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Publicado a: 05/07/2016

DJ Kamala: “A música portuguesa e urbana tem qualidade, talento e merece o seu espaço em grandes festivais”

Publicado a: 05/07/2016

[FOTOS] Direitos Reservados

Kamala – nome artístico de João Fernandes – é DJ, empreendedor, e, este ano, curador do palco NOS Clubbing no dia 8 de Julho, no NOS Alive, data em que leva ao Passeio Marítimo de Algés artistas como Sam The Kid & Mundo Segundo, NBC, Sir Scratch, Rocky Marsiano, Bob da Rage Sense, HMB, Da Chick, MGDRV e Filipe Gonçalves – muitos deles já tinham estado presentes numa actuação surpresa na edição de 2015 do festival, durante o set do próprio Kamala.

Este foi o pretexto para uma pequena conversa do Rimas e Batidas com o DJ sobre o seu papel de curador nesta edição do festival, que terá um dos cartazes mais recheados de sempre com hip-hop e géneros musicais irmãos, com destaque para os artistas portugueses.


O ano passado tinhas uma actuação no NOS Alive em nome próprio e surpreendeste ao trazer convidados especiais que este ano (muitos deles) têm o nome no cartaz num palco com a tua curadoria. Como é que aconteceu esta transição?

Aconteceu de forma algo natural. O ano passado ninguém esperava que levasse artistas surpresa para as minhas actuações. Provavelmente esperavam um DJ Kamala em modo clubbing. Mas a verdade é que preparei algo especial e as pessoas que convidei vestiram a camisola e estiveram de coração comigo em cima de palco. O resultado foi estrondoso. E isso fez com que a organização do festival tenha admitido que eu voltasse, desta vez no papel de curador. Tinha prometido a mim mesmo que se alguma vez tivesse a oportunidade, iria levar aqueles mesmos artistas, em nome próprio, anunciados e bem destacados, ao Alive. Felizmente pude concretizar essa “promessa”.

Foi o reconhecimento do sucesso do ano passado por parte da organização do festival?

Foi o reconhecimento de que a estética musical que apresentei o ano passado resulta e tem muito público adepto. Foi o reconhecimento de que a música portuguesa em geral, e a música urbana em particular, tem qualidade, tem talento e (com mérito próprio) merece o seu espaço em grandes festivais. É impossível ignorar. Este ano basta olhar para os principais cartazes em Portugal para ver que o hip-hop (e derivados) está bem presente. O NOS Alive não é excepção. É para mim o melhor festival em Portugal, com uma organização extremamente competente e capaz, que felizmente gostou do que viu o ano passado e decidiu cimentar a aposta.

Como é que surgiu o convite inicial, do ano passado, para actuares? Já conhecias a organização?

Embora não fôssemos amigos, conhecia algumas pessoas da organização por quem nutro um respeito e consideração muito grande. Conheço e acompanho o Alive desde sempre. O claim “o melhor cartaz sempre” não é para inglês ver. Não é à toa que é considerado um dos melhores festivais da Europa e do Mundo. Quem gosta de música não consegue ficar indiferente aos artistas (nacionais e internacionais) que ano após ano pisam aqueles palcos. Curiosamente, também já conheciam o meu trabalho há muito tempo e decidiram convidar-me para actuar.



O ano passado foi uma iniciativa tua levares todos estes artistas ou foi uma ideia da organização?

Foi 100% iniciativa minha. Sou apologista de “agarrar com as duas mãos” as oportunidades que me são dadas. Podia ser mais um DJ a passar por aquele festival ou podia fazer o que estivesse ao meu alcance para marcar a diferença. Penso que o convite para a curadoria é reflexo disso mesmo.

O que podemos esperar este ano, globalmente, da tua curadoria “NOS Alive e Os Nossos”?

Muita música boa, muito talento nacional (uns mais instituídos do que outros), algumas surpresas e alguns momentos únicos preparados especificamente para a décima edição do NOS Alive.

A maioria dos artistas que levaste, dentro do hip-hop, eram artistas já consagrados. Este ano a tendência é a mesma, apesar de haver outros mais jovens, como os MGDRV. Porque optaste por levar artistas mais consolidados e não tanto novos artistas de que gostasses?

Não é fácil fazer uma programação para o NOS Alive. Existem várias condicionantes e também vários factores a ter em conta. Vontades, disponibilidades, orçamentos, compatibilidade dos projectos ou artistas com a identidade e público-alvo do festival. Só depois entra em cena o gosto pessoal. E, a juntar a isso, a mais-valia que enquanto curador poderia trazer para mesa. Se fosse para fazer igual ou parecido com aquilo que já foi feito, não precisariam de mim. Há muitos bons nomes da nova escola do hip-hop que tenho a certeza que mais cedo ou mais tarde farão parte deste cartaz. Desta vez, por um ou outro motivo, as minhas escolhas foram estas.



O hip-hop e os artistas “nossos” de géneros irmãos, como os HMB e a Da Chick, precisavam de mais espaço num festival como o NOS Alive?

Acho que de uma forma geral, o hip-hop e respectivos géneros irmãos, podem e devem ter mais espaço num festival referência como é o NOS Alive. Qualidade não nos falta. Talento também não. E ficou comprovado o ano passado que público adepto existe em larga escala. Como tal, só pode ser uma boa aposta.

Notas uma evolução entre a edição do ano passado e esta? Consideras que poderia haver artistas destes em palcos maiores?

Isso não me cabe a mim decidir. Quem está de fora vê sempre com maior facilidade ou naturalidade certos cenários que, na realidade, nem sempre são possíveis. Organizar um festival daquela magnitude comporta um nível de risco e responsabilidade enormes. Seria fácil olhar para o meu umbigo e dizer que preferia ver o artista A, B ou C no palco principal ao invés dos que lá estão. Mas quando tens um festival praticamente esgotado antes de as portas abrirem, para mim estás acima da crítica (mesmo construtiva). Prefiro valorizar quem sabe fazer (e bem).

A um nível global, consideras que o hip-hop está bem representado nos festivais portugueses?

Se calhar não à mesma escala em todos, mas, de uma forma geral, eu diria que sim, está.

Além dos concertos que contam com a tua curadoria, que outras actuações queres ver nesta edição do NOS Alive?

Principalmente a do mano Agir. É para mim mais um exemplo de alguém que sabe fazer (e bem). Muitas vezes criticado pelo nosso meio por fazer música mais comercial, por comunicar principalmente com um público mais teen, porque as letras são lamechas ou porque são vazias ou porque não são “real”… a verdade é que está onde está por mérito próprio, enche todos os concertos que dá de norte a sul do País e, por mérito próprio, está no palco principal do NOS Alive. Much respect! Sou adepto dos que fazem. Não dos que falam.



Também tenho (muita) pena de não poder ver o Carlão. Não só está num palco diferente, no mesmo dia da minha curadoria, como toca literalmente ao mesmo tempo que eu, HMB & Filipe Gonçalves. De resto, Francis Dale, Soulwax, Branko, Four Tet, Mirror People e Jimdungo seriam as minhas prioridades. Mesmo sabendo que não vou conseguir ver nada por estar totalmente “mergulhado” em toda a parte de organização, logística e produção da minha curadoria. E, quando acabar, vou estar a precisar de descanso!

Desafiava-te também, como estás numa posição de curador, a definires 5 artistas actuais que consideres que definem o presente do hip-hop tuga.

Da nova geração? Não sei se definem a 100% o presente do hip-hop tuga mas gosto do Slow J, Bispo, Jimmy P, Grognation e o Dillaz. Mas há vários outros. Acho que há muito talento nacional a emergir dentro do hip-hop. Não só a nível de rappers ou MCs mas também a nível de produção. Basta ver (por exemplo) a resposta que o STK teve ao desafio das remisturas de “Caravana”. Precisamos é de mais iniciativas como a TV Chelas e (já agora) como o Rimas e Batidas. Keep up the good work!



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