Zé Ibarra não chegou exactamente de repente, mesmo que por vezes pareça ter irrompido na paisagem da música brasileira com a força estridente de uma revelação. Antes de o seu nome começar a circular como uma das vozes mais singulares da nova canção do Brasil, já havia a Dônica, banda formada ainda nos anos de escola, ao lado de Tom Veloso, Lucas Nunes, André Almeida e Rodrigo Parcias, e com a qual venceu o Prémio da Música Brasileira na categoria Artista Revelação, em 2015, graças a Continuidade dos Parques. Já havia também uma educação musical ampla, feita de discos ouvidos em casa, de piano, de composição precoce, de fascínio pela arquitectura da canção e por essa linhagem brasileira herdada de Tom Jobim em que a sofisticação nunca dispensou a capacidade de falar a toda a gente.
O que se foi tornando evidente, primeiro no círculo de músicos da sua geração e depois no olhar de figuras tutelares como Milton Nascimento, Gal Costa ou Ney Matogrosso, foi a existência de uma voz rara — aguda, elástica, límpida, mas também capaz de exprimir uma fragilidade que nunca se confunde com fraqueza. Milton chamou-o para a sua digressão Clube da Esquina, em 2019, e voltaria a contar com ele na despedida dos palcos. Gal Costa dividiu consigo “Meu Bem, Meu Mal”, em Nenhuma Dor. Ney Matogrosso reconheceu-lhe publicamente um futuro longo. Esses gestos de legitimação poderiam pesar demasiado nos ombros de um artista ainda jovem. E escutando o que nos conta agora, quando admite que sai sempre a perder nas suas íntimas comparações com os mestres, talvez peses mesmo. Ainda assim, esses elogios parecem ter igualmente funcionado como confirmação de que a música pode continuar a ser lugar de beleza, risco, pensamento e transformação.
A partir da pandemia, esse caminho cruzou-se com o dos Bala Desejo, grupo formado com Dora Morelenbaum, Julia Mestre e Lucas Nunes, cuja energia colectiva haveria de desembocar em Sim Sim Sim, disco de 2022 que devolveu à música brasileira uma certa ideia de festa inteligente, solar, sensível ao desejo, à rua, à memória tropicalista e à possibilidade de a pop ser simultaneamente prazer e provocação. O Grammy Latino conquistado pelo grupo amplificou essa percepção de que uma nova geração carioca estava a propor outra forma de habitar a herança da MPB: zero interessada na reverência oca e super empenhada na continuação viva de uma conversa com as obras de Caetano Veloso, Gal Costa, Milton Nascimento, do Clube da Esquina, de João Gilberto e Tom Jobim. E tudo isto acercando-se sem pudor do rock progressivo e do disco, do jazz ou da pop de recorte mais arty.
A afirmação de Zé Ibarra em nome próprio fez-se por caminhos menos óbvios. Marquês, 256., editado em 2023, apresentou-o num formato mais despido, de voz e violão, como se fosse necessário começar por retirar camadas para deixar a canção exposta em toda a sua verdade. Afim, o álbum que agora o traz de volta a Portugal, faz o movimento inverso sem contrariar esse primeiro gesto: volta a vestir as canções, mas com uma ideia de arranjo entendida como pensamento, dramaturgia, equilíbrio e diálogo. O próprio músico recusa a leitura de uma ruptura. Na sua perspectiva, Marquês terá sido talvez o disco mais atípico; Afim, com a sua inclinação para a harmonia rica, para a orquestração minuciosa, para a canção como espaço arquitectado, aproxima-se mais de uma pulsão antiga, já presente na Dônica e no seu amor por tudo aquilo que é construído com rigor sem perder mistério.
Nesta entrevista que precede a apresentação no MIMO, em Guimarães, Zé Ibarra fala precisamente desse lugar onde a sofisticação é a forma que encontrou para procurar uma verdade emocional. Evoca Tom Jobim como “grande pai musical”, fala da orquestra como instrumento, da música como diálogo entre vozes que se respondem, da influência da música mineira e da escrita em primeira pessoa como exercício de coragem. Afim, diz, foi um disco que precisou de inventar contra o medo de se expor, de não chegar ao espelho perfeito da obra sonhada, medo de deixar o disco ir ao encontro do mundo. É nesse confronto que a sua música ganha densidade. E Portugal, admite o artista, ocupa já um lugar importante nessa geografia afectiva. Zé Ibarra sente que a sua música tem encontrado deste lado do Atlântico uma espécie de segunda casa, talvez por causa da poesia, talvez por causa do violão, talvez por razões familiares. Entre Afim e o próximo disco, que promete ser ainda mais autoral, mais pop, mais experimental, mais místico e politicamente mais explícito, esta conversa apanha Zé Ibarra num momento de passagem, como um artista em plena construção de uma linguagem própria, consciente de que a música pode servir para dançar, chorar, pensar, atravessar o medo e, talvez, ajudar a viver.
Está prestes a regressar a Portugal para mais um concerto. Como é que vai ser essa apresentação e quem estará consigo em palco?
Vou estar com os meus músicos, que são o Thomas Harres, o baterista que toca comigo e que também tocou com Bala Desejo; o Frederico Heliodoro, que é o meu baixista; o João Oliveira, que toca guitarra; e o Guilherme Salgueiro, que é português e tem tocado teclado comigo nessas tours europeias.
O repertório será essencialmente centrado em Afim?
O repertório que tenho feito é o disco Afim, só que o Afim tem poucas músicas, são só oito. Então coloco outras canções também, que fazem parte do meu repertório antigo, só que reinventadas na estética do Afim, de alguma forma. E também algumas coisas que toco porque me vêm à cabeça de vez em quando, às vezes por improviso, dependendo do contexto, da circunstância local, do dia. Mas é basicamente o Afim, mais o Marquês, com poucas coisas que ninguém conhece. Às vezes uma inédita, quando acordo na onda de tocar.
Depois de Marquês, Afim trouxe outro tipo de arranjos, outro tipo de canções, uma outra amplitude. Como se deu essa transformação, se é que podemos usar essa palavra neste contexto?
É uma boa pergunta, porque eu não vejo isso como uma transformação. Se você voltar ao meu primeiro disco, que é com a Dônica, lá em 2015, é um disco de rock progressivo com arranjos que são muito mais parecidos com o Afim do que com o Marquês. Então a minha essência sempre foi meio megalomaníaca de arranjos, que vêm do rock progressivo, das músicas arranjadas, do jazz — não o jazz improvisado, mas as big bands, aquelas coisas todas. Acho que o diferente na minha discografia, e acho que isso vai ficar claro daqui a um tempo, é o Marquês. Ele é que é o diferentão. Porque o Bala Desejo também, que produzi junto com os meus amigos, é um disco maximalista, é um disco que tem muita coisa. Eu amo fazer isso, é a coisa de que mais gosto. Mas sim, há mudanças de temas, de sensação. Acho que a grande mudança do Afim está um pouco na sensação subjectiva. Se o Marquês tinha a ver com certos temas, o Afim tem outro tipo de tema, outro tipo de sensação, que acho que mudou em mim. E quando fiz o álbum, o álbum mudou-me mais ainda. E já estou indo para o meu próximo álbum, que também está mais diferente ainda nesse sentido e em outros. Mas eu acho que não é uma mudança. Para mim, estando dentro de mim, sendo o músico que sou, só eu também sei o que se passa aqui dentro, é absolutamente natural que seja esse o caminho. Acho que o caminho vai ser sempre aparentar uma mudança para quem está fora, mas para mim é só dar conta de mais uma das coisas que eu gostaria de fazer aqui dentro.
Esses arranjos e essa riqueza harmónica que servem o disco parecem vir de uma ideia muito arquitectada da canção. De onde nasce essa inspiração?
Vem de todos os lugares. Gosto muito de música arranjada. Acho que, de alguma forma, dentro da minha ampla apreciação musical, prefiro isso, porque vejo arranjos como pensamento, como criação, como expressão de uma criatividade pensada. Não faço juízo de valor entre a criatividade pensada e a criatividade expressada simplesmente, porque também existe isso, e o jazz improvisado, por exemplo, muitas vezes não tem arranjo, mas é uma criatividade de expressão absoluta. Só que gosto muito da criatividade quando ela é arquitectada. Isso vem muito do meu grande pai musical, que é Tom Jobim, em que cada nota importa, nada é por acaso, nada está ali de sacanagem, todo acorde está bem colocado para causar uma coisa. Mas vem também muito do jazz, todos os standards, o jazz que tem a ver com improviso, mas muitas vezes também o jazz que tem a ver com big bands. Vem da música clássica, talvez ainda mais, de tudo o que ouvi, de tudo o que toquei. E há coisas que são assim: veio-me agora à cabeça Noviça Rebelde [The Sound of Music], que foi uma coisa que me marcou quando era criança. É tudo tão bem colocado. Não sei explicar, mas existe uma coisa que busco sempre na minha música, que é o equilíbrio sonoro. Através dos arranjos, sinto que tento perseguir esse equilíbrio, que é uma homeostase, onde tudo está conversando, equilibrado e em tranquilidade. Às vezes uma coisa surge como disruptiva dentro de um arranjo, mas também é proposital, para causar isso. Nunca é aleatório.
Penso que foi Maurice Ravel que disse que a orquestra é talvez o mais bonito dos instrumentos. Também pensa a orquestra dessa forma?
Sim, acho incrível isso. Também penso na orquestra como um instrumento. É claro que é um instrumento. Soa como um, embora sejam muitos. É bonito imaginar um instrumento que precisa de 30 pessoas para tocá-lo, 30 pessoas que estudaram a vida inteira. Assim como é bonito também um instrumento que é só uma pessoa e que nunca estudou nada. Mas tenho apreço por isso. Gosto muito de ver melodias conversando. E quem me ensinou muito isso foi Tom Jobim, porque para cada frase melódica do Tom Jobim existe outra frase melódica que a responde. Há muito isso na música jobiniana e acho genial, porque sinto que para cada frase existe realmente uma resposta, é preciso só achá-la. E quando você encontra, vira um grande diálogo. Então a música sai de um lugar longe da linguagem. A gente fala que a música é linguagem, claro que é linguagem, mas a música pode ser linguagem mesmo, como linguagem falada. E uma linguagem falada é uma conversa, um diálogo. Acho que a música se estrutura como diálogo. Tento criar essas vozes que conversem dentro da música.
Falava há pouco de uma mudança temática entre Marquês e Afim. Como foi esse processo da caneta, da escolha das canções e do reconhecimento daquilo que queria dizer?
Acho que é compreender a mudança que há em nós, os novos anseios, e principalmente não ter medo de embarcar neles. Para mim foi um pouco isso. Quando escolhi as canções do Afim, havia canções como “Segredo”, que virou o grande sucesso do disco agora, e “Da Menor Importância”, que tratam de temas que eu não conseguia dizer, mas que estavam dentro de mim há muito tempo. O Afim foi um grande disco de coragem para mim. Precisei de muita coragem para sair do Bala Desejo, colocá-lo no mundo do meu jeito. “Transe” também é uma faixa que tem uma sinceridade que eu não costumava ter, em que me coloco em primeira pessoa. Acho que os meus discos estão se aproximando da primeira pessoa agora, porque fui muito influenciado liricamente pela música mineira, pela música do Milton. E a música mineira tem um espectro lírico, poético, um pouco amplo, um pouco fantástico, no sentido em que você não entende muito bem o que está sendo dito, mas pega a sensação. Há muitas músicas assim. E muitas outras que não, obviamente. Mas sinto que o Caetano, por exemplo, tem na carreira dele momentos de primeira pessoa muito intensos na escrita. Só que para escrever em primeira pessoa você tem que ter coragem. E acho que essas coisas estão chegando. O meu próximo disco está ainda mais em primeira pessoa, com coisas muito difíceis de dizer que estou conseguindo dizer e estou acreditando que possam querer ser ouvidas por outras pessoas também. E não estou com medo agora. Estou sentindo a coisa acontecer, porque o Afim também me mostrou que realmente não preciso ter medo. Há “Transe”, que é uma canção muito íntima e muito estranha, de alguma forma, e hoje vejo nos concertos as pessoas cantando com plenos pulmões. Fico: caramba, que engraçado isso. Achei que era uma sensação específica, particular. Mas não é particular. Todos nos podemos ligar.
Em “Hexagrama 28”, canta que é “frágil pra caralho”. Mas quando se escuta Afim, ou até a sua discografia restante, encontra-se também um homem de uma enorme força. Como convive essa fragilidade com a coragem de que fala?
A coragem que tive precisei de inventá-la, no fim. Porque, no fundo, foi muito difícil para mim. É aquele papo clichê, até brega, até cafona, mas todo mundo de perto tem as suas angústias. E estar na posição de figura pública, de frontman, muitas vezes força-nos a inventar uma persona forte, uma persona bem resolvida, que não tenha problemas. Existe uma pressão, porque já é difícil lidar com os nossos problemas sozinho, mas lidar com eles na frente dessas pessoas é muito mais difícil. Acho natural que a gente seja forçado a inventar. E, no fim, quis fazer o caminho oposto, de não me forçar a esconder o que poderia ser uma fraqueza. Esse verso é meio para isso. É para dizer algo que, sim, eu também sou frágil pra caralho em milhões de sentidos. Isso é óbvio, mas eu não mostro para ninguém. Ali é uma tentativa de falar. Por mais que vocês às vezes não vejam, porque no palco há toda aquela coisa, pelo menos estou dizendo, porque é verdade. O Afim foi muito importante para mim para eu me colocar fora da persona, ir mais dentro da pessoa e falar as coisas que acho, não tentar mais me inventar. Relaxar dentro da primeira pessoa, a verdadeira, porque é só assim que posso ser feliz. Não sei ser feliz fora de mim, inventando uma personagem. Para mim é muito difícil inventar uma personagem. Tento chegar cada vez mais perto de mim. E acho que está dando certo. Sinto-me mais feliz hoje em dia.
Disse em algumas entrevistas que quase decidiu não lançar este disco. Foi tão difícil deixar Afim ir ao encontro do mundo?
Foi. Justamente por isso, pela fragilidade em que me encontrava naquele momento. Agora já não estou tanto assim, mas estava. Sou muito autocrítico, e é normal ser, mas a gente tenta sempre que a nossa obra seja o espelho de quem gostaria de ser. E muitas vezes não temos a capacidade de conseguir criar o espelho perfeito que desejaríamos. Isso é o grande ensinamento da vida, sei lá. Mas para mim começou a ser muito duro tentar fazer o Afim e não chegar onde queria. Até ao momento em que entendi que justamente não chegar e colocá-lo no mundo era onde eu deveria estar. Era o gesto que teria de fazer. Mas estava sendo muito difícil, porque ouvia as canções e falava: não é, não é, está muito abaixo. Porque obviamente não me comparo comigo mesmo. Comparo-me com Tom Jobim, comparo-me com Ravel. E vou sempre perder. Eu sei, está tudo bem, já entendi isso e já não há problema nenhum para mim. Mas acho importante perseguir esses grandes mestres, querendo sempre ser o melhor que der. Por mais que faça sofrer. Sofro muito assim. Embora esteja feliz agora, já estou fazendo o próximo e já comecei a sofrer de novo. Mas também já entendi que não morro no final, o que é importante. Porque achava que podia morrer, achava que poderia não lançar o Afim, que isso seria a morte. Mas lancei. Então agora estou relax também. Foda-se, se não tiver que ser.
Já mencionou várias vezes o próximo álbum. Alguma dessas novas canções poderá surgir nestes concertos?
Talvez, mas não sei. Não prometo nada.
O que pode revelar sobre esse novo disco? Será um trabalho mais autoral?
Esse álbum está muito mais autoral. São 12 músicas e 10 são minhas. Duas são de um amigo específico, que se chama Dadá Joãozinho, um compositor de Niterói, perto do Rio. É um menino mais novo que eu, tem 27 anos, acho. É um génio para mim, um cara muito interessante, muito corajoso e muito inspirado. Das outras canções, acho que quatro são só minhas e seis são parcerias — posso estar falando besteira nos números, mas é algo assim. Há parcerias minhas com Dadá Joãozinho, Sofia Chablau, Felipe Vaqueiro. Desta vez fiz um camping de composição, algo que queria muito fazer há muito tempo. Chamei-os para irem para um sítio e em dois dias fizemos cinco canções. Algumas eram canções para as quais eu já havia preparado músicas e fizemos a letra; outras surgiram lá. Foi muito interessante. E é loucura, porque o próximo disco vem mais diferente ainda do que todos, acho. Bem mais. Vem com coisas novas, apontando para caminhos que ainda não sei quais são.
Mencionou recentemente que há um poder político na beleza. É esse poder que estas novas canções continuam a procurar?
Também, mas não só. Acho que esse disco novo tem três facetas. Tem a faceta que sempre almejei, que é pop. Pop mesmo, de verdade. Só que o pop que vejo tem a ver com o pop do Michael Jackson, de Off The Wall. Tem as músicas da beleza, intensamente. Há duas ou três músicas que acho que são de beleza. São as músicas das belezas. E tem as músicas da experimentação musical. Sempre quis fazer um disco com essas três coisas. A experimentação vai para dois lados: para o lado da estranheza, do curioso, do ouvido que ouve e não entende, que acho interessante; e para o lado que tem a ver mais com o meu rock progressivo, com arranjos e maluquices, meio anos 90 também, drum and bass, outras coisas que não sei dizer. E tem também a coisa da canção de violão neste disco. Algumas canções. Acho que esse disco está mais místico. Tem um poder mais… E também tem as primeiras músicas políticas da minha carreira, acho. Há uma música que fala sobre uma fictícia, distópica invasão norte-americana no Brasil. Mas não é algo tão distópico, nem tão fictício. Se olharmos as notícias diariamente, as ameaças do que o homem vai fazendo ao mundo, não é tão distópico nem tão louco pensar numa coisa assim. O mundo está num lugar estranho neste momento, para não dizer muito assustador. Muito assustador, para não dizer apocalíptico. Então há um pouco disso. Mas é tudo misturado, que acho que é o grande lance. É o que quero para a minha carreira sempre: fazer discos que vão para vários lugares e falem sobre várias coisas. Porque é assim que sinto que a música ressoa dentro de mim.
O que representa Portugal na sua visão do mundo e da sua música?
Sinto que Portugal está virando uma espécie de segunda casa da minha carreira. Às vezes sinto que Portugal ressoa mais do que o Brasil. É estranho, não sei de onde vem. Sinto que Portugal ressoa mais a minha parte do Marquês. Não sei se tem a ver com as coisas dos violões ou da poesia. Talvez seja um pouco mais alinhado. Mas também tenho razões familiares. O meu padrasto é português. Então vivo a cultura portuguesa não só por ser brasileiro, mas por ter esse padrasto que é muito apaixonado pelo seu país e conseguiu implementar dentro da vida dele tudo o que viveu aí com a família: comidas, ritos, jeitos, expressões, palavras. Eu falava “foda-se” aqui antes de todo mundo falar na minha bolha. Tanto que as pessoas nem entendiam. E, falando de música, é uma troca interessante. Há amigos aí fazendo música de quem sou muito fã. Os Capitão Fausto, principalmente, de quem me aproximei há muito tempo. Acho que fazem uma coisa milagrosa. Uma discografia de cancioneiro popular, música pop com grandes letras, consistência e grandes arranjos também. E ninguém fala que são grandes arranjos, porque é tão bem feito que está lá. Não é extravagante, é bem colocado. Sou muito fã. E volto sempre. Sempre que volto, fico feliz. Quero voltar sempre. Essa coisa do calor em terras estrangeiras é muito gostosa. Tem um sabor diferente de que gosto muito.