Nubya Garcia é a primeira confirmação para a edição deste ano do Matosinhos em Jazz. A saxofonista britânica sobe ao coreto do Jardim Basílio Teles a 5 de Julho, prometendo uma viagem imersiva pelo seu mais recente Odyssey. Tal como em anos anteriores, as entradas em todos os concertos do Matosinhos em Jazz são gratuitas.
No seu mais recente disco, editado em 2024, a artista oferece-nos uma expansão da sua paleta de cores, indo muito além das tradicionais fronteiras do jazz para abraçar arranjos de cordas exuberantes e texturas que oscilam entre o R&B, o dub e o drum and bass. Odyssey é um registo cinematográfico que explora dualidades — como calma e tempestade, luz e escuridão — sempre assente na versatilidade do saxofone tenor da sua autora.
Por cá, Rui Miguel Abreu acompanhou de perto a evolução da musicista inglesa e rubricou a crítica ao seu terceiro álbum poucos meses após o lançamento, no âmbito das suas Notas Azuis, onde notava que:
“Neste novo projecto, Nubya expande ainda mais a sua visão musical, usando a disciplina, a inventividade e elasticidade do seu jazz como ângulo particular de abordagem a linguagens que a enformam enquanto pessoa e artista, do dub à cumbia, do hip hop ao afrobeat, sonoridades com que cresceu numa Londres multi-cultural.”
Já no arranque de 2025, não faltou à chamada para o único concerto que saxofonista tinha agendado para o nosso país no âmbito da digressão daquele ano e deixou-se encantar pelo lado mais onírico que cobriu a prestação na Casa da Música, no Porto:
“Para que fique claro, Nubya está muito mais empenhada em soar poética, quase como se cantasse através do saxofone, do que em soltar fogo de artificio através do instrumento. Os seus solos são mais líricos do que intempestivos, mais refinados do que crus, mas há uma elegância que se sente em todo o seu discurso à medida que se entrega a peças como ‘Dawn’, ‘Odyssey’ ou à belíssima ‘We Walk in Gold’. Ao vivo, a música que Nubya Garcia gravou com uma série de convidados surge mais contida, mais depurada, mas com a sua força original intacta, provando que esta é uma artista real, com capacidades reais, e não um qualquer produto gerado ‘artificialmente’. E outra coisa: não há qualquer dúvida de que a música que Nubya nos oferece tem firmes raízes no jazz, mas a artista não enjeita outras linguagens, do R&B e hip hop, cujas cadências enformam algumas das passagens, aos modos tropicais da América do Sul e do Caribe. Isso só lhe reforça a ligação ao presente e não a desmerece em nenhum sentido. O sorriso amplo nas caras do público que só abandonou a sala após generosa ronda de aplausos deixou isso muito claro.”