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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 22/05/2026

Noise minimalista e ficção científica sonora.

Edward George junta-se a CAVEIRA para um espetáculo único no Teatro do Bairro Alto em Junho

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 22/05/2026

Dia 6 de Junho no Teatro do Bairro Alto, uma rara confluência entre a contenção minimalista e a densidade da diáspora africana promete sacudir o espaço. Quando o relógio marcar 19h30, o quarteto instrumental lisboeta CAVEIRA — Pedro Gomes (guitarra), Gabriel Ferrandini (bateria), Pedro Alves Sousa (saxofone) e Miguel Abras (baixo) — partilha o palco com o londrino Edward George, artista multidisciplinar e fundador do Black Audio Film Collective.

O encontro surge ainda na sequência de ficar vivo, álbum do grupo portugês editado em 2024 que serve de ponto de partida para um diálogo entre duas abordagens à escuta que raramente se cruzam. CAVEIRA, que prontamente falou sobre esse disco com o ReB, tem construído uma identidade pautada pela escassez calculada das suas atuações ao vivo, transformando cada concerto num acontecimento único. A sua linguagem sonora equilibra gestos reduzidos ao essencial com explosões de massa ruidosa, herdando lições do trompetista Sei Miguel e reconfigurando os alicerces do rock, do free jazz e do noise. Edward George, por seu turno, carrega consigo uma longa história construída sobre paisagens evocativas que entrelaçam ficção científica, ensaios dramatúrgicos e memórias da travessia caribenha e europeia da população negra. As suas séries radiofónicas The Strangeness of Dub e The Strangeness of Jazz, bem como o documentário The Last Angel of History, testemunham uma trajetória onde pertença e estranheza coabitam sem resolução fácil.

A colaboração inédita promete um embate produtivo entre o peso telúrico de CAVEIRA — forjado em mais de dez anos de cumplicidade entre a atual formação — e a voz manipulada de George, que junta giradiscos e spoken word à equação. O hermetismo do grupo, até aqui zelosamente preservado, será assim perfurado por um elemento externo que desafia percepções e amplia o espectro interpretativo da noite, fazendo desta sessão no TBA um marco pontuado no tempo — daqueles que o próprio quarteto só autoriza quando a matéria sonora atinge o ponto exato de necessidade.


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