Edgar Raposo (Groovie Records): “Eu acho que Lisboa tem características e qualidades que maior parte dos países da Europa não têm”

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTOS] Direitos Reservados

As lojas de discos são lugares especiais, carregados de memória e de promessas, de aventuras e de tesouros. E uma das incontornáveis lojas de Lisboa, a Groovie Records — que também é um importante selo discográfico — acaba de se reinventar, abrindo portas num novo espaço, na Rua Angelina Vidal, nº 80A, Anjos/Graça, com stock reforçado, cara lavada e um novo propósito.

Edgar Raposo, o homem do leme da Groovie, acabadinho de regressar do Japão devidamente carregado de vigor, fala do que significa ter um espaço de portas abertas nesta capital tomada pelos fenómenos paralelos do turismo e da gentrificação, revela-nos, sem nunca descurar que o segredo é a alma do negócio, como vai arranjando novos-velhos discos para os seus escaparates e aponta o caminho do futuro que está já aí ao virar da esquina no que ao seu selo diz respeito. Em dia de inauguração oficial para que todos estão, aliás, convidados, ficamos a conhecer melhor um espaço cheio de rock, o tronco central da Groovie, mas também de derivas psicadélicas do mundo — das Caraíbas a África, do Brasil à Ásia — de jazz e de funk, de maluqueiras electrónicas a descargas eléctricas de todas as voltagens. Ora façam favor.



Como é que a loja nova vai funcionar?

Vai ser na Rua Angelina Vidal, nos Anjos, aquilo é entre os Anjos e a Graça. E é interessante porque é muito perto de onde era a loja Grande Feira do Disco, dos anos 60/70/ 80, era a 100 metros dali, na mesma rua. Vai funcionar de segunda a sábado, de manhã e à tarde. Agora resolvi assumir o compromisso de espaço aberto ao público a 100%. 

Quem é que vai ser a equipa?

Vai ser a mesma. A Ana [Farinha, aka Candy Diaz] e o Luís [Futre]. O espaço, como é de dois pisos, acaba por ser mais fácil para gerir nesse sentido. 

Aberto ao público vai estar um piso apenas?

Um piso apenas e o outro é só da editora. 

Houve alguma razão para teres escolhido esta zona ou foi o espaço em que a loja vai funcionar que determinou a escolha?

Eu fui viver para ali há um ano. A 150 metros do espaço novo. A mudança acontece por isso por uma questão de logística, e também porque aquela região dos Anjos, Graça, Intendente e Arroios está num desenvolvimento gigantesco, super rápido, a abrir coisas atrás de coisas, e está a começar o processo de gentrificação um pouco diferente da zona da baixa, talvez num aspecto mais alternativo. No fundo acabou por influenciar a escolha de procurar ali um novo espaço… o facto de estar a viver ali — para mim é mais prático — e o facto daquilo estar em franco desenvolvimento em termos culturais, e ainda é um pouco mais acessível, ou era. Eu tive um pouco de sorte porque arranjei um espaço que é acessível, mas já percebi que as rendas ali estão a disparar a um ritmo fulminante. 

Ainda é uma boa altura para ter uma loja aberta? Ainda é um bom negócio ou é preciso ser maluco para ter uma loja de discos aberta em Lisboa neste momento?

Eu acho que é preciso ser um pouco maluco para ter uma loja de discos aberta neste momento. Uma loja de discos de música independente. Genérica talvez seja outra conversa, não sei. Mas eu acho que se não fosse o facto de ter editora, eu não abria a loja de discos. Eu abro a loja, e reabro a loja, porque a editora realmente atrai muita gente. Nós exportamos discos, mas também importamos clientes. É muito rara a semana em que não aparecem duas ou três pessoas, estrangeiros, que vêm de propósito para vir à loja por causa da editora. Eles não vêm à loja, eles vêm mesmo à editora. E foi isso que influenciou esta nova decisão. Pensei muito sobre isso quando “fui expulso” do espaço na Rua de São Paulo. Pensei: “Ok, vou manter a coisa interna, arranjo um armazém para a editora, funciona só editora, vendas online e acabou”. Não teria esse gasto de despesas com pessoas, com aluguer, com sei lá mais o quê, mas por outro lado é super interessante tu teres um espaço com uma editora que é muito conhecida lá fora, e que tem uma certa importância, e acho que é muito importante as pessoas virem para conhecer o trabalho in loco. E isso acontece semanalmente. 

E que tipo de pessoas são essas que te visitam?

Toda a gente. Músicos, jornalistas, clientes normais, fãs. Um pouco de tudo. E vêm de propósito. Isso foi determinante para manter o espaço aberto.

Por outro lado falaste-me de uma parceria com a Mr. Bongo: queres explicar como é que isso vai ser?

Isto surgiu de uma proposta do Dave, o dono da Mr. Bongo. Nós somos amigos há muitos anos, e ele também é casado com uma brasileira, fala um pouco português, e uma vez ele veio aqui a Lisboa e fez essa proposta, digamos assim. Começou: “e se começássemos aqui uma espécie de parceria?”. Já se estava a aproximar aquela história do Brexit e ele começou a pensar em deslocar uma parte do armazém para fora de Inglaterra. Primeiro, porque fabrica todos os discos fora de Inglaterra, na Europa deste lado — República Checa, Alemanha, Holanda. E fez essa proposta: “se tu mudares de espaço ou conseguirmos arranjar um, eu trago parte do stock da editora para Lisboa e fazemos a distribuição para algumas lojas e vendas directas a partir daqui para a maior parte dos clientes sitiados fora de Inglaterra”. Para evitar impostos e esse tipo de coisas. Para além de que os custos em Portugal são muito mais reduzidos que os custos em Inglaterra. A proposta dele surgiu nesse sentido. Estamos a avançar aos poucos, já está uma parte do stock cá. Ele mandou uma parte para a feira de discos de vinil de Lisboa, e desapareceu logo uma quantidade enorme. Ele virá cá em breve para acertarmos alguns pontos em relação a essa questão de armazenagem. É uma coisa que leva tempo, mas está a avançar. E penso que vai ser positivo para mim e para ele. 

Esta mudança traz também algum tipo de alteração na orientação da loja? Como é que tu defines a Groovie, loja, 2.0? 

Para já vamos ter mais discos [risos]. A orientação continua a ser um pouco a mesma: música independente, desde o rock até à música de África, passando pelo Brasil, que é uma área em que apostamos bastante porque eu vou lá muitas vezes e trago imenso material. Continuar com aquilo que define a editora, que é a música rock independente. Vão encontrar mais discos, mas realmente vai haver uma mudança. Queremos que o espaço seja um pouco mais habitável. Vai ter um espaço que é um bocadinho, digamos, mais lounge. Vai ter DJs regulares, um set de gira-discos sempre montado, sempre com abertura para quem quiser divulgar algum projecto, passar música, fazer um warm-up para uma festa. Ou simplesmente para estar alguém, a um sábado à tarde, a passar a música, a tomar um café, que é algo que também vamos ter. Mudámos um pouco a estrutura social da Groovie, empresa, para podermos vender cafés, cerveja. Ter algum suporte nesse sentido. Vai haver uma mudança no aspecto da loja e do espaço. Wi-fi gratuito, um espaço para o pessoal chegar com o seu laptop para estar um pouco a trabalhar. Permite às pessoas estarem lá sem ser para comprar discos — vão para estar um pouco, ouvir música, desfrutar do ambiente. 

Isso é uma coisa que sempre foi importante na loja de discos tradicional, essaa ideia de construir uma comunidade a partir de uma loja de discos. Esse pensamento também presidiu na hora de organizar o espaço? 

Exactamente, mas mais definido. Nós anteriormente não tínhamos um espaço físico adequado para que realmente isso funcionasse a 100%. Sempre foi um espaço de encontro. Um lugar de encontro do pessoal da música rock aqui da zona, fizemos imensos concertos, imensa coisa aconteceu aqui no espaço que proporcionou um pouco essa junção de malta que vinha aos concertos ao Musicbox, ao Sabotage, e passava por aqui. Mas tentei realmente definir mais essa parte de ter a loja como um espaço de encontro e de estar. Para mim, as lojas de discos hoje em dia também são um bocado isso. Principalmente aqui na Europa, e tu em grande parte delas tens essa duplicidade em que chegas, tens um café, sentas-te um pouco com o teu computador, ouves música e não vais só para comprar discos, vais também para conversar com os teus amigos. E eu acho que hoje em dia isso é um factor importante. 

Como é que vai ser o rácio entre edições novas/discos usados dentro da loja? 

Idêntico. Vai ter mais porque há mais espaço para discos, mas as edições novas tiveram um crescimento acentuado nos últimos tempos devido ao acesso a outro tipo de coisas em que dantes nós não apostávamos. A editora alargou um pouquinho mais as edições, principalmente para a cena brasileira.

Acabámos por ter mais material de editoras que têm mais a ver com esse tipo de discos — uma Habibi Funk, por exemplo –, que fazem toda a diferença e quase ninguém vende em Lisboa. Quase ninguém se interessa em vender. Ou porque são caros ou porque não querem investir ou porque só querem ter aquilo que se vende… 

Vamos separar aqui um bocadinho a conversa, que eu quero falar sobre a Groovie e as suas edições mais adiante, mas, e em relação à parte de velho stock — ainda há bocado mencionavas que viajas com alguma frequência para o Brasil –, como é que, numa altura em que já toda a gente tem net, ainda se continuam a descobrir novos lotes para uma loja como a tua?

[Risos] É extremamente difícil. Cada vez mais. Devido ao facto de haver cada vez mais pessoas a quererem viver disso, andar nas feiras, andar a meter anúncios na Internet. É preciso muito trabalho e ter os contactos certos. Por exemplo, eu vou ao Brasil com alguma frequência, mas a malta que não pense que eu chego lá e estão os discos à espera que sejam caçados para trazê-los para cá. Não é nada disso. Tens que trabalhar muito, tens que ter os contactos certos. Pá, e estamos a falar de quase 20 anos a ir para o Brasil, tempo em que crias uma conexão com uma rede de fornecedores, diggers, conhecedores, amigos que andam em contacto com pessoas do meio, que não são lojas. E isso é tudo trabalho de muitos anos. 

E cá? Ainda se encontram lotes daqueles que te dizem: “uau, como é que foi possível isto estar 20 ou 30 anos guardado numa garagem e ninguém saber?” Ainda ficas de boca aberta em 2019?

Sim [risos]. Inacreditável, mas acontece. Claro que tem a ver com esse tal trabalho que tu fazes de andar por aí. E depois há o factor sorte, como é óbvio. E temos que entender uma coisa: hoje em dia, a maior parte das pessoas já não vendem essas colecções por um euro cada um. Não chegas à casa da pessoa e ofereces um euro ou 50 cêntimos. Isso já não acontece. As pessoas sabem que as coisas têm um certo valor e depois tens que ter um nível de honestidade grande para chegar a casa de uma pessoa que tem discos muito bons e chegares-te à frente e dares o dinheiro. E o boca a boca passa, e essa pessoa provavelmente tem um amigo e sugere-te. E é assim que a coisa se processa. Se vais lá oferecer um euro por disco, a pessoa não tos vende ou vende e nunca mais fala contigo porque pensa que a enganaste. É esse processo, esse trabalho de campo, é ter a loja aberta também. 

Entra muita gente aqui, não é?

Entra muita gente e há aquele factor: as pessoas têm muito mais confiança em alguém que tem um espaço aberto. Já me aconteceu cruzar-me com uma colecção muito cara e eu dizer que não tinha financiamento para isso, mas a pessoa que a estava a vender disse-me: “fazemos o seguinte, você dá-me uma parte agora, leva os discos, eu sei onde é que você tem a loja, e eu vou lá para irmos acertando”. Fechado. Não há que enganar. Tens a porta aberta, a pessoa vem, combinámos aquilo e a pessoa vem todos os meses buscar x por causa da colecção de discos que vendeu. 

Olha, eu também já colecciono discos há suficiente tempo para me lembrar de quando ninguém ligava aos singles de Angola, música de Cabo Verde, etc.. Essa foi uma das grandes tendências destes últimos três, quatro, cinco anos, talvez. Já começaste a perceber por onde é que andam os gostos das pessoas? Essa tendência da atenção à música afro-lusófona mantém-se ou já começaste a identificar outros caminhos por onde os gostos das pessoas andam a seguir?

Já comecei a identificar. Essa questão da música afro-lusófona, principalmente Cabo Verde e Angola, foi por causa de uma moda que aconteceu por culpa de algumas compilações internacionais que saíram. Isso fomentou a malta começar a andar à procura dos discos aqui em Portugal, estrangeiros e portugueses. Os portugueses para venderem aos estrangeiros e os estrangeiros para tentar comprar e vender para fora [risos]. Mas começou-se a perceber que realmente era uma moda porque os discos começaram a ficar caros e já ninguém os compra, o que significa, portanto, que realmente as pessoas não os queriam assim tanto. Queriam se fossem muito baratos, porque quando começam a atingir preços de 50 ou 100 euros cada um estagna e já não se vende. Vendem-se meia dúzia deles, aqueles nomes super chorudos, aqueles temas que toda a gente quer. Há muita coisa que já não se vende se não for a um preço baixo. 

E para onde é que tu estás a prever que as atenções irão agora?

Para a música brasileira e para a música árabe. Editoras como Habibi Funk… Brasil e o mundo árabe. Brasil porque aquilo é infinito, seja rock, pop, funk, soul ou experimental… aquilo nunca acaba. As novas gerações vão continuar a descobrir. O Brasil acho que é aquele país em que a matéria-prima nunca vai acabar. Vai-se renovar, vai-se reinventar, tanto nas reedições como nas compilações. É um país que musicalmente é fantástico.



A história particular de uma cidade como Lisboa, onde existe uma comunidade paquistanesa, guineense, etc., essa história ajuda ao interesse que referias? Há discos desses em Lisboa?

Olha, no outro dia estava a falar com um vizinho meu, que é paquistanês. Primeiro, no Paquistão não há música de influência rock porque eles são muçulmanos. Não há. Nunca houve desde a fundação, desde que o Paquistão se separou da Índia, não há música no Paquistão de tendência pop. Só religiosa. Na Índia sim, e há discos cá. Já falei com algumas pessoas ali da minha zona. Como te disse, é o meu trabalho de campo: vou comprar uma cerveja na loja do senhor indiano e começo a falar de música [risos]. E isso sim, eles conhecem. “Quando eu for à Índia, trago-te uns discos”. Então há interesse. 

Eu acho que Lisboa tem características e qualidades que maior parte dos países da Europa não têm. Primeiro porque há uma convivência pacífica com a maioria destas comunidades e muita gente estrangeira que vem para cá acaba por se deparar com essa energia africana, indiana, e eu acho que é mais fácil para o português ir para essas coisas da música árabe, indiana, africana.

Olha, ainda recentemente tiveste aqui o Madlib e o Egon na loja. De que outros clientes ilustres nos podes falar?

Malta do cinema. O Elijah Wood, por exemplo, é cliente da Groovie. Tudo o que ele não tem o original, compra directo no site da editora, e já nos visitou aqui por duas vezes.

E o Madlib, o que é que te comprou?

Comprou uma pilha de discos africanos. Ele e o Egon. Basicamente música africana e umas coisas brasileiras. E de Cabo Verde. 

A Groovie levou-te, penso que literalmente, ao Japão, certo? Exactamente em que consistiu essa aventura japonesa? 

Três coisas: fui de férias, pôr música e fazer negócios. 

Pelo lado da Groovie?

Pelo lado do catálogo da Groovie. Fui de férias porque decidimos que estávamos a precisar de uma viagem extraordinária e era um sonho de infância. Música japonesa, mangas e banda desenhada foram uma constante desde a adolescência. Decidimos ir para o Japão, temos amigos lá, principalmente o Chris Jack, dos The Routes, que vive no sul do Japão e que nos recebeu de uma forma fabulosa. E todos os outros amigos das bandas de que nós já temos contactos: fizemos duas compilações de bandas japonesas. E aí fomos numa de férias, aventura, sem saber falar a língua porque ninguém fala inglês. Tens que ir com a disposição certa. Fui passar música, fui a um festival em Tóquio. Trocas de discos, compras de discos, fechar negócios com bandas. Foi inesquecível e tenho um convite para ir tocar lá num festival no próximo ano.

E o que é que o resto do calendário de 2019 reserva em termos de edições? O que é que podes revelar?

Posso revelar o Brazilian Nuggets 4 — está pronto para ir para a fábrica; Trio Ternura, brasileiros, mais uma reedição de um disco de 1971, o segundo LP deles. Mais umas bandas novas. A trabalhar noutras compilações, uma intitulada Garotas Ácidas, só com anos 60/70 Brasil. Funk psicadélico, garage, obscuridades terríveis. Só feminino brasileiro. 

E o passado português? Ainda há coisas para descobrir e para lançar ou não?

Então, vamos lançar uma coisa muito em breve. O Afonso Porto, um dos nossos colaboradores, acabou de fazer o texto para o disco de um projecto chamado A Jovem Guarda, mas não A Jovem Guarda que saiu na compilação do João Peste, da Ama Romanta. É a mesma banda, mas não tem nada a ver. 

Com o tipo que tocava com o António Variações?

Exactamente. Os irmãos que tocavam com o António Variações. Os gajos, antes daquilo ser A Jovem Guarda que entrou na compilação da Ama Romanta, eram uma banda punk. Mas extraordinária. Uma coisa que nunca se fez em Portugal. Quando escutares, nem vais acreditar que aquilo é português ou que se fez uma coisa daquelas em Portugal. Primeiro porque eram tipos que estavam muito à frente em termos de conhecimento para a época — estamos a falar em 84/85. Os gajos andavam a ouvir os MC 5 e os Stooges e todo esse tipo de material super rough que ninguém ouvia cá. E apanhámos, da parte deles, uma bobine gravada na Musicorde. Tudo gravado em directo com o Rui Remígio. Temas originais, duas ou três versões, mas a maior parte original. 

Um elo perdido na história do punk português?

Um elo perdido na história do punk/new wave. Inacreditável. 

Qual é a formação?

Guitarra, bateria e baixo. Só. Na formação que gravou era só trio. Era guitarra, bateria e voz. Eram os dois irmãos e um baterista, que por sinal era o namorado da Ondina Pires, na época, um rapaz que se suicidou depois. E é uma porrada inacreditável. 

Isso sai quando?

Deve sair a seguir ao Verão. A capa está feita, o texto está feito, está tudo pronto. Acho que muita gente vai ficar assim um bocado impressionada como é que se fez aquilo e não se deu a conhecer, apesar dos esforços que eles fizeram. Eu tenho cerca de, sei lá, umas 15 ou 20 horas de gravações dos gajos, entrevistas de rádio, coisas do género. Ninguém quis aquilo. 

Eles financiaram o álbum, mas acabou por nunca sair?

Eles financiaram a gravação, mas aquilo nunca saiu. Inacreditável. Porque estava numa onda completamente diferente. Estava toda a gente na música urbano-depressiva e surgiram uns gajos carregados de LSD, eles próprios o dizem, com alguns temas gravados sob o efeito de substâncias psicadélicas, e eles têm uma versão muito interessante do “Foxy Lady” do [Jimi] Hendrix, que tu nem acreditas que aquilo existe e possa ter sido feito cá. Uma coisa cheia de echos, reverbs, fuzz e gritaria, mas muito bem tocado, músicos extraordinários. Como tu sabes, de quando acompanharam o António Variações, a qualidade da banda é muito boa. Acho que vai ser uma das grandes surpresas antes do Natal. 


Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu