YOUNGSTUD sobre “AYAHUASCA”: “É a busca desastrada pelo equilíbrio na tua mente”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Noss Films

YOUNGSTUD lançou ontem um novo videoclipe. “AYAHUASCA” é produzido por Maria e é mais um avanço de AVERSÃO, o seu próximo EP.

Anteriormente conhecido como Yvng $tvd, Pedro Campos deu uma nova cara ao alter-ego com que assina as suas músicas. A reformulação foi plena. Além de YOUNGSTUD ser o nome que surge agora nas “etiquetas”, o rapper e produtor de Alverca abandonou o estúdio caseiro que tem no quarto para trabalhar de perto com Tayob, no seu Noiz Estúdio. Além da ajuda no lado mais técnico da gravação e produção do projecto, há também a vertente visual a fazer parte deste upgrade — a equipa da NOSS Films ficou responsável pelo videoclipe de “AYAHUASCA”.

A música de YOUNGSTUD fica agregada ao catálogo da Modular Cat, outra das iniciativas de Pedro Campos. “Vem no sentido de eu ter o desejo de fazer outras coisas sem ser rimar”, explicou ao Rimas e Batidas. Foi por lá que surgiu “WHATDUDE?”, o tema que anunciou a AVERSÃO que se aproxima, embora tenha ficado de lado na hora de definir o alinhamento do EP.

 



Há uns meses mudaste o nome do teu canal no YouTube para Modular Cat. Em que consiste este projecto?

O Modular Cat vem no sentido de eu ter o desejo de fazer outras coisas sem ser rimar. Tanto seja algo que saia até do espectro do hip hop, mais experimental, como até algum conteúdo multimédia assíduo que tenha a ver com o que me identifico a nível criativo ou cultural, sem que seja sempre o YOUNGSTUD a assinar essas outras vertentes — poderei construir outros alter-egos, por exemplo. E assim não limito o canal à ideia de ser só o o canal do YOUNGSTUD. O people que quiser ouvir saberá que estão lá os sons e ainda podem ser surpreendidos por outras cenas bacanas.

Lançaste ontem o segundo single do AVERSÃO. Em que ponto se encontra o EP?

Estou numa fase em que já se dissiparam as dúvidas do caminho a seguir no projecto. Seja bom ou mau, é mesmo isto, é desta forma que está a ser feita que eu quero fazer. Posso dizer que tenho mais de metade do caminho feito e estou a planear o conteúdo escrito sem qualquer tipo de complexos ou filtros na minha cabeça, o que me faz estar a desfrutar bastante do que estou a escrever e a apresentar nos temas. E a nível instrumental já há uma harmonia muito fixe que está a delinear uma identidade muito própria no projecto, tornando-o mais do que “x” faixas alinhadas numa tracklist, sendo mais como uma experiência, tipo um filme, o meu filme, i guess. ‘Tou a curtir.

Contaste com a produção do Maria, da Monster Jinx, neste tema. Como surgiu essa colaboração?

O Maria é da minha zona (Alverca), mas não nos conhecíamos pessoalmente até há uns meses. Ele já era uma das minhas grandes referências daqui tipo, há 10 anos eu ouvia as cenas dele quando ele ainda tinha outro alter-ego e ele na altura já tinha uma monstruosidade de beats e tocava teclas com banda ao vivo. Acabámos por só nos conhecermos pessoalmente 10 anos mais tarde e foi uma cena bué natural. Somos da mesma zona, ele produz, eu rimo, e a nossa linguagem musical tem bué pontos que se cruzam. É muito fixe. Para mim é mesmo uma honra rimar num beat do Maria.

Além dele e do Tayob, que é quem te está a ajudar neste novo capítulo, há mais algum convidado nos teus planos para o próximo projecto?

Posso dizer que as pessoas que vão estar envolvidas na parte de produção vão ser mesmo o Maria e o Tayob. Era a melhor combinação que podia ter. Dois manos com muito talento, mesmo. A nível de convidados em princípio vou ter outra colaboração bastante interessante mas a seu tempo se revelará.

Explica-nos a ligação deste tema ao ritual indígena em torno do ayahuasca.

A palavra “ayahuasca”, tal como referes, é uma combinação de plantas, que são consumidas por certas tribos para usufruírem de fenómenos psíquicos de elevação mental e vidência. Significa, no dialecto de origem, “morto”. Isto vem muito pelo facto de isto ser um tema sobre a morte, ansiedade, depressão. É a busca desastrada pelo equilíbrio na tua mente. O teres, de alguma forma, que criar o teu próprio rito que te possa tirar da merda em que te sentes e obter essa elevação e vidência. O teu “ayahuasca” que ainda procuras.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira