Daxuva & Nina Miranda: “A única mensagem que temos é a de liberdade e partilha”

[TEXTO] Rui Correia [FOTO] Direitos Reservados

Pedro Ferraz estreou este ano o seu projecto Daxuva. Nos dois primeiros singles, o produtor portuense procurou um som etéreo que desse espaço à voz enigmática de Nina Miranda, vocalista bem conhecida do público português, sobretudo pela sua presença em Smoke City, grupo de fusão trip-hop com elementos de música brasileira que teve no single “Underwater Love” um dos momentos maiores da sua curta carreira nos anos 90.

O músico revelou-nos, em primeira mão, que o disco de estreia será lançado ainda este ano. Para abrir o apetite, vejam os dois vídeos para os temas “Hummingbird” e “Exist” e leiam a conversa com Daxuva, a primeira porta aberta para este universo downtempo.

 



Denota-se uma qualidade fora do comum para um projecto de estreia, com um cuidado especial sentido na liberdade do movimento lírico e na busca de dinâmica com recurso ao silêncio. Que outras experiências musicais tiveste antes de Daxuva? 

Desde muito cedo tenho contacto com o universo da música. Desde o rock ao hip hop, do cinema ao teatro. Integrei e produzi vários projectos. Produção, design de som, masterização e concertos. Daxuva é o projecto que decide compilar novas experiências e sonhos.

Como se criou a ligação entre ti e a Nina Miranda? E como é que desenvolvem o vosso processo musical?

A minha conexão com a Nina já vem desde o lançamento do Flying Away dos Smoke City em 97! Foi um álbum que me influenciou muito quando era mais novo.

Falando agora da génese deste projecto conjunto, tudo começou em 2015 quando um bom amigo me ligou a dizer que a Nina Miranda vinha ao Porto dar um concerto e que ela gostaria de reunir em estúdio vários músicos da cidade para uma jam session. Assim fui convidado para produzir essa jam que aconteceu na extinta Fábrica de Som. Nesse dia, eu e a Nina trocámos algumas impressões sobre música e sobre os nossos passados musicais. Falei-lhe que tinha vários instrumentais há vários anos que gostaria de explorar, mas que estava à espera do momento que fizesse sentido. Tudo muito relaxado. Não tinha pressa. Fiz-lhe o convite para fazermos uma música. Enviei-lhe uma das tracks para ela ouvir quando voltasse a Londres. Foi esse mesmo instrumental que viria a tornar-se a “Bicycle” [tema não-editado que integrará o álbum de estreia] e a partir daí criámos uma sinergia muito cúmplice. Adorámos o resultado. Desde então, fomos trocando tracks, a Nina gravava vozes à distância e eu editava e produzia. Com esta energia criada, fui compondo novos instrumentais para a Nina e, sem planearmos, começámos a ficar com material para a construção de um disco.

Até agora foram lançados 2 singles, ambos estreados no formato vídeo, e ambos expressando uma fluidez da movimentação humana, uma busca por um lugar. Qual é a mensagem que querem passar?

Não temos uma mensagem pensada que queiramos incutir. A única mensagem que temos é a de liberdade e partilha.

Achei curioso que o primeiro single “Hummingbird” tenha chegado ao 9º lugar da tabela de vendas do iTunes na Bulgária. Ficaste surpreendido?

Foi algo que nos apanhou de surpresa! Temos tido excelente feedback de vários países e temos estado em vários tops. Apesar de termos muito orgulho nas nossas músicas, é sempre inesperado vermos a nossa música a ser abraçada por tanta gente.

O que podemos esperar nos próximos tempos do teu projecto e em específico do álbum de estreia de Daxuva com Nina Miranda?

O disco está pronto e será lançado este ano, brevemente. Acabámos de lançar novo single, “Exist” e já temos tido feedback de todo o mundo mais uma vez. Estamos abertos a convites para tocar. Já recebemos vários: todos lá fora (para já). Em relação ao futuro do Daxuva é de esperar mais línguas, mais co-criação, mais participações, mais amor, mais música.

 


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