Os discos portugueses que esperamos para 2020

[TEXTO] Ricardo Farinha [FOTO] Sara Falcão

Os anos 20 do século XXI prometem ser um tempo maior no que diz respeito à música portuguesa — pelo menos se tivermos em conta tudo aquilo que está projectado para os próximos 12 meses. Já passaram algumas semanas desde que o ano mudou, mas foi o tempo necessário para o Rimas e Batidas bater às portas de inúmeras editoras e artistas para confirmar velhos dados e descobrir novas informações sobre álbuns, EPs, mixtapes, compilações ou projectos que estão a ser trabalhados para saírem durante o calendário corrente. Agora, partilhamos tudo o que sabemos com os nossos leitores. Como é natural, vários deles poderão ser adiados — e outros tantos vão ser surpresas que não conseguimos prever. De qualquer forma, e tendo em conta tudo o que poderão ler mais abaixo, 2020 já nos parece um ano vencedor.


[9 Miller] Filho da Guida

O álbum de estreia de 9 Miller está a ser preparado há vários anos e atravessou a transição do rapper entre a Superbad e a Real Caviar, com um período “sem casa” pelo meio. Filho da Guida está previsto para ser lançado em Fevereiro pela Sony, label que edita os projectos da Real Caviar.


[11 LIT3S] ?

Tal como prometido no ano passado, 11Lit3s — cantor e produtor português que vive entre Viseu e Los Angeles — continua a trabalhar no seu álbum de estreia. O disco já não se vai intitular Samsara, como tinha sido sugerido, mas é certo que chega este ano.


[Ângela Polícia x Beiro] ?

Depois do álbum Apùtece-me, Fernando Fernandes — de seu nome artístico Ângela Polícia — vai lançar um EP a meias com o produtor Beiro. Ainda não há datas previstas mas chega durante este ano. Além disso, Ângela Polícia vai lançar mais videoclipes de faixas do seu mais recente trabalho a solo.


[Beatoven] Mind Frames

Estava prometido para 2019, mas foi adiado para o primeiro semestre deste ano: falamos do álbum de estreia de Beatoven, no qual o produtor já trabalha há vários anos. Ficou fechado neste mês de Janeiro e vai ser uma viagem por várias sonoridades, desde o r&b ao trap, passando pelo afropop, a kizomba ou o boom bap. No total, o versátil e multifacetado Mind Frames vai ter 40 colaborações em quase 20 faixas, entre instrumentistas, rappers e cantores — NBC, Dino D’Santiago, Bónus, Tekilla, MGDRV, Phoenix RDC, 9 Miller, Mobbers, Deezy, Monsta e Supa Squad são alguns dos que entram no projecto que tem sido desenvolvido nos estúdios Big Bit. Alguns dos temas já foram lançados por Beatoven, e este trabalho terá uma apresentação muito especial. O produtor convidou um artista plástico diferente para pintar um quadro para cada música, e todas as obras serão reveladas no lançamento oficial do álbum.


[Bdjoy x Freddy Locks] ?

Bdjoy é um artista da Margem Sul (embora originalmente da Pedreira dos Húngaros) que sempre teve uma enorme ligação ao reggae. Por isso mesmo, e através do produtor Bruno Cruz, juntou-se a um dos seus ídolos do género em Portugal, Freddy Locks, que está a celebrar 15 anos de carreira, para um trabalho conjunto que será um crossover precisamente entre hip hop e reggae. O disco está feito e conta com vários instrumentistas e participações de nomes do rap como Bambino ou SP Deville.


[Bispo] ?

Já foi há três anos que o rapper de Mem Martins lançou o último trabalho, o EP Fora d’Horas. Apesar de nunca estar muito tempo sem lançar música nova (há poucos dias aterrou no YouTube com “Turbulência”), Bispo prepara-se para lançar um novo álbum pela Sony, que deverá ser editado em Março.


[Biya] ?

No último par de anos, a cantora Biya juntou-se ao selo Real Caviar, de Agir, para desenvolver o seu ainda curto percurso. No entanto, no novo ano, Biya quer reformular a carreira. Para tal, afastou-se da label e lançou um single com a participação de Toy Toy T-Rex, “Nunca ‘Tou Solo”, que fará parte de um EP a ser editado ainda antes do Verão.


[Blacksea Não Maya] ?

O trio da Margem Sul composto por DJ Kolt, DJ Perigoso e DJ Noronha prepara-se para lançar um novo trabalho este ano, mas ainda não há quaisquer informações sobre este projecto: só está confirmado, claro, que o próximo disco dos Blacksea Não Maya será editado pela Príncipe.


[Blaya] ?

No ano passado, Blaya lançou o longa-duração Blaya Con Dios. Não sabemos o que esperar para 2020 da cantora portuguesa, mas a sua editora, a Warner Music, já confirmou que vem aí novo trabalho.


[Bob da Rage Sense] As Aventuras de Robbie Wan Kenobie

As Aventuras de Robbie Wan Kenobie, um disco de Bob da Rage Sense inspirado no universo de ficção científica de Star Wars — com produção integral de SP Deville — é um álbum já prometido há pelo menos dois anos. Depois de lançar o single “Droids” em Novembro, está confirmado que chega em breve o disco completo. Vai ter nove faixas e conta apenas com participações de SP e Laton.


[Cálculo] Royale

Depois de A Zul e Tourquesa, vem aí o terceiro álbum de Cálculo, rapper e produtor de Barcelos. Vai intitular-se Royale e é um disco dividido em duas partes. “Uma das partes é mais pessoal e profunda, a outra é mais cósmica e rítmica”, explica ao Rimas e Batidas.


[Capicua] Madrepérola

Já se sabe tudo sobre o novo álbum de Capicua, o primeiro desde que é mãe. O título é Madrepérola, a capa já foi desvendada pela rapper portuense, vai ser lançado a 24 de Janeiro e é uma edição da Universal Music. Capicua também já divulgou a tracklist, que conta com nomes tão diferentes como DJ Ride, Minus, Holly, Virtus, Mallu Magalhães, Stereossauro, Ricardo Ribeiro, Branko, PEDRO, Emicida, Rincon Sapiência e Rael. Já só falta mesmo ouvirmos o disco (além dos singles já lançados).


[Chong Kwong] ?

Depois do regresso a solo no ano passado, Vanessa Pires, mais conhecida como Chong Kwong, vai lançar o já anunciado disco em 2020. Não há ainda mais informações sobre o projecto, mas está a ser produzido por Snake Dizzy e deverá incluir os temas apresentados em 2019 (e o mais recente single, “Salute”).


[Chinfrim] 

Da Chifrim vamos poder ouvir o álbum de estreia de Rakuun, que irá incluir os dois singles editados entre 2018 e 2019; um EP de Bia Maria, que será uma homenagem à música tradicional portuguesa; o álbum de estreia de Los Antúrios (a sair na Primavera); e o disco de estreia de RIVAthewizard, que irá ter várias colaborações. Sobre este último, “espera-se um álbum ecléctico, uma espécie de veículo exploratório de vários géneros musicais, com convidados escolhidos a dedo, compilados no que será, tal como sugerido pelo trabalho anterior A COBRA, A FLOR E O VENTO, uma simbiose entre a máquina e o homem”. Vai sair na Primavera. A Chinfrim vai ainda lançar no final do ano o álbum de estreia de Wugori. “Será novamente a rimar, mas desta vez com beats mais focados no mundo da electrónica e dos sintetizadores, sem, no entanto, deixar para trás a arte do sampling.”


[Chyna x Fumaxa] ?

Foi há três anos que Chyna, depois de vários singles, lançou o primeiro trabalho no seu jovem percurso. O rapper de Queluz juntou-se a Fumaxa para o EP Made In Chyna. Este ano, e depois do EP 1 Week Later, onde mergulhou sem medos nas águas do trap, volta a juntar-se ao produtor de Mem Martins para um EP cozinhado a meias.


[Colónia Calúnia — Vulto. e Tilt] Besta

Outro projecto que tem sido bastante adiado é o disco de Colónia Calúnia que vai juntar os beats industriais e sinuosos de Vulto. às rimas perspicazes e elaboradas de Tilt. O álbum, que irá rondar as 10 faixas, está completo e deverá ser editado em formato físico pela Raia Records, editora de Tilt e dos seus Orteum. 


[Colectivo Casa Amarela]

O próximo lançamento é um EP de Aires & João Valinho, projecto colaborativo em que estão a trabalhar desde 2018. Vão lançar um novo EP de Peak Bleak e o novo disco de Sal Grosso, ambos em parceria com a combustão lenta. Existem também conversas com dois produtores portugueses para lançar os novos trabalhos, dois registos bem diferentes do que costumam trabalhar.


[combustão lenta records] 

“O principal objectivo para 2020 mantém-se o mesmo que motivou a criação da editora: de alguma forma cartografar todos os pontos comuns à música ambiental, improvisada e experimental. Conto também fazê-lo cada vez mais em colaboração com outras labels ou promotoras, e já estão alinhadas edições em conjunto com o CCA e o colectivo Farra. Além de uma mão cheia de álbuns de estúdio (a lançar em formato físico e digital), espero começar a lançar algumas gravações ao vivo, captadas quando a Combustão Lenta era uma série de concertos no Desterro”, explica António Silva, responsável pela editora, ao Rimas e Batidas.

Já estão confirmadas as seguintes edições: Love is Fine, de Sal Grosso (Fevereiro); Concórdia/Discórdia, de Tulpa (Março); Recordações do Quarto Amarelo, de Twistedfreak (Abril, numa edição conjunta com o colectivo Farra); EP2 e EP3, de Peak Bleak (primeiro e segundo trimestre, numa edição conjunta com o CCA); untitled, de Jari Marjamaki (segundo trimestre do ano); um trabalho de Lama (para sair entre Maio e Junho); e Sun Gemz, de veabis&tubbhead (Setembro).


[Da Chick] conversations with the beat

28 de Fevereiro é o dia em que sai o novo álbum de Da Chick, que foi totalmente composto e produzido pela artista. “Watch Me Go”, “Conversations” e “Do Your Thang” são os singles já lançados que fazem parte do projecto. A tour oficial de apresentação também será anunciada em breve.


[DarkSunn x Maria] ?

“Lembras-te daquelas cassetes com uma banda diferente de cada lado? Ora”. É assim que DarkSunn descreve o projecto que vai lançar a meias com Maria este ano. Será uma das várias edições da turma roxa da Monster Jinx (também vem aí, claro, a compilação Roxo 06).


[Deejay Telio] D’Ouro

Depois de três volumes de Karanganhada, que o tornaram um dos maiores fenómenos de popularidade em Portugal, Deejay Télio regressa este ano com um novo álbum, D’Ouro, que terá, certamente, batidas calorosas e refrões orelhudos. Sai no dia 28 de Fevereiro.


[Dengaz] ?

O rapper afiliado à Bridgetown não lança um trabalho desde a versão unplugged de Para Sempre, que já tem quatro anos. No entanto, este vai ser um bom ano para os fãs de Dengaz: o músico vai ter um novo disco em 2020.


[Dillaz] ?

Dillaz é um dos rappers mais marcantes da década que passou — da geração do hip hop português enquanto música popular — e tem estado especialmente calado nos últimos tempos. Reflexo, o último disco, já é de 2016. Sabemos que isso é sinal que vêm aí coisas e está garantido um novo álbum em 2020, com instrumentais de vários produtores. Em breve chega um single do projecto.


[DJ Lycox] ?

Foi em 2017 que DJ Lycox brilhou com Sonhos & Pesadelos, na sua estreia pela Príncipe. Em 2020 chega o segundo trabalho do DJ e produtor que faz parte da equipa de uma das mais quentes e vibrantes editoras nacionais.


[DJ Yoke] ?

Três anos depois de elephant and castle, o português DJ Yoke, radicado em Londres, lança uma espécie de sucessor que ainda não tem título. “É um álbum inteiramente dedicado ao scratch com originais meus. No seguimento do último que fiz, este terá mais faixas elaboradas com o gira-discos. No anterior resgatei alguns beat antigos: este terá tudo com base no prato. Estará no meu BandCamp como sempre. Ainda não tem nome, mas já tenho a atmosfera e sonoridade que quero para ele”, conta ao Rimas e Batidas. Por enquanto, não estão previstos featurings.


[Drenaz] Momentos

Um dos mais recentes fenómenos do rap crioulo em Portugal — mesmo que ainda não tenha explodido de vez — chama-se Drenaz. O rapper da Margem Sul prepara-se para editar uma mixtape este ano intitulada Momentos. O conceito consiste em ter faixas em torno de vários tipos de momentos da sua vida, sejam melhores ou piores. No total serão sete temas que serão lançados de seguida, durante uma semana, em Fevereiro. Drenaz garante que ainda não sabe a data certa porque está à espera de assinar contrato com “uma label grande”.


[Enchufada] Enchufada na Zona Vol. 2

Foi em 2017 que Branko e a sua Enchufada lançaram Enchufada Na Zona, uma compilação com produtores de vários cantos do mundo que se desdobrou no programa de rádio mensal na NTS e no evento que no ano passado se tornou um festival. No Verão de 2020 chega um novo volume da compilação — e a fasquia já está bem alta.


[Estraca] ?

É na Primavera que deverá chegar o novo álbum de Estraca, cujos temas já têm sido lançados como singles nas plataformas digitais. O disco tem estado a ser masterizado por Charlie Beats e em breve deverá chegar um novo single. Assim que estiver concluído, o álbum deve incluir um par de faixas inéditas. Em paralelo, e como já tinha sido anunciado, Estraca está a trabalhar num projecto conjunto com Madkutz.


[Fábia Maia] Santiago

“#NemSei” foi o início de Santiago, um EP de quatro faixas assinado por Fábia Maia, sendo que cada tema vai ser lançado num momento diferente. “Santiago é o filho que não nasceu. Fala sobre o divórcio dos meus pais e sobre a minha capacidade de superação no mundo da música, onde encontro todos os dias inúmeras dificuldades em singrar. O próximo tema será ‘#Rockstar’, fala sobre a luta diária de uma verdadeira rockstar aos meus olhos, ou seja, o trabalho duro e muitas vezes ingrato”, explica ao Rimas e Batidas.


[Filipe Sambado] Revezo

24 de Janeiro é também o dia em que é lançado o terceiro álbum do cantautor português Filipe Sambado, Revezo, uma edição da Valentim de Carvalho. Já se conhecem duas canções: “Jóia da Rotina” e “Gerbera Amarela do Sul”. A ideia de mudança, de recriação, está no centro da narrativa para este disco.


[Fínix MG] ?

Dois anos e meio depois do EP Níveis, Fínix MG lança o primeiro álbum da carreira pela Think Music. O lançamento estava previsto para o mês de Janeiro, pelo que poderá chegar a qualquer momento. O rapper de Massamá tem lançado vários singles, entre os quais “Amanhã Não Sei” e “Mt. Olimpo”, que poderão fazer parte do projecto.


[Frankie Baptista] ?

Desde que mergulhou no mundo do hip hop, trazendo consigo uma guitarra eléctrica, que Frankie Baptista não tem parado. O seu percurso é bem recente mas já é grande o suficiente para estar nos créditos do mais recente disco do americano Trippie Redd, A Love Letter To You 4. Tem apenas 21 anos mas já prepara o seu primeiro álbum, que chega em 2020. “Vou juntar vários artistas em diferentes faixas. Vou lançar vários singles, que culminam no álbum no final do ano”, conta ao Rimas e Batidas. A ideia é juntar artistas que habitualmente não imaginaríamos juntos e fazer produção executiva de todo o processo. O primeiro single chega em breve.


[General D] ?

Mais de 20 anos depois, General D — o primeiro rapper em Portugal a lançar um disco e um dos pioneiros da cultura hip hop no país — lançou em 2019 um novo single, “Zombie”, que fará parte de um álbum de regresso. Apesar de estar confirmado para 2020, ainda não tem data prevista. De qualquer forma, antes disso vêm aí dois novos singles (o próximo chega no final de Março). General D garante que terá muitos convidados neste trabalho mas ainda não revelou nomes.


[GPU Panic] ?

Guilherme Tomé Ribeiro, membro dos Salto e da banda de Moullinex, entre outros projectos, é também GPU Panic. Para este ano, o talentoso músico está a preparar nada mais, nada menos, do que três novos EPs.


[GROGNation x Sam The Kid] ?

Há vários anos que se fala de um projecto colaborativo entre Samuel Mira e o quinteto de Algueirão-Mem Martins. Depois de Classe Crua, Sam The Kid dedica-se aos beats para servir Harold, NastyFactor, Neck, Prizko e Papillon. No último ano foram lançados dois singles, “Orelhas Quentes” e “Pescoço”, e o EP conjunto deverá chegar antes do Verão.


[Holly Hood] Sangue Ruim

O segundo capítulo da trilogia de O Dread Que Matou Golias está prometido desde 2017. Já tem capa oficial (ilustrada pelo próprio Holly Hood) e um trio de singles que bateram com estrondo nas ruas: “Ignorante”, “Cala a Boca” e “Miúda”. 2020 poderá muito bem ser o ano em que ouvimos o resto.


[Holympo x Guire] Seasons

Depois do EP Arritmia, Holympo já tinha dito ao Rimas e Batidas que estava a trabalhar em Seasons, um projecto de quatro temas (além de uma intro) com o produtor Guire, em que cada faixa vai ter o nome de uma das estações do ano. Vai sair com o selo da Mio Motto, label/colectivo recém-fundado da Zona Centro. Holympo diz que ainda está a ser discutida a forma de lançamento, mas é possível que cada single seja revelado no primeiro dia da respectiva estação do ano. Já estamos a contar os dias para a Primavera. Holympo também resumiu em detalhe o EP ao Rimas e Batidas.

“O projecto vai tentar retratar o significado além do significado de cada estação. Isto é: talvez cada estação tenha um sentimento inerente mas eu tentei curvar esse conceito (que eu chamaria de redutor). A ‘Primavera’ trata todo o nascimento do ser da forma mais ignorante e satírica possível para tentar retratar o quão irónica é a vida à primeira vista. No entanto, na progressão da faixa, o sujeito poético apercebe-se de certas falhas que não são tão cómicas quanto parecem. ‘Verão’ trata de um caso verídico do cancro em estado terminal da Nelma, um anjo que eu tive a sorte de conhecer através do Twitter e que quando a contactei para dar força me falou da sua história de vida. O que me inspirou para escrever essa faixa foi um ato que parece simples mas que não se retrata assim na prática: tirar a peruca. Infelizmente, desde a criação da faixa, esse anjo já não se encontra entre nós. Que descanses em paz e que tenhas distribuído a tua força por mais gente além de mim. A faixa ‘Outono’ é a continuação da ‘Primavera’. Tentei retratar a questão de a força que a ‘Verão’ transmite resulte na tentativa de reversão de queda. ‘Se Outono me assombra onde está a sombra da dúvida, tão bro?’ resume tudo. Qual é a dúvida de que é necessário lutar contra isso? ‘Inverno’ é a continuação da ‘Verão’ mas noutro caso mais pessoal. Retrata a morte do meu avô que aceitou a sua morte. Tanto a ‘Verão’ como a ‘Inverno’ passam a mensagem de que na morte existem duas opções: lutar ou aceitar. Seja como for, o importante é sorrir independente da opção que se tome.”


[Holympo x Palazzi x Hyzer] ?

Outro projeto de que Holympo faz parte, e que o vai juntar ao parceiro de rimas Palazzi e ao produtor Hyzer, é um EP ainda sem título que também vai sair com o selo da Mio Motto. Aliás, já se pode escutar o single “vaivém” (e todos os outros temas terão videoclipes, se tudo correr bem). “O meu EP com o Palazzi resume-se numa compilação de brincadeiras de estúdio que resultaram num best-of da dupla. Apesar de tentarmos sempre manter a identidade individual, é impossível ignorar a química inegável entre nós. Aqui vão estar algumas das minhas faixas favoritas de sempre. O que sairá ao certo ainda não sabemos, todo o processo criativo está encaminhado. O que eu posso garantir é uma fusão lírica e melódica, o toque suave da minha voz com o toque agressivo da dele e uma autêntica chefia de produção por parte do Hyzer.”


[Il-Brutto] ?

Foi nos últimos meses de 2018 que João Pedro Almeida chamou a atenção do Rimas e Batidas quando, com apenas 19 anos, assinou por uma editora americana depois de várias colaborações internacionais. Na altura, o produtor dizia que “gostava de produzir um álbum de instrumentais com uma narrativa bastante sólida”. O seu próximo projecto será um EP editado pela Raia Records que chega este ano.


[In3gah] In3gah

In3gah pode ser um nome difícil de descodificar, mas tudo fica mais concreto quando juntamos o nome de Bambino ao de Sanryse. Esta dupla de OGs da Margem Sul prepara-se para lançar um álbum homónimo para o “início do ano” que também será uma edição da Raia Records. O primeiro single, “High On Life”, já pode ser ouvido e é uma boa prova do que aí vem.


[Instinto 26] ?

Julinho KSD foi, sem dúvida, um dos maiores fenómenos de popularidade do hip hop em Portugal no último ano — muito por culpa das sonoridades mais afro e dos refrões orelhudos. O seu sucesso foi o suficiente para que o seu grupo, os Instinto 26 de Mem Martins, assinassem pela Sony. Além de Julinho, Trista, Yuran e Kibow formam o colectivo, que prepara o EP de estreia para este ano. Não haverá só batidas mais quentes, claro, mas também uma estética mais próxima do trap e do drill. Terá entre cinco a seis faixas, com beats produzidos pelos conterrâneos Migz e Fumaxa (este último acompanha o grupo na estrada enquanto DJ). O habitual colaborador Ivandro vai participar num dos temas e o próximo single já fará parte do disco.


[Jimmy P] Abensonhado

A celebrar 10 anos de carreira, Jimmy P vai lançar um novo álbum, Abensonhado, já a 31 de Janeiro. O disco tem 16 canções (incluindo os singles “Ano Novo”, “Contigo”, “Vais Alinhar” e Até Voltares”) e participações de Carolina Deslandes, Deejay Télio, Djodje, Fernando Daniel, Gson, Nelson Freitas e Filipe Ret. O grande concerto de apresentação está marcado para 22 de Fevereiro e vai acontecer no Coliseu do Porto.


[João Pina] Memórias

Depois de anos a colaborar com nomes como NGA, Virgul, NBC ou Bob da Rage Sense, o cantor de soul e r&b estreia-se a solo com o EP Memórias, que será produzido por Tayob Juskow. “Tu Não Vês” é o primeiro single do projecto.


[João Tamura] ?

Depois de Singapura, João Tamura prepara o segundo acto do seu álbum de estreia. Terá provavelmente a mesma duração e continua a ser desenvolvido em conjunto com Link e Miguel Ropio, da editora Discos Distopia.


[Kaps] Kambo

Foi no início de 2018 que Kaps chamou a atenção do Rimas e Batidas com o single “Sapo Macaco”. Dois anos depois, está quase a chegar a prometida mixtape Kambo. Tem oito faixas (cinco delas já são conhecidas, incluindo a recente “Substância”) e deverá ser lançada ainda durante este mês de Janeiro. O projecto não conta com beats originais e tem apenas a participação de Low, membro da crew de Kaps, Mad Spit Records. Além disso, o MC revela que está já a trabalhar num projecto de originais com Migz, que o vai juntar a outros rappers e produtores.


[Karlon] ?

Depois de Griga, álbum de 2018, Karlon prepara um novo longa-duração para este ano. Ainda não há, porém, quaisquer detalhes sobre o mesmo. No entanto, o rapper que pertenceu aos Nigga Poison revela que está a escrever um livro sobre a sua história — muito focado nas vivências na Pedreira dos Húngaros — que vai incluir várias das suas letras, em formato de poesia. “Já há muito tempo que queria fazer o registo das minhas letras num livro”, conta ao Rimas e Batidas.


[Keso] Sinceramente, Porto

Foi em Dezembro que, no cartaz do Natal do Marginal (festival de hip hop organizado por Keso e a sua Paga-lhe o Quarto), o rapper e produtor portuense revelou pela primeira vez a sua compilação Sinceramente, Porto, numa sessão de escuta no Passos Manuel. É um projecto que vem no seguimento de Sincerely, Detroit, compilação em que Apollo Brown reuniu uma série de rappers da sua cidade para rimarem por cima dos seus beats, em homenagem a Detroit, portanto só podemos imaginar que Keso decidiu adoptar o mesmo formato para executar este trabalho. Como foi apresentado ao vivo em Dezembro, também só podemos supor que terá uma edição em 2020.


[Kombat] Trap C’est La Vie 2

Foi em 2017 que Kombat, rapper do Barreiro que rima (e bem) em inglês, se apresentou com Trap C’est La Vie. O segundo volume do projecto chega em Maio, garante ao Rimas e Batidas o MC que tem acompanhado 9 Miller na estrada.


[Landim] Renascimento II

Em entrevista ao Raptilário, Landim revelou que nos planos para 2020 está uma continuação do projecto que lançou este ano, ou seja, a segunda parte de Renascimento. O produtor Migz, também oriundo de Mem Martins, está responsável pela produção executiva e por alguns dos beats, mas a ideia, como Landim explicou, é incluir outro tipo de sonoridades e, por isso, outros beatmakers. Será o próximo trabalho de um dos maiores nomes do rap crioulo (ainda que na mesma entrevista tenha falado de outros projectos que estão a ser desenvolvidos).


[lazzzness] ?

Rafxlp deixou cair o nome artístico e é agora lazzzness. O produtor português revela ao Rimas e Batidas que irá lançar um novo EP com várias colaborações este ano, previsto para ser editado entre Agosto e Setembro. “Vou também colaborar com alguns artistas da minha cidade para ver se vingamos juntos nisto. O EP vai ser um espelho de mim, não vou estar com muitas coisas, quero que espelhe exactamente aquilo que sou, vai ser um desabafo de tudo o que tive de suportar em 2019 em termos psicológicos e ao mesmo tempo uma mensagem de fé para o futuro”. O próximo single será lançado a 1 de Março, fica a promessa.


[Lazuli] ?

O jovem produtor do Porto tem-se afirmado como um dos nomes mais promissores da produção nacional — 2019 foi um ano importante para o seu percurso ao colaborar com múltiplos artistas do meio. Ao Rimas e Batidas, adianta que está a preparar o seu primeiro trabalho, embora não esteja definido o formato. “Vou assumir o verdadeiro papel de produtor musical e, até, de artista. Vou fugir do que se está à espera”. Lazuli irá colaborar com vários nomes, que irão “adicionar voz” a alguns dos seus beats. “Embora algumas das faixas sejam só instrumentais ou só eu a performar”. Ou seja, é possível que Lazuli se estreie no microfone também. O produtor confirmou ainda que vai ter participações de artistas estrangeiros e que o conceito sonoro geral não será do universo do trap. Em relação à label? “Vai ser algo em grande.”


[Link] LongPlay Vol. 2

Já foi há dez anos que o DJ e produtor Link lançou LongPlay, um disco composto por si, com várias vozes da soul, r&b e cena hip hop portuguesa da altura. Para este ano, Link está a planear lançar o segundo volume do projecto, que terá participações de gente como Maze, Milton Gulli, João Tamura, Filipe Gonçalves, GriLocks, Miguel Ropio, Vasco Completo, Carla Lima e Mirza Lauchand. “Comecei a gravar há bué tempo, parei, depois voltei a gravar mais umas faixas e neste momento tenho as participações praticamente todas fechadas”, conta Link ao Rimas e Batidas, sobre o disco que deverá sair depois do Verão. Será uma edição da Discos Distopia de Miguel Ropio, com quem Link também está a colaborar noutro projecto, cuja ideia é ser idêntico ao que os Black Keys fizeram com vários rappers em BlakRoc. “Aqui a lógica será um bocado a mesma, ou seja, musicalmente irá beber-se a fonte do blues, da soul, aqueles beats gordos típicos do hip hop, toda aquela influência afro-americana, e vamos tentar mesclar tudo para depois permitir a participação de mais malta, o Miguel Ropio será uma das vozes principais mas haverá também o convite a rappers, sendo que aqui o objectivo até é mais criar algo distinto sonicamente”. Além disso, o primeiro LongPlay vai ser reeditado e irá incluir alguns remixes.


[Lisa Tika Masala]

Tayob Juskow e Conductor formam os Lisa Tika Masala, dupla que está a preparar um projecto instrumental com direito a especiarias exóticas. Novidades em breve.


[Lon3r Johny] ?

Tem-se afirmado como um dos nomes mais populares do trap em Portugal, e está nos planos da Think Music o lançamento do projecto de estreia de Lon3r Johny ainda antes do Verão. Não é certo se os singles já conhecidos irão integrar o trabalho.


[Lutz] Tsunami

O jovem rapper Lutz tem feito algum furor com singles como “Navegar”, “Road” ou “Ozono”. Em Abril, deverá chegar o seu primeiro álbum, intitulado Tsunami. “É um álbum em que basicamente vou contar a minha versão da história sobre a nova escola. É mostrar ao pessoal que outros tipos de música também encaixam em Portugal, e que o estilo que predomina vai mudando de acordo que o tempo passa. É mostrar que hip hop não é mau, nem que trap é o melhor, que são estilos diferentes mas parecidos. Vai conter 14 faixas, em princípio com quatro feats, apenas com artistas de trap da nova escola”. O projecto independente terá participações de ManThinks e Brknhrt.


[M.A.C.] Sem Título

Outro projeto que já está prometido há dois anos mas que ficou adiado é o álbum que irá assinalar o regresso dos M.A.C., dupla de TNT e Kulpado. Desta vez, a Missão a Cumprir é sem título — o álbum chega provavelmente durante a Primavera e é o sucessor de Muito a Contar, de 2012. Será todo produzido por DJ Player e já é conhecido o single “Torcicolo”. É, claro, uma edição da Mano a Mano.


[YOUNGSTUD e Sensei D.] ?

Um rapper da nova geração e um produtor experiente juntam-se para criar um disco a meias. A fase de produção já está concluída e a gravação está na recta final, pelo que se espera que o disco saia antes do Verão.


[Mascote] Legado

1 de Dezembro deverá ser o dia do lançamento de Legado, o novo disco do rapper Mascote, que vai ter 12 faixas e feats de Subtil, Nameless, Britexx, Irina Cruz, Lady N e Edna Oliveira, além de scratch de Gijoe e X-Acto. “Como o próprio nome indica é um álbum em que irei deixar o meu testamento de valores, princípios e aprendizagem nesta viagem que tem sido a vida, e retratar como o hip hop salvou a minha vida e passou-me este legado que tanto me tem guiado e que quero materializar para que também possa guiar esta e as próximas gerações”, explica o MC algarvio. Será uma edição da Kimahera.


[Maudito x Beiro] ?

Até aqui, Gustavo Sousa era conhecido como Weis. No entanto, o rapper portuense decidiu alterar o nome artístico para Maudito e vai lançar um EP a meias com o produtor Beiro (a rondar a meia dúzia de faixas) que deverá sair nos próximos meses. Já se pode ouvir o primeiro single deste projecto, “Dá-me Espaço”, que conta com a participação de João Não. “A mudança de nome é principalmente pelos problemas fonéticos do anterior. Gerava confusão em vários pontos e eu nem adorava o nome; gostava das letras mas do nome não. Prefiro uma palavra portuguesa embora o de agora não seja uma palavra de dicionário; ainda assim é mais português do que Weis”, explica ao Rimas e Batidas.


[Maze] com Spock, DJ Oder e Sérgio Alves

2020 promete ser um grande ano para Maze, MC dos Dealema. O rapper tem três trabalhos na calha: um EP com DJ Oder, um álbum com o produtor Spock (do qual já foram apresentados vários singles) e outro trabalho com composições do músico Sérgio Alves. “Com o Oder vou ter o meu rap em beats de drum n’bass”, explica Maze ao Rimas e Batidas. Quanto a Sérgio Alves, será um “EP conceptual para ser gravado com a orgânica de banda ao vivo”. “Eu espero que saia tudo na primeira metade do ano. O disco com o Spock provavelmente será em Abril.”


[MDA] 14 G’s de MDA

Lois e Biex estiveram algum tempo sem criar juntos, enquanto MDA. Já foi há 11 anos que lançaram o álbum Alt e Paró Balho. “Podemos dizer que voltámos a encontrar-nos e estas músicas são como uma apresentação de um regresso verdadeiro à criação. Sem rótulos nem estilo definido”, descreve Lois, sobre o disco de seis faixas que vai sair ainda nos primeiros meses do ano. “À medida que íamos compondo canções, partilhámos vários pontos de vista em relação à negatividade que nos invade a alma, sobre a forma como desvalorizamos as coisas mais importantes da vida. Quando já tínhamos algumas músicas compostas, sentimos que havia um fio condutor e percebemos que tínhamos um disco em mãos”. Fragas e Makuso serão os únicos convidados desta edição com selo da Kimahera que estará disponível em vinil (com remisturas e instrumentais) e CD.


[Metamorfiko] ?

Além de Vulto., o grande nome na produção do colectivo de Colónia Calúnia é Metamorfiko, que lançou um disco a meias com Secta, [caixa], em 2018. O beatmaker irá lançar o primeiro longa-duração a solo nos próximos meses e estamos, no mínimo, curiosos.


[Minus & MRDolly] Broken Hearts Make Broken Beats

Depois do álbum de instrumentais Man With A Plan, Minus está de volta este ano, mas com um projecto bastante diferente, de broken beat jazz. Deverá ser editado entre Março e Abril e vai ser editado em vinil pela editora Jazzego. “Pertencerá a uma série de discos que sairá pela label e que contará com cinco volumes — o quinto espera-se que seja um disco ao vivo com a interpretação dos temas dos outros quatro”, conta Minus ao Rimas e Batidas. Hugo Danin (bateria) e Sérgio Alves (teclados) vão acompanhar Minus neste projecto que terá ainda uma remistura de um produtor estrangeiro e um tema com voz de Mary Raisekings.


[Moda Vestra] ?

Este é o projecto que junta a música de Sickonce à do acordeonista João Frade. O disco, previsto para sair em Março, vai ter 14 faixas e é uma das edições da Kimahera para 2020. Edgar Valente, Ricardo Martins, Filipe Valentim, Paulo Machado e Emanuel Marçal também participam no projecto. “Moda Vestra surge de uma encomenda feita pela rede Azul de teatros com apoio do 365 Algarve. A proposta foi juntar musicalmente Sickonce e João Frade. A criação foi apresentada nos 11 teatros/auditórios do Algarve enquanto era desenvolvida num processo contínuo e mutante. Após esta viagem, a versão disco (vinil + CD) concentra o que foi este confronto conceptual entre duas linguagens e duas realidades temporais. Moda Vestra procura contar uma passagem no tempo, do tradicional ao mais contemporâneo propondo-se a apresentar a sua própria proposta de futuro”, diz a Kimahera.


[Moullinex] ?

Três anos depois de Hypersex, chega o novo álbum de Moullinex, que será editado depois do Verão. Este é um trabalho com uma sonoridade mais introspectiva e talvez menos optimista. Alguns dos convidados do disco serão revelados na residência de três datas que Luís Clara Gomes vai ter no Musicbox a 23, 24 e 25 de Janeiro.


[Mundo Segundo] ?

Nos últimos dois anos, e de forma discreta e silenciosa, Mundo Segundo — indubitavelmente o maior impulsionador da cultura hip hop no Porto — esteve a preparar uma nova compilação “à moda antiga”. “Estão 40 ou 50 pessoas envolvidas, entre as quais os Dealema. É uma compilação toda produzida por mim, que era algo que eu já não fazia desde o tempo do Roka Forte, em 2002. Já acabei de gravar, estou na fase de misturas”. Vai ser lançada em Junho e irá incluir rappers de Norte a Sul do país, desde o Minho até ao Algarve. Todas as sessões em estúdio foram documentadas em vídeo e o disco também estará disponível nesse formato. “É criar um pouco o espírito que havia nas mixtapes antigamente”. São várias posse cuts compiladas (cada tema tem pelo menos quatro pessoas a participar). “Houve muita gente que se conheceu nas próprias sessões, tenho MCs de Viana do Castelo a rimar com MCs do Algarve e conheceram-se no estúdio. É uma compilação de rap pelo rap, não tem nada de pretensioso de tentar criar um hit ou um mega êxito.”


[Mz Boom Bap] The Raw Version of Smooth

O produtor de Amarante que é especialista nas sonoridades mais cruas e clássicas do hip hop vai ter um novo álbum de instrumentais para este ano, que deverá sair no segundo semestre de 2020. Vai contar com uma dúzia de faixas. “Foi um disco produzido apenas com máquinas como a Emu SP12, Emu Emax 1, Ensoniq EPS 16 e Akais950. São batidas do início dos anos 90.”


[No, She Doesn’t] ?

A editora e colectivo No, She Doesn’t vai lançar uma nova compilação com vários artistas, incluindo temas de DJ Spielberg, DJ Legwarmer, DJ Baywatch, DJ Unsure e de um artista de Nova Iorque, Jacques Renault. Vai ter seis faixas e será lançado entre Março e Abril.


[Nero, Amon e DJ Sims] Sem Tirantes

Já tinha sido revelado que a Raia Records iria lançar um EP que ia juntar os rappers Nero (Orteum) e Amon (Top Dogs) a DJ Sims. O trabalho intitula-se Sem Tirantes e vai ter seis faixas.


[Nídia] ?

Em 2017, Nídia lançou um álbum que a catapultou para as listas de melhores do ano de publicações globais tão conceituadas como, por exemplo, a Rolling Stone. Em 2020, chega o sucessor de Nídia é Má, Nídia é Fudida. Será uma edição da Príncipe, claro, embora não haja ainda mais detalhes.


[No Future] ?

Ivo Diodato, aka No Future, é um dos produtores que ouvimos com regularidade nas compilações e projectos da Monster Jinx. O seu primeiro álbum chega este ano e é o sucessor do EP Excuse My French, editado já em 2014 pela mesma label/colectivo.


[Octa Push] ?

Já foi em 2016 que os irmãos Bruno e Leonardo Guichon — mais conhecidos como Octa Push — lançaram o último trabalho, Língua. Há dois meses, a dupla apresentou um novo single, “Awere”, que será o prenúncio para um novo disco, do qual ainda não se conhecem pormenores, embora esteja previsto para 2020.


[Odete] Water Bender/Light Sucker

A artista multidisciplinar Odete também tem novidades para este ano. Em Março vai lançar Water Bender, um EP que irá ser editado por uma label londrina — a release party está marcada para dia 27 do mesmo mês na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. Além disso, Odete fará um disco em conjunto com Drvgzila que será uma espécie de banda sonora para uma anime/narrativa que ambos estão a desenvolver. A ideia é ter músicas para cada personagem e momento.


[Orteum] ?

O trio de Tilt, Nero e Mass vai ter um novo EP de cinco ou seis faixas em 2020, numa edição da Raia Records. Este não é ainda o trabalho que vai juntar os rappers aos beats de Sensei D..


[Palazzi x benji price] ?

Além do trabalho com Holympo e Hyzer, o rapper Palazzi está a preparar um EP em conjunto com o mestre da Think Music benji price. Ainda não há data, mas o lançamento está a ser apontado para o final da Primavera. “O conceito será ‘menos é mais’, don’t overthink, don’t overwrite, ou seja, gerar em cada faixa uma vibe própria, é a fusão das nossas energias neste momento específico das nossas vidas. Não vai ser um projecto do Palazzi ou um projecto do benji, mas sim um projecto colaborativo que resultará do que surgir naturalmente e de para onde a música nos levar”, conta Palazzi ao Rimas e Batidas.


[Papillon] ?

Deepak Looper mudou definitivamente o percurso de Papillon, que já tinha uma caminhada substancial em grupo com os GROGNation. O trabalho produzido por Slow J foi um dos melhores discos portugueses de 2018 e terá um sucessor em 2020. Só ainda não é certo se vai ser um álbum ou um EP.


[Paraíso] 

A editora Paraíso tem vários trabalhos planeados para 2020, incluindo o primeiro EP de DJ Paulo (também conhecido como Silvestre), Sons Pa Curtir, que irá ser o primeiro lançamento em nome próprio da sub-label Rave Tuga. Vai ter remixes de Bleid e Roundhouse Kick. Além disso, vão lançar em vinil um EP de Unknown — uma identidade misteriosa de um herói do Porto a viver em Londres — que se vai intitular Dead Soul. Na calha estão ainda lançamentos de Morrice, Bleid, Diogo e música nova de Mind Safari e Citizen:Kane.


[PEDRO] Da Linha

Depois de vários EPs e inúmeras colaborações, chega finalmente em março o primeiro álbum de Pedro, uma das estrelas da Enchufada (e, porque não, da música portuguesa), que se irá chamar Da Linha. “Escolhi este nome como uma homenagem a todas as influências e a tudo aquilo que a minha zona me deu, como me moldou enquanto produtor musical e DJ e também para dar continuidade a todo o trabalho que tenho feito, onde tento sempre representar-me através do sítio de onde venho”. Já se pode ouvir “Calores”, o terceiro single do projecto, que terá um total de dez faixas. Não é certo se vai incluir participações, mas, se tivéssemos que apostar, diríamos que sim. 

Pedro Maurício acrescenta: “Com este disco, que é o meu primeiro, trabalhei mesmo para dar um step up daquilo tudo que tenho feito, quase como se fosse um 2.0 daquilo que sou enquanto artista. Explorei novos sons e novas formas de alcançar certas direcções e estéticas, usando como base tudo aquilo que já fiz até hoje e estou genuinamente feliz com o resultado porque, para mim, significa que consegui dar esses passos, crescer com a identidade que tento colocar nos meus temas. Tudo isso também está relacionado com o local de onde venho, que tento mostrar não só pelas faixas mas também pelo que conto à volta dos mesmos, como os títulos, etc., e continuar a desenvolver essa conexão entre a minha zona e o resto do mundo.”


[Pedro Mafama] ?

Pedro Mafama tem tudo para ser um dos artistas portugueses que vai definir a próxima década e encontra-se neste momento a ultimar o seu álbum de estreia, que vai ser lançado na Primavera. Será o sucessor dos EPs Tanto Sal e Má Fama.


[PML Beatz] Pedra de 800 Kg

24 de Janeiro é ainda o dia em que será editado o primeiro disco do ano da Príncipe: o 12 polegadas Pedra de 800 Kg, que marca a estreia dos PML Beatz.


[Polido] Sabor A Terra

O produtor português, que esteve em destaque no ano passado no Rimas e Batidas, tem novidades preparadas para 2020. “Tenho duas cenas novas para saírem este ano: o álbum/banda sonora para o filme A Casa e Os Cães e outro álbum, que se chama Sabor A Terra e vai sair pela Holuzam, ainda sem data exacta.”


[Pongo] Uwa

Desde que regressou com uma carreira a solo que Pongo tem somado trunfos atrás de trunfos. Foi nomeada uma das “100 Essential New Artists for 2020” pela revista NME e vai ter em breve uma tour europeia. O seu segundo EP, Uwa, é mais um passo nesta caminhada que se espera longa. Vai ser editado a 7 de Fevereiro e inclui o single “Canto”, primeira música de Pongo em portunhol, que encontra coordenadas entre o mambo e o kuduro. 


[prettieboy johnson] ?

É mais um dos rappers da Think Music com o projecto de estreia previsto para este ano. prettieboy johnson deverá lançar um EP antes do Verão, com o primeiro single — uma colaboração — a sair muito em breve.


[Prétu] Tchada Elektro

Prétu é o mais recente projecto musical de Nuno Santos, músico, produtor e rapper da Arrentela, Seixal, mais conhecido enquanto Chullage. Autor de três álbuns clássicos do cancioneiro rap português — Rapresálias, Rapensar e Rapressão — adoptou também recentemente os nomes Sr. Preto e AKapella47 em trabalhos multidiscipinares guiados pelo spoken word. No ano passado estreou-se como Prétu com o singleWaters (Pa Nu Poi Koraji)”. Nesta mais recente investida musical, Chullage passa também a assumir a produção integral dos seus temas (exceptuando a participação de alguns músicos convidados) “a partir de um universo de samples que sempre tiveram ressonância em si ou que fazem parte das suas memórias de infância”. O álbum vai sair este ano, mas ainda não está fechado — certo é que não terá os feats habituais de um disco convencional de hip hop.


[ProfJam] #000000

Depois de se vestir de branco em #FFFFFF, Mário Cotrim está preparado para uma mudança total no guarda-roupa: #000000 sai em Fevereiro. E, pelos vistos, há ainda outro projecto na calha…


[Rafa G] Mr Muda Flow

Um dos nomes mais populares da nova geração do rap crioulo é Rafa G, que irá lançar o EP de estreia em Fevereiro. O trabalho de sete faixas conta com participações de Kappa Jotta, Monsta e Julinho KSD, e instrumentais de Young Max, Beats by G e Diogo Cruz. 


[Regula] Ouro Sobre Azul

Há três anos que ouvimos falar acerca de Ouro Sobre Azul, o sucessor de Casca Grossa. Depois de uma pausa grande, Regula lançou recentemente uma nova faixa, “Júlio César”, pelo que pode indicar que o seu próximo trabalho está para breve. Apostamos que não escapa a este ano.


[Richie Campbell] ?

Depois da experiência de sucesso — e a viragem na carreira — que foi Lisboa, editada nos últimos dias de 2017, Richie Campbell promete lançar um novo álbum em 2020. A faixa mais recente que apresentou, “Just One of Those Days Freestyle”, produzida pelo companheiro DJ Dadda, vem na mesma linha e por isso sabemos que estética esperar.


[Rotten//Fresh]

“Os lançamentos que vão acontecer este ano são o novo álbum do UNITEDSTATESOF (Selections 1, para Março) e o álbum do Menino da Mãe (Junho)”, conta a editora Rotten//Fresh ao Rimas e Batidas. “Temos também o novo do Ostrol e o primeiro EP de Gabberolas.”


[Scorp] Asa de Mosca

O rapper das Caldas da Rainha prepara o trabalho que vai suceder à mixtape UMPORUM, editada em Junho de 2017, para sair este ano. Ainda não é certo se será um álbum ou um EP, mas vai ser todo produzido por Don’t Like, com quem já colaborou em “Straight Edge”. 


[Sickonce] Sequence #3

O multifacetado Rafael Correia, aka Gijoe aka Sickonce, lança o terceiro EP da série Sequence já nas próximas semanas. Vai ter cinco faixas e “anda em volta de uma sonoridade mais lo-fi”. 


[Silab & Jay Fella] Ed Harris Tape

Já há algum tempo que os ouvintes de hip hop mais atentos aguardam pelo disco de estreia pela Mano a Mano da dupla de Silab & Jay Fella, dois artistas que transportam nas veias o slang e a vibe da Margem Sul para qualquer que seja a faixa em que entrem. Este EP terá oito faixas e será lançado neste início de ano. Terá instrumentais de vários produtores e dos próprios artistas.


[Silvestre] ?

O produtor português Silvestre continua a estabelecer ligações entre Lisboa e Londres em 2020. “Este ano como Silvestre vou lançar mais um EP, por uma editora londrina fixe e com remixes de produtores bem familiares aqui na tuga. Acho que vai ser o EP com mais power desde que comecei, para ser honesto.”


[Sir Scratch] ?

Há um par de anos que Sir Scratch anda a cozinhar o seu regresso. O álbum deverá finalmente chegar no primeiro semestre deste ano e é uma edição da Universal Music em parceria com os estúdios Big Bit, o local onde este disco ganhou forma, com a ajuda de diversos produtores. Sir Scratch diz ainda que planeia reeditar o já clássico Cinema em vinil e garante que também está a trabalhar num EP com NBC.


[Stereossauro] ?

Depois de Bairro da Ponte, um dos melhores discos do ano para o Rimas e Batidas, o produtor das Caldas da Rainha já prepara o próximo trabalho, que poderá sair em 2020. Em Fevereiro chega o primeiro single, que irá desvendar melhor o conceito do novo álbum. Além disso, Stereossauro está a trabalhar num novo projecto de Beatbombers com a outra metade da dupla, o seu companheiro de sempre DJ Ride.


[Subtil] C’Alma

Depois de Aquém-Mar, o disco de estreia, e de vários concertos pelo meio, Subtil regressa C’Alma. Foi gravado por Reflect e será uma edição da Kimahera, sendo que junta instrumentais de diversos produtores. “C’Alma, como o próprio nome indica, será um projecto feito com calma e com a alma, onde eu tento explorar mais que nunca os meus flows e métricas”, revela ao Rimas e Batidas. Não será um trabalho com muitas participações e deverá rondar as 15 faixas.


[Tayob Juskow] Reality/Bring the Noiz

O produtor da Margem Sul Tayob Juskow vai lançar um EP intitulado Reality, com três faixas sem participações (usando apenas algumas back vocals). “Visions of Reality” será o single do projecto, que vai ser lançado com videoclipe. O trabalho foi todo misturado por Tayob e masterizado pelo próprio, em conjunto com Alex Wharton, nos míticos estúdios de Abbey Road, em Londres. Deverá ser lançado entre o final de Janeiro e o mês de Março. Tayob Juskow está ainda a trabalhar noutro projecto, Bring the Noiz, que consiste no lançamento de vários singles com convidados que depois culminarão num único disco. A primeira faixa já foi gravada, pelo que deverá ser lançada nas próximas semanas, e a participação especial é de Chullage.


[Tristany] Meia Riba Kalxa

Tristany é um artista de Mem Martins, próximo dos Instinto 26 — não confundir com Trista, membro do quarteto — que, embora tenha poucos temas lançados, já conseguiu afirmar a sua identidade bastante própria. O seu primeiro trabalho vai chamar-se Meia Riba Kalxa e é um álbum que inclui as faixas que o músico tem lançado no YouTube.


[Virgul] ?

Virgul lançou-se a solo (e com sucesso) em 2017, com Saber Aceitar. Este ano, o mesmo em que se assinala o esperado regresso dos Da Weasel, o cantor prepara-se para apresentar um novo trabalho editado pela Warner Music. Sam The Kid já revelou que é um dos convidados do projecto e que tem um dos seus versos favoritos dos últimos tempos.


[X-Tense] Nuno.

Para além da continuação da série Pablo, X-Tense prepara um novo projecto intitulado Nuno.. Ainda sem mais pormenores, a única certeza é que sai este ano.


[Xinobi] ?

Também foi em 2017 que Xinobi lançou o seu último disco, On the Quiet. O experiente produtor português da Discotexas tem regresso confirmado com um álbum para 2020.


[Walez] ?

Um dos dois rappers dos Double Trouble prepara-se para se emancipar com um álbum a solo — embora apenas com beats do produtor do grupo, Alley. Deverá sair em Setembro e vai ter um “conceito pessoal” que Walez ainda não deseja revelar. O disco conta com 13 faixas e poderá ter dois featurings.


[Wet Bed Gang] ?

“Head na Glock” e “Depois da Chuva” são os mais recentes singles do quarteto maravilha de Vialonga formado por Gson, Zara G, Zizzy Jr. e Kroa. Após um ano aparentemente mais parado, apostamos que isso significa que o primeiro álbum dos Wet Bed Gang chega em 2020.


[Yuzi] ?

O rapper da Think Music já prometeu que em breve sai um novo single, “Capaz”, que fará parte de um EP que está a ser cozinhado no estúdio da label. Por agora não há mais detalhes sobre o primeiro trabalho de Yuzi, mas está previsto para 2020.


[ZABRA]

“A nível de lançamentos vamos ter durante o ano a Violeta Azevedo, a Joana Guerra, IHHH (de Barcelona), a Rubina dos 2jack4u com o projecto Trigher e mais para o final do ano Menino da Mãe. Vamos ter uma colectânea de artistas convidados onde vão fazer uma faixa em exclusivo para uma exposição artística imaginária. Para já ainda não se pode revelar nomes, só mesmo com o lançamento. Mas pode-se dizer que vão participar artistas emergentes nacionais que desafiem novas abordagens sonoras, o intuito de cada um é criar uma música ou sonoplastia para uma determinada peça artística imaginária e vai no encontro de provocar um desafio em sair da sua zona de conforto e explorar com as suas ferramentas um mundo que vamos proporcionar, ou seja, pelas criações imaginárias do artista da casa João Pedro Fonseca”, revela fonte da ZABRA ao Rimas e Batidas.

Ricardo Farinha

Ricardo Farinha

Jornalista. Colabora desde os 18 anos com várias publicações culturais — as rimas e batidas sempre foram inerentes à vida.
Ricardo Farinha