A rapper Mynda Guevara e a exposição/documentário Filhos do Meio – Hip Hop à Margem integram o programa da próxima edição do Encontro da Canção de Protesto, que decorre entre 5 e 7 de Junho em Grândola, sob o mote “Onde o Vento Cortou Amarras”. A presença de ambos insere-se no eixo central deste ano, dedicado às questões do racismo e da discriminação, e afirma o hip hop como linguagem legítima de resistência ao lado das tradições mais canonizadas da canção política portuguesa.
Filhos do Meio foi uma iniciativa que esteve patente no Museu de Almada e estreia-se agora em Grândola em dois momentos distintos: primeiro como exposição, inaugurada a 5 de junho na Biblioteca Municipal, e depois como documentário, exibido a 6 de junho no Cineteatro Grandolense. Através dela percorrem-se as memórias e histórias de quem construiu o movimento hip hop na Margem Sul nos anos ’90, num território de classes trabalhadoras reivindicativas e com grande diversidade cultural no pós-25 de Abril, destacando nomes como Black Company, Líderes da Nova Mensagem ou Chullage. A projeção será seguida de um colóquio com Eva Rapdiva, Hezbó MC e Ricardo Farinha, moderado por José Mariño.
Já Mynda Guevara sobe ao palco do Jardim 1.º de Maio na noite de 6 de junho. Natural da Cova da Moura, em Lisboa, a rapper reclama um lugar para as mulheres nos circuitos do hip hop português, escrevendo em crioulo desde o início — língua que o movimento do rap crioulo em Portugal assume como parte central da sua identidade artística, com raízes nos anos 90 e ligações diretas ao início da cena hip hop tuga. O seu mais recente single, “Carapuça”, mantém essa marca: escrita afiada, atitude e uma leitura sem filtros das vivências da periferia.
Ao longo da edição de 2026 do Encontro da Canção de Protesto, passam também por Grândola os concertos de Selma Uamusse, Gisela João ou Couple Coffee & JP Simões. Todas as atividades presentes na programação são de livre acesso.