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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 15/05/2026
Tags: PICAS

Turbulência pop.

Os Vendavais que levaram PICAS ao seu álbum de estreia

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 15/05/2026
Tags: PICAS

PICAS, artista natural do Porto, lança o seu primeiro álbum de estúdio Vendavais. Este trabalho reúne sonoridades indie e pop, e contou com os toques de produção de Jon. Consiste numa coletânea de temas que acompanharam o processo de crescimento e de procura do seu lugar no universo musical, bem como traduzem uma junção das suas diversas referências musicais.

O álbum começou a ser confeccionado em 2023, através da faixa “Nos Meus Lençóis”, e espelha uma jornada de descoberta pessoal, emocional e musical. Sobre este processo de criação, a intérprete admite que foi um percurso de tentativa-erro: “Fazer um primeiro álbum é experimentar muitas coisas e perceber como é que tu gostas de soar e que sonoridades gostas. Então estás a descobrir imensas coisas e foi um processo longo de procurar como é que quero soar, o que quero dizer — que são grandes questões para um artista. Então foi uma grande autodescoberta.” 

A escolha de incluir temas antigos, que já não refletem os seus moldes de criação musical atuais, surge da necessidade de “respeitar que um álbum é uma fase da vida e uma fase sonora”. Acrescenta, também, que sentiu “a sensação de pressão de lançar um primeiro álbum, que é o primeiro projeto que vais apresentar e aquilo que te define”, mas que atualmente já não se revê nessa percepção e encara este processo como uma metamorfose natural.

Esta simbiose entre crescimento e aprendizagem é espelhada no nome escolhido para o projeto de estreia, Vendavais, algo que vem, de igual modo, impresso na faixa “Amor e Guerra”, que por palavras suas “reflete o mood do que é o álbum” e “fala sobre [a faixa etária dos] vinte, que são uma fase um bocado turbulenta, em que nós próprios nos estamos a conhecer e às vezes sentimos que é mesmo um vendaval.” A propósito da escolha do título e da linha criativa do álbum, PICAS adianta que são ideia que surgem de “não saber bem qual é a direção indicada para ti, enquanto descobres um monte de coisas na fase de transição para ser adulto. O nome acaba por ser uma metáfora para isso.”



Vendavais também tem um duplo sentido que alude à pressão exterior que a mesma sentiu para produzir faixas “vendáveis”, algo que desabafa no tema “Popstar”. Por palavras suas: “Esta faixa reflete certas experiências que tive com a indústria musical. No início não foram muito positivas e acho que o meu álbum acaba por tocar um bocado nesse tema: Vida turbulenta dos 20 anos, mas também vida turbulenta de ser uma artista independente, a tentar descobrir como é que quer soar e que arte é que quer fazer, numa indústria que não é fácil.”

“Todas elas [as faixas] são muito sinceras, são temas que dependem muito de o que é que cada pessoa está a viver e a passar, mas todas são muito verdadeiras e sinceras e sobre coisas que eu passei”, relembra PICAS sobre as 11 cartas abertas presentes neste álbum.

No tema “Medo”, a artista fala sobre as ansiedades e os medos que a vida adulta reserva, especialmente sobre o desconforto que advém quando nos tornamos seus reféns — “é uma canção sobre assimilar todos esses medos, assumi-los, reconhecê-los e não deixar que eles nos retraiam”. Já a faixa “Priscilla” é inspirada no filme de Sofia Coppola e da história da mulher de Elvis Presley: “É uma mulher que ficou durante muito tempo na sombra do homem e, de repente, torna-se protagonista de um filme. Aquilo mexeu comigo porque se calhar no passado também já me deixei ficar na sombra várias vezes e quando eu vi aquele filme quase que queria dar conselhos à Priscila então eu pensei, vou escrevê-los.”

Este projeto expõe o lado mais vulnerável e emocional de PICAS, como a mesma afirma: “Eu tenho canções mesmo muito vulneráveis aqui, ou seja eu não estou a tentar parecer ser uma coisa que não sou. É um álbum que tem canções que me expõem muito.” “Quem Eu Quero Agora” é uma das faixas onde convidou as suas emoções a entrar nesta dança: “É uma canção que fala sobre uma relação complicada e em parte tóxica, onde estou a ser vulnerável, porque quero que as pessoas possam também sentir o que eu senti e que possa ser um conforto de que está tudo bem sentirmos essas emoções todas. Eu acho que, no fundo, ao longo dos temas, deixo-me experienciar todas as emoções e eu gostava que as pessoas se sentissem acolhidas e compreendidas quando as ouvem”, admite.

A análise mais detalhada às canções continua: “Neste álbum a narrativa começa com músicas mais sensíveis, que foram as primeiras que escrevi, e no final mais empoderadas. ‘Amor e Guerra’ é uma música de auto-afirmação, onde admito que eu vim cá e é isto que quero fazer. Em relação à ‘7+7=14’, encaro o amor com mais ironia onde estou a reaprender a ser vulnerável e desconstruir que as experiências do passado não ditam o futuro, e que não devemos projetar aquilo que vivemos naquilo que estamos a viver.”

O build up para a sua grande estreia foi acompanhado pelo introdução de videoclipes de algumas composições de Vendavais, tais como “Priscilla”, “Quem Eu Quero Agora” e “7+7=14”. A sua paixão pelo cinema auxiliou a construção de uma narrativa visual para os seus vídeos, como a mesma admite: “Quando eu estou a fazer a música, ou às vezes quando estou a escrever, eu já tenho um ideia, como eu adoro cinema às vezes penso nas minhas músicas como filmes.”

Enquanto se preparava para o lançamento deste projeto guardado na gaveta há algum tempo, PICAS já dava os primeiros passos para o próximo, que se encontra agora em processo de gravação. Sobre esse disco seguinte, adianta-nos desde já que se trata de uma obra “mais uplifting do que Vendavais, que é muito mais introspectivo.” Durante este intervalo a artista termina afirmando que se sente otimista e que se encontra, também, a preparar as apresentações ao vivo: “Sinto-me entusiasmada, agora que vai ser a promo do álbum, vamos estar a apresentar, a contar estas histórias e a tocar ao vivo. Sinto que as pessoas têm recebido muito bem as faixas que já saíram e que notam esta evolução, onde procuro ter a minha identidade própria e o que quero fazer”, acrescenta.

O seu ‘bichinho’ pela música sempre esteve presente, mas nem sempre se fez mostrar. Durante a sua adolescência decidiu pegar numa guitarra e aprender uns acordes para acompanhar as letras que escrevia. “Escrever sempre foi a minha paixão número um e eu sempre amei música, mas, durante muito tempo, nunca pensei que pudesse fazer música profissionalmente”, afirma a artista, complementando que o prezo pela escrita advém da sua personalidade mais criativa que objetiva. Durante a sua licenciatura em Ciências da Comunicação, com especialização em Cinema, a vontade de estudar música cresceu e com ela veio a necessidade de, paralelamente, estudar Jazz no Hot Club Portugal. “O jazz deu-me as bases que precisava, embora a música que eu faço hoje em dia não o seja. Pode influenciar o que faço, mas não é o que faço, é a minha escola”, revela.

Foi, então, no Hot Club Portugal que Maria Casal adquiriu as ferramentas e a confiança necessárias para produzir e publicar as suas músicas. Agora, já sem medo ou vergonha da reação das pessoas, a artista reuniu as músicas que versão sobre as várias fases da sua vida e tornou-as num vendaval, que pode agora ser ouvido nas principais plataformas digitais.


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