri e Raymond Strid, como também explora as raízes sonoras do folk, como refere o curador em apresentação do programa. Em contraponto, dos Estados-Unidos virá o guitarrismo de Emily Robb — eléctrico e sujo pelo rock —, e o virtuosismo experimental de Kelby Clark, para navegar nas 5 cordas eléctricas entre a tradição e o apelo doom.
Para os designados concertos do “meio”, sempre às 21h30 no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre (CAEP), três projetos nacionais: o duo da portuguesa Sara Serpa, com o superlativo pianista Matt Mitchell; o renovado e revigorado Sexteto de Jazz de Lisboa; e o novo jazz nacional do guitarrista e compositor Mané Fernandes, de volta com matriz_motriz (Carimbo Porta-Jazz, 2023).
A entusiasmante cena de jazz nórdica, com o foco para a cidade norueguesa de Bergen — uma das mais activas do jazz escandinavo — terá no JazzFest palco em sessões tardias das jornadas, com começo às 23h15. Três finais de noites para ver de perto a força motriz do saxofonista Aksel Røed. Primeiro com o seu Røed Quartet, com Lyder Røed no trompete, Ola Høyer no contrabaixo e Tore Ljøkelsøy na bateria, que fizeram de Red Nose Hymn o seu álbum de estreia, lançado nesta primavera pela estimulante Sauajazz. Na segunda noite Duplexities, duo de Røed com a bateria de Kåre Opheim. Para o final, do foco Bergen e do festival, Aksel Røed Trio, convocando Magne Thormodsæter ao contrabaixo e Tore Ljøkelsøy à bateria, que têm em Ballads Inbetween Fast Songs (Nice Things Records, 2023) uma porta de entrada.
