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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 16/07/2026

A música fora dos lugares onde habitualmente se espera encontrá-la.

Space Festival regressa em Novembro com novas rotas para a música experimental

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 16/07/2026

Entre 4 e 15 de Novembro, o Space Festival volta a fazer-se à estrada para levar a música experimental e improvisada a diferentes pontos do país, prosseguindo uma estratégia de descentralização que tem sido uma das principais marcas identitárias do evento. Paredes de Coura, Caminha, Vila Praia de Âncora, Valença, Arcos de Valdevez, Mondim de Basto e Montemor-o-Velho encontram-se entre as primeiras paragens confirmadas para uma edição que voltará a cruzar concertos, residências artísticas e outras actividades.

Organizado pela Associação Cultural Rock’n’Cave em parceria com o Space Ensemble, o festival tem vindo a construir uma geografia própria para músicas que raramente encontram espaço regular nos circuitos de programação mais convencionais. Em 2026, essa linha mantém-se, com uma programação que alinha artistas portugueses e internacionais e aproxima diferentes linguagens da criação contemporânea, da improvisação à composição, da performance à investigação das possibilidades acústicas e electrónicas dos instrumentos.

Entre as primeiras confirmações encontra-se IT DEEL IV, projecto que reúne as portuguesas Joana Guerra e Maria do Mar aos irmãos neerlandeses Jan e Romke Kleefstra. Criado em 2024, IT DEEL nasceu como um ensemble internacional de formação variável, concebido para estabelecer diálogos entre poesia, música, paisagem e território. Nesta nova configuração, o poeta Jan Kleefstra e o multi-instrumentista Romke Kleefstra encontram-se com a violinista Maria do Mar e a violoncelista Joana Guerra, dupla que já havia passado pelo Space Festival em 2025 com o projecto Lantana.

A percussão contemporânea estará representada pelo coletivo CIGARRA, formação de oito percussionistas que trabalha na zona de contacto entre interpretação, criação, improvisação, gesto acústico e manipulação electrónica. No festival, o grupo propõe-se revisitar “RLLRLRLLRRLRLRLRLLRLRLR”, obra desenvolvida pelo percussionista suíço Julian Sartorius em colaboração com o Ensemble ET|ET a partir de um padrão rítmico de 23 notas distribuídas entre as mãos direita e esquerda de cinco percussionistas. Mais do que reproduzir a peça, o colectivo pretende investigar e reinterpretar a premissa conceptual de uma performance em que a estrutura sonora pode ser transformada pela adição ou subtração de instrumentos e pelo processamento do som, atribuindo ao músico um papel performativo que não depende necessariamente da produção directa de som.

Depois de, na edição anterior, se ter apresentado ao lado de Mariana Dionísio no duo REQUIEM, João Carreiro regressa ao Space Festival para mostrar o seu trabalho a solo. Movendo-se entre a improvisação, o jazz e a exploração experimental da guitarra, o músico recorre a pedais, técnicas estendidas e processos de transformação sonora que frequentemente tornam irreconhecível a identidade original do instrumento. As composições abertas e o trabalho sobre pequenos motivos, esboços e diferentes modos de escuta encontram-se documentados na série de EPs “I”, “II” e “III”.

Também Luís Bittencourt regressa ao festival, depois de em 2025 ter apresentado “Sons de Resistência”. Desta vez, o percussionista e investigador leva ao Space Festival “Arquitecturas da Água”, espetáculo performativo e transdisciplinar que toma a água simultaneamente como matéria sonora, elemento visual e ponto de partida conceptual. O programa convoca obras de Tan Dun, Joseph Byrd, Toru Takemitsu e John Cage para investigar diferentes possibilidades de utilização de um dos elementos mais antigos e essenciais da natureza como instrumento e agente criativo.

De Itália chega o violoncelista, compositor e improvisador Mauro Basilio. Com um percurso que atravessa a música antiga e contemporânea e uma formação que inclui violoncelo, guitarra, oud, percussão e música computacional, Basilio apresentará “Mechanics”, novo espetáculo a solo para violoncelo preparado. Resultado de uma investigação continuada sobre objetos, materiais e diferentes formas de preparação e ampliação do instrumento, a performance desloca-se entre improvisação, composição contemporânea, free jazz e noise, interrogando as fronteiras entre criação previamente determinada e decisão instantânea.

A edição de 2026 assinalará ainda a estreia de “Animações da Estónia”, nova criação do Space Ensemble. O projecto parte da tradição e diversidade visual do cinema de animação estónio para construir um novo encontro entre imagem em movimento e a linguagem experimental e improvisada que tem caracterizado o trabalho do colectivo.

O Centro Cultural de Paredes de Coura, o Teatro Valadares, em Caminha, o Auditório Municipal Ramos Pereira, em Vila Praia de Âncora, o Centro Cultural de Verdoejo, em Valença, e o Teatro Esther de Carvalho, em Montemor-o-Velho, encontram-se entre os espaços já confirmados para receber a edição deste ano. A organização promete revelar em breve novos locais e propostas de uma programação que, entre 4 e 15 de Novembro, voltará a procurar espaço para a música fora dos lugares onde habitualmente se espera encontrá-la.


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