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Fotografia: Fliponraw
Publicado a: 22/06/2026

“Não deixe que esqueçam quem que manda.”

Duquesa na Casa Capitão: a MC que veio para ficar

Fotografia: Fliponraw
Publicado a: 22/06/2026

Duquesa trouxe a energia do trap e hip hop feminino brasileiro a Lisboa, em dois concertos que reuniram fãs e curiosos da arte da artista natural da Bahia. Jeysa Ribeiro [Duquesa] começou o espetáculo ao som de “Fuso”, faixa que também principia o álbum SIX. lançado em 2025, que conta com mais de 65 milhões de streams. Foi com a barra “toda a casa que eu canto, eu derrubo” que se percebeu de antemão o que se podia esperar ao longo da próxima hora. 

A rapper, juntamente com a sua DJ, Nicole, esgotaram a sala do rés-do-chão da Casa Capitão e trouxeram esta energia para dois concertos que acertaram o tom para a tarde e noite do dia 16 de junho, poucos dias após a sua grande estreia em Portugal no Primavera Sound Porto. Este two women show, na primeira vez por Lisboa, entregou empoderamento, energia e “atitude de gostosa”. Barras da malha “Turma da Duq”, presente no álbum Taurus, Vol. 2 (2024), que a plateia cantou e gritou em harmonia, revelando a potência que esta artista detém na audiência portuguesa. Entre barras e pausas para dança, o espetáculo reuniu hits da sua discografia que foram entregues com frescura e audácia. 

Pelas 21h30, hora de abertura das portas para o segundo espetáculo do dia, o público já se reunia em torno do palco com antecipação para ver e sentir quem era a Duquesa. À hora certa e ao som de “Fuso”, como referido acima, a entrada fez juz à energia surpreendente da artista, que transmitiu confiança e presença em palco, ofuscando qualquer dúvida que pudesse surgir sobre a mesma. Não recomendado para quem esperava um concerto calmo, a intensidade fez-se sentir de uma ponta à outra da sala e o público foi a prova disso. Uma mistura entre quem sabia as letras de cor e não teve vergonha de as cantar e quem não tirava uma pausa de dançar e saltar, a troca entre artista e fãs foi análoga. 

A setlist contou com as faixas mais agitadas e emblemáticas, com as beats e rimas cortantes habituais de Duquesa, que são o pano de fundo para a mesma expor os entraves que a mulher negra enfrenta na sociedade e a necessidade do empoderamento feminino, quer no cenário musical, quer no quotidiano. Algo materializado e palpável em “Taurus”, “Única” e “Big D!!!!!”, faixas do álbum Taurus, publicado em 2023 sob o selo da Boogie Naipe. Sob inspiração do do signo astrológico da artista, este projeto desenhou e despoletou a sua carreira, bem como as sonoridades que lhe iriam ser características. A alusão ao seu aniversário também é percetível no tema “Primeiro de Maio (Gostosas Inteligentes)”, retirada do seu projeto mais versátil Taurus, Vol.2, uma expansão do álbum lançado no ano anterior. Antes de ecoar algumas malhas deste disco na Casa Capitão, Duquesa admitiu que “Gostosas Inteligentes” é o adjetivo que associa e caracteriza as suas fãs, o que impulsionou a expetativa para a atuação de uma das faixas mais emblemáticas da continuação de Taurus. Este projeto, lançado em 2024, afirmou a artista como um dos nomes mais promissores da sua gravadora, e preencheu grande parte da curadoria musical da noite de terça-feira. Entre dicas afiadas e assertivas, houve espaço para a artista convidar a audiência para um date, através dos ritmos sedutores e envolventes de “Purple Rain” e “Só um Flerte”, alterando o clima durante um tempo. No entanto, o empoderamento feminino e a manifestação de amor próprio foram retomados rapidamente, com as faixas “99 Problemas”, “Turma da Duq” e “Disk P@#$%&!”.    

Duquesa destaca-se pela energia vibrante e confiante, mas o carisma e gratidão também tiveram lugar no palco. A artista baiana proferiu um discurso para os seus fãs imigrantes que moram em Portugal, mostrando empatia e gratidão pelo apoio prestado. Os momentos de partilha e interação com a audiência foram assentes ao longo da performance. Entre trocadilhos e tentativas de compreender a expressão “bué fixe”, bem como fãs chamados ao palco para dançar, este momento foi memorável para os que se deslocaram à Casa Capitão, bem como para a rapper. Jeysa permitiu uma brecha para a vulnerabilidade, contando a sua história e proferindo palavras de apoio e incentivo para qualquer um seguir os seus sonhos, afirmando que todos merecem sucesso e conseguem alcançar o que mais ambicionam. 

O fim chegou rápido, após uma hora de pura energia de hip hop e trap que passou a voar. No entanto, reafirmou que a rapper é um dos nomes promissores da indústria musical brasileira e que o trap e rap feminino veio para ficar e para abrir muitas portas. Duquesa dá voz e possibilidade para que esta indústria sirva como um meio de encorajar e empoderar mulheres e meninas, que, até então, foram oprimidas pelo sistema e pouco representadas pelos grandes medias e artistas. Além do carisma e força desta MC, é de salientar a importância que este momento teve para as rappers femininas nos palcos portugueses. A euforia pairou no ar após este concerto com lotação esgotada, que deixou uma breve possibilidade de retorno da Duquesa no próximo ano, após uma brincadeira final que suscitou esta inquietação nos seus fãs.


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