O futuro escreve-se no feminino: 8 nomes que não podem faltar na tua playlist

[TEXTO] Alexandre Ribeiro e Vasco Completo [FOTO] Direitos Reservados

Hoje assinala-se o Dia Internacional da Mulher e, apesar de acreditarmos piamente que se deve celebrar o feminino todos os dias, aproveitámos o pretexto para sugerir a audição de 8 artistas que vão causando ondas, mesmo que não sejam trendsetters como Rihanna, Beyoncé e Sia ou nomes clássicos como Björk, Erykah Badu ou Lauryn Hill.

O mais importante nesta lista é o talento e a capacidade de colocarem um twist autêntico nas suas canções, apresentando uma posição vincada artística que só ajuda a emancipar as mulheres da redoma machista que pontua a indústria musical, um universo onde se premeia muitas vezes a beleza em detrimento da autenticidade. Para tornarmos o cenário ainda mais interessante, temos 6 nomes europeus que se dividem por Portugal, Reino Unido, Holanda e Noruega e 2 nomes americanos.

 


[NONAME]

A rapper de Chicago apareceu em 2013 numa colaboração com o seu compatriota Chance The Rapper, na mixtape Acid Rain, em “Lost”, mas o que nos realmente cativou foi Telefone, mixtape de estreia que Fatimah Warner lançou em Julho do ano passado, ainda sem os seus 25 anos feitos. A sonoridade do seu registo é incrível, a instrumentação bem trabalhada; relacionando-se com a produção de Solange e do r&b contemporâneo. Noname está a par do que é o agora e o seu timbre, groove e flow são cativantes.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “Casket Pretty”, “Forever” (ft. Ravyn Lenae & Joseph Chilliams) e “Diddy Bop” (ft. Raury & Cam O’bi).

–  Vasco Completo


[SEVDALIZA]

Voz éterea, sensual e misteriosa: Sevdaliza nasceu em Teerão, Irão, mas acabou por se estabelecer na Europa, mais exactamente na Holanda. As letras são crípticas e a apontar para uma espiritualidade diferente, levando a melhor sobre as produções de Mucky, produtor de Roterdão que é o principal arquitecto sónico da incrível artista. Socialmente activa, “Bebin”, onde canta pela primeira vez em Farsi, é um exemplo das singularidades que nos fazem aproximar em vez de afastar. Leia-se o texto que acompanha a faixa: “In protest of the inhumane political climate, I could not rest my head in privilege. I wrote Bebin’ in Farsi, to solidify. I stand strong with love. In this case I choose to avoid mainstream media, because I have no interest in part taking in a victimized concept. Take this message without lights, camera, action. I am solely a messenger. In the brain of love, there is no place for racism nor bigotry”. Depois de O primeiro álbum chega este ano.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “Bebin“, “That Other Girl” e “Human“.

– Alexandre Ribeiro


[JORJA SMITH]

Co-sign de Drake é o boost ideal para qualquer músico a procurar vingar. Poderíamos nomear uma mão-cheia deles, mas preferimos focar-nos em Jorja Smith. Um post no Instagram sobre Project 11, EP editado em 2016, levou o selo OVO e levou-a para o mundo, mas a artista britânica leva qualquer coisa de Amy Winehouse – influência directa – em cada palavra/som que lhe sai da boca, tornando-se impossível ignorá-la. Seja em instrumentais mais clássicos ou a acompanhar tendências do trap’n’b – seja lá o que isso for – , Smith é um nome importantíssimo para a nova música vinda do Reino Unido e um vozeirão à procura do seu espaço para estabelecer-se.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “A Prince“, “Where Did I Go” e “Blue Lights“.

– Alexandre Ribeiro


[NAO]

De Inglaterra, a cantora de neo soul Jessica Joshua, que passou em Portugal (com destaque) na última edição do Vodafone Mexefest, começou como cantora de estúdio, para outros artistas e até anúncios. Em entrevista com o Rimas e Batidas, diz-se fã de Noname, outra artista a figurar nesta lista; atenta a novas tendências, quer pegar no jazz, R&B, soul e criar a sua sonoridade, sem revivalismos. O seu álbum For All We Know é extremamente bem concebido e a sua voz encanta como poucas. O virtuosismo, aqui, não é mal medido e é pedido, até.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “Girlfriend“, “In The Morning” e “Bad Blood“.

– Vasco Completo


[LITTLE SIMZ]

“Maturidade” é a palavra que define Little Simz. Depois de brilhar com  A Curious Tale of Trials + Persons, álbum de estreia rico em skill e canções inspiradoras, Stillness in Wonderland, segundo longa-duração editado o ano passado, é um desafio para os cépticos, uma redescoberta musical a cada pedaço de som. Numa bolha de r&b e rap onde instrumentação orgânica cruza-se com elementos do trap, por exemplo, a artista britânica de 23 anos convidou SiR, Syd, Ghetts ou Bibi Bourelly para o último trabalho e demonstrou que também tem sensibilidade para escolher e encaixar artistas de diferentes esferas. Kendrick Lamar e Jay-Z cedo notaram as qualidades inegáveis como rapper, mas encontrámos desde sempre uma musicalidade ampla que não permite que a fechemos num género. É um talento enorme demais para encaixotá-lo.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “Dead Body“, “One In Rotation + Wide Awake” (feat. SiR) e “Wings“.

– Alexandre Ribeiro


[RAPSODY] 

Ignorância ou não, a primeira vez que nos deparámos com Rapsody foi em To Pimp a Butterfly, disco clássico de Kendrick Lamar. O verso da MC em “Complexion (Zulu Love)” é estonteante e a certeza de que estávamos perante uma pérola acercou-se rapidamente de nós. Com 34 anos, Marlanna Evans não é uma novata e em 2012 editou, entre mixtapes e EPs, um grande álbum intitulado The Idea of Beautiful. No ano passado, Crown é mais um registo onde espalha rimas complexas, flows elásticos e knowledge, muito knowledge. Uma filha da cultura que merecia um maior reconhecimento da mesma.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “Mad“, “Tina Turner” e “Good Good Love” (feat. BJ The Chicago Kid)

– Alexandre Ribeiro


[CHARLOTTE DOS SANTOS]

Apesar de estar no pólo oposto a Sevdaliza quando falamos em sonoridade, Charlotte Dos Santos também prepara o seu álbum de estreia, Cleo, para sair este ano. Mais orgânico e à procura de referências como Sade ou Erykah Badu, a cantora norueguesa apareceu no radar com a Mutual Intentions, editora sediada na Noruega sobre a qual escrevemos em Abril do ano passado, e acabou, tal como alguns dos seus companheiros, por editar pela Stones Throw Records, mítico selo underground americano.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “Red Clay”, “Watching You” e “Take It Slow“.

– Alexandre Ribeiro


[NIDIA MINAJ]

A única representante portuguesa traz o sangue africano no sangue e é uma das mais entusiasmante produtoras a nível internacional. Sim, Nidia Minaj é nome que circula lá fora e os gigs por todo o mundo são a prova que os ritmos quentes e quebradiços são matéria-prima que assusta qualquer dançarino principiante à procura de deslumbrar na pista. Para coroar mais um ano em grande, a Red Bull escolheu-a para uma lista com os melhores produtores com menos de 25 anos, dividindo o espaço com super-estrelas como Metro Boomin ou Kaytranada.

3 músicas que servem como aperitivo antes de provarem a refeição principal: “Festive“, “Puto Iuri” e “Pra Fechar”.

– Alexandre Ribeiro