O Festival Timbuktu regressa a Lisboa nos dias 19 e 20 de junho de 2026 para a sua segunda edição, ocupando o BOTA Anjos com um alinhamento que atravessa jazz, rock, pop experimental e música africana, sem grande preocupação com compartimentos estanques.
“Queremos propor uma visão alternativa do que é ser fã de música numa época em que rótulos são colocados em tudo sem darmos quase conta, e o que ouvimos é decidido por algoritmos que acham que se gostamos de uma coisa, não devemos gostar de outra”, explica André Fernandes, músico, produtor e fundador da plataforma lisboeta. “Como não vejo a música dessa forma, a Timbuktu vai a todas, desde que mexa connosco”, reforça ainda em declarações ao Rimas e Batidas.
Essa ideia materializa-se num cartaz assumidamente heterogéneo. A abrir, a 19 de junho, estão os Mazam, projecto que continua a desafiar coordenadas previsíveis dentro do jazz nacional, seguidos pelos bbb hairdryer — descritos por Fernandes como “a minha banda favorita de rock/grunge/whatever da atualidade” — antes do fecho com o encontro entre Jery Bidan e Mbye Ebrima, num cruzamento entre música africana, improvisação e pulsação contemporânea.
No segundo dia, o foco desloca-se entre diferentes intensidades: Mossy Slippy trazem a linguagem do trio jazzístico para território de nova geração; Fushi apresentam uma abordagem à pop eletrónica experimental assente na voz de Sara Badalo e na bateria de Alexandre Frazão; e Rodrigo Correia encerra com Promessa, projecto que talvez melhor sintetize a identidade estética que a Timbuktu procura afirmar.
“O Rodrigo é um exemplo perfeito deste esbater de linhas estilísticas”, garante André Fernandes. “É um dos mais requisitados contrabaixistas de jazz em Portugal e, ao mesmo tempo, produtor pop com alguns dos artistas de maior sucesso comercial no país”. E, avisa ainda Fernandes, para a apresentação de Promessa, Rodrigo Correia convoca João Paulo Esteves da Silva, Ricardo Toscano e João Lencastre.
Mais do que um festival, esta parece ser a montra mais visível de um ecossistema criativo que a Timbuktu tem vindo a consolidar desde 2023. Sediada em Lisboa, a estrutura funciona simultaneamente como editora, estúdio, promotora e plataforma educativa, cruzando concertos, edições discográficas, masterclasses e produção audiovisual.
Nos últimos anos, a Timbuktu foi construindo um percurso consistente dentro da cena independente portuguesa, tanto através da Timbuktu Records como da programação regular em espaços como o seu próprio quartel general, o Passevite ou o So What onde foram reunindo nomes como Mário Laginha, Maria João, Kevin Hays, Aaron Parks ou Jorge Rossy. O festival surge, por isso, como extensão natural dessa visão curatorial: menos fidelidade a géneros, mais compromisso com a surpresa.
Os bilhetes para os dias 19 e 20 de Junho da edição 2026 do Festival Timbuktu já estão disponíveis.