MIL 2019: a rede impenetrável da música irreverente

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTOS] Ana Viotti, Alicia Gomes, Jaime Pires, Geovana Serrano, Maria Lorenzo, Rafael Canhoto, Niside Panebianco

O que mais me intrigava no saudoso Lisboa Dance Festival era o nome: Lisboa, não Lisbon; Dance, não Dança; Festival em inglês. Talvez por uma esperança lateral de internacionalização, mas não o suficiente para nos esquecermos do nome da capital? Curiosamente, ao mesmo tempo que o Rimas e Batidas acompanhava a sua reencarnação no Estoril como ID_NO LIMITS, também tirava notas de um evento cujo nome não deixa ambiguidades na intenção. O Lisbon International Music Network, ou MIL, ocupou os espaços do Cais do Sodré nas noites de 27, 28 e 29 de Março.

Esta é, antes de mais, uma conferência. Em regime diurno, instala-se num palacete, para profissionais da indústria musical — promotores, locutores de rádio, agentes, jornalistas, (poucos) artistas, consultores, representantes de editoras e tantos outros falam e ouvem-se, aguardam na plateia até ao final de cada discussão para se apresentarem e partilharem ideias, a partir de leitmotivs como a exportação musical comparticipada (ou não) por gabinetes públicos, a relevância da criação de conteúdo, as estratégias a seguir nas playlists do Spotify para assegurar a longevidade de um artista…

A esperança seria ter aqui uma câmara voltada para nós, com poder de introspecção, que antes de revelar uma panorâmica do tão-chamado som de Lisboa, dar-nos-ia um vislumbre das operações de fundo. Mas convém lembrar a rede internacional aludida pelo título: o objectivo mais urgente de erigir pontes não é expor o nosso produto musical; é fixar a capital na conversa mundial, oferecendo-a como ponto de encontro, ou espaço de confluência de vozes díspares, não tanto primando pela nossa auto-promoção agressiva. E, ainda assim, visto servir este de palco para alguns debates francamente interessantes, não é má ideia reger-se pelo princípio da universalidade. Mas não deixa de ser engraçado que seja o Lisbon International Music Network a perguntar se a lusofonia é um empecilho ou uma plataforma, quando oferece uma resposta com o seu próprio nome.



No Palacete dos Marqueses de Pombal (importante não confundir com outra casa histórica, de forma a evitar um comboio para Oeiras), certas palavras são rabiscadas furiosamente em cadernos e inspiram brilho no olhar. No diálogo sobre lusofonia, moderado por Luís Oliveira da Antena 3, com Kalaf Epalanga, Selma Uamusse, Wilson Vilares (CelesteMariposa) e Fabiana Batistela (directora do SIM São Paulo, iniciativa análoga do MIL), transcende-se o tópico idiomático para articular problemáticas maiores. Fala-se da falta de apoios públicos, a autoridade questionável de Portugal como única ligação entre África e Brasil, uma visão míope e retrógrada da cultura como instrumento político, ou a necessidade de renovar o elenco de agentes culturais na imprensa e na rádio com vista à representatividade e à não-estagnação do mainstream. Em fluidez e frontalidade, o painel apenas rivaliza com a mestria da voz imortal de José Mário Branco, entrevistado por Gonçalo Frota do Público: o compromisso da música à trilogia estética–técnica–ética, a quezília infindável com os direitos de autor, a necessidade de alimentação espiritual para a produção artística, e a nostalgia como “coisa terrível”.

Ao afastarmo-nos da esfera portuguesa, forma-se uma aura relativa de desconexão. A menção de nostalgia poderia ter agitado Simon Reynolds, o ilustre crítico musical que o Rimas e Batidas entrevistou por causa da sua vinda ao MIL, percebesse ele português. Aquilo que nos transmitira sobre desconhecer a indústria portuguesa e ter de se apoiar em preceitos “universalmente aplicáveis” a jornalistas musicais — não ter medo de forças externas, ter uma escrita lúdica e ritmada, que escorra amor pela música… — é imanente na sua masterclass, que por pouco parece ter caído de paraquedas. Num formato que resulta modestamente, experimenta uma simplista acuidade que ameaça cair no senso comum. Perdeu-se uma oportunidade, quiçá, para ouvir uma voz portuguesa (ou várias) num registo destes, visto que os jornalistas e críticos deste país, os moderadores e entrevistadores por excelência, raramente são ouvidos na primeira pessoa.

Prova disso é “New Rules: Music Journalism in 2019”, conversa manobrada por Mário Rui Vieira do Blitz. Seria interessante ouvi-lo mais a falar sobre o que é a produção jornalística numa era de mutação, circunscrita a Portugal; não obstante, isto é compensado pela delícia absoluta de uma conversa que mostra o prazer que deve ser vinculativo deste tipo de escrita. Ao lado da britânica Chal Ravens (que mais cedo discutira a cena lisboeta com José Moura da Príncipe e os artistas Rastronaut e Odete), duas vozes virtualmente desconhecidas jubilavam com os intentos de generosidade e comunicação pura que imprimiam alternadamente ao jornalismo musical: a catalã Aïda Camprubí, responsável pela El Bloque TV, e o músico francês Shkyd. A guardar, um momento eureka: “Wow, nunca tinha pensado dessa forma”o sorriso resplandecente de Camprubí ao ouvir o colega afirmar que a missão da sua escrita é, no limite, chegar às pessoas. É este o sangue novo a que Kalaf Epalanga se referia, aquele que a indústria tem de começar a bombear.



O encantamento desse episódio, já no final do MIL, não poderia ter sido programado. Uma surpresa, ao contrário do que se previa tanger as cordas do coração no concerto de abertura: destaque do primeiro dia, Lula Pena tinha para si o palco do B.Leza. A sua guitarra era a sua arma, num set discorrido, descomplicado, romântico, olhos voltados para baixo, sorriso esboçado, acordes sucessivos, sem quebra. Prestação nobre, desejável, que nunca se poderia adequar naquele momento — as conversas, o barulho deselegante de copos e risos emudeciam a cantautora.

Voltaria por convite de quem lhe seguiu, para formar um fugaz duo sensual, liminar. Pouco tempo depois, o palco era propriedade única de Letrux, a cantora Letícia Novaes, com uma banda artilhada para completar a sua visão teatral, explosiva, feminista e dissidente. Quando não está a cantar em fragmentos cortantes, ao som de uma new wave periclitante e espástica, liberta pequenos trechos poéticos de sensível vulgaridade, conta-nos histórias perturbadoras com Hebe Camargo, e também grita “FORA BOLSONARO”; como se de mais razões para vencer precisasse. E quando se ouve mais que um sussurro de uma inoportuna conversa de café na plateia, logo se ouve um shhh agressivo do mesmo sítio. “É capricórnio quem mandou calar?”, pergunta a divertida Letrux. “Eu também mandaria, mas é o meu show, né.”



A noite de quinta-feira é a segunda consecutiva de pugilar imaginariamente com o trânsito no banco do 781 e chegar a actuações que se esperam estar já in medias res, quando efectivamente estão por começar. Há seguramente expectativas para ouvir Bea Pelea, reggaetonera natural de Málaga cuja mostra de assertividade sexual, talvez menos ampla, não destoa da concretização de Letrux (e que se liga, no MIL, a uma conversa sobre “trap espanhol”).

Um quarto de hora depois da hora prevista, abro dramaticamente as cortinas de veludo do Titanic Sur Mer: não vejo a mulher alada e intimidante das suas capas, simplesmente oiço reggaeton; não da vertente frígida, monocórdica de Pelea, mas um rol de êxitos como “Baila Morena” de Hector & Tito, ou “Loco” de Jowell & Randy. Duas mulheres tomam conta de um controlador Pioneer DJ e coreografam espontaneamente estes sons cálidos. Tudo bem; provavelmente houve um pequeno atraso, dançam excerto após excerto para nos divertir. Até que uma das ocupantes se cansa e abruptamente pega num microfone: “Estoy trabajando para morir, papi / ¿Te quieres morir conmigo?” Ora viva, Bea Pelea!

Na verdade, nunca vemos essa Pelea fustigante e apática que talvez tenha concebido na minha cabeça (até a cor de cabelo mudou). Traz-nos temazos como “Recuerdo” e “Culona”, mas rindo-se em alguns dos versos mais sugestivos e em resposta às simpáticas provocações do público. O vocativo papi será efectivamente repetido até à morte, numa curta apresentação em que convida alegremente as escassas pessoas a chegarem-se mais perto do palco e dançar; um de nós, o “guapo”, sobe e complementa as descidas ao chão da cantora com voguing. Uns estimados vinte minutos chegam ao fim pela mão de uma técnica que nos despacha com um “Toca a sair, amanhã há mais, beijinho”. Bizarria sem tempo para se pensar, a que se confere sentido só pela lembrança de que talvez não possamos esperar muito mais que concertos de bolso. Aceitar as noites do MIL como uma generosa, aleatória sucessão de showcases poderá ser uma boa gestão de expectativas.

A apresentação da rapper luso-belga Blu Samu ainda se esquadra nesta lógica, num Lisboa Rio bem composto para ouvir a sua ignição sentida de rap pessoal e florescente. Já Pedro Mafama, o alquimista do fado-trap mutante, leva o Roterdão até às costuras. Somos muitos a esticar a cabeça a partir das escadas do clube, ou a escapulirmo-nos para a pista, eventualmente confinados a um decímetro quadrado; é o suficiente para o verificar seguro nos comandos, divertindo-se ele mesmo com o call-and-response de “Como Assim”, os mini-clássicos “Jazigo” ou “Arder Contigo”, e a estreia da poderosíssima “Lacrau”, produzida por PEDRO.

Mesmo vista por entre uma estranha estrutura em forma de âncora, acaba por ser mais seguro falar de Blu Samu, que é competente e sabe estabelecer empatia, convidando-nos ao moshpit mais adorável de todos os tempos (“sabem o que é fazer pogo?”), deixando-nos decidir acerca do lançamento de um novo número de house-pop à la Kaytranada (“mas o mais importante é que mexam o vosso rabo!”). É um desvio de outras faixas suas mais anódinas e verdes, mas sempre com algum centro emocional (por falar nisso, o momento mais ovacionado é a chegada de Filomena, mãe de Samu, após quatro horas de comboio.)

Para o nosso segundo encontro adjacente aos Buraka Som Sistema, temos Pongo, uma voz injustiçada da década de 2000, um nome que centenas de milhares de ouvidos têm ainda que associar à icónica “Wegue Wegue”. A angolana (ex-Pongo Love) ressurgiu após um período atribulado e a forma como o fez, em Baia, é nada menos que um triunfo breve de caos controlado, uma maravilha de dominância melódica e atitude. Regressa ao Musicbox, catorze anos depois de lá se ter estreado com os Buraka, com a cara tapada, ainda envergonhada. Aqui, não só está de rosto descoberto, como se revela num cintilante fato angular, pronta para ser a déspota dos holofotes e do amor da plateia.

“Dá licença/ Respeita o kuduro e a essência/ E mesmo que não te interessa / Para muitos, é pão na mesa”, adverte na faixa-título, uma reimaginação impetuosa do estilo que defende. Cada momento, com especial atenção para a vencedora “Kassussa só (Kassusa)” e a adorada “Kuzola – Meu amor me deixou”, é pura pirotecnia. Não desajuda trazer dois bailarinos que canalizam toda a sua energia e sensualidade para a performance, e estimulam Pongo a dar (ainda) mais. Dificilmente está desesperada pelo nosso apreço, simplesmente sabe como o monopolizar, e gosta tanto disso como nós. No final do concerto, todos merecemos uma pequena indulgência do passado, mas não há um pingo de nostalgia ali: “Wegue Wegue” ainda é um manifesto corporal de se gritar, sem mínimo sinal de corrosão. Essa é uma pequena súmula de uma artista que merece um reconhecimento proporcional ao seu investimento físico e criativo. E isso é exponencialmente mais.

Parece uma partida cruel o alinhamento do seu concerto, imediatamente anterior ao de Blaya, a voz feminina indelével dos Buraka — não havia necessidade de comparar as duas, mas isto é quase um pedido para tal (há “Stoopid” e “(We Stay) Up All Night” para reviver em piloto automático). A estrela de “Faz Gostoso” fê-lo perante um Estúdio Time Out preenchido a metade, mas uma metade devotada ao espectáculo: um grande letreiro com o nome da cantora e uma coroa ao lado, uma trupe de dançarinos, um dinamismo inabalável. Longe da potência virtuosa de Pongo, esta é ainda assim uma entertainer ardente, que não perde o foco no meio de tanta gente.

As fracas canções de Eu Avisei ganham um pendor mais vibrante ao vivo, mas tudo parece uma aula glorificada de dança, uma série de coreografias em que a banda sonora poderia muito bem vir de um CD. Quando o showcase magnificente, orgânico e sensual de Pongo parecia ter superado a dinâmica dos concertos de bolso, Blaya apresenta uma máquina bem oleada, mas sem espírito — uma performer-marca. Não parece haver um nexo de surpresa, por entre explosões certeiras de confetti e a chamada de fãs ao palco. 



“Faz Gostoso” acabou por render um momento absolutamente delicioso, ou melhor, “bateu”; só teríamos de esperar pela noite seguinte, de sexta-feira, pela tarimba de Joaquim Albergaria, R I O T e Ivo Costa. Combinam superpoderes percussivos nos Bateu Matou, a “banda de baile” convocada para suprir a ausência dos Buraka (a influência está forte). De baqueta no prato e suor limpo pela t-shirt, o nome do grupo é uma sentença executada sem longos trâmites ou pedantismos. De “Conga” de Gloría Estefan ou até da simples contagem do salsa cubano (“uno dos tres, cinco seis siete”) fazem sempre pulso firme.

Já totalmente removidos do aparato néon de Blaya, o som nebuloso e irreal dos Beautify Junkyards dá o pontapé de partida à última viagem do Rimas e Batidas a bordo do MIL. O projecto de João Branco Kyron afigura-se místico, em “Manhã Tropical”, ou quietamente demolidor, mas certamente merece mais que um público em estado de torpor. A poucas dezenas de passos, o auto-designado rock bar Tokyo, ornamentado com capas de clássicos como Little Creatures dos Talking Heads ou o homónimo dos Violent Femmes, leva um choque. É cortesia dos franco-senegaleses, os polirrítmicos Guiss Guiss Bou Bess, que empurram o mbalax contra as balizas da inteligibilidade rítmica ocidental.

O que não resulta é a trepidação que HYSJ, duo norueguês de noise rap anómalo, atira às paredes do Roterdão (consideravelmente menos lotado do que aquele que recebeu Pedro Mafama). Os números no princípio não são promissores e diminuem tristemente a cada música; um mistério menor do que se possa pensar. Por muita energia que a vocalista Sigrun Sæbø Åland necessite de exteriorizar — tratando o palco como uma arena de combate e o público como adversário, atacando o chão, subindo para as colunas — dissipa-se numa carga altamente abrasiva, que não dá o braço a torcer para sequer uma fracção de acessibilidade. Também não é bom que tudo se junte numa massa indistinta de som que é francamente desagradável.

Deste problema não padeceria o rap consciente de Edgar, que causa a primeira enchente de sexta-feira no Musicbox. A curiosidade fomentada pelo disco Ultrassom é justificada quando vemos a figura papal do paulista, em vestes a escarlate e uma máscara em madeira, para pontificar exposições cruas e memoráveis, uma ou outra vez desajeitadas, do social.

Meia hora volvida, está em tronco nu e as imagens atrás dele são grafismos saturados e kitsch de “boa noite”, os favoritos dos nossos familiares mais info-excluídos. Parece magia. Já se está a compor um bom estado limítrofe à psicose colectiva, para a mini-liturgia de guardanapos, duchaises e telemóveis que se segue. Não precisávamos de dizer mais nada, pois não?

Tudo o que se possa escrever sobre Conan Osiris a este ponto de saturação virtual já é gritar para um vácuo. Facção significativa e conservadora dos portugueses (que na verdade se está marimbando para a Eurovisão e tem motivos mais odiosos, tão transparentes quanto celofane) condena esta escolha supostamente marginal. A outra vê nele o brutal iconoclasta, convicto de uma transgressão nascida no seu toque de Midas. “A Internet chateia-me”, confessa Tiago Miranda antes de nos dar “Cartomancia” — a actuação é para quem o reconhece como simples paladino de música gingante, não pedante, confecções de fabrico próprio para abanar as ancas e questionar a necessidade de questionar.

“Near, far, wherever you are, I believe que ainda vais comer na tromba”. Que longa dissertação se pode fazer sobre a excelsa recriação da pose do “Titanique”? Nenhuma! Lá está! Não pensem, abanem as ancas, gritem as letras, soltem os cães e tragam o lixo, não pensem!

Mas podemos também admirar a evolução constante, vocal e performática, de um autor do SoundCloud feito um dos timoneiros da alternativa portuguesa. Sob a pressão, conseguiu desabrochar ainda mais, e subverter o perverso prazo de validade que muitos já quiseram dar a este formato económico, embora pouco linear, de apresentação — a complementaridade única de cantor e bailarino, numa fase ainda inicial.

O compacto que trazem ao MIL é prova suficiente de que a espontaneidade e a estimulação mútua superam todos os descrentes, que precisam também de ser recordados da velocidade com que Conan foi catapultado para a linha da frente, e o trabalho excelso que consegue, ao lado de Moreira, fazer com uma produção minimalista. Mas já passamos a fase das confirmações: Conan já é marca e garantia, sem precisar de ter o seu nome em letras garrafais atrás.

Ao passo que Osiris se abeira de nós, cá em baixo, para terminar com “Amália”, não é totalmente ignóbil pensar nas engrenagens que o levaram até aqui. Muito do processo deve-se à resiliência de Osiris, sem dúvida, mas e o resto? Como tem sido a sua vida de estrada? Que recursos são mobilizados para uma performance assim? Como se monta uma máquina promocional funcional? Qual o seu orçamento para pastelaria?

Idealmente, o Lisbon International Music Network — que enquanto festival de consumo final, na modalidade básica, é plenamente desfrutável — dar-nos-ia mais respostas detalhadas. Ou, pelo menos, sugestões, a perguntas assim, situadas no nosso paradigma mutável; concretizando uma linguagem abstracta e global que, no estado actual, extirpa do panorama nacional as suas especificidades.

Falta o MIL perceber totalmente a magia de desconstruir o produto musical (nacional e não só) de uma forma coesa e refrescante (que já faz, e com painéis bastante moderados). Desconstrui-lo para o expor em toda a glória, com propriedade. Aí, poderemos não só moderar a conversa, mas participar na primeira pessoa.


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