“α@“ é o primeiro lançamento do ano com o selo COLÓNIA CALÚNIA

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [ARTWORK] Edgar Matos [FOTO] Sebastião Santana

Acaba de sair “α@“, o novo tema de COLÓNIA CALÚNIA. Os produtores Metamorfiko e Miguel Roma são os autores dos cinco intensos minutos de música instrumental.

Começam agora a ser revelados os primeiros sinais de um futuro promissor que avistámos aquando da subida da turma COLÓNIA CALÚNIA ao palco do Damas a convite d’O Gato Mariano. O que aí soube a pouco, mostra-se agora propício a durar para a eternidade — os lançamentos vão acontecer ao longo do ano e não há limites para a quantidade de replays que podemos dar a uma faixa.

 



“α@“ foi um dos temas exclusivos que a COLÓNIA CALÚNIA estreou na emissão semanal do Rimas e Batidas na Antena 3, como antevisão dessa apresentação no Damas numa noite em que o colectivo dividiu atenções com M.A.F. e DarkSunn, outros amigos d’O Gato Mariano. Miguel Roma e Metamorfiko assinam esta jam psicadélica, um pequeno presente para abrir a época oficial dos lançamentos do colectivo no qual se inserem — é mesmo o próprio Metamorfiko quem, “muito em breve”, irá assinalar a edição do seu próximo EP, Eyelashes Gone; Teríamos de recuar quase sete anos para encontrar as últimas pistas neste formato, quando Butter Files e Crushing Clouds saíram pela já extinta No Karma.

“Quando se fala sobre o diggin no âmbito do hip hop, facilmente a conversa acaba nos discos obscuros que o jazz ou a soul nos deixaram”, começa por explicar Miguel Roma como introdução à nova faixa. “Ao trocar umas impressões com o Metamorfiko, reparámos que quase ninguém fala das influências do rock progressivo e daquela electrónica experimental. Decidimos fazer uma faixa que fosse ao encontro dessa escola. Tinha aqui a base ideal para começar e depois o beat entrou numa espécie de ping pong entre os dois até chegar ao que podem ouvir agora.”

Metamorfiko revela algumas das voltas que o instrumental deu, de modo a que fossem também perceptíveis as suas impressões digitais no produto final: “Quando recebi o ficheiro pensei logo em dar um twist ao beat inicial. O Miguel mandou-me a primeira parte com o break e a partir foi basicamente construir e desconstruir, samplar o que foi tocado, tocar com os samples e fazer algo progressivo. Tentei por o meu selo no swing da batida e nos detalhes.”

 


metamorfiko


O próximo passo leva o produtor de Portimão, agora a residir em Lisboa, à edição de um aguardado EP. “Os meus olhos não são os mesmos desde que comecei a produzir”, revelou Metamorfiko, fazendo a ligação entre o mundo real e o título da sua próxima obra. “A minha vista começou a ficar seca ao longo do tempo e muitas vezes tenho de fazer largas pausas e retomar de novo. Sinto os olhos como se não tivessem protecção, daí a ideia do título de não ter pestanas. Por outro lado, o facto da minha vista estar neste estado é também uma consequência do meu empenho e a vontade que sempre tive de criar.”

Eyelashes Gone estará cá fora brevemente e será um projecto “abstracto, a roçar a electrónica com alguns breaks e samples à mistura — tento sempre ir buscar o sample mais obscuro e adulterar à minha maneira. O resto são paranóias. Quando produzo tento ser o meu produtor favorito, acrescentando sempre algo com o meu próprio cunho. As influências estão lá mas o resultado é o que vai na minha cabeça.”

Até que chegue, não é demais voltar a entrar na máquina do tempo para recuperar uma das obras primordiais na cultura beat nacional.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

Latest posts by Gonçalo Oliveira (see all)