Guia ReB para o NOS Alive’19

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Mike Excell

Em começos de época balnear e já firme no ciclo de festivais, o Rimas e Batidas segue caminho para um dos festivais de destaque em solo nacional. O NOS Alive’19 instala-se no Passeio Marítimo de Algés de quinta a sábado, com uma armada ecléctica de bandas e vozes portentosas. E se os cabeças-de-cartaz sugerem uma inclinação intransigente para o rock alternativo e indie, estamos aqui para desbravar terreno e lançar-vos as pistas para facilmente chegarem às regiões mais diversas, estranhas e retumbantes: há mais vida para além de The Cure, Vampire Weekend e Bon Iver.

Um possível começo para o dia de arranque (11 de Julho) faz-se na companhia da voz de Mariana Prista e produção de Margarida Adão, unidas sob o nome y.azz x b-mywingz. A dupla aporta no Palco Sagres às 17h00, um dia antes da sua actuação no madrileno Mad Cool Festival, após a sua vitória no EDP Live Bands. E não há que arredar pé deste espaço para se experienciar a refinada electrónica dos britânicos HONNE (17h40), ainda com o disco de 2018 Love Me / Love Me Not na bagagem. Pelas 19h45, é altura de fazer um desvio pelo palco NOS Clubbing, onde surgirá Samm Henshaw, novo nome da escola da soul abertamente influenciado por D’Angelo e apoiado por Chance The Rapper e EARTHGANG. Em alternativa, a revelação do jazz Ricardo Toscano ruma ao palco Coreto by Arruada pelas 19h50.

Às 21h10, é nesse palco que o polivalente MC e poeta londrino Kojey Radical — promessa concretizada nos campos do grime e da soul conceptual — fará a sua estreia em Portugal, precedendo a actuação do seu “triunfal” congénere brasileiro Emicida (22h50). Antes, todavia, há que regressar ao Palco Sagres para testemunhar uma das mais meteóricas figuras do novo r&b — sem cancelamentos à vista, Jorja Smith (21h50) traz o longa-duração Lost & Found a lume, para replicar ao vivo o sucesso de faixas como “Teenage Fantasy” e “Where Do I Go?”. O nome que lhe segue no Palco Sagres é não só colaborador de Smith (e coleccionador de t-shirts vintage de futebol) como uma revelação do hip hop inglês: às 23h20, Loyle Carner pisa pela primeira vez um palco português, pouco depois de ter editado o seu meditativo segundo disco, Not Waving, But Drowning.



Há tempo para recuperar e dar uma vista de olhos pelo recinto antes de se reajustarem emocionalmente para o concerto de Robyn, à 01h20 no Palco Sagres (cinco minutos antes, Stereossauro estará no palco NOS Clubbing para apresentar Bairro da Ponte). A figura de proa da pop sueca tem Honey na manga, uma colecção potente de house catártico que reinventou a estética da autora de “Dancing on My Own” ou “Call Your Girlfriend”. Pelas 02h40, terão de encontrar ainda alguma energia para o “casamento do orgânico e do sintético” oficiado pelos britânicos Maribou State, no NOS Clubbing.

No dia seguinte (12 de Julho), de reposição de energias e mais momentos de êxtase, é nesse palco que retomamos actividade. A inaugurar a Curadoria Bridgetown, uma auto-proclamada mistura de Fleet Foxes e Gucci Mane, um alegado ponto de encontro de Tame Impala e Chief Keef — aqui se podem situar os Lé Vie, com honras de abertura do NOS Clubbing pelas 17h50. Há muito tempo para vaguear e reabastecer antes de Carla Prata (20h05), que se movimenta suavemente no r&b e no hip hop, tomar as rédeas desse espaço, passando depois o testemunho ao luso-moçambicano Plutonio (21h10), rapper do Bairro da Cruz Vermelha e colaborador de Papillon ou Lhast. Há tempo para saborear ainda as rimas de Dillaz (22h30) e, em jeito de conclusão, SAINt JHN (01h30), com espaço de manobra para presenciarmos a vinda da pioneira que se apresenta iminente.

É verdade: a indescritível — poderíamos tentar com a palavra “ícone”, mas não parece suficiente — Grace Jones apodera-se do Palco Sagres à meia-noite. A autora de Nightclubbing e Slave to the Rhythm — o excesso e a angulosidade visual contrapostos ao calor de Nassau compuseram a sua pauta nos anos 80 — já não edita um disco desde Hurricane, de 2008, mas isso não a deverá impedir de consubstanciar a sua lenda de vulto queer, andrógino e transgressivo perante o público português.



Chegados ao dia derradeiro, voltamos a dirigir-nos ao Palco NOS Clubbing, que recebe o pontapé de partida dos franco-chilenses Nova Materia (17h40), especializados numa intersecção pulsante entre electrónica e punk, uma sonoridade cristalizada com (literais) sons de minerais.

Às 18h50, reserva-se o espaço para a máscara dourada de Golden Features, produtor de deep house que tem conquistado popularidade na sua nativa Austrália. Pausa prolongada para jantar e petiscar outros sons pelo NOS Alive, antes de estacionarem no Palco Sagres às 22h15 para o advento de MARINA (ex-Marina and the Diamonds), cantora e compositora britânica que assinou álbuns de culto como Electra Heart e FROOT antes de editar Love + Fear no passado mês de Abril. Os canadianos Tom Howie e Jimmy Vallance constituem a dupla de electrónica Bob Moses, que estará no NOS Clubbing pelas 22h50, antes de George FitzGerald (00h30) — que passou de estar atrás de uma banca numa loja de discos para assinar os seus próprios 12”.

Rebobinemos: ainda há um tal frontman dos Radiohead para experienciar em toda a sua glória a solo. Thom Yorke encontra-se na ressaca do lançamento de ANIMA, álbum visual que deverá apresentar no Palco Sagres à meia-noite. E finalmente paramos pelo palco principal do NOS Alive ’19, para nos apaixonarmos novamente pela electrónica inconformista dos The Chemical Brothers (01h30), dos quais se conheceu o último longa-duração No Geography em Abril.


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