MC Buseta, Ramonzin, Edgar, Jaloo e Venga Venga no MIL’19

[TEXTO] Núria R. Pinto

As rimas e as batidas fazem-se representar também no MIL, o festival que regressa a 27, 28 e 29 de Março ao Cais do Sodré, em Lisboa, e que tem como principal objectivo promover o networking entre artistas e a indústria musical global.

Do lado de cá surgem nomes como A Negra, Beautify Junkyards, Conan Osiris, Conjunto Corona, Ghost Hunt, João Pais Filipe, Octa Push, PAUS e Scúru Fitchádu, enquanto que do lado de lá do Atlântico o Brasil exporta quatro nomes que prometem fazer as delícias da comunidade ReB.

Ramonzin, o rapper do Rio de Janeiro que em 2017 chegou com o EP Made in Madureira, lançou Subindo a ladeira, o seu primeiro trabalho, em 2008 mas foi em 2010 que o single “Se ela soubesse…” o colocou em destaque no airplay brasileiro. Com uma forte conexão à cena alternativa carioca e ao skate, o MC começou a participar nas rodas de freestyle em 1999 e acompanhou activamente as várias fases do hip hop do RJ, chegando a sagrar-se campeão de várias batalhas de freestyle.



Edgar aka O Novíssimo Edgar, o “rapper futurista” de Guarulhos (São Paulo) que inclui o rap, a spoken word, a dança e as performances nas suas apresentações , lançou Ultrassom no segundo semestre de 2018 e apresenta-o em Março, pela primeira vez, em Portugal. Produzido por Pupillo (Nação Zumbi), Ultrassom inclui 10 faixas que bebem de referências tão diversas como Kraftwerk, Blade Runner ou George Orwell num mar de electrónica e sintetizadores.



Para Jaloo, a visita não é inédita: depois de ter actuado no MusicBox ao lado dos espanhóis Monsier Cactus em Novembro passado, o músico e produtor de Belém (Pará) regressa ao Cais do Sodré em ambiente de expectativa para o lançamento do seu próximo álbum, FT, previsto para 2019. Considerado a Björk brasileira, Jaloo traz-nos o que classifica como “Sci-Fi brega”: uma mistura de tecnobrega com electro 8-bit e ritmos latinos, levando como principal referência do trabalho a periferia, seja ela de Belém, do Brasil ou do mundo.



No final de 2018, a Vice apresentava-o como o primeiro MC brasileiro a construir uma carreira a partir do exterior. Barcelona acolheu MC Buseta, o músico de São Paulo que aos 10 anos se fixou na cidade catalã e que por lá colheu a maior parte dos louros do seu trabalho. Aliando o funk ao reggaeton e escolhendo o castelhano para trabalhar as suas composições, o MC estreia-se em Lisboa na próxima primavera e apresenta Heart Breaker The Mixtape.


Agitadores culturais activos na cena brasileira, os Venga Venga voltam a espalhar o seu “folclore do futuro” pela cidade. A dupla, composta pelos artistas multidisciplinares Denny Azevedo e Ricardo Don, começou por criar um projecto de pesquisa musical apresentado em forma de festas que rapidamente passou a ser uma plataforma, ou “movimento cultural itinerante”, dedicado ao bass global.


Núria Rito Pinto

Núria Rito Pinto

Hip hop, r&b e brasilidades com tanta moderação quanto vontade. Fundou o clube de fãs da “Corda” do Boss AC, já comprou CDs pela capa e preferia comer douradinhos frios todos os dias do que ficar sem Spotify.
Núria Rito Pinto

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