MGDRV no Musicbox: Prontos para tentar novamente

[TEXTO] Vasco Completo [FOTO] Daniel Cascalhais

Exactamente cinco anos depois do seu primeiro concerto, os MGDRV regressaram ao espaço que os viu dar os passos iniciais para o que seria uma carreira com altos e baixos. O trio surgiu numa altura em que o trap e as sonoridades mais pesadas e electrónicas ainda estavam a ganhar espaço entre os amantes nacionais de rap. Como tal, MGDRV EP era uma obra diferente e ancorada nos bangers “Salta Só”, “Megacap” ou até “Kane” e a hipnótica “Cascavel”.

Se estiveram na linha da frente no princípio, a verdade é que essa bandeira vanguardista deixou de estar à vista nos últimos anos, muito por culpa de desvios e procuras por outras sonoridades. Isto para explicar as razões que levaram a este “RESET”. O grupo não ficou qualquer ano em branco, no que diz respeito a lançamentos, mas viu-se afastado daquilo a que se propunha. Daí a necessidade de voltar à estaca zero. E foi por isso que nos voltámos a encontrar no Cais do Sodré, cinco anos depois.

O concerto começou com a mais recente canção, “RESET”, pondo logo o tema do dia em perspectiva. De elefante na sala para chapada na cara. O público – “poucos mas bons”, como Pité diria mais tarde – mostrou-se conhecedor a apoiar esta fase em que os MGDRV voltam a pegar no comando. De seguida, “Cascavel”, a faixa que deu o pontapé-de-saída deste projecto em 2013.

É admirável a atitude com que os MGDRV regressam depois de um período em que as coisas não correram como esperavam. No entanto, e no fim de contas, “RESET” não é voltar à estaca zero, como nos confessam, até porque isso seria impossível. Há um background destes cinco anos que não foi esquecido. As escolhas para o alinhamento do concerto demonstraram exactamente os momentos nos quais se desviaram daquilo que eram na sua génese.

Tanto não é voltar à estaca zero que até se percebe a reacção mais efusiva do público nalgumas das faixas mais marcantes. Em “Megacap” voltamos ao primeiro EP, seguida de “Abana a Cabeça”. “People à Rasca” foi outra das músicas que colocou a energia nos píncaros.



Enoque entrou como primeiro convidado do concerto para acompanhar “Tudo Bem”, faixa de DRAIVE, alimentando estética mais r&b, pop e soalheira do grupo; “Nada a Ninguém” trouxe o momento mais sentimental da noite. A banda relembrou que nunca fica mal abrandar por uns momentos para dar espaço para mais emoções no espectro. E tiveram razão, diga-se já agora.

“MAMMA DRAMA” e “PODER DUMA IDEIA” colocaram Apache, homem das máquinas – e anteontem também das guitarras em “Tenda VIP” –, na frente do palco para cantar os refrões, não hesitando perante a mudança de funções.

MAR, a segunda convidada, entrou para tocar a sua nova faixa “Alright”, na qual participaram os MGDRV e cuja letra já estava decorada em algumas das bocas presentes entre o público. Leaks

“Tu Não Tens” (adaptação de “Taras e Manias” de Marco Paulo) foi das músicas mais bem recebidas, tanto na discografia do trio como neste concerto, logicamente. “Salta Só” também foi efusivamente cantada e, como o título pede, saltada ao som dos fortíssimos graves e da boa equalização que se ouviu no Musicbox. Depois disso, o trio despediu-se alegremente com a sensação de missão cumprida.

Embora a data fosse injusta — houve concerto de Stereossauro no Lux, Na Surra no B.Leza ou Sam The Kid & Napoleão Mira no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço –, os MGDRV não ficaram esquecidos. E era exactamente esta a energia, aliada a alguma da inovação que trouxeram para o hip hop português, que separava Apache, YoCliché e Pité do resto. Mas deixemos o passado: o reset está feito.


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