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Fotografia: Mr. Papz

O mais recente projecto do trio saiu no mês passado.

SXR: “O papel da arte não é só alegrar e distrair, é também fazer pensar e questionar o mundo à volta”

Fotografia: Mr. Papz

Arranca este sábado o OPA Warm Up, um festival digital que antecede o início da edição deste ano da plataforma musical didáctica orientada para o hip hop. Entre o lote de artistas confirmados — todos eles ex-formandos de anos anteriores da OPA — estão os SXR, que tocam no domingo e com quem o ReB esteve à conversa.

O grupo é formado por três dos mais experientes membros do Contentor Records. spock é quem assume a vertente de produtor e as rimas ficam a cargo de Erre K e Buda XL. Estrearam-se em 2017 com o álbum Volume 1 e editaram no ano seguinte a versão instrumental desse disco, sendo que só no passado mês de Maio nos voltaram a acenar com novidades: o EP Volume 1.1 é uma espécie de upgrade do trabalho de estreia, antes da actualização final para Volume 2, que os SXR planeiam concluir e apresentar ao público ainda este ano. E parece estar tudo bem encaminhado, até porque na actuação deste domingo o trio já promete mostrar algumas novidades em palco.

Neste período de menor actividade para o projecto SXR, todos os três membros estiveram ocupados a investir noutras frentes: spock tem sido escutado ao lado de Maze e Sitah Faya, MCs com quem está a trabalhar separadamente em novos discos, Buda XL lançou o LP de estreia Arte de Propósito e deixou a ainda a sua marca em Casta 94, Lemon Drops Sessions ou “Fain”, já Erre K deu a conhecer a sua verdadeira Identidade.

O OPA Warm Up acontece nos dias 6, 7, 13 e 14 de Junho, a partir das 18h, no Instagram da OPA. Por lá vão passar também Mynda Guevara, Mary M, DJ Kope, YGMil ou La Familia Gitana.



Lançaram recentemente o Volume 1.1, que me explicaram ser uma espécie de nível intermédio entre o vosso primeiro e segundo álbum. Como é que vocês distinguem as faixas quando as criam e o que é que vos levou a seleccionar estas seis como algo que não iria integrar o próximo disco?

A maioria destas faixas foram compostas logo a seguir ao Volume 1 e andam connosco na estrada desde essa altura. Com excepção das mais recentes, os singles “Tá Claro” e “Leve”. Caracterizam aquela altura a seguir ao lançamento do nosso primeiro álbum, e os singles com as participações do CADI e do Splinter e Mr. Razor reflectem precisamente esses anos de estrada.

Já lá vão praticamente três anos desde o Volume 1 e entretanto todos vocês estiveram envolvidos noutros projectos ou trabalhos a solo. Sentem que cresceram durante este período, ao ponto de, talvez, terem encontrado novos processos ou técnicas que agora vos ajudam a esculpir o próximo LP?

Sentimos que aprendemos com cada novo projecto e à medida que as experiências se acumulam, mas na realidade temos vindo a aprimorar a nossa maneira de ser e de fazer música que é comum a todos os projectos em que participamos e à nossa editora Contentor Records.

Em que ponto é que o novo trabalho se encontra e o que é que podemos esperar de um segundo longa-duração de SXR?

O álbum já está composto e há algum tempo que o temos vindo a gravar. É a mesma identidade num álbum mais sólido, reflexo das experiências que acumulámos.

Têm algum período em mente para o editar? Já nos conseguem adiantar o nome de algum dos convidados ou o número de faixas que vai ter o Volume 2?

Ainda não temos data para o lançamento. Gostávamos de o lançar ainda este ano, mas estamos a gravar tudo sem pressões. Ainda não podemos revelar os convidados do álbum, mas vai ter o mesmo número de faixas ou mais do que o anterior.

Vivemos actualmente o momento mais conturbado de que a nossa geração tem memória. Com que dificuldades é que vocês, enquanto criativos, se têm deparado?

No início do confinamento deixámos de frequentar tanto o estúdio e isso atrasou um pouco as gravações dos vários projectos. Mas esse tempo em casa também se reflectiu em mais disponibilidade criativa e, à medida que regressamos ao estúdio, retomamos o trabalho ainda com mais vontade.

Há também o outro lado da moeda: fazer arte pode, muitas das vezes, servir como um escape, bem como ser algo que possa alegrar o dia de quem a consome. Como avaliam o actual panorama da cultura em Portugal?

Não é só alegrar e distrair, é também fazer pensar e questionar o mundo à volta, igualmente indispensável. É esse o papel que a arte e a sua divulgação têm, ao unir as pessoas nos grandes problemas e soluções. Apesar de todas as barreiras, vimos com bons olhos as alternativas que têm sido arranjadas e achamos que a comunidade artística em Portugal se tem esforçado para ajudar o público a ultrapassar tudo isto.

Dado esse mesmo momento, desta vez vão trocar o palco, no sentido mais tradicional, por uma transmissão via Internet a convite da Oficina Portátil de Artes. Já tinham testado este formato antes? O que é que esperam desta actuação?

Nunca testámos este formato em grupo, fizemos alguns lives mas com outros projectos. Estamos ansiosos por dar este concerto, também por ser num estúdio tão clássico como o Namouche e, claro, por voltarmos a reunir com a nossa família da OPA. É uma honra poder fazer parte do Warm Up deste ano e estrear este novo formato.

Presumo que vão levar convosco material dos volumes 1 e 1.1 para essa transmissão. Podemos esperar também alguma novidade? Talvez temas do próximo álbum ou uma nova roupagem às canções que já conhecemos?

Não vamos levar faixas do Volume 1. Vamos tocar quase todas do 1.1 e outras do Volume 2, umas que já nos acompanham há algum tempo e uns inéditos. Temos algumas surpresas preparadas para o concerto.

Já passaram alguns anos desde a vossa participação na OPA enquanto formandos. Sentem que foi algo que vos marcou, ao ponto de definir aquilo que passaram a apresentar ao público a partir desse momento?

Não passou a definir aquilo que apresentamos ao público mas marcou-nos profundamente a nível do espírito de grupo e da união que criámos com a equipa e o resto dos artistas. Também na maneira como nos ajudam a projectar a visão que sempre tivemos, amplificando a nossa expressão a palcos e pessoas que de outra maneira não saberíamos como, sempre a guiar-nos na direcção da nossa melhor versão artística.

Há algumas palavras ou ensinamentos que vos ecoem com frequência desde então? Algum tipo de processo criativo ou mudança no vosso mindset que vos tenha marcado especificamente?

Sem dúvida que nos inspira individualmente e como colectivo com os valores em que se baseia e que procuramos difundir: a partilha, a união, o amor à música e outras formas de arte… E foi esta identificação que nos fez tomar conhecimento e integrar o projecto. Na prática, tivemos algumas participações que surgiram daí, e podemos dizer que de cada ensaio ou concerto tirámos uma pequena lição, que nos fez crescer e fortalecer o nosso mindset.

Em breve reabrem as inscrições para mais uma edição da OPA. Há algum conselho que possam dar a quem vos está a ler neste momento e equaciona aventurar-se por lá?

Se equacionam aventurar-se por lá, recomendamos que se inscrevam e que venham preparados, pois no caso de serem seleccionados podem viver experiências únicas a nível de crescimento artístico e pessoal, algo que obviamente recomendamos a todos. A possibilidade de trabalhar com uma equipa tão profissional e preocupada com os artistas, sob a alçada do Francisco Rebelo — um pilar da música contemporânea portuguesa – é uma honra e marca qualquer um para sempre.


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