7 Dias, 7 Vídeos

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal nos terrenos do hip hop e electrónica. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto de novo, com tanto para espreitar e escutar.

 


[Leikeli47] “Tic Boom”

O rap que aponta para as pistas de dança está bem entregue a Leikeli47. A misteriosa MC da máscara de alpinismo editou Acrylic no final do ano passado, álbum do qual é extraído este “Tic Boom”, agora apresentado no formato de vídeo aos olhos de Edgar Esteves — o realizador de Los Angeles popularizou-se ao lado de Russ e tem sido recentemente requisitado por artistas como Quavo, Lil Baby ou Kevin Gates.

 


[Jaden Smith] “A Calabasas Freestyle”

A carreira musical de Jaden Smith tem sido marcada por momentos mais ou menos felizes, resultado, talvez, de um processo de maturação difícil, para quem já nasceu sob as luzes dos holofotes. “A Calabasas Freestyle” é uma das suas mais positivas produções recentes, tema de rap graúdo e sem refrão, com uma batida à medida, esculpida por Keyz and Keanu e Ayo The Producer. O tema integrou The Sunset Tapes: A Cool Tape Story, o segundo álbum de Jaden, dado a conhecer em Novembro.

 


[Louis Culture] “CULTURE FOR…” feat. Lava La Rue & Lord Apex

O hip hop made in UK tem estado em especial destaque nos últimos anos, com talento musical a brotar um pouco por todo o seu território. É de Londres que, naturalmente, se faz ouvir mais barulho, e Louis Culture é um nome a somar à lista de newcomers provenientes da capital britânica e que devemos manter debaixo de olho.

“CULTURE FOR…” foi apresentado num remoto Agosto de 2017 e só agora chegou ao formato de vídeo, por intermédio da NTS. O tema arranca com uma introdução melosa, seguido de uma batida sombria e minimal e efeitos visuais retro-futuristas, que nos remetem aos anos 90. Entrada venenosa de Lord Apex para fechar a faixa, ele que é também um artista a ter em conta nesse fervilhante subsolo do rap inglês.

 


[Ella Mai] “Shot Clock”

É também de Londres que nos chega a voz doce de Ella Mai, uma das apostas de DJ Mustard na sua 10 Summers Records. É o produtor de Los Angeles quem assina a maior parte das batidas presentes no disco homónimo de estreia da cantora, detentor de singles que voltaram a colocar o nome de Mustard de volta nas principais tabelas de vendas um pouco por todo o mundo — “Boo’d Up” e “Trip” tiveram forte expressão na Billboard 200, com o primeiro tema a valer as primeiras duas nomeações para Ella Mai nos Grammys. “Shot Clock” é o mais recente single a ser extraído do disco.

 


[Mishlawi] “Uber Driver”

Depois de ter mostrado as competências enquanto rapper, Mishlawi tem-se afirmado enquanto uma das mais importantes vozes do r&b e da pop em Portugal. O momento que atravessa não podia ser melhor: o álbum de estreia está prestes a ser editado pela Bridgetown e até já tem os respectivos concertos de apresentação agendados, com a cidade do Porto em destaque, que o recebe pela primeira vez. “Uber Driver” sucede a “Bad Intentions” na lista de avanços do longa-duração.

 


[YOUNGSTUD] “YAMA” (prod. Tayob J.)

YOUNGSTUD foi, possivelmente, o artista hip hop em Portugal que mais peles conseguiu vestir no menor espaço de tempo possível — do rap orientado para a força das palavras às cantorias liricamente menos complexas, do trap sujo e agressivo às produções mais orgânicas e cristalinas. “YAMA” é uma balada que volta a juntar o artista de Alverca a Tayob J. e serve de aperitivo para um novo disco.

 


[Alexander Mack] “Brand New”

Falando em camaleões, Alexander Mack é um talento em bruto a operar a partir do estado de Virgínia. O seu mais recente single é um caso raro no canal da Elevator e tem um pouco de tudo: rap, canto e uma panóplia de flows capaz de fazer inveja a MCs tecnicamente mais ambiciosos, servidos num beat jazzy com um bouce capaz de alegrar qualquer segunda-feira.

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira